EU SOU ÁFRICA - 7º episódio CONCEIÇÃO DEUS LIMA - S.TOMÉ E PRÍNCIPE

SÁBADO, 19 de março, 19h, na RTP 2 

 

Jornalista e poeta, partiu várias vezes de São Tomé e Príncipe. Partiu para driblar os que queriam calar-lhe a voz incómoda nos jornais, na rádio e na televisão, partiu para se reconhecer como escritora, partiu para ser correspondente da BBC, em Londres. Mas em cada uma dessas partidas levou a ilha com ela. Regressada, continua a questionar passado e presente, num exercício de indagação e busca a que chama umas vezes jornalismo, outras poesia. A cidadania participativa, a educação e a cultura são os valores pelos quais a autora de O Útero da Casa, se bate, sempre. 

 

O debate, para criar pluralidade nas perspectivas, é uma das armas que Conceição Deus Lima usa para combater os problemas do seu país. Pratica-o na cobertura das eleições legislativas de S.Tomé, em comícios e na televisão, com a coragem para fazer as perguntas difíceis e necessárias. Em Santana, onde nasceu e aprendeu com a avó a falar crioulo, a entender plantas e a escutar os mitos dos rios, mergulha nos rituais dos antepassados para nos levar à constante duplicidade da sua ilha mágica, paraíso e lugar de massacre, terra de senhores e de serviçais. Fala da euforia de 1975, quando se fizeram possíveis todos os sonhos, vontades e aspirações, impulsionados pelas leituras de Amilcar Cabral e Kwame Nkrumah e pelo visionarismo dos grandes poetas são-tomenses, com Alda Espírito Santo como figura tutelar. Crioulidade, África, ilha e arquipélago, são palavras sobre as quais São de Deus Lima pensa e escreve com frequência, como poeta e como jornalista. 

 

16.03.2011 | par martalanca | Conceição Lima, jornalismo, poesia, S.Tomé

desfazer a partilha pré-estabelecida

9. MSV: A literatura, sobretudo a poesia, ocupa uma dimensão privilegiada na vida, na cultura, portuguesas. Os elos entre o lírico e a formação de seu país foram estudados por alguns pensadores como, por exemplo, Eduardo Lourenço. Como você percebe a vida presente da língua, da lírica portuguesas, especialmente quando relacionadas com as poéticas produzidas no Brasil e na África? O que mobiliza você, em particular, tendo-se em pauta a produção atual de poesia em português?

SRL: Há uma relação, que tem sido muito estudada, entre a construção das nacionalidades e a afirmação das línguas e literaturas nacionais. Portugal não é um caso único ou especial. O que é importante sublinhar é como, havendo uma literatura nacional que foi também instrumento de colonização, ela não o foi unicamente e, escapando aos propósitos oficiais de imposição de uma cultura como forma de subjugação, a literatura dos países colonizadores foi desviada (como elemento de um processo antropofágico) pelos povos colonizados para a criação de novas formas que desfaziam a partilha pré-estabelecida. Lembro como exemplo desse desfazer, e da relação singularização-universalização que o caracteriza, a obra extraordinária do escritor cabo-verdiano João Vário. Pela força da poesia e do pensamento, a escrita em português, seja em Portugal, no Brasil ou na África deixou de ser entendida como questão de nacionalidade, e só o é ao nível da permanência de alguns vestígios de vontade canonizadora, manifesta, por exemplo, nos prêmios literários. Os poetas são hoje mais desconhecidos e menos “prestigiados”. A poesia deixou de ter qualquer outro interesse que o de ser feita e lida por aqueles que estão de saída dos padrões culturais que tendem a reduzir tudo, até o próprio esbanjamento, à rentabilização. 

(…)

excerto de POESIA E TEORIA NA ERA DA INDIFERENÇA, entrevista a Silvina Rodrigues Lopes por Mauricio Salles Vasconcelos, em Sibila 

09.03.2011 | par martalanca | literatura, poesia

o pensólogo

08.03.2011 | par martalanca | angola, juventude, poesia

poeta angolano João Tala lança livro no Rio

18.10.2010 | par martalanca | João Tala, poesia

Todos temos nosso fado. Lula Pena

ELA CHAMA-SE LULA. Lula Pena. Descobriu o sentido do fado quando saiu de Portugal. Mas foi numa noite, antes de partir para Barcelona (Espanha), que num bar do Bairro Alto, em Lisboa, onde costumava actuar, resolveu experimentar cantar o “Barco Negro”. Lembram-se da canção imortalizada por Amália Rodrigues (1920-99) no filme Os Amantes do Tejo (1955, do diretor francês Henri Verneuil) -De manhã, que medo, que me achasses feia!/ Acordei, tremendo, deitada n’areia/ Mas logo os teus olhos disseram que não…-, com letra de David Mourão-Ferreira?

Lula cantou nessa noite e ficou com a breca no final da música. Na entrevista ao jornal português Público, em que contou esta história, disse que ficou com um sorriso que não conseguia desfazer. Assustou-se. Nessa noite, pensou que o fado é uma droga dura. Quando todos andavam à procura da nova Amália, Lula cantava fado nas ruas e uma vez quis conhecer a diva. Tinha umas coisas para lhe perguntar. Marcaram um encontro. Chegou o dia. Era uma quarta-feira, Lula lembra-se bem. Um dos músicos que devia ir com ela a esse encontro telefonou-lhe de manhã, ela acordou e achou que estava atrasada. Ele disse-lhe: “Amália morreu esta manhã” [6 de outubro de 1999].

No dia 12 de fevereiro de 2009, Caetano Veloso escreveu no seu blogue “Obra em Progresso”: “A cantora que mais me interessou nas últimas semanas foi Lula Pena. Uma portuguesa de voz grave e violão eletrificado que canta como um poeta”. Colocava um link para Lula a cantar no YouTube a “Rua do Capelão”, que é uma das 13 músicas do seu primeiro disco, Phados, que ela gravou em Bruxelas, em 1998.

Passaram-se 12 anos e só agora a portuguesa volta a editar um disco: Troubadour (Mbari) . Ela diz que “a respiração não é a mesma” ou que “a cabeça já não é a mesma”, e que o que os dois discos têm em comum é a sua voz (grave e invulgar), a guitarra acústica e a necessidade da palavra. Dividiu o seu disco em sete “actos” (um deles termina assim: “Meu amor?” “Sim, diz” “Já disse”.)

Os seus concertos são raros, num deles o seu coração batia tanto que ela não conseguia cantar. Nesse momento, só teve uma solução. Colocou o microfone no peito e todos ouviram as suas batidas. Fez-se silêncio e ela finalmente cantou.

Se querem ter uma sensação intrigante, ouçam Lula Pena. Ficarão arrepiados. Por Troubadour passam o fado, a bossa nova, a morna, o tango, a chanson e o flamenco.

Quando, há meses, Caetano esteve em Lisboa a fazer uma conferência na Casa Fernando Pessoa com (o poeta) Antonio Cicero houve um serão, como aquele que Amália fez para Vinicius de Moraes no final dos anos 60, em que Lula cantou para os dois brasileiros. As suas canções estão cheias de citações e alusões: “Partido Alto”, de Chico Buarque, mas também “Luna Tucumana”, de Atahualpa Yupanqui, e “A Noite do Meu Bem”, de Dolores Duran.

Ela está no Myspace (myspace.com/lulapena). Procurem-na.

ISABEL COUTINHO, Folha de S.Paulo, 29.08.2010

29.08.2010 | par martalanca | fado, Lula Pena, poesia

Portuguesia – Contra-antologia

Compilação de poemas é lançada junto com DVD. Objetivo da obra é explorar as possibilidades poéticas em língua portuguesa.

O poeta, pesquisador e escritor brasileiro Wilmar Silva foi o principal responsável pela compilação de poemas para o projeto Portuguesia – Contra-antologia. Este projeto possui a ousada proposta de reunir referências em poesia dos principais países de língua portuguesa.

Participam do livro e do DVD 101 poetas de Minas Gerais, Portugal, Guiné-Bissau e Cabo Verde. O livro, com 512 páginas, traz reflexões sobre as diferentes experiências de linguagem possíveis na atualidade. Todos os autores participam com cinco poemas cada um, além de interpretarem os próprios versos em performances registradas no DVD.

Esta é a primeira parte do projeto. A próxima etapa pretende abordar autores de todas as nações que falam português. Posteriormente, a iniciativa vai se voltar para a América hispânica. O objetivo maior desta pesquisa é encontrar a diversidade de vozes poéticas em diferentes países.

 

Portuguesia - Contra-Antologia
Editora Anome Livros
Livro com 485 poemas e DVD com 101 depoimentos

02.07.2010 | par martalanca | língua portuguesa, poesia