Ceci n’est Pas Francisco MARTA PINTO MACHADO
Centro Cultural Cabo Verde, Lisboa
22 de maio de 2026, patente até 27 de junho
18h00 - Conversa com Inês Vieira Gomes, investigadora, e Marta Pinto Machado, artista
19h00 - Abertura da exposição
3ª a 5 ª feira, das 12h00 às 19h00 | 6ª e Sab, das 13h00 às 20:00
Na continuidade da exposição apresentada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea, Ceci n’est Pas Francisco expande-se no CCCV – Centro Cultural Cabo Verde como um novo momento do projecto de Marta Pinto Machado em torno de Francisco Mendonça, das ausências do arquivo e das histórias que ficaram por contar. Entre 1961 e 1962, não existe um registo claro sobre Francisco. Esse intervalo coincide com o período da sua tentativa falhada de fuga, no contexto das lutas anticoloniais e da Casa dos Estudantes do Império. É a partir desse vazio que a artista desenvolve uma investigação feita de imagens, documentos, vídeo e instalação.
No CCCV, a exposição ganha outra presença no espaço. O filme apresentado no MNAC é agora acompanhado por novos elementos, propondo uma leitura mais fragmentada desta história. Francisco surge entre vestígios, perguntas e imagens possíveis, não como uma figura totalmente recuperada, mas como uma presença marcada por uma ausência que continua activa.

A exposição aproxima-se do arquivo como lugar incompleto, onde a memória se constrói também a partir de falhas, silêncios e restos. Ao trazer este trabalho para o CCCV – Centro Cultural Cabo Verde, reforça-se a relação com histórias comuns, atravessadas tambem por cabo-verdianos atravessadas pela circulação, pela resistência e pela dificuldade de inscrição nos relatos oficiais.
Ceci n’est Pas Francisco permanece nesse ponto instável entre documento, imagem e memória, procurando dar forma a uma história interrompida.
Curadoria: Filipa Oliveira e Ricardo Barbosa Vicente
Sobre a artista
Marta Pinto Machado é portuguesa-caboverdiana. É doutoranda em História pela Universidade NOVA de Lisboa, mestre em Fotografia pela Universidade Católica do Porto. O seu trabalho fotográfico analisa as ambiguidades da História e a sua relação com as narrativas ditas oficiais do mundo ocidental, centrando-se nas temáticas do colonialismo, identidade e território e está em coleções privadas e na coleção do Estado Português (Museu da Presidência). Expõe frequentemente. Durante os últimos cinco anos expôs em Dublin, Utrecht, Budapeste, Novi Sad, Braga, Lamego, Lisboa e Guimarães. No campo académico, publicou artigos nas revistas “Interact: Revista Online de Arte, Cultura e Tecnologia”, “Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento” e “JSTA - Journal of Science and Technology of the Arts”. Durante o ano 2026, o seu trabalho figurará na revista Zum do Instituto Moreira e Salles de São Paulo, Brazil. O projeto “Nos Txôn”, foi publicado
em livro pela editora Pierrot Le Fou. É membro da UNA - União Negra das Artes. O seu trabalho tem sido referenciado em diversos jornais de referência por autores como Filipa Lowndes Vicente e Djaimilia Pereira de Almeida.
