Cholitas Escaladoras, o cume é para todos

Cholitas Escaladoras, o cume é para todos Um grupo de mulheres indígenas bolivianas, as cholitas, desafia, há oito anos, as montanhas geladas do país. A persistente escalada entre pedras e glaciares levou-as já aos picos mais altos da América. A conquista das alturas converteu as “Cholitas Escaladoras” num símbolo potente de resistência cultural, de luta contra a discriminação e de denúncia da violência que as segrega e mata.

Jogos Sem Fronteiras

30.04.2023 | por Pedro Cardoso

Manifestamo-nos por mundos despatriarcais e deshierárquizantes

Manifestamo-nos por mundos despatriarcais e deshierárquizantes A Academia (com A maiúscula e no singular) é para nós um campo de disputa e aí estamos, sem dúvida, posicionadas(os) todos e todas nós que ousamos entrar nele, dialogar com ele, desafiá-lo, habitá-lo e/ou co-construí-lo a partir da prática cotidiana. Muitas(os) de nós ocupamos este espaço por decisão e convicção e sabemos minuto a minuto o que estamos enfrentando. É por isso que o manifesto “Todos sabemos” nos ressoa e interpela quando afirma que o extrativismo epistêmico é estrutural e não apenas um evento isolado na academia. Quando afirma que a Academia é hierárquica e hierarquizadora e que promove a acumulação de poder por aqueles que estão no topo. Muitos deles, nos últimos tempos, têm sido acusados de abuso e assédio moral e sexual.

Mukanda

28.04.2023 | por várias

Djam Neguim artista cabo-verdiano: “Só é possível um futuro em que todes existam de todas as formas”

Djam Neguim artista cabo-verdiano: “Só é possível um futuro em que todes existam de todas as formas” Náná é o sufixo de Funaná, uma dança e música com origens na ilha de Santiago, música forjada, sobretudo por homens no mundo rural onde as mulheres têm um lugar passivo. A proposta de Djam Neguim consiste numa distorção destas "normatizações" da cultura cabo-verdiana, ainda muito rígida. “Com o meu trabalho tento romper com estas representações folclóricas e turísticas”, refere na nossa conversa que aconteceu pelas plataformas digitais.

Cara a cara

28.04.2023 | por André Castro Soares

GIZ, livro de poesia de Gisela Casimiro

GIZ, livro de poesia de Gisela Casimiro O livro mais duro. É o meu único nome, são uns quantos diminutivos, é o que ficou depois de passar pela Erosão. O giz vem do calcário. É o resto de uma pedra enorme que carreguei e ainda carrego, apenas de outra forma. Paisagem e pó.

Mukanda

27.04.2023 | por Gisela Casimiro

Uma comunidade de solidões

Uma comunidade de solidões A solidão, parece desnecessário dizer, é tóxica e terrível para a saúde. Mas é importante manter as coisas em perspetiva. É inadequado comparar a vulgarização da vida sozinho com a “epidemia de solidão”, que é o que os artigos dos jornais escrevem frequentemente em manchetes alarmantes. Os ingleses têm duas palavras para se referirem a dois tipos diferentes de solidão: loneliness — o estado negativo de estar sozinho, caracterizado pela sensação de falta — e solitude — a solidão que se escolhe, se deseja e traz felicidade, que amplia a consciência de si, a disponibilidade para a escuta, a criatividade, o sentido crítico e que reduz o stress.

A ler

26.04.2023 | por Marta Rema

O neo-lusotropicalismo linguístico: críticas à lei que classifica a língua portuguesa como património cultural imaterial de Cabo Verde

O neo-lusotropicalismo linguístico: críticas à lei que classifica a língua portuguesa como património cultural imaterial de Cabo Verde orque num país de parcos recursos como Cabo Verde qualquer lei que sobrestime a língua portuguesa traduzir-se-á, com base num jogo de soma zero, na amplificação de obstáculos a real promoção e oficialização da língua cabo-verdiana. Dito de uma forma mais direta: qualquer recurso, simbólico ou material, canalizado à língua portuguesa traduz-se no correspondente que não é transferido a língua cabo-verdiana.

A ler

26.04.2023 | por Abel Djassi Amado

Vidas em Português, Memória, Identidade e Cidadania na era digital

Vidas em Português, Memória, Identidade e Cidadania na era digital As novas tecnologias da comunicação e da informação fizeram surgir uma esfera de convivialidade baseada no mundo digital. A vida cotidiana foi replicada na rede mundial de computadores, desafiando pesquisadores de distintas áreas do conhecimento a desenvolverem metodologias e conceitos, com vista a compreenderem os impactos políticos, económicos e culturais destas inovações.

A ler

19.04.2023 | por vários

TODAS SABEMOS

TODAS SABEMOS Perante o atual debate público suscitado pela divulgação do capítulo “The walls spoke when no one else would: Autoethnographic notes on sexual-power gatekeeping within avant-garde academia”, publicado no livro Sexual Misconduct in Academia: Informing an Ethics of Care in the University (Routledge 2023), expressamos a nossa total solidariedade para com as autoras e demais vozes vindas a público, assim como para com todas as pessoas sujeitas a abusos de poder e outras formas de violência em contexto académico e fora dele. Este documento é uma contribuição coletiva e inacabada para um debate em curso.

Mukanda

14.04.2023 | por várias

Aerogramas de José Rubira: Guiné Bissau / Montemor-o-Novo 1971-1973

Aerogramas de José Rubira: Guiné Bissau / Montemor-o-Novo 1971-1973 Com o intuito de evidenciar o caráter também epistolar e material destas fotografias, partilhamos, além de uma digitalização da imagem nelas contida, o outro lado destes objectos fotográficos e organizamo-los cronologicamente pela data de envio. Propomos assim um debruçar sobre a sucessão de imagens e palavras que José Joaquim Rubira remeteu, ao longo de quase três anos, aos seus pais, aos seus tios e primos, à sua esposa e à sua filha Clara, que tinha apenas 6 meses quando José partiu de Montemor-o-Novo. José Rubira aparece retratado em todas as imagens.

Afroscreen

07.04.2023 | por Daniela Rodrigues

Entrevista a Kiluanji Kia Henda sobre Plantação, projeto para o Memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas

Entrevista a Kiluanji Kia Henda sobre Plantação, projeto para o Memorial de Homenagem às Pessoas Escravizadas É importante que uma obra pública (sobretudo um memorial) não mostre apenas uma face, mas que se abra a distintas leituras. Trata-se de uma plantação em luto, queimada, que traduz o lado lúgubre e funerário da plantação. E ainda faz homenagem à resistência dos escravizados pelo gesto de queimar a plantação e boicotar o regime de opressão. A plantação é o lugar onde o processo de desumanização ocorre.

Cara a cara

07.04.2023 | por Marta Lança

Ritual de Escuta

Ritual de Escuta O enredo gira em torno da preparação da conversa que pais de filhos gerados em relações inter-raciais terão, algum dia, de ter com as suas crianças sobre questões raciais. É um tema difícil, por isso, muitos pais não sabem como começar a discussão e perdem-se entre acusações e o autoflagelo. O ator Daniel Moutinho e a atriz Manuela Paula dão vida ao casal inter-racial que procura um caminho para “A Conversa”. São cerca de 20 minutos de auscultação em que o ouvinte será levado pelo mundo de dúvidas, aspirações, esperança, determinação e incerteza, num ensaio para uma conversa que é inevitável, seja por iniciativa própria ou por força da sociedade.

Palcos

05.04.2023 | por Carla Fernandes

New Words for Mindelo's Urban Creole

New Words for Mindelo's Urban Creole epiphron- ser uma namorada ou namorado de curto prazo de um turista ou emigrante em troca de presentes e favores. eris - contratar um perito ocidental para legitimar projetos políticos e económicos contenciosos. eucleia - uma pessoa com uma mentalidade colonial; uma pessoa que acredita que as pessoas pobres e incultas devem ser governadas pela força. eufeme - uma pessoa que acredita que a vida não traz esperança; uma pessoa que é viciada em álcool adulterado.

A ler

04.04.2023 | por Irineu Rocha

Atlas da Solidão

Atlas da Solidão Para que serve a solidão? Porque se torna ameaçadora? Como podemos usufruir da nossa solidão num mundo que se tornou mais veloz do que nunca? Atlas da Solidão aborda um tema crucial para o entendimento da contemporaneidade e convoca uma reflexão sobre múltiplas dimensões da solidão, positivas e negativas, num programa interdisciplinar que procura abordar o tema dos pontos de vista teórico, simbólico e prático. O programa — que inclui conversas, um concerto, uma oficina para adolescentes, um curso online, performances, dança e uma exposição — concentra-se na Appleton Associação Cultural, em Lisboa, até dia 29 de abril, que se torna numa plataforma de encontro entre o público e os intervenientes do projeto.

Vou lá visitar

04.04.2023 | por Marta Rema

IV Encontro de Cultura Visual

 IV Encontro de Cultura Visual Face à impossibilidade de reparar a brutalidade da violência colonial (Mbembe 2021) – a ocupação, a espoliação, o etnocídio, o desenraizamento, os raptos, as violações, o epistemicídio, o saque em grande escala, e o extrativismo – é preciso, ainda assim, fazer a sua “necrologia” (Hicks 2020), insistir no gesto de reparação, através de uma “ética da incomensurabilidade” (Tuck & Yang 2012), parte essencial de um processo de cura e cuidado permanentes.

Mukanda

28.03.2023 | por Ana Cristina Pereira (AKA Kitty Furtado) e Inês Beleza Barreiros

Quero um dia em que não se espere nada de mim

Quero um dia em que não se espere nada de mim Cada um de nós pensa na solidão de uma forma única. Formamos as nossas opiniões sobre o assunto através de experiências diferentes. Quão diferentes são as nossas experiências de solidão? Em que espaços e em que tempos, cada um de nós se sente sozinho? Como é que os nossos papéis sociais, laborais e familiares influenciam a nossa experiência da solidão? O que significa um momento de solidão para aquele que raramente a encontra? E o que fazemos com esses momentos quando eles se proporcionam? Será a solidão um luxo? Como é que imaginamos a solidão dos outros? Embora internamente a experiência possa ser muito diferente, há também a ideia muito contemporânea de uma solidão partilhada. Existe algum tipo de ligação entre pessoas que se sentem sozinhas? São diferenças que parecem ter sido ampliadas ao longo da pandemia, mas o que é a solidão historicamente? Quero um dia em que não se espere nada de mim pretende pensar o duplo potencial da solidão como força perturbadora e lugar de privilégio histórico.

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24.03.2023 | por Marta Rema

A ascendência portuguesa de Diego Rivera

A ascendência portuguesa de Diego Rivera Diz-se no México que as boas histórias de vida são passionais. São felizes e dolorosas, atam e desatam nós cegos na garganta, tipo trago áspero de tequila barata. Damos o tom e entramos numa das tabernas taciturnas da cidade de Guanajuato – as chamadas “cantinas”, onde se destilam contos pessoais com o avançar dos copos. Paredes de pedra bruta a meia-luz, bafo húmido. Na minha cabeça, Chavela Vargas canta “Tú me acostumbraste”. É noite e chove miudinho lá fora. Com um brinde selamos o momento. E contamos uma secreta história de vida.

Cara a cara

24.03.2023 | por Pedro Cardoso

Entrevista ao cineasta israelita Avi Mograbi: “A necessidade de assumir a responsabilidade em relação à ocupação está sempre presente.”

Entrevista ao cineasta israelita Avi Mograbi: “A necessidade de assumir a responsabilidade em relação à ocupação está sempre presente.” Quando fiz Between Fences estávamos no auge dos protestos contra a forma como o país lida com os imigrantes. O Supremo Tribunal tinha rejeitado, consecutivamente, várias leis do Governo relativas aos requerentes de asilo, o que é um ponto-chave para compreender porque o Estado entrou em conflito com o Supremo Tribunal. Atualmente, o Governo está a tentar “cortar a cabeça” deste tribunal. Foi curioso porque na época, muito destes protestos não eram em defesa dos direitos humanos, mas impulsionados pelos proprietários dos restaurantes que reivindicavam que, se os refugiados fossem expulsos, era o fim da sua atividade, porque ficariam sem mão-de-obra: ajudantes de cozinha, profissionais de limpeza, etc. A Lei de Imigração de Israel beneficia apenas a entrada de judeus no país.

Cara a cara

23.03.2023 | por Anabela Roque

Arquipélagos criativos: arte, design e artesanato nas ilhas atlânticas lusófonas

Arquipélagos criativos: arte, design e artesanato nas ilhas atlânticas lusófonas Procuro defender aqui que existe uma especificidade dos processos criativos destes arquipélagos que consiste numa maior sensibilidade às questões ambientais e à coexistência com o Outro, uma vez que, por um lado, são mais dependentes de recursos limitados e, por isso, mais suscetíveis aos desequilíbrios climáticos e sociais e, por outro lado, enquanto pontos de encruzilhada entre diversas culturas, desenvolvem formas criativas de apropriação seletiva que alimentam um imaginário cultural pautado pela riqueza e vitalidade. Veremos, ao longo deste trabalho, como as ilhas são propícias a criar através de elementos de origens diferentes, e pelo seu isolamento, a manter a diversidade cultural ao longo do tempo podendo, assim, constituir espaços de estilos de vida alternativos.

Mukanda

14.03.2023 | por Ana Nolasco

A arte não tem imunidade

A arte não tem imunidade Em Portugal não temos categorias étnico-raciais legalmente aprovadas. Isso significa que não somos legalmente capazes de identificar desigualdades sociais em termos de raça. Este é um aviso importante de como a sociedade portuguesa funciona e como esse silêncio social da política nos informa que não há interesse ​em identificar esse problema. Mas podemos fazer isso visualmente. Basta olhar quem são as pessoas que estão liderando instituições de arte e curadorias para entender essa lacuna.

Mukanda

13.03.2023 | por Rodrigo Ribeiro Saturnino (ROD)

Gerir

Gerir A experiência, particularmente em Cabo Verde, leva-me a crer que uma das razões que travam o desenvolvimento do setor cultural e artístico, em específico no artesanato, é o alto nível de amadorismo com que tem sido gerido. É, por isso, imprescindível garantir a competência e o profissionalismo neste domínio, pois de outro modo não parece viável beneficiar do pleno potencial criativo, cultural e económico que este setor possa oferecer.

A ler

10.03.2023 | por Irlando Ferreira