A independência de Moçambique, alcançada em 1975 após anos de luta contra o domínio colonial português, marcou o início de um novo período na história do país. À frente desse processo encontrava-se Samora Machel, uma das principais figuras da luta de libertação moçambicana e primeiro Presidente da República Popular de Moçambique. A sua liderança ficou marcada pela defesa da soberania nacional e pela tentativa de construir uma sociedade assente nos princípios do socialismo.
Mais do que uma figura central da luta anticolonial, Machel procurou transformar as estruturas políticas, económicas e sociais herdadas do período colonial. Educação, saúde, combate ao analfabetismo, emancipação das mulheres e soberania económica integraram um projeto mais amplo de construção do novo Estado moçambicano.
Cara a cara
11.09.2026 | por Pedro Oliveira
Samora Machel é recordado como o primeiro presidente de Moçambique e um dos líderes africanos notáveis que foram assassinados, nomeadamente Patrice Lumumba (Congo), Amílcar Cabral (Guiné-Bissau) e Thomas Sankara (Burkina Faso). Para os moçambicanos, foi o chefe da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), o exército guerrilheiro que, contra grandes adversidades, trouxe liberdade à sua pátria; na esfera internacional, no entanto, foi muito mais do que isso. Em toda a África Austral, Samora foi um herói para os oprimidos. Os seus êxitos militares contra um regime colonial apoiado pela África do Sul, a Rodésia, os Estados Unidos e os seus aliados da NATO, reforçaram a sua reputação revolucionária. O seu apoio às forças de libertação do Zimbabwe e ao Congresso Nacional Africano, que se revelou muito oneroso para Moçambique, elevou ainda mais a sua estatura.
Mukanda
25.01.2023 | por ALLEN ISAACMAN e BARBARA ISAACMAN
O cinema tem um papel político em Moçambique, mesmo que os nossos filmes não sejam políticos. Foi criado como um instrumento político, teve uma influência regional enorme: os nossos documentários tiveram influência na África do Sul pós-apartheid, no Zimbabué, na Namíbia, em Angola, em todos os países da região. Foi uma ideia genial e extraordinária da Frelimo pós-independência, que trouxe para cá [Jean-Luc] Godard, Jean Rouch, Ruy Guerra e dezenas de outros cineastas e gente do cinema: cubanos, italianos, ingleses, franceses.
Afroscreen
11.10.2022 | por Lurdes Macedo
Graça Simbine, viúva de Samora Machel e esposa de Nelson Mandela. A referência aos seus dois «maridos e heróis», como ela gosta de os chamar, bastaria para fazer desta moçambicana de 63 anos uma figura ímpar da história africana contemporânea. Mas Graça Machel é muito mais do que a mulher de dois homens excepcionais. Ela sabe-o melhor do que ninguém, e nunca quis ser apenas «primeira-dama».
Em Novembro 2008, no secular salão nobre da Academia de Ciências de Lisboa , o antigo presidente da África do Sul e Prémio Nobel da Paz foi proclamado seu sócio de honra. A ausência física foi substituída pela voz e pela presença de Graça Machel que recebeu também a distinção de sócia correspondente estrangeira, e o apresentou despido do mito.
Cara a cara
23.03.2011 | por António Melo