Intimate Distance, Uncaptured City, Edson Chagas

Curadoria de Ana Balona de Oliveira 

Em Intimate Distance, Uncaptured City, Edson Chagas apresenta vários corpos de trabalho desenvolvidos ao longo das duas últimas décadas: Found Not Taken (2008-2014, Londres, Newport, Luanda), Archives of Absence: Involuntary Images (2019, Namibe), e Common Walls (2022-2024, Lisboa, Brescia). A exposição coloca em diálogo séries fotográficas formalmente muito distintas que, contudo, se aproximam conceptualmente. Através delas, o fotógrafo tem refletido não só sobre o próprio meio fotográfico, as possibilidades imaginativas e afetivas da fotografia e os limites do documental, mas também sobre a experiência corpórea e emocional, física e psíquica, de habitar os espaços urbanos que têm marcado a sua biografia. Através de várias estratégias de abstração, as obras evocam diferentes modos de habitar Luanda (onde nasceu, viveu e aonde continua a regressar), Lisboa, Londres e Newport (cidades onde viveu e estudou fotografia), assim como frequentes passagens pela cidade do Namibe, no sul de Angola, e pela cidade de Brescia, no norte de Itália. 

Tais modos de habitar e se deslocar entre cidades a Norte e a Sul implicaram, ao longo do tempo, experiências múltiplas de partida, chegada, permanência e regresso, e processos de construção e desconstrução de novas e antigas familiaridades. A experiência diaspórica e migratória com frequência tornou distante o que era íntimo (sem, contudo, apagar a intimidade), transformando em íntimo o que era distante (sem, contudo, anular a inescapável distância). Consequentemente, o olhar fotográfico de Chagas e, em particular, das séries que compõem esta exposição evidencia a complexidade afetiva de tais experiências, da sua memória, e da sua representação visual e fotográfica. A exposição revela a opacidade inerente à recusa da cidade em deixar-se capturar e à recusa do fotógrafo em procurar tal captura. 

Edson Chagas, Found Not Taken, London, 2014Edson Chagas, Found Not Taken, London, 2014

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In Intimate Distance, Uncaptured City, Edson Chagas presents several bodies of work developed over the last two decades: Found Not Taken (2008–2014, London, Newport, Luanda), Archives of Absence: Involuntary Images (2019, Namibe), and Common Walls (2022–2024, Lisbon, Brescia). The exhibition brings into dialogue photographic series that are formally very distinct yet closely related conceptually. Through them, the photographer has reflected not only on the medium of photography itself, its imaginative and affective possibilities and the limits of the documentary, but also on the bodily and emotional, physical and psychic experience of inhabiting the urban spaces that have shaped his life. Through various strategies of abstraction, the works evoke different ways of inhabiting Luanda (the city where he was born, lived and to which he continues to return), Lisbon, London and Newport (cities where he lived and studied photography), as well as frequent visits to the city of Namibe, in southern Angola, and the city of Brescia, in northern Italy. 

Over time, such ways of living and moving between cities in the North and South have entailed multiple experiences of departure, arrival, permanence and return, as well as the construction and deconstruction of new and old forms of familiarity. The diasporic and migratory experience has frequently distanced what was once intimate (without, however, erasing that intimacy), while making intimate what was once distant (without, however, negating the inescapable distance). Consequently, Chagas’ photographic gaze – particularly the one shaping the series in this exhibition – highlights the emotional complexity of such experiences, of their memory, and of their visual and photographic representation. The exhibition reveals the opacity inherent in the city’s refusal to allow itself to be captured and in the photographer’s refusal to seek such capture.

 

09.09.2026 | por martalanca | Ana balona de oliveira, arte contemporânea angolana, Edson Chagas

“Fuckin' Globo!”

21 de dezembro às 19 h - 22h  no Hotel Globo em Luanda!

Aos kambas e amantes da arte nas redondezas não percam!!! A exposição colectiva “Fuckin’ Globo!” reúne vários artistas multidisciplinares, que apresentarão trabalhos em diferentes linguagens tais como performance, fotografia, som e instalação no mítico Hotel Globo, um empreendimento incontornável na vida cultural da baixa de Luanda. Nesta exposição pretende-se fazer uma abordagem sobre o uso do corpo, da imagem e do som, numa era em que o dialogo é substituído pela violência dos equipamentos de alta tecnologia, e em que a galopante globalização dos conflitos tornou-se no principal factor de contaminação e homogeneização cultural.Em “Fuckin´ Globo!”, o espaço se tornará parte indissociável do conceito das obras apresentadas, criando uma interação em uníssono entre as várias intervenções, afim de representar um universo submerso numa gritante cacofonia. Num ambiente claustrofóbico, e na intimidade dos quartos, as obras no Hotel Globo pretendem funcionar como uma metáfora sobre a inconformidade de quem vive num planeta em pleno caos e de acelerada mutação. A palavra e a imagem serão submetidas a um processo de distorção e manipulação, arriscando sobre os limites e definições da criação artística num especifico contexto geográfico.

Artistas:

Globo 112 (João Ana e Elepê)

Edson Chagas

Kiluanji Kia Henda

Marcos Kabenda

Orlando Sérgio

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The collective exhibition “Fuckin’ Globo!” is an assemblage of interdisciplinary artists and they’ll be displaying works in a wide range of art mediums and form such as performance, photography, sound and installation, at the mythical Hotel Globo, a pivotal building on Luanda’s downtown cultural life. The aim of the exhibition is to discuss the modern use of the body, image and sound, at the contemporary days we’re living, where verbal communication is replaced by the violence of the high tech hardware and the ever growing global warfare has become the principal factor of the cultural contamination and similarity.On “Fuckin’ Globo!” the space of the exhibition will be an inseparable part from the general concept of the works being shown by the artists, generating an unison from the various interventions, that will end up representing an Universe submersed in a giant cacophony. At a claustrophobic environment and the intimacy of the rooms, the purpose of the performances is to set a metaphor on the unconformity set to all of us living on a planet full of chaos and advanced mutation. Word and image will be put through a process of distortion and manipulation, thus venturing on the limit and definition of artistic creation at a specific geographical context.

23.12.2023 | por martalanca | artistas angolanos, Edson Chagas, Elepê, Fucking Globo, João Ana, kiluanji kia henda, Marcos Kabenda, Orlando Sérgio

"Factory of Disposable Feelings", de Edson Chagas

Inauguração: 23 setembro, 18h 

24 setembro a 5 novembro (quarta a sábado, das 15h às 19h)
entrada livre

Hangar - Centro de Investigação Artística.

Com curadoria de Ana Balona de Oliveira, esta exposição apresenta uma das mais recentes séries fotográficas do artista, realizada no bairro Cazenga em Luanda, entre 2017 e 2018. Tendo sido anteriormente mostrada a solo apenas na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2019, “Factory of Disposable Feelings” é apresentada agora pela primeira vez em Lisboa numa nova configuração, incluindo imagens inéditas.

Esta série dá continuidade às indagações que singularizam a obra de Chagas, nomeadamente a atenção às relações vivenciais e afetivas que os sujeitos estabelecem com objetos e espaços quotidianos, contrariando rápidos ritmos de consumo através de um olhar desacelerado que perscruta em proximidade matérias, formas e texturas descartadas. 

Contudo, a série marca simultaneamente uma espécie de viragem, na medida em que, ao contrário de séries anteriores realizadas em vários espaços públicos urbanos a Norte e a Sul, vagamente identificados (as ruas e praias de Luanda, Veneza, Londres e Newport, etc.), nesta série, pela primeira vez, o fotógrafo concentrou-se nos espaços interiores e exteriores de uma arquitetura específica. Trata-se da Fábrica Irmãos Carneiro no Cazenga, em Luanda, uma antiga fábrica têxtil fundada no período colonial, que, pertencendo a uma família luso-angolana, continuou a laborar após a independência de Angola e durante as várias fases da guerra civil (1975-2002), produzindo lençóis, fraldas e uniformes militares, etc. Mais recentemente, foi redirecionada para a produção de utensílios agrícolas, tendo sido parcialmente abandonada.

Através da sua própria experiência corpórea e afetiva do espaço e de conversas não só com os seus donos, mas principalmente com os seus antigos trabalhadores, muitos dos quais se tornaram seguranças do edifício após o encerramento da fábrica, Chagas compôs uma espécie de retrato em sequência aberta, simultaneamente íntimo e dialógico, de um espaço múltiplo: situado algures entre as particularidades desta arquitetura e as dinâmicas alargadas do bairro, da cidade e do país; entre a história coletiva e a memória individual; entre a objetividade concreta da matéria e da máquina (tanto a fabril como a fotográfica) e a subjetividade da experiência e do olhar. A intensidade das vivências partilhadas impregnou de memória os objetos e o espaço, que, embora evidenciando perda, se transmutaram em arquivos afetivos excedendo poeticamente os limites do visível e do documentável. Símbolo do próprio país em suspenso e dos vários projetos de suposta modernidade e modernização que atravessaram a sua história, a fábrica abandonada nunca deixou de ser reocupada, reapropriada e reativada por um ativo labor de memória e desejo, incluindo as futuridades passadas e presentes que falta cumprir.  

31.08.2022 | por martalanca | angola, arte contemporânea, Edson Chagas, exposição