"Here be Dragons", de Beatriz Neto
CCCV - Centro Cultural Cabo Verde Rua de São Bento, nº 640 - Lisboa
inaugura sexta-feira, 17 de abril | 18 horas
Entrada livre!
Partindo da expressão cartográfica que assinalava territórios desconhecidos nos mapas antigos, Here Be Dragons propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece fora de nomeação, entre o visível e o indeterminado. O trabalho de Beatriz Neto desenvolve-se a partir de uma permanência em São Tomé, nomeadamente na baía de São João dos Angolares, onde a artista recolhe imagens, sons e narrativas que cruzam arquivo, experiência e projeção.
A exposição organiza-se como uma instalação composta por sete momentos, estruturados através de vídeo e som. Não há uma narrativa linear, mas um sistema de aproximações, onde cada elemento funciona como um ponto de passagem. O conjunto constrói-se por repetição e variação, convocando um espaço de leitura instável, em constante deslocação.
No centro do trabalho está a ideia de falha enquanto linguagem. Interrupções, cortes e apagões integram o próprio funcionamento da imagem, afastando-a de uma lógica representativa. O verde, simultaneamente associado ao ambiente natural e ao universo digital, surge como um campo intermédio, onde a imagem não fixa um sentido, mas permanece em suspensão.
Também o som assume um papel estruturante, articulando registos técnicos, projetores, geradores e dispositivos eletrónicos, com referências ao território envolvente. Neste cruzamento, dilui-se a separação entre o orgânico e o maquinal, propondo um mesmo plano de experiência.
O “dragão” surge não como figura narrativa nem símbolo fechado, mas como sinal do que escapa à escala e à leitura imediata. Um marcador do desconhecido, que não se resolve, mas que insiste.
Here Be Dragons não organiza um discurso fechado. Propõe antes uma experiência de aproximação, onde a obra se constrói no intervalo, na suspensão e na relação entre presença e ausência.

Beatriz Neto (Lisboa, 1999) é artista visual e vive e trabalha em Lisboa. O seu trabalho aborda questões de identidade, narrativas históricas, territorialidade, mitos e crenças.
Licenciada em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e mestre em Artes Visuais pela Malmö Art Academy, Lund University, foi distinguida com o Prémio Arte Jovem Millennium bcp e o Prémio Geração Terra, ambos em 2024. Recebeu também uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para formação no estrangeiro em 2022 e uma Bolsa de Mérito da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa em 2020.
O seu trabalho foi apresentado em diversas exposições individuais e coletivas, incluindo Zaratan, Rua das Gaivotas 6, Galeria KHM e Banco das Artes Galeria, entre outros. Integra coleções como a Fundação PLMJ, a Coleção Maria e Armando Cabral, Rialto6, e a Coleção João Luís Traça.
