As estátuas também morrem

 As estátuas também morrem O escândalo da arte africana não estar, à época, representada no Museu do Louvre (onde as grandes tradições artísticas não-ocidentais foram incluídas), mas no Museu do Homem, resulta num documentário que, mais do que sobre a “arte negra”, reflecte sobre a museologização dos objectos extraídos a uma cultura onde não há museus e, por consequência, sobre as relações de poder – económico, político e simbólico – entre a cultura europeia e as culturas africanas, sob a organização colonial.

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01.09.2010 | por João Sousa Cardoso

O poder da autoridade tradicional em Benguela - duas realidades etno-históricas na mesma perspectiva

O poder da autoridade tradicional em Benguela - duas realidades etno-históricas na mesma perspectiva Estas identificáveis manifestações de identidade são traduzidas através do poder das autoridades endógenas, cujas Ekula ndombe e Akokoto ovimbundu constituem os potenciais instrumentos de suporte ideológico dos quais pretendemos abordar, por se achar que um conhecimento mais aturado de estruturas, sistemas, funcionamento e influências das instituições do poder político endógeno, permite desenvolver uma análise mais realista.

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01.09.2010 | por Armindo Jaime Gomes

"O outro pé da sereia": o diálogo entre história e ficção na representação da África contemporânea

"O outro pé da sereia": o diálogo entre história e ficção na representação da África contemporânea O texto consiste em uma análise de "O outro pé da sereia", de Mia Couto, focalizando o diálogo entre a história e a ficção, no intuito de mostrar o tratamento dado pelo autor às principais questões do mundo contemporâneo: a identidade, o sentido de pertencimento, o pós-colonialismo e o choque entre culturas. Ao fazê-lo, Mia busca desconstruir os arquétipos acerca da África e seus povos.

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31.08.2010 | por Shirley de Souza Gomes Carreira

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1

Alguns apontamentos a propósito de recentes polémicas sobre a identidade literária caboverdiana - parte 1 A experiência poética universalizante valeu ao poeta João Vário a ostracização por parte da generalidade dos literatos e ensaístas nacionalistas e teluricistas caboverdianos da sua geração e da geração seguinte.

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31.08.2010 | por José Luís Hopffer Almada

"Queremos um tsunami!", a voracidade de Miguel Gullander

"Queremos um tsunami!", a voracidade de Miguel Gullander São pois o cepticismo e ironia que prefazem a linguagem de "Perdido de Volta" de Miguel Gullander, onde não há heróis e todos são traídos, acusados pelas suas máscaras e papéis sociais: drogados, ambientalistas, bancários, salvadores hipócritas do Terceiro Mundo. O tom de denúncia dirige-se também à indústria do desenvolvimento, disfarçada de razões humanitárias mas sempre de olho no negócio em África, que continua a exportar fileiras de jovens ocidentais à procura de experiências exóticas e que, além dos objectivos carreiristas, vivem África como um “campo de férias” sem alcançar nada da sua profundidade e complexidade.

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31.08.2010 | por Marta Lança

No coração dos Andes há um país cuja selecção nacional mais parece de uma nação africana

No coração dos Andes há um país cuja selecção nacional mais parece de uma nação africana  Além fronteiras, a imagem de marca é a de um Equador andino, de rasgos índios e de um paraíso natural chamado Galápagos, ilhas justamente consideradas uma das reservas naturais mais bonitas do mundo. No entanto, há um Equador de cor negra e ritmos africanos que ainda tende a ficar esquecido.

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30.08.2010 | por Sílvia Norte

Estive em Lisboa e Lembrei-me de Ti

Estive em Lisboa e Lembrei-me de Ti espichei as pernas bobas e esbarrei com a minha mãe na cozinha, «Acordou, meu filho?», olheiras enormes, assustado perguntei cadê a Biz, e ela descreveu, lamuriosa, que me apresentei «Completamente», hesitou em dizer bêbado, mas frisou, entristecida, «Tonto», não conseguia nem parar em pé, e que entreguei a ela o peso da moto e saí tropicando, e, não sabendo o que fazer, encostou a Biz no fícus, junto ao muro em frente de casa, pegou uma cadeira e passou a noite inteira vigiando pra ninguém roubar

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28.08.2010 | por Luiz Ruffato

Fala i Storias - Conversas e histórias de mulheres

Fala i Storias - Conversas e histórias de mulheres É a singularidade de cada história, relatada na primeira pessoa, que permite chegar ao colectivo das histórias de vida de mulheres guineenses – e, até, da História do país. Histórias de valência e sobrevivência – seja o relato da jovem que foge com a filha à guerra civil de 98; ou a história de algumas das muitas ex-combatentes que Amílcar Cabral reconheceu mas a História ainda não fixou; ou ainda a realidade, hoje na Guiné-Bissau, de uma prática como a mutilação genital feminina.

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27.08.2010 | por Sandra Oliveira

A via do martírio

A via do martírio A guerra é suja e o conflito entre o Sahara e Marrocos não é excepção. Marrocos acusa também a Frente Polisário e as autoridades argelinas de terem torturado prisioneiros marroquinos e de reprimirem os saharauis que se opõem à independência.

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25.08.2010 | por Nuno Ramos de Almeida

Os sete sapatos sujos

Os sete sapatos sujos A força de superarmos a nossa condição histórica reside dentro de nós. Saberemos como já soubemos antes conquistar certezas que somos produtores do nosso destino. Teremos mais e mais orgulho em sermos quem somos: moçambicanos construtores de um tempo e de um lugar onde nascemos todos os dias. É por isso que vale a pena aceitarmos descalçar não só os setes mas todos os sapatos que atrasam a nossa marcha colectiva.

Mukanda

25.08.2010 | por Mia Couto

Mukanda ao Ruy Duarte de Carvalho

Mukanda ao Ruy Duarte de Carvalho Voz transmudante e transumante, inaugural. E desse teu dizer primevo, um apuro e um rigor encantatórios se vieram sedimentando num tom crescente de métrica libertária e de epopeia, para se afirmarem cada vez mais como um dizer poético de sábio e longuíssimo fôlego, e caracterizar toda a tua obra, na qual, “as artes de que sobretudo [dás] notícia são aquelas expressões da actividade humana imediatamente ligadas ao exercício de estar vivo e dar continuidade à vida.”

Ruy Duarte de Carvalho

25.08.2010 | por Zetho Cunha Gonçalves

Carlos Magno no Equador - A introdução do "Tchiloli" em São Tomé

Carlos Magno no Equador - A introdução do "Tchiloli" em São Tomé Os grupos do "Tchiloli", conhecidos na ilha por tragédias, têm cerca de trinta elementos cada um, e pertencem todos a uma determinada localidade de forros (assim se chamam os crioulos nativos de São Tomé). Dentro de certos limites dramatúrgicos, cada tragédia representa uma versão própria da peça. Conforme a tradição medieval, exclusivamente os homens representam todos os papéis, inclusivamente os de mulheres. Além disso, o mesmo actor amador representa sempre a mesma personagem. Os papéis, o guarda-roupa e os textos transmitem-se no seio das famílias.

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24.08.2010 | por Gerhard Seibert

Ruy Duarte de Carvalho: o cacto e sua água ímplicita

Ruy Duarte de Carvalho: o cacto e sua água ímplicita Como brasileira, persigo na sua viagem pelos nossos sertões, e não só, o encantamento e a capacidade de, no chão tão batido por outros viajantes, descobrir o inédito, elaborá-lo, convertê-lo em prosa, contrapondo as imagens do país apreendidas na errância às que colheu nas leituras desde a adolescência em Moçâmedes. Na escrita dessa experiência, compreendi o sentido de desmedida. Não a do país de dimensões continentais, mas a da energia do olhar que nos revela outras faces de nós mesmos.

Ruy Duarte de Carvalho

23.08.2010 | por Rita Chaves

A transição de Neto a dos Santos: os discursos presidenciais sobre as relações internacionais de Angola e o conflito com a UNITA (1975-1988)

A transição de Neto a dos Santos: os discursos presidenciais sobre as relações internacionais de Angola e o conflito com a UNITA (1975-1988) pretende-se fazer um balanço dos discursos feitos por Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola e do MPLA e, posteriormente, por seu sucessor José Eduardo dos Santos, naquilo que tange as relações internacionais de Angola, e o conflito com a UNITA – desde o momento da proclamação da independência, em 1975, até a assinatura dos Acordos de Nova Iorque, em 1988.

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23.08.2010 | por Kelly Araújo

Da colonização à convivência

Da colonização à convivência Não existe verdadeiramente “consciência lusófona”, excepto talvez nalguns intelectuais ou políticos. O angolano ou o moçambicano médio, mesmo artista ou universitário, nunca utilizará esta palavra para se definir, enquanto para um africano francófono, o termo “francofonia” tem significado, e até uma dimensão política supranacional.

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23.08.2010 | por Ariel de Bigault

“Digam simplesmente a verdade”

“Digam simplesmente a verdade”  A minha reflexão incide sobre o modo como se pode fazer cinema em África, à nossa maneira: a maneira como nos mexemos, a maneira como saboreamos, como ouvimos as coisas, como vemos as coisas, a nossa percepção do mundo.

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22.08.2010 | por Samba Félix Ndiaye

O Conselheiro generoso

O Conselheiro generoso Era um prazer viajar com ele. Acordávamos muito cedo, “matabichávamos” juntos e depois... pé na estrada. Eu guiava no asfalto, ele na terra. Trocávamos impressões e memórias. Tínhamos todo o tempo do mundo, entre um ponto e outro do trajeto diário. Na Chapada Gaúcha, lugarejo mais próximo do Parque do Grande Sertão Veredas, subitamente o Ruy se apaixonou por uma menina que vendia flores de papel. E assim vivemos aqueles momentos.

Ruy Duarte de Carvalho

22.08.2010 | por Daniela Moreau

Ver e fazer filmes, a partir de Cataguases

Ver e fazer filmes, a partir de Cataguases Emídio Jossine, Amâncio Mondlane e Nelson Mondlane vieram “do outro lado do oceano”, de Maputo, directamente para Cataguases. Vamos encontrá-los na “base”, nome de guerra para o galpão onde se aprende, se testa, se erra, se trocam ideias, e se “respira cinema”. Estão a aguardar pelo genérico que finalizará a edição do seu doc “A Espera no Quintal" e, enquanto não chega, falamos sobre o Festival e o cinema do seu país.

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22.08.2010 | por Marta Mestre

A meditação do cadáver - pré-publicação Miguel Gullander

A meditação do cadáver - pré-publicação Miguel Gullander “Observa” diz o homem branco numa língua selvagem, mas que a menina negra compreende pelo medo. Ele aponta-lhe um corpo de um menino português que, ninguém sabe, mas também foi um pastor antes de o terem embarcado à força. O menino está muito maltratado. O pirata ri uma gargalhada por conseguir assustar uma menina.

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20.08.2010 | por Miguel Gullander

Angola – o nascimento de um movimento pelo Direito à Habitação, e a importância da integração de lutas locais, nacionais e globais

Angola – o nascimento de um movimento pelo Direito à Habitação,  e a importância da integração de lutas locais, nacionais e globais É certo que as demolições e despejos forçados vão continuar em Angola, mas também é certo que as comunidades e os movimentos se estão a fortalecer, à custa de muita coragem, mas também por saírem do isolamento em que viviam.

Cidade

20.08.2010 | por Rita Silva