O que parece interessante do ponto de vista histórico, sociológico, antropológico, é que estas movimentações culturais e artísticas dão conta da emergência de práticas culturais híbridas em território português. Trata-se de uma hibridez que traduz uma encruzilhada diaspórica concreta, um ambiente de circulação face ao qual estes sujeitos se posicionam— dado o tipo de seleções que fazem e o trabalho de reorganização e recombinação que desenvolvem—, num processo que envolve a história de relação entre Portugal e as diversas nações africanas que no passado foram seus territórios políticos, nomeadamente as práticas culturais que emergiram dessa história. Isto deverá comunicar com o tipo de narrativas diaspóricas em que estas práticas se engajam.
A ler
12.06.2026 | por Rui Cidra
Não pretendendo cartografar o cinema produzido por esta contra-esfera pública transnacional, nem sequer traçar-lhe uma panorâmica, proponho antes pensar o Cinema Negro produzido em Portugal (apenas). No entanto, não posso deixar de enquadrar esta produção numa rota transatlântica alargada, que determina a produção nacional, como espero tornar claro nas próximas páginas. Penso os temas predominantes nesses filmes e as vozes evidenciadas nestas obras cinematográficas ensaio compreendê-las num esforço de construção de um arquivo e de combate ao apagamento.
Afroscreen
26.05.2026 | por Ana Cristina Pereira (AKA Kitty Furtado)
Nessa dimensão de inevitável, de necessidade e de processo que acontece, enraíza-se a poesia. Ela traz as memórias de lugares, formas de falar, de mover-se no espaço, formas de afetos e de resistências talvez originariamente não “de aqui”, mas que passam a sê-lo no momento em que esses corpos inscrevem-se no espaço, no território. No Portugal contemporâneo, será a poesia mais um espaço não só para pensarmos critica e politicamente, mas também para sermos e estarmos, para além das fraturas segregantes que as sociedades contemporâneas, de forma cada vez mais violenta, nós querem impor?
A ler
25.05.2026 | por Noemi Alfieri
fui improvisando, falando de vidas que podiam sonhar mais,
que podiam alcançar mais não fosse o degrau gigantesco,
vulgo racismo estrutural
fadar-lhes que estão sempre a mais.
Tal e qual qualquer uma da Linha de Sintra
fui seguindo o estilo pseudo-livre dos nossos momentos,
das esfuziantes alegrias e dos audíveis tormentos,
não vá alguém daqui a 500 anos soletrar online
que nem nunca existimos
então eu escrevi, eu escrevi porque nós resistimos
Mukanda
25.05.2026 | por Telma Tvon
Na inscrição de vozes negras, que identidades se vêm reconfigurando e que convenções e cânones vão sendo agitados? O que contam essas narrativas da afro-diáspora sobre momentos cruzados da história portuguesa, angolana e cabo-verdiana? O que pensam da exclusão e da ocupação da cidade essas mesmas vozes? A que contextos de migração acedemos nas diversas linguagens e gerações? Quais as dificuldades, mas também a potência, das mulheres negras no meio artístico português?
A ler
25.05.2026 | por Marta Lança