Pedro F. Marcelino, acaba de lançar em Agosto um livro dedicado à emergência de um novo paradigma migratório em Cabo Verde, subjacente a um contexto sócio-económico em que a emigração de caboverdianos para o estrangeiro convive já com uma imigração de africanos, chineses, e europeus para as ilhas, a par do regresso de muitos caboverdianos residentes no exterior. O estudo avança que as medidas anti-terroristas e de gestão migratória tanto nos EUA como na União Europeia no período pós-11 de Setembro terão alterado o mapa migratório da África Ocidental, sem no entanto mudar as aspirações de milhares de pessoas que continuam a querer partir.
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16.09.2011 | por Pedro F Marcelino
Redescobrimos no século XXI em Lisboa a cidade cosmopolita, desaparecido durante a maior parte do século XX. Somos morenos, somos louros, somos negros, somos mulatos, somos asiáticos, somos sul-americanos, somos de muitas nacionalidades, somos europeus, somos portugueses. Somos cada vez mais pessoas crescendo com diferentes coordenadas. Um em cada oito bebés que nascem no país tem pelo menos um dos pais estrangeiro. Falar sobre diversidade não é moda; é o nosso futuro. Este é um debate sobre “migração”, “discriminação”, “integração”, entre jovens para os quais estas palavras são o quotidiano.
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15.06.2011 | por Susana Moreira Marques
Muitas das razões do êxodo reverberam aliás nas próprias palavras e na experiência pessoal dos indivíduos que se nos dirigem em Bab Sebta: a história de colonialismo e as relações privilegiadas que os antigos territórios administrados mantêm com as respectivas potências administrantes, frequentemente sobre a forma de neo-colonialismo; o carácter corrupto de muitos regimes de nações africanas e a perfeita indistinção entre economia e política que neles vigora; a força geradora das redes sociais mantidas entre emigrantes e co-nacionais nos seus territórios de origem; ou a ascendência cultural e a socialização prévia aos países industriais do Norte a que são submetidos potenciais emigrantes, por força das já-não-tão-novas-como-isso tecnologias de comunicação.
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29.09.2010 | por Frederico Ágoas
Propus-me conhecer os modos de sociabilidade dos jovens Red Eyes Gang, um grupo da Arrentela, Seixal, periferia de Lisboa. A maior parte dessa juventude é constituída por filhos de imigrantes africanos dos países que foram outrora colónias portuguesas e vivem em condições sócio-económicas bastante abaixo dos parâmetros portugueses. Todos nasceram ou vieram muito novos para Portugal, não conhecendo os países de origem dos pais. No entanto, a estigmatização e o racismo a que estão sujeitos fazem com que se apropriem de algumas das heranças étnicas e culturais para reelaborarem a sua condição de pobres e negros. Não reproduzem mecanicamente o modo de vida e as referências étnicas das suas famílias, mas reinventam-nas com imaginação, produzindo assim discursos positivos sobre si próprios.
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11.09.2010 | por Otávio Raposo
Decidi agir na esfera simbólica, o objectivo não é mudar o mundo mas mudar o discurso em relação ao mundo. Contribuir para a tomada de consciência da nossa própria responsabilidade nos fenómenos globais. No meu trabalho artístico e textual, esforço-me para clarificar a correlação entre as sociedades de alta tecnologia e o surgimento de condições de vida precárias. Um dos meus principais objectivos é dar a conhecer que as causas e as soluções não estão sempre “noutros lados”.
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27.06.2010 | por Ursula Biemann