O que se pode fazer ao ver com os olhos de um outro

O que se pode fazer ao ver com os olhos de um outro Através do trabalho de Louise Narbo podemos interrogar esta relação de quem herda o olhar de um passado através de um outro. Ela sugere que o olhar do outro, que comporta em si certas capacidades, interfere na visão de quem o herda; que esse olhar, diminuído ou amplificado, pode nublar, embaciar, deformar a visão de quem o recebe; mas pode ao mesmo tempo constituir o motivo pelo qual o herdeiro desse olhar se interroga sobre essa visão que não é exclusivamente a sua, mas que também já não pertence exclusivamente àquele que lhe transferiu o seu olhar.

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23.03.2019 | por Fátima da Cruz Rodrigues

Filme 'Gabriel', afectos, direitos, oportunidades e sonhos

Filme 'Gabriel', afectos, direitos, oportunidades e sonhos O desempenho dos protagonistas do filme e a extrema fragilidade de laços sociais faz o espectador mergulhar numa intensidade de cenas portadoras de mágoas, incompreensões e revoltas internas sobre os problemas enfrentados pelas sociedades ditas modernas e globais, que colocam tatuagens em grupos sociais e povos face à pobreza e corrupção do serviço público desumanizante para quem não tem capacidade de montar um sistema alternativo - mesmo que marginal - que possa garantir segurança e possibilidade de continuar a viver com dignidade.

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23.03.2019 | por Miguel de Barros

No trilho de Malangatana – do legado à memória,

No trilho de Malangatana – do legado à memória, O eixo à volta do qual gravita toda a narrativa do documentário é o extraordinário conjunto escultórico “A Sagrada Casa dos Madjaha”, obra de Malangatana votada à degradação e ao esquecimento num subúrbio de Maputo. A partir deste exemplo particular, revisita-se vida e obra do criador moçambicano de modo a fundamentar a necessidade de preservar não só o conjunto escultórico, como a sua memória e o seu legado.

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22.03.2019 | por Lurdes Macedo

A Casa e o Mundo -PRÉ-PUBLICAÇÃO

A Casa e o Mundo -PRÉ-PUBLICAÇÃO Para Bhabha, face à incerteza do posicionamento de fronteiras – que são maleáveis e flutuantes – do período pós-colonial, emancipa-se o lugar que está para lá, permanecendo-se, porém, num perpétuo entre. Esta des-referenciação, baseada na transformação cultural movida pela dinâmica de êxodos migratórios, pela deslocação de grupos étnicos, religiosos e ideológicos, pela itinerância de refugiados e de exilados políticos e pela re-definição de estatutos e fronteiras políticas, está assente na noção exploratória e expeculativa do beyond – para lá/paraalém de.

Jogos Sem Fronteiras

20.03.2019 | por Luísa Sol, Ana Teresa Ascensão, Manuel Aires Mateus e Vasco Tavares dos Santos

Assassinos

Assassinos Seja alimentada pelos problemas económicos cada vez mais profundos, pela sensação de complacência por parte de uma elite cultural, convencida de que a paz na Europa, depois de tanta destruição, seria mais ou menos um dado irrevogável, ou mesmo apenas por causa da crueldade humana básica, não pode ser ignorada por mais um momento: o tempo dos assassinos está de volta para nos assombrar e, na sua raiz, encontra-se uma nostalgia pós-imperial renovada, impulsionada por uma negação intencional, vergonhosa e desavergonhada, do passado imperial da Europa.

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17.03.2019 | por Paulo de Medeiros

Gente para adiar o fim do mundo (porque não há planeta B)

Gente para adiar o fim do mundo (porque não há planeta B) Nós, os humanos, aquilo a que chamamos Humanidade, “quando não estamos ocupados em predar uns aos outros, estamos a predar o planeta”. Então que Humanidade é essa? “Será que essa ideia não está na base de muitas escolhas erradas? Por exemplo, a de que os homens brancos tinham o direito de sair colonizando, de trazer os obscurecidos para uma luz incrível, que é o buraco que agora estamos fazendo?” Como se existisse um jeito certo, “uma verdade de estar aqui na terra”, um modo civilizador. “Hoje podemos pôr em questão essa Humanidade.” Questionar a “disposição para a servidão voluntária”, o domínio das corporações, as estruturas que tentam substituir “os estados-nação falidos”. “As corporações conseguiram comprar uma narrativa de que não tem mais História.”

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17.03.2019 | por Alexandra Lucas Coelho

Comemorações institucionalizadas e monstros da memória

Comemorações institucionalizadas e monstros da memória Como no dia da memória, o fracasso confirma que não será uma tecnicidade que salvará um passado definitivamente perdido, mas uma compaixão humana transformada em consciência histórica, ainda toda por construir, diante de um passado abjeto e terrível. Este será o único antídoto capaz de manter enterrado, no seu horrível refúgio, o monstro de um passado de brutalidade ilimitada, que não se deixa narrar. Pelo menos temporariamente, no entanto.

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12.03.2019 | por Roberto Vecchi

Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil

Mostra Ameríndia: Percursos do Cinema Indígena no Brasil A Mostra Ameríndia integra uma multiplicidade de experiências que nos retiram dos lugares convencionais de olhar e entender o cinema. Nestes filmes, os coletivos indígenas atuam em diferentes níveis. São cineastas no sentido ocidental, apontam a câmera para a sociedade colonial, para o quotidiano da sua aldeia, para os seus rituais, ou ainda para os avanços do agronegócio. Também colaboram com não-indígenas na produção e realização dos seus filmes.

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09.03.2019 | por vários

Mangueira 2019: a noite em que o Carnaval mudou a História

Mangueira 2019: a noite em que o Carnaval mudou a História Éramos 3500 a desfilar na Mangueira “a história que a História não conta”. E connosco estava o país que resiste desde 1500 até Bolsonaro. A Mangueira não ganhou só o Carnaval. Deu uma nova bandeira ao Brasil. O morro desceu para a História.

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08.03.2019 | por Alexandra Lucas Coelho

Ao encontro de Pancho

Ao encontro de Pancho Jorge Dias e Sónia Sultuane ‘encontraram’ Pancho e o seu mundo e trouxeram-no até nós. Trabalhando juntos em diversos projectos nos últimos anos, a partir das intervenções do Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique (Muvart), decidiram voltar a fazê-lo. O contacto, um pouco por acaso, dos dois, com o mundo deste criador em Eugaria deu-lhes o mote.

Cara a cara

06.03.2019 | por Alda Costa

«La Poupée», um filme de Isabelle Christiane Kouraogo

«La Poupée», um filme de Isabelle Christiane Kouraogo Isabelle Kouraogo trata o tema do abandono paterno com segurança e respeito, acrescentando detalhes invulgares e inesperados a uma narrativa que é a realidade de muitos milhares de crianças. Os dois atores representam com eficácia e sobriedade as respetivas personagens e espelham bem todas as vivências e desejos que os habitam.

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05.03.2019 | por Luísa Fresta

Bertina ou a arte de Bertina: mudar e permanecer

 Bertina ou a arte de Bertina: mudar e permanecer Bertina usou a arte como meio para expressar a sua subjectividade. Uma artista individual, uma artista moderna, nascida em Moçambique, portadora de uma experiência de vida particular, consciente da sua condição de meio-europeia, meio-africana (a dupla consciência), condição que assumiu em diferentes momentos e de diversas maneiras e que traduziu na sua criação mas, ao mesmo tempo, uma artista que assumiu a mudança permanente, uma artista igual aos artistas modernos de todo o mundo.

Cara a cara

04.03.2019 | por Alda Costa

‘Pequena Era do Gelo’: extermínio de indígenas nas Américas causou resfriamento do clima

‘Pequena Era do Gelo’: extermínio de indígenas nas Américas causou resfriamento do clima Os pesquisadores afirmam que o massacre decorrente da colonização europeia levou ao abandono de imensas áreas de terras agrícolas, que acabaram sendo reflorestadas. A recuperação da vegetação tirou CO2 suficiente da atmosfera para resfriar o planeta. Este período de resfriamento costuma ser chamado nos livros de história de “Pequena Era do Gelo” – uma época em que o Rio Tâmisa, em Londres, costumava congelar durante o inverno no hemisfério norte.

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25.02.2019 | por Oliver Milman

Da guerra colonial: memórias e pós-memórias, transmissão e imaginação

Da guerra colonial: memórias e pós-memórias, transmissão e imaginação Quando a literatura busca transmitir a experiência da violência, o resultado está determinado pela distância entre quem escreve e a realidade traumática referida. Existem, no entanto, constantes entre as representações artísticas da memória feitas pelas testemunhas directas dos acontecimentos e aquelas reelaboradas pelos seus descendentes (as chamadas pós-memórias).

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24.02.2019 | por Felipe Cammaert

Psicólogos da paz ou traumas de guerra?

 Psicólogos da paz ou traumas de guerra? Cerca de um milhão (dados em constante mutação) de angolanos morreram na guerra civil. Como convivem os que sobreviveram a esta guerra fatídica com estas memórias traumáticas? Para onde foram estes militares pós guerra? Terão tido o acompanhamento necessário. E as famílias? O que foi feito à volta da humanização dos antigos combatentes? Para quando um investimento sério em «psicólogos da paz» ou mesmo academias e clínicas de especialidade?

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24.02.2019 | por Indira Grandê

Tu e África têm uma história? - Narrativas Afro-Europeias

Tu e África têm uma história? - Narrativas Afro-Europeias Narrativas Afro-Europeias é um projeto colaborativo que convida à partilha de histórias de ligação entre a Europa e a África, enraizadas na memória coletiva e na vida pessoal e familiar de muitos cidadãos europeus. Histórias de origem africana e de afrodescendência, de memória e pós-memória colonial, de guerras e conflitos, de migrações diásporas e regressos, mas também de um entrelaçamento presente de culturas e de identidades, portador de enorme enriquecimento, que urge reconhecer e valorizar, numa Europa em transformação.

Mukanda

19.02.2019 | por vários

Pós-colonialismo(s) e o cinema brasileiro: a retomada

Pós-colonialismo(s) e o cinema brasileiro: a retomada Este artigo surge do interesse pelo contexto de produção do cinema brasileiro contemporâneo, caracterizado por um redimensionamento dos aspectos políticos de sua atuação a partir de uma breve digressão sobre o cinema da Retomada até o filme O som ao redor. Analisaremos também o filme Vazante cujo tema abordado está contido no interior de rearranjos culturais do cinema contemporâneo tornando-se um filme importante para compreensão do atual contexto cultural e político no Brasil.

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19.02.2019 | por Michele Salles

Nem Pessoa, nem Eça

Nem Pessoa, nem Eça Zenith assegurou que Fernando Pessoa «escreveu aquelas coisas citadas» e que isso «desqualifica o seu nome para ser associado a iniciativas da CPLP. O seu pensamento evoluiu, felizmente, e em 1935 não teria subscrito àquelas afirmações..., mas também não chegou a renunciá-las. Aliás, pode nem se ter recordado de as ter escrito. Escreveu-as, porém, e compreendo e concordo com a revolta das pessoas cuja dignidade feriu.»

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18.02.2019 | por Eurídice Monteiro

«AUBE D’UN CREPUSCULE», um filme de Ahmed Assane Zeda

«AUBE D’UN CREPUSCULE», um filme de Ahmed Assane Zeda No limite, talvez um homem deva prescindir da sua própria existência para dar lugar a uma nova vida, e é essa uma das linhas mestras da história de Ahmed Zeda. Há uma mensagem que cada espectador desvendará segundo os seus próprios referentes. O cineasta é sobretudo o projetor que ilumina a cena, como um sol potente que afasta as nuvens mais carregadas.

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18.02.2019 | por Luísa Fresta

Questões de língua, multilinguismo e exílio

Questões de língua, multilinguismo e exílio Importantes ainda são os estudos de Lévy-Strauss, do grupo da “decolonality” latino-americana como Eduardo Viveiros de Castro, Walter Mignolo, Aníbal Quijano, ou de antropólogos como Aparecida Vilaça, Yvone de Freitas Leite, Elisa Loncon Antileo, Pedro Niemeyer Cesarino, ou líderes índios como Ailton Krenac. Estes últimos, ao mesmo tempo que denunciam o extermínio das línguas nativas, também as estudam, tentam registá-las quando tal ainda é possível.

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17.02.2019 | por António Pinto Ribeiro