apresentação do Buala em Sampa

E lá estivemos, no dia 4, a falar um pouco deste projecto BUALA que cresce todos os dias, para alguns amigos e visitantes da Bienal de S.Paulo. Foi muito acolhedor e proveitoso!   

(…) A contemporaneidade africana contraria os olhares paternalistas que têm sido a tendência dominante na produção sobre África. Damos prioridade às novas gerações africanas que, embora tenham apanhado os conflitos e guerras nos seus países, estão menos vinculados a uma mentalidade de recalcamentos e trazem, nas suas cidades, outras vivências e lógicas de pensar e de sonha . Filhos da geração de nacionalistas e independentistas, fazem dessa herança a referência para as suas lutas, com os desafios do presente, que são muitos. Africanos que vivem fora e mantêm uma ligação ao continente reflectindo e posicionando-se de forma interessante. MM, ML e Lígia AfonsoMM, ML e Lígia AfonsoContribuições de não africanos que se propõem a abordar África sem as narrativas gastas do passado. Entre todos o contacto do mundo onde vivem, numa curiosidade genuína e apelativa.
Se os países africanos, em reconstrução e com muitas carências - presas dos oportunismos, desde os governos aos interesses estrangeiros, eternos cúmplices do subdesenvolvimento – não apostarem na cultura e educação, não poderão dar um passo fundamental para um verdadeiro jogo de forças entre iguais. O BUALA pretende contribuir para esse salto qualitativo com as ferramentas possíveis, desde já, criar um espaço de encontro e debate com a acessibilidade de todos. (…)

07.10.2010 | por martalanca | Bienal de S.Paulo, buala

é já na 2ª feira - BUALA na bienal de S.Paulo

29.09.2010 | por martalanca | Bienal de S.Paulo, buala

Apresentação do Buala no 7º CIEA

Como já tínhamos anunciado, o Buala foi apresentado, no sábado passado, na Feira de Projectos do 7º Congresso Ibérico de Estudos Africanos. Para quem não esteve lá, aqui fica o vídeo que usámos para a apresentação.

 

13.09.2010 | por guilhermecartaxo | buala, CIEA, video

BUALA no 7º Congresso Ibérico Estudos Africanos, 11 Set. no ISCTE

08.09.2010 | por franciscabagulho | buala, Estudos Africanos

resposta ao Alexandre Pomar

A propósito do que se escreveu aqui no blogue do Alexandre Pomar:

Permita-me esclarer e responder em relação a algumas questões que levanta no seu blog e num email sobre o texto “A lusofonia é uma bolha”. Para contextualizar, escrevi-o quando cheguei de uma longa temporada em África, e me deparei com a desadequação do discurso da lusofonia produzido em Portugal às realidades africanas.Cabo Verde, Angola e Moçambique são os países onde tenho trabalhado na cultura, educação e informação, com as pessoas de lá e sem mordomias de expatriados. Agora estou a viver no Rio de Janeiro. Esta mini biografia para explicar que este texto decorre mais da experiência e da realidade, das opiniões e vivências de amigos, do que dos ‘bancos da escola e papers académicos’, que não são de todo a minha praia (não sou académica nem pretendo ser).
Se acha que é desonesto intelectualmente colar o colonialismo à direita de facto temos um problema de base. Do lado português não sei muito, a não ser a memória compreensivelmente ferida dos refugiados de 75, e algumas coisas muito interessantes na urbanização das cidades africanas, assim como de projectos artisticos e de altos indices na indústria do café e algodão, etc. mas sei bem o que as pessoas africanas contam por lá. São histórias de má memória, a falta de bases, de educação e opressão que esse regime e o colono deixaram. E sei bem o que estão os portugueses hoje em dia a fazer em Angola e a indústria de desenvolvimento em Moçambique. Acredite que a maioria não tem qualquer interesse naquilo para além da sua carreira e de fazer dinheiro. Claro que o colonialismo não é exclusivo da direita e certas facções da esquerda demoraram a perceber a natureza capitalista do colonialismo. Agora, o combate ao colonialismo veio da esquerda, isso é certo!

Se acha que encontrar outras formas de pôr estas pessoas em diálogo (como pretendemos fazer com o Buala) sem ser pelo discurso, reverberador do passado sim, da lusofonia a partir de Portugal (reitero que refiro enquanto discurso nao como a realidade da partilha da língua) é incoerente, também não temos um entendimento.
Que fique claro: antes de avançar com o projecto online apresentei o BUALA a entidades, artistas e intervenientes africanos, em Maputo e Luanda, consultei pessoas da cultura e professores em Cabo Verde e do Brasil, para ver se fazia sentido e se tinha pernas para andar, se tinhamos colaboradores destes países. O primeiro apoio e voto de confiança proveio sintomaticamente aqui do Brasil, país onde se acredita nas ideias.
Muita gente circula neste espaço, temos uma língua comum e realidades que se tocam, sinto-me em casa em qualquer um destes países, mas de facto não há um grande conhecimento mútuo nem uma interessante promoção entre si - com acções e discurso muitas vezes decrépitos e anacrónicos da diplomacia portuguesa, que não comunicam com a dinâmica dos lugares onde trabalham (com válidas excepções).
O facto de ter uma visão geral destes países - dos seus rancores e irritações, das tendências, dependências e vontades, das práticas culturais e figuras, e precisamente por acreditar que há uma nova geração que consegue viver estas realidades trazendo outros elementos e ter um olhar descolonizado, em todos os lás e em todos os cás, fez com que se achasse proveitoso pôr em diálogo as várias perspectivas no interesse da partilha.
É com estas novas visões e novos topos que nos interessa trabalhar, de forma descomplexada, para lá do pós-colonial mas também com ele em tudo o que comporta de análise das relações do passado para entender as do presente.
Reconheço que este texto esteja datado e pode parecer desadequado quando inauguramos uma plataforma que tem colaboradores de toda a CPLP. mas introduziu-o precisamente para nao se confundir o Buala com uma celebração da lusofonia, para ser outra coisa a inventar entre todos.
Porque, e disso tenho a certeza, o discurso da lusofonia interessa muito mais a Portugal do que ao Brasil ou a Angola, que têm outro tipo de argumentos, pretensões e mútuas influências. Muito nos liga entre nós, e é também a nossa diferença que faz a curiosidade, mas não é uma união firmada numa construção harmoniosa e horizontal. É-o muito mais por passados violentos e dinâmicas actuais que deles provêm e os subvertem noutra relação de poderes (o que está a acontecer actualmente com a nova soberba capitalista angolana e que muito irrita alguns angolanos “então só agora que temos dinheiro é que nos respeitam em Portugal, depois de tanta humilhação?”).

A metáfora da bolha é para explicar também que em países africanos lusófonos se vê muito pouco o que se passa no resto de África, por exemplo Angola e Cabo Verde comunicam muito mais com o Brasil e Portugal do que com o resto de África.

Se se quer de facto implementar um projecto lusófono que acompanhe a realidade ‘lusófona’ não se pode esquecer as condições de vida das pessoas, os vários tipos e interesses dos migrantes actuais, certos discursos políticos e diplomáticos, a falta de investimento numa boa difusão cultural e de circulação de estudantes, os estereotipos, os racismos etc. Temos de questionar qual é de facto esse projecto, quem dá a cara por ele, o instrumentaliza ou o faz render.
Sinceramente não percebo onde está o interesse em falar sobre e com África sem ponderar todos estes e muitos mais pontos de vista, sobretudo a partir de uma África real, que deixe de ser fantasiosa e sublimada por mentes europeias.
Espero que o BUALA sirva para minorizar esse tipo de equívocos e que haja mais gente a manifestar-se nos vários lugares de enunciação ‘lusófonos’ sem o vínculo da lusofonia.

27.05.2010 | por martalanca | buala, lusofonia