Não é apenas a derrocada de ditadores reinantes, mas também é um movimento de protesto duradouro desafiando, ao mesmo tempo, várias dimensões da ordem social interna, especialmente evidenciando as desigualdades na distribuição de renda, e a ordem internacional, o lugar dos países árabes na ordem econômica global.
Cara a cara
10.10.2011 | por Samir Amin
Eu noto sobretudo que a Liga árabe abandonou Kadafi muito depressa ao passo que a União Africana, de pois de ter trabalhado sem sucesso para uma solução política, procurar impor a si mesma um prazo decente agora que tudo parece perdido. Isso significa que a guerra civil líbia poderia marcar uma reviravolta nas relações entre a África subsariana e o mundo árabe. Estas relações nunca foram simples, todos o sabem, ainda que por pudor se tenha evitado sempre olhá-las de demasiado perto.
Vou lá visitar
03.10.2011 | por Boubacar Boris Diop
A lembrança da Praça Tahrir alimenta as esperanças da oposição e fomenta os receios do governo. Para muitos dos oposicionistas, o Egipto acabou por significar a terra prometida, no sentido proverbial. Para muitos dos governantes, o Egipto representa um desafio fundamental ao poder, que exige que se lhe resista a todo o custo. As coisas chegaram a um ponto em que o mínimo sinal de protesto desencadeia a máxima reacção do governo. A tal ponto que o governo, que há apenas poucas semanas chegou ao poder com uma maioria arrasadora, parece agora carecer não só de flexibilidade mas também de estratégia de saída.
Mukanda
02.07.2011 | por Mahmood Mamdani
Em vez de surgir, subitamente, do nada, a revolução egípcia é o resultado de um processo que se foi gerando ao longo da década anterior.
A ler
04.04.2011 | por Hossam el-Hamalawy
Demasiado pouco, demasiado tarde? Até onde irá a revolta? Que regimes irão emergir deste tsunami? Será ainda possível impedir os falcões israelitas de lançar uma guerra preventiva? Será a Turquia ou o Irão o modelo das próximas revoluções? Perguntas por agora sem resposta, porque os jovens já não acreditam na capacidade e vontade dos Estados Unidos e da União Europeia para pôr termo ao conflito israeloárabe, e promover o desenvolvimento e uma nova ordem na região. Mesmo que quisessem.
A ler
19.03.2011 | por Nicole Guardiola
"A praça não desarma. Ontem, os militares tentaram afastar os manifestantes, levantar os seus acampamentos, convencê-los a saírem da rua. Mas uma revolução não vai assim para casa de um momento para o outro. "Eu tenho o direito de festejar", disse Asim, de 26 anos, que veio para Tahrir com as duas irmãs. "Estivemos aqui até o regime cair. Agora esta praça é do povo."
Paulo Moura
Cidade
14.02.2011 | por Alexandra Lucas Coelho
Antes, pai e filha não se entendiam. “Não comunicávamos. Ela comunica pelo computador e eu não percebia. Não conseguia compreender que viesse a casa e passasse 20 horas em frente ao computador e quatro a dormir. A ditadura também abriu um fosso entre gerações. Agora reencontrámo-nos.”Para Sadok, “recusar ser corrompido já era uma forma de resistência”. A filha decidiu fazer mais e resistir através da Internet. Agora, o pai agradece-lhe.
Vou lá visitar
26.01.2011 | por Sofia Lorena