"Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global", de Paulo Ramalho

18 de julho de 2026 | 17h00 | Bar Flor do Tejo | Cais de Vila Franca de Xira

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global, de Paulo Ramalho, pertence à rara categoria das obras que recusam o conforto da literatura de viagem para se transformarem numa interrogação sobre o mundo e sobre nós próprios.

Antropólogo de formação, escritor por necessidade e viajante por inquietação, Paulo Ramalho conhece profundamente a Guiné-Bissau e o arquipélago dos Bijagós, um dos últimos territórios africanos onde a memória ancestral, os rituais, a natureza e a resistência cultural permanecem vivos perante a crescente uniformização do planeta. O seu olhar não é o do turista nem o do repórter ocasional. É o de quem sabe que um povo nunca se descreve apenas pela paisagem, mas pela forma como enfrenta o tempo, a morte, a comunidade e o sagrado.

Neste livro, os Bijagós deixam de ser apenas um arquipélago perdido no Atlântico para se tornarem uma metáfora do nosso tempo. A viagem conduz o leitor para lá da geografia, confrontando-o com as grandes questões do século XXI: o esgotamento do modelo ocidental, a crise ecológica, a desigualdade entre Norte e Sul, o legado do colonialismo e a procura de outras formas de habitar o mundo.

A literatura da Guiné-Bissau ensinou-nos, através de vozes como Abdulai Sila, Tony Tcheka ou Filinto de Barros, que a identidade nasce do diálogo permanente entre memória e futuro. É nesse território de fronteira que Paulo Ramalho inscreve a sua escrita. Sem exotismos nem paternalismos, aproxima-se dos Bijagós com o respeito de quem escuta antes de interpretar, oferecendo ao leitor uma narrativa onde a antropologia e a literatura se cruzam para revelar uma realidade simultaneamente bela, complexa e profundamente humana.

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, devolve-nos perguntas que preferimos adiar. Que significa viajar quando o mundo parece caminhar para o colapso? O que procuramos no outro que não sejamos capazes de reconhecer em nós? Será o Sul Global apenas uma geografia ou poderá ser também um lugar de resistência, de aprendizagem e de esperança?

Mais do que apresentar um livro, esta sessão propõe um encontro entre leitores, viajantes e todos aqueles que acreditam que a literatura continua a ser um dos poucos lugares onde ainda é possível compreender a complexidade do mundo.

No dia 18 de julho, às 17 horas, o Bar Flor do Tejo, em Vila Franca de Xira, junto à marina, será palco desta conversa. Um espaço de proximidade para ouvir o autor, descobrir as histórias que deram origem ao livro e participar num diálogo sobre a viagem, a cultura, a Guiné-Bissau e os desafios do nosso tempo.

Porque há viagens que terminam quando regressamos a casa.

E há livros que só começam verdadeiramente quando fechamos a última página.

Lançamento de Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global
Paulo Ramalho
Sábado, 18 de julho de 2026 | 17h00
Bar Flor do Tejo –  Cais de Vila Franca de Xira  


13.07.2026 | por martalanca | Bijagós

“Mulheres que carregam”: concurso do Festival do Minuto reflete sobre a força feminina cotidiana

Festival do Minuto convida realizadores a enviarem vídeos de até 60 segundos sobre o tema “Mulheres que carregam”. As inscrições para este e outros concursos temáticos vão até 31 de julho, e os melhores vídeos concorrem ao Troféu Minuto. Clique aqui para assistir à vinheta do concurso. O que uma mulher aguenta carregar? Uma criança, uma família, um país? O mundo inteiro? É nesse vasto campo de possibilidades que o Festival do Minuto lança o concurso temático “Mulheres que carregam”. A proposta é aberta a interpretações diversas, estimulando olhares autorais sobre o tema em vídeos de até um minuto.

Inscrições até 31 de julho “Mulheres que carregam” é um dos 9 concursos temáticos lançados no 1º semestre de 2026 pelo Festival Permanente do Minuto, todos com inscrições abertas até 31 de julho.

Além dos concursos temáticos, o Festival também mantém inscrições abertas para as categorias permanentes mensais: Tema Livre, Animação, Nano Minuto e Minuto Vertical. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site: www.festivaldominuto.com.br. 35 anos de Festival do Minuto

Criado em 1991, o Festival Permanente do Minuto é pioneiro no formato de curtíssima duração, incentivando a criação de vídeos de até 60 segundos antes mesmo do surgimento das redes sociais. Gratuito, online e permanente, passou a alcançar todo o planeta. No Brasil, atinge cidades pequenas, médias e grandes, alcançando o interior, o litoral e as periferias urbanas. Com produções de diferentes sotaques, vivências e contextos, a iniciativa amplia a diversidade no audiovisual e incentiva realizadores amadores e independentes.

Completando 35 anos em 2026, o Festival Permanente do Minuto reafirma seu papel como espaço de experimentação e visibilidade para obras que apostam na síntese e na força expressiva do formato Minuto. Ao longo de sua trajetória, o festival já inspirou iniciativas semelhantes em mais de 50 países.SERVIÇO:

CONCURSOS - FESTIVAL PERMANENTE DO MINUTO ONDE: www.festivaldominuto.com.br

QUANDO: Inscrições até 31 de julho de 2026 CONTATO: thais@festivalminuto.com.br | 43 9874-9580


13.07.2026 | por martalanca | feminina, mulheres

Lançamento do primeiro livro de Orálio Mendes Katchunkuró

A Casa da Cultura da Guiné-Bissau, a LON Edições e o autor @Orálio Mendes Katchunkuró convidam o público para o lançamento de «eu, os Fragmentos e Alentos», a primeira obra publicada pelo autor, um livro de poesia.
A sessão terá lugar no dia 25 de julho de 2026, às 16h30, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Alameda da Universidade, Cidade Universitária, 1649-014 Lisboa).
A apresentação estará a cargo de Bia Djassi, Michel Té e Tcherno Baldé.
A entrada é livre. Venham celebrar connosco esta estreia literária!

 

 

04.07.2026 | por martalanca | Orálio Mendes Katchunkuró

Olime, em Lisboa e Sintra

Interpretação | Eliana Rosa - Mynda Guevara - João Branco

Texto Marta Lança | Marinho Pina

Encenação, espaço cénico | João Branco

Figurinos | Simone Rodrigues

Desenho de Luz | Pedro Fonseca

Sonoplastia | Basil da Cunha

Fotografia | Machine Pedro Dinis - Queila Fernandes
Agradecimento especial Henrique Silva. 
Apoio à Criação: República Portuguesa - Ministério da Cultura, Juventude e Desporto / Direção Geral das ArtesResidência Artística: Teatro ViriatoParcerias: BUALA · Associação Caboverdiana de Lisboa · Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e de Saúde · Associação de Solidariedade Social do Alto Cova da Moura · Centro Desportivo da Reboleira · RDP África 

COMPRA BILHETE AQUI 

Folha de sala - Processo número 0027/2025

Convocada a uma Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, uma mãe vê-se confrontada com um procedimento “de rotina” que rapidamente se transforma num exame minucioso à sua vida.
Ao longo de sucessivas entrevistas, expõe-se o atrito entre linguagem institucional e a experiência da vida concreta. O técnico responsável pelo processo obedece ao protocolo, interroga, regista e avalia riscos. Do outro lado, Maria Isabel responde, hesita, defende-se, acusa (o Estado, os outros?). Um conjunto de critérios - casa pequena, rendas impossíveis, salário mínimo, trabalho noturno, falência de rede de apoio - associam precariedade a perigo e fazem desta mãe, pobre, negra e do bairro, que ainda por cima ousa ser artista, suspeita.
OLIME constrói um dispositivo cénico depurado, onde a repetição burocrática ganha peso dramático. A frieza do registo oficial contrasta com momentos de exposição íntima e ruptura poética. O espetáculo alterna entre o realismo das entrevistas e interlúdios que abrem o discurso para dimensões mais amplas: identidade, memória colonial, violência policial, documentação e cidadania, pertença a um Cabo Verde imaginado, a família e as redes de apoio que na sociedade neoliberal se deslaçam.
Em palco, Eliana Rosa interpreta Maria Isabel, uma mulher irónica, orgulhosa, contraditória, artistística, e cansada de tanto esforço. João Branco, que também encena, é o funcionário Anselmo, que oscila entre as boas intenções e produto de um sistema que mede, categoriza e decide. A rapper e performer Mynda Guevara assume a função de coro contemporâneo. Através da palavra dita e cantada, introduz dados, memórias e comentários críticos que ampliam o caso individual para uma reflexão coletiva. Integra a estrutura dramatúrgica e tensiona a narrativa com composições que atravessam temas como abuso policial, racismo estrutural, o crioulo e a identidade nacional.
O funcionário é incapaz de desligar a máquina absurda da burocracia e vigilância, e a mãe, por sua vez, move-se num contexto onde qualquer falha pode ser lida como prova de incapacidade. Entre protocolo e sobrevivência, instala-se uma pergunta central: é possível medir o amor? E que instrumentos utiliza o Estado para distinguir risco social de desigualdade estrutural?
A peça é uma produção do coletivo Saaraci, que mantém viva, em Portugal, uma ligação artística e cultural a Cabo Verde. Essa presença manifesta-se na sonoridade, na língua, na memória e no modo como a peça convoca a história partilhada entre Portugal e a colonialidade. A colonialidade infiltra-se nas instituições, nos discursos, nas expectativas e nas formas de classificação social. Ao colocar frente a frente uma mãe precarizada e um técnico do Estado, o espetáculo evita simplificações, despertando a reflexão sobre justiça social, responsabilidade institucional e a criminalização da pobreza. Questiona a fronteira entre cuidado e controlo, entre proteção e punição. Recorda que, em contextos de vulnerabilidade económica e racialização, a parentalidade, sobretudo as mães pobres e radicalizadas, é frequentemente sujeita a um escrutínio acrescido.
Mais do que retratar um caso específico, o espetáculo convoca o público a reconhecer as estruturas invisíveis que moldam decisões e narrativas. Entre a morna e o relatório, entre o palco e o gabinete, OLIME afirma o teatro como espaço de escuta, confronto e pensamento crítico.
Uma criação que cruza teatro, música e intervenção cívica, afirmando o direito à dignidade.
17 e 18 em Lisboa, 25 em Sintra.

 

Marta Lança (codramaturga da peça com Marinho de Pina)

03.07.2026 | por martalanca | Olime

"Essas Pessoas na Sala de Jantar", apresentação com Vasco Santos e Margarida Ferra

Apresentação do meu  livro de crónicas, gostava muito que aparecessem no Bota dia 9 às 18h para comprarem (ou trocarem) o livro e ouvir o Vasco Santos e a Margarida Ferra.

Nunca morei sozinha: sempre partilhei casa, com família ou amigos. Por razões práticas, claro, para dividir despesas e responsabilidades, mas também porque partilhar casa é uma escola intensa em atualização permanente. Dá-nos novas perspetivas sobre aquilo que julgávamos saber; dicas e soluções para pequenos e grandes problemas. Obriga-nos a ceder, a negociar e a constatar que o normal para mim pode ser insuportável para o outro: nomeadamente no que toca a critérios de barulho, limpeza ou acumulação. Uma pequena comunidade doméstica acrescenta-se, ampara-se e, quando alguém perde a chave, há menos hipótese de ficar do lado de fora.

03.07.2026 | por martalanca | crónicas, livro

"Oficina de Escrita Criativa - Curativa"

Em alusão ao mês da mulher africana.  Abre-se a “Oficina de Escrita Criativa - Curativa” como um lugar seguro para mulheres transformarem suas emoções e sentimentos em arte.
A partir do sábado - dia 11 de Julho.Em quatro sessões serão partilhadas técnicas de escrita com  intuito de criação de textos, usaremos a escrita como terapia.
Aos sábados de Julho e Agosto pelas 10 horas As vagas são limitadas 
Inscreva - se :WhatsApp 934 442 034
Luz & Leveza

03.07.2026 | por martalanca | escrita, mulher africana

«Feminismo na Periferia» de Mikki Kendall

Apresentação do «Feminismo na Periferia» de Mikki Kendall, editora Kiala com a presença de Nuna, que escreveu o prefácio da edição portuguesa, e de Gisela Casimiro, dia 9 de julho, às 19h na Casa do Comum.

‘O movimento feminista tem um ponto cego e, ironicamente, esse ponto cego são as mulheres. As correntes feministas convencionais raramente encaram a satisfação das necessidades básicas como uma questão feminista e, demasiadas vezes, concentram-se não na sobrevivência das muitas, mas no aumento dos privilégios de poucas. Essa miopia, alimentada por divisões internas e pelo privilégio étnico-racial e de classe, fragiliza a solidariedade entre mulheres e deixa, sobretudo, as mulheres negras e periféricas à margem.
«Como podemos falar de união», questiona Mikki Kendall, «se algumas continuam a oprimir outras?»
Em Feminismo na Periferia, Kendall confronta as falhas do feminismo contemporâneo, partindo da sua própria experiência — marcada pela violência, pela pobreza e pela hipersexualização —, e analisa com lucidez temas como direitos reprodutivos, experiências de abuso, cultura popular e saúde mental.
Feroz, incisivo e profundamente necessário, este livro é tanto uma denúncia de um movimento em transformação como um apelo a todas as mulheres que se reivindicam feministas para que vivam, em pensamento e em ação, segundo o verdadeiro propósito da causa.’

 

02.07.2026 | por martalanca | feminismos na periferia, Kiala editora

'Também os Brancos Sabem Dançar', de Kalaf Epalanga, vai ser adaptado ao cinema

A Wonder Maria Filmes adquiriu os direitos do romance, publicado em 2017, que cruza migração, identidade, música e a transformação cultural de Lisboa, acompanhando também o nascimento dos Buraka Som Sistema. A produção está prevista para 2028. A adaptação cinematográfica está a ser escrita pelo próprio Kalaf Epalanga e por Fernanda Polacow, guionista, realizadora e cofundadora da Wonder Maria Filmes. O projeto conta já com o apoio ao desenvolvimento do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA).

Cruzando autoficção e história cultural da comunidade PALOP em Lisboa, Também os Brancos Sabem Dançar parte da detenção de um músico angolano durante uma viagem entre Gotemburgo, na Suécia, e Oslo, na Noruega, onde deveria atuar num festival. Sem um passaporte válido, o protagonista é levado para uma esquadra e confrontado com a necessidade de explicar quem é, de onde vem e o que o levou até ali.

A partir desse episódio, o romance percorre temas como a imigração, o exílio, a pertença e a experiência de viver entre diferentes países e culturas. Pelo caminho, atravessa a história do kuduro e da kizomba, as memórias pessoais do autor e a Lisboa dos anos 2000, cidade onde diferentes diásporas africanas estavam a transformar profundamente a música, a noite e a cultura urbana. É nesse contexto que surge também a história dos Buraka Som Sistema, grupo cofundado por Kalaf Epalanga e que viria a projetar internacionalmente uma nova linguagem musical nascida do encontro entre Lisboa, Luanda e outras geografias da diáspora.

“Mais do que contar a história de uma banda, queremos retratar uma geração e uma cidade em transformação, marcadas pela presença negra e por uma intensa diversidade cultural. A partir da experiência de Kalaf enquanto membro dos Buraka Som Sistema, o filme atravessa questões que continuam a moldar as sociedades contemporâneas, mostrando como a música e as artes podem funcionar como espaços de resistência e como antídoto à crescente truculência política”, explica Fernanda Polacow.

Kalaf EpalangaKalaf EpalangaFernanda PolacowFernanda Polacow

A adaptação do livro será apresentada na Casa Buraka

No próximo sábado, 4 de julho, a Casa Capitão transforma-se na Casa Buraka, no âmbito das celebrações dos 20 anos dos Buraka Som Sistema e da editora Enchufada. Antes do regresso da banda aos palcos, o encontro reunirá amigos, artistas, colaboradores e o público que acompanhou o seu percurso ao longo destas duas décadas. Às 16h30, Kalaf Epalanga e Fernanda Polacow apresentarão os primeiros detalhes da adaptação cinematográfica de Também os Brancos Sabem Dançar. A conversa contará ainda com a participação de João Pedro Moreira, realizador de Off the Beaten Track, documentário sobre os Buraka Som Sistema, e será moderada pela jornalista Margarida Valença.

 

 

 

02.07.2026 | por martalanca | Buraka Som Sistema, Kalaf Epalanga