Entrevista com Goli Guerreiro

Entrevista com Goli Guerreiro As trocas culturais começaram a manifestar-se desde o século XVI nas grandes navegações. E as formas dessas trocas se processarem foram-se alterando. Na primeira diáspora, aquando do tráfico de africanos, os negros chegavam despidos de qualquer bem material. Traziam o seu imaginário, então havia um tipo de troca a partir dessa realidade a ser reconstruída no Ocidente.

Cara a cara

25.05.2016 | por Marta Lança

A História é como a colonização: reprimiu-nos mas não nos roubou as almas, entrevista a Jihan El-Tahri

A História é como a colonização: reprimiu-nos mas não nos roubou as almas, entrevista a Jihan El-Tahri Se aqueles que consideramos os nossos heróis — que lutaram pela nossa liberdade - não tivessem feito o que fizeram, e não tivessem mobilizado outras pessoas, não estaríamos onde estamos agora. Como é que o meu herói se tornou no meu opressor? O que é que lhe aconteceu? Tenho algumas reflexões, mas nenhuma resposta. O que me parece é que lutar pela libertação é muito diferente de governar.

Mukanda

23.05.2016 | por Sofia da Palma Rodrigues e Boaventura Monjane

Mercado, visibilidade e sustentabilidade para a arte contemporânea africana, conversa com Touria El Glaoui, diretora de 1:54

Mercado, visibilidade e sustentabilidade para a arte contemporânea africana, conversa com Touria El Glaoui, diretora de 1:54 A nossa estratégia foi trazer artistas africanos para a cena internacional, que eu acho que é o que está faltando, e talvez um dia nós estaremos muito felizes em ir, mas eu acho que há muitas outras formas pelas quais podemos ir, o que já estamos tentando fazer, com workshops para galerias, para artistas. Eu acho que há muito no lado educacional que podemos levar para o continente com nosso conhecimento, mais do que uma iniciativa comercial sobre vendas.

Cara a cara

08.05.2016 | por Icaro Ferraz Vidal Junior

O Passado e o Presente

O Passado e o Presente Esta imagem, no presente século, representa uma reivindicação contra uma injustiça histórica: a negação de uma necessária autodeterminação. O título desta exposição não é uma repetição inconsequente. Revela que o tempo histórico da Nigéria, através da fotografia dos antigos e dos modernos, é tanto um eco do passado como o é do presente.

Vou lá visitar

03.05.2016 | por Joaquim Pedro Marques Pinto

Houve independência mas não descolonização das mentes

Houve independência mas não descolonização das mentes Para o presidente desta ONG que trabalha direitos humanos e sociais, em 1975 não houve uma transição mas uma ruptura. Os angolanos brancos e os portugueses brancos “desapareceram” durante um largo período de tempo — regressaram mais tarde, já não com domínio político, mas com domínio económico e social. O problema é que desde 1975 não houve um programa de transformação social, sublinha, e muitos dos elementos do colonialismo português ainda estão vivos.

A ler

30.04.2016 | por Joana Gorjão Henriques

"Mexem na raiz da árvore e pensam que a sombra fica no mesmo lugar"

 "Mexem na raiz da árvore e pensam que a sombra fica no mesmo lugar" Se escrevo é para não sucumbir ao silenciamento corrosivo, é porque tantos lutaram - e morreram - para que possamos engatinhar no aprendizado trôpego de exercer a democracia. Escrevo para que sejamos atentos uns aos e com os outros, porque, destes tantos muitos, somos vários que no dia seguinte estávamos a bater, lado a lado, o cartão de ponto.

Mukanda

26.04.2016 | por Daisy Serena

Lisboa(s) escondida(s)

Lisboa(s) escondida(s) Nestas comunidades de afrodescendentes há uma ansiedade de mudança. Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo, reconhece que, após mais de duas décadas de luta pelos direitos das minorias, “ficou muito por fazer. Não se entende porque, no século XXI, nós ainda, por exemplo, estejamos a discutir se a lei da nacionalidade, em Portugal, tinha de ser na base do direito de sangue ou no direito de solo”, afirma.

Cidade

19.04.2016 | por Carla Fernandes

A literatura angolana, o poder, a resistência e a vida

A literatura angolana, o poder, a resistência e a vida Dois relatórios da PIDE, de Março de 1966 e 1967, são bem reveladores do poder da literatura, tal como era protagonizada por Luandino. Apesar de se encontrar preso, ter suscitado uma onda de repressão, violência e censura, em 1965, quando lhe foi concedido o prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores, a obra de Luandino, ao lado da de outros escritores angolanos, continuava a ser um instrumento de poder ao serviço dos que procuravam resistir à dominação colonial.

A ler

19.04.2016 | por Diogo Ramada Curto

Remessas, migrações, e o desenvolvimento de Cabo Verde

Remessas, migrações, e o desenvolvimento de Cabo Verde No caso de Cabo Verde as remessas constituem um importante suporte financeiro para imensas famílias, e uma das ligações transnacionais mais importantes entre as diásporas e o país de origem, ocorrendo sobretudo no âmbito familiar. São utilizadas sobretudo nas despesas quotidianas, no ensino e na saúde, a sua utilização na estrutura produtiva continua a ser limitada, e o recurso aos canais informais é considerável, ocorrendo por vezes com metade dos migrantes.

A ler

18.04.2016 | por Cláudia Rodrigues

De Rhode Island à Buraca, uma história alternativa da música africana

De Rhode Island à Buraca, uma história alternativa da música africana Os tempos estão definitivamente a mudar, apesar do peso – que Conductor diz ser tão “asfixiante” na Cidade da Praia como em Luanda – da tradição musical. É uma história em que ele se vê ao espelho (uma banda de kuduro na Buraca, e a gravar com M.I.A.?), e não gosta lá muito da imagem: “O que eu sinto muito em Cabo Verde, sobretudo sendo um meio tão pequeno, em que é muito difícil não incomodares o teu inimigo, é que há muitos jovens a fazerem coisas incríveis que não encontram aqui plataformas adequadas ao seu percurso musical. Demasiados artistas bons precisam de penar muito”

Palcos

18.04.2016 | por Inês Nadais

Louco é quem não sonha

Louco é quem não sonha Não há ditaduras boas, da mesma forma que não há doenças boas. Há democracias avançadas e vigorosas e há democracias em crise, democracias frágeis, democracias necessitadas de um novo começo. O que não há com toda a certeza é democracias que possam ser substituídas com proveito por uma qualquer ditadura. Nenhuma democracia é tão má que consiga ser pior do que a melhor ditadura. Tempos como aqueles que vivemos são susceptíveis de engendrar monstros. Contudo, também são capazes de gerar sonhos enormes e poderosos. Mais do que nunca é urgente revisitar utopias antigas e projectar novas. É urgente procurar outros caminhos. Sonhar não é loucura. Loucura, hoje, é não sonhar.

Mukanda

15.04.2016 | por José Eduardo Agualusa

La Milagrosa

La Milagrosa As cores e os objetos ganham uma especial importância na videoinstalação, tendo em conta a sua correspondência na mitologia ioruba trazida pelos escravos. Há todo um panteão de deuses através de santos, cores e objetos. Por exemplo, elementos ligados à água, como peixes ou estrelas do mar, correspondem à deusa do mar e da maternidade - Yemayá - sincretizada com a Virgen de Regla (pelo que a sua cor é o azul marinho);

Afroscreen

13.04.2016 | por Rui Mourão

O que não se resume à face fria da “massa”

O  que não se resume à face fria da “massa” Mas este processo de mobilização é um processo que, na verdade, ninguém sabe ainda onde vai parar, apenas sabemos que vai demorar anos. Não se vai resolver rapidamente, tipo em 2016! É um processo dos brasileiros, é um processo de consciencialização política. Hoje, por exemplo, pela primeira vez eu vou a um bar qualquer e vejo os meus amigos a falar de política. JOGOS SEM FRONTEIRAS #2

Jogos Sem Fronteiras

08.04.2016 | por Rita Natálio

Um olhar sobre o "povo artista"

Um olhar sobre o "povo artista" Em finais do século XX, o povo oprimido passou então a utilizar as pinturas como simbologia de identificação entre si, comunicando secretamente uns com os outros através da arte, de modo genialmente impercetível para o inimigo. Além de um símbolo de resistência, este “meio de comunicação” ganhou um novo significado, tornando-se tradição passada de geração em geração.

Vou lá visitar

05.04.2016 | por Cláudia Rodrigues

Ensaio (?) sobre o Perdão

Ensaio (?) sobre o Perdão Ao longo desses anos, a prioridade era o esforço de guerra e, concomitantemente, a educação e a saúde foram ocupando lugares periféricos na distribuição do orçamento, pois precisavam-se de soldados e não de doutores. Preocupante é, no entanto, que 14 anos depois do silenciar/ribombear dos canhões essas rubricas não tenham ainda o posto cimeiro das prioridades de investimento, preteridas consistentemente para a “segurança”(?).

Mukanda

05.04.2016 | por Luaty Beirão