Resenha a "Caderno de memórias coloniais", de Isabela Figueiredo

Resenha a "Caderno de memórias coloniais", de Isabela Figueiredo Trata-se de elaborar, pela narrativa, uma nova posição diante do passado, consolidando uma perspectiva singular (para além dos discursos prontos dos grupos envolvidos na ordem colonial; para além do silêncio e da vergonha paralisantes). Ao fazê-lo, Isabela demanda o reposicionamento dos outros, leitores. O caráter literário de sua escrita, que sabe imbricar esfera pessoal e coletiva, responde pela força dessa demanda.

A ler

08.10.2011 | por Anita Martins de Moraes

A situação colonial: uma abordagem teórica

A situação colonial: uma abordagem teórica Um dos acontecimentos mais marcantes da história recente da humanidade é a expansão da maior parte povos europeus pelo mundo. Trata-se de uma expansão que conduziu à submissão – quando não ao desaparecimento – da quase totalidade dos povos ditos atrasados, arcaicos ou primitivos. A acção colonial, ao longo do século XIX, foi o aspecto mais importante da expansão europeia e aquele que teve maiores consequências. Abalou brutalmente a história dos povos que submeteu; ao estabelecer-se, impôs a esses povos uma situação muito particular. Este facto não pode ser ignorado.

Mukanda

01.07.2011 | por Georges Léon Émile Balandier

Algumas cidades da África contemporânea e os rituais e experiências no bifronte tradição versus modernidade: Cidade do Cabo, Accra, Kigali (muti, haucá, hutu).

Algumas cidades da África contemporânea e os rituais e experiências no bifronte tradição versus modernidade: Cidade do Cabo, Accra, Kigali (muti, haucá, hutu). Olhar para algumas das cidades da África contemporânea é enfrentar os desdobramentos de sua dilaceração colonial, é atentar para as repercussões que o poder, essa articulação dimensional da dominação, imprime naqueles em que toca. A proporcionalidade da resposta, da interação, está diretamente ligada à sua efusão. Tais vestígios são sempre contundentes, pois se inscrevem na carne como um pontiagudo arabesco de sangue, pus e baba. Ao desespero de sua emergência contrapõe-se em quase tudo, quase tudo, a racionalidade do poder que o encetou. Restarão fios delicados a nos lembrar que esses outros estão atentos às limitações racionalistas de seus algozes inspirados e que depois serão transpirados como suor, como sangue, como nervos.

Cidade

27.11.2010 | por Eduardo Bonzatto

Espécies de espaços. Lugares, não-lugares e espaços identitários na obra videográfica de Ângela Ferreira.

Espécies de espaços. Lugares, não-lugares e espaços identitários na obra videográfica de Ângela Ferreira. - sobre três vídeos d’Ângela Ferreira « Untitled » (1998), « Pega » (2000), « Joal la Portugaise » (2004). Se a dualidade territorial, indissociável de um certo percurso biográfico, das deslocações constantes entre África - Moçambique e a África do Sul - e a Europa, marca, indubitavelmente, a obra de Ângela Ferreira, é precisamente essa dualidade territorial que vem inscrever a história no espaço indeterminado do discurso videográfico, apontando para questões relacionadas com a geopolítica e remetendo-nos, simultaneamente, para o trabalho de desconstrução da iconografia e do imaginário coloniais e pós-coloniais que vem sendo sistematicamente desenvolvido pela artista.

Afroscreen

04.08.2010 | por Raquel Schefer