Exposição “Nirivalele hi kuxwela” para visitar em Maputo

A exposição está patente no Centro Cultural Franco-Moçambicano, entre 5 de Julho a 20 de Agosto de 2022.

Pode visitar a Exposição “Nirivalele hi kuxwela” de Hugo Mendes até o dia 20 de Agosto no Centro Cultural Franco-Moçambicano de Maputo.

“Nirivalele hi kuxwela” é uma alegoria para o tempo que a pandemia nos tirou – foram dois longos anos de incertezas e ansiedade – e também brinca com o facto de artistas terem sobre si a conotação (não totalmente infundada) de serem imprevisíveis e com problemas com deadlines.

“Com obras de arte resultantes das reflexões durante o tempo de isolamento causado pela pandemia, e que tencionam representar aspectos do quotidiano, referindo-se à história colectiva dos Moçambicanos.”

Hugo Mendes é um artista visual que nasceu e cresceu em Maputo. Sendo Moçambique um país com uma cultura muito rica e diversa, e com uma forte tradição no artesanato e escultura em madeira, Hugo inspira-se nesses processos. Através do seu trabalho, tenta representar os aspectos do quotidiano, referindo-se à história colectiva dos Moçambicanos, aos seus sonhos, e procurando explorar elementos mais íntimos, relacionados com o lado mais obscuro do seu próprio imaginário.

09.08.2022 | by Alícia Gaspar | arte, centro cultural franco-moçambicano, exposição, hugo mendes, Maputo, Nirivalele hi kuxwela, pandemia

Mundo de Aventuras de José Fonte Santa I Évora

Curadoria de José Alberto Ferreira

Fundação Eugénio de Almeida I Centro de Arte e Cultura, Piso 2


Horário

MAIO - SETEMBRO
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-19h00

OUTUBRO - ABRIL
De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-18h00

Entrada livre

João Fonte Santa é um dos artistas mais representativos da sua geração. O seu trabalho aborda a incessantemultiplicação de instâncias produtoras de imagens, a sua circulação na cultura de massas e a legibilidadeideológica destes processos. Fonte Santa apropria-se habitualmente de imagens — da banda desenhada aosjornais, da pintura à fotografia, da iconografia popular ao cinema — a partir das quais interroga sentidos,filiações, sensibilidades e identidades.As imagens e os seus modos de circulação integram as formações discursivas que produzem narrativasde poder e de saber. Por elas tanto se mitificam identidades como se caucionam relatos históricos ouhegemonizam discursos. É talvez por isso que elas são o campo privilegiado de questionação e de desafio,análise, desconstrução ou insubmissão por parte de muitos artistas. E é seguramente por isso que estesgestos de apropriação, transformação, re-significação e leitura instalam o acto de criação num territórioonde se cruzam crise e crítica, ética e estética, arte e sociedade.No percurso artístico de João Fonte Santa, a problematização das mitologias nacionais e a desconstruçãoda história, como acontece neste Mundo de Aventuras, tem sido uma constante. Nesta exposição, comefeito, interrogam-se narrativas identitárias em torno de três núcleos. No primeiro, aborda-se a identidadenacional, entre o Berço da nação e A portuguesa, duas peças que tensionam o tempo histórico atravessandoo espaço expositivo.Num segundo núcleo, abordam-se as imagens publicadas no relato dos exploradores portuguesesHermenegildo Capelo e Roberto Ivens, De Angola à contra-costa. As grandes telas que abrema exposição representam imagens daquele livro, originalmente publicado em 1886. Elas evocam a leituraaventurosa desta Descrição de uma viagem através do continente africano compreendendo narrativasdiversas, aventuras e importantes descobertas, como reza o subtítulo encantatório da obra, onde a faunae a flora são analisadas, fotografadas e reproduzidas ilustrando cada passo da travessia continental.Na exposição, é a fauna africana que domina as escolhas do artista, cujas telas de cores fortes e traçopreciso convidam a ler a evidência do mundo natural, submetido pelas armas e pela caça aos exploradoreshumanos. Não um paraíso, mas um paraíso selvagem que as armas domesticam e ordenam.É nesse contexto que se inscreve o terceiro núcleo, no qual o artista trabalha sobre um original debanda-desenhada português anónimo, sem título, datado de 1977, no qual se mitifica o herói branco emação numa África em guerra. A análise, apropriação, re-produção (isto é, literalmente, produção de novo)de vinhetas deste objecto contraria abertamente o eufórico mundo de aventuras que dá título à exposição.Em rigor, desafia-nos a mergulhar nos 31 desenhos da série, em chave serial, iterativa, elíptica e traumática.A exposição apresenta-se como um exercício de desmontagem das imagens de dominação, no queMarie-José Mondzain caracteriza como «descolonização do imaginário». Num mundo fortemente dominadopela imagem, o gesto de criação de (mais) imagens só pode recusar a lógica da acumulação e verter-se emanalítica do imaginário, desafiando-nos a reler as narrativas à luz das suas e das nossas contradições.É este o mundo de aventuras que lhe propomos.

José Alberto Ferreira, curador



Programa Inaugural

Sábado, 9 de julho | 16h00

Alice Geirinhas e José Alberto Ferreira conversam com João Fonte Santa sobre a exposição, seguindo-se uma visita guiada

Entrada livre, limitada à lotação do espaço

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João Fonte Santa

Estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade Clássica de Lisboa. Começou por se dedicar à produção de banda-desenhada underground no contexto do surgimento de fanzines. Lentamente, contudo, o seu trabalho afirmar-se-ia no campo da pintura. Trabalhando a partir de um extenso fundo de imagens e referências de cultura pop, edificaria uma obra que tem tanto de visualmente atraente como de pertinente no modo como apresenta uma visão do mundo particularmente crítica.  

Expõe regularmente desde meados dos anos 90. Das suas exposições individuais, destacam-se: 

Frozen Yougurt Potlash, Galeria VPF Cream Art, Lisboa;

O Aprendiz Preguiçoso, Festival Sonda, Atelier-Museu António Duarte, Caldas da Rainha;
Do Fotorrealismo à Abstração, Salão Olímpico, Porto.
Pintura Para Uma Nova Sociedade, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira;
TODOS OS DIAS A MESMA COISA – CARRO – TRABALHO – COMER – TRABALHO – CARRO – SOFÁ – TV – DORMIR – CARRO – TRABALHO – ATÉ QUANDO VAIS AGUENTAR? – UM EM CADA DEZ ENLOQUECE – UM EM CADA CINCO REBENTA!, Galeria VPF Cream Art, Lisboa;
O Colapso da Civilização, VPF Cream Art, Lisboa;
Bem-vindos à Cidade do Medo, MAAT, Lisboa

Algumas exposições coletivas:

Zaping Ecstazy, CAPC, Coimbra
Plan XX!, G-Mac, Glasgow
Terminal, Fundição de Oeiras, Oeiras
Gabinete Transnatural de Domingos Vandelli, Museu de História Natural da Universidade de Coimbra, Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Café Portugal
, Design Factory, Bratislava; FEA, Évora
Glocalização ou Colapso, Obras na Coleção MG, espaço Adães Bermudes, Alvito
Portugal Portugueses, Museu Afro-Brasil, São Paulo
Utopia/Dystopia, MAAT, Lisboa
Studiolo XXI, FEA, Évora
A Incontornável Tangibilidade do Livro ou o Anti-Livro, MNAC, Lisboa
Cosmo/Política #7, Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira;

José Alberto Ferreira
Docente convidado da Universidade de Évora, onde leciona disciplinas da área da história e teoria do teatro. Tem colaboração dispersa em vários jornais e revistas, nacionais e internacionais.  Dirigiu e produziu o Festival Escrita na Paisagem (2004-2012), no âmbito do qual programou projetos e criações de artistas nacionais e internacionais na área do teatro e do transdisciplinar. Foi o curador português do projeto INTERsection: Intimacy and Spectacle, integrado na Quadrienal de Praga. Dirigiu e programa Ciclos de São Vicente, em Évora (2011-2017). É o Director Artístico do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida desde 2018. 

Publicou, além de textos dispersos por catálogos e revistas, Uma Discreta invençam (2004), sobre Gil Vicente, Por dar-nos perdão (2006), sobre teatro medieval, Da vida das Marionetas, sobre os Bonecos de Santo Aleixo (2015). Editor e coeditor de vários títulos, de que destaca Escrita na paisagem (2005), Autos, passos e Bailinhos (2007), Tradução, Dramaturgia, Encenação  (2014), Perpectivas da investigação e(m) artes: articulações (2016), Teatro do Vestido. Um dicionário (2018). Colabora com várias organizações ministrando cursos e seminários.

08.08.2022 | by Alícia Gaspar | banda desenhada, cinema, Descolonização, exposição, fotografia, joão fonte sana, jornais, mundo de aventuras

Visita o Aljube!

30 de julho de 2022 - 10H30
Museu do Aljube Resistência e Liberdade

Vem conhecer a exposição longa duração do Museu do Aljube Resistência e Liberdade, e as histórias da resistência à ditadura em Portugal até à revolução do 25 de Abril de 1974.

A exposição de longa duração do Museu apresenta aos visitantes no piso -1 uma mostra arqueológica com vestígios encontrados aqui.

No piso 0, o memorial de homenagem aos presos políticos, a história do edifício e a exposição temporária “Adeus Pátria e Família”.

No piso 1, a caracterização do regime ditatorial português (1926-1974), os seus meios de repressão e opressão (a Censura, as polícias e os tribunais políticos).

No piso 2, a resistência das oposições (semi-legais e clandestinas), a prisão, a tortura, os curros de isolamento.

No piso 3, a luta anticolonial e os movimentos independentistas de libertação, o derrube da ditadura e o 25 de Abril de 1974 e no piso 4, a exposição temporária “A Sagrada Família”.

Duração aproximada: 1h

Entrada livre, sujeita a inscrição em: inscricoes@museudoaljube.pt

27.07.2022 | by Alícia Gaspar | 25 de abril, cultura, exposição, museu do aljube, visita guiada

Não há cura

Alice Marcelino / Carlota Bóia Neto / Daniela Vieitas /  Gabriela Noujaim / Indira Grandê / Pamina Sebastião / Sofia Yala

 21 de julho - 3 setembro

Performance “Na Porta ao Lado” de Daniela Vieitas.

Sessões | 19h-20h-21h

DJ Mistah Isaac apresenta“Wako Kungo Sessions” Hosted by Diaza 18h-22h

Galeria MOVART em Lisboa apresenta uma nova interpretação da exposição NÃO HÁ CURA, a coletiva que há um ano inaugurou no Instituto Camões em Luanda. A exposição é agora transportada para uma outra cidade, num outro país e continente. Embora num contexto sócio-político diferente, NÃO HÁ CURA reúne um conjunto de obras que refletem sobre problemáticas universais, e que fazem sentido serem agora mostradas no espaço lisboeta da Galeria MOVART.

A conversa e a desconstrução são os pontos de partida desta mostra que questiona a imposição dos espaços, das diretrizes curatoriais e das convenções sociais. Um diálogo, por ora, sem fim à vista, que se propõe redescobrir e resignificar o eu, o corpo e a mulher, procurando relançar e repensar radicalmente o papel da arte.

A exposição, inicialmente comissariada por Keyezua, conta com a participação de Alice Marcelino (Angola), Carlota Bóia Neto (Portugal), Daniela Vieitas (Portugal), Gabriela Noujaim (Brasil), Indira Grandê (Angola), Pamina Sebastião (Angola) e Sofia Yala (Angola) que irão apresentar obras inusitadas entre instalação, performance, fotografia, video e colagem.

Galeria MOVART,  Rua João Penha 14A, 1250 - 131 Lisboa

18.07.2022 | by Alícia Gaspar | alice marcelino, arte, Carlota Bóia Neto, cultura, Daniela Vieitas, exposição, feminismo, gabriela noujaim, Indira Grandê, movart, NÃO HÁ CURA, Pamina Sebastião, Sofia Yala

"Mirages and Deep Time" exposição de Mónica de Miranda

Mónica de Miranda inaugura a 21 de julho nas Galerias Municipais - Galeria Avenida da Índia : “Mirages and Deep Time”

Exposição reúne obras inéditas e estrutura-se em torno de A Ilha, um vídeo inspirado na “Ilha dos Pretos”, uma denominação de tradição oral dada no séc. XVIII a uma comunidade de pessoas de origem africana que se fixou junto ao rio Sado 

Mirages and Deep Time (Miragens e Tempo Profundo)

de: Mónica de Miranda

curadoria: Azu Nwagbogu

 

Galerias Municipais - Galeria Avenida da Índia

21 julho a 25 setembro 2022

terça a domingo: 10h -13h e 14h -18h

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Inaugura no dia 21 de julho a nova exposição individual de Mónica de Miranda nas Galerias Municipais - Galeria Avenida da Índia, intitulada “Mirages and Deep Time” (Miragens e Tempo Profundo), com curadoria de Azu Nwagbogu.

A exposição, reúne obras inéditas de Mónica de Miranda, cuja prática informada pela pesquisa investiga as convergências entre política, identidade, género, memória e lugar através de geografias de afeto, arqueologias urbanas, narrativas pós-coloniais e estratégias artísticas de subversão. A exposição estrutura-se em torno da obra vídeo “A Ilha” (2022), inspirada na “Ilha dos Pretos”, uma denominação de tradição oral dada no séc. XVIII a uma comunidade de pessoas de origem africana que se fixou junto ao rio Sado. 

Mirages and Deep Time de Monica de Miranda circunscreve os problemas com os tropos decoloniais, é uma busca contínua e não mitigada, que requer hiper-vigilância e sugere uma compreensão dos limites da história aprendida. Mirages and Deep Time dá espaço aos aspetos espirituais e metafísicos sobre o reenquadramento da história e identidade negra na história portuguesa. Também avança a conversa em direção à natureza e a novas formas de conhecimento na abordagem do maior desafio do mundo contemporâneo em relação as alterações climáticas na era do Antropoceno.

A exposição é também composta por trabalhos fotográficos, que, em diálogo com o filme, exploram várias relações entre feminilidade, natureza e histórias esquecidas por um sistema hegemónico. Expondo um olhar oposto para a história colonial e patriarcal, as obras avançam importantes questões sobre pertença e sobre a construção da identidade na era contemporânea.

As esculturas apresentadas, cobertas por terra e plantas, exploram a metáfora da ilha, a artista vê a terra ou o território como um detentor de memória, história, uma reciprocidade entre presente, passado e futuro. A terra contém dentro dela o tempo e o espaço, visto como matéria que está sempre a mudar, que não é estática.

O filme “A Ilha” apresenta a história de um lugar utópico, que reside no espaço entre a ficção e a realidade, onde as potencialidades para reescrever histórias e pensar o futuro são reunidas através das personagens e das suas viagens. O nome deste lugar, situado entre ficção e a realidade, e uma reapropriação das histórias locais de uma aldeia portuguesa (São Romão de Sádão) que foi pejorativamente chamada “a ilha dos Pretos” durante os séculos XVII e XVIII. As histórias desconhecidas de gerações de populações escravas em Portugal são procuradas e reescritas nestes espaços onde viveram, participaram ativamente e contribuíram para o desenvolvimento das sociedades que as escravizaram e discriminaram. A viagem à Ilha requer uma viagem física e interior para cada uma das personagens, a um estado superior que exige a redenção do passado e a capacidade de imaginar um futuro. A mulher, que escapa às memórias do passado ao confrontar os seus carrascos. A arqueóloga que investiga a memória a fim de compreender o presente e para que erros semelhantes não se repitam na Ilha. O homem capitalista que, na sua eterna insatisfação, reflete sobre como se tornou o opressor, o colonizador. As crianças, que com a sua força pura e vital energizam todas as outras personagens através da sua fantasia e sonhos.

A narrativa visual de Mónica de Miranda gira em torno de um motivo central: o espelho. Concreto (através do objeto feito) ou natural (por reflexão na água), os espelhos aparecem repetidamente na representação da ilha. Revelando verdades invisíveis e desejos mais profundos, o espelho na obra de Miranda torna-se um intrincado nó polifónico: tanto dobra como desdobra uma narrativa de várias camadas. Através de um filme e uma série de fotografias, de Miranda utiliza o espelho como um dispositivo estruturante que lhe permite sondar, em toda a sua complexidade e multiplicidade, ideias de identidade (eu e alteridade) e história (passado, presente e futuro potencial). Enquanto o espelho, como motivo, é um tropo bem estabelecido na história da arte, com este projeto de Miranda empreende uma re-apropriação do espelho como uma poderosa forma metafórica contemporânea. De facto, de Miranda ‘recupera o espelho’ e atualiza os seus valores simbólicos à luz das suas posições descoloniais, feministas e ecológicas.

De Miranda não só “recupera o espelho” como um aparelho, mas também subverte o seu significado, recusando-se a olhar para o outro lado, dando origem a uma história contada pelas forças dominantes, o espelho torna-se um epítome de agência. “Há poder no olhar”, como os ganchos dos sinos afirmaram - de facto, para Mónica de Miranda, o olhar no espelho rebelde é uma estratégia de olhar e ser olhado com uma agência de pertença.

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Bio

Mónica de Miranda (Porto, 1976) é uma artista portuguesa de origem angolana que vive e trabalha entre Lisboa e Luanda. Artista e pesquisadora, seu trabalho é baseado em temas de arqueologia urbana e geografia pessoal. Trabalha de forma interdisciplinar utilizando desenho, instalação, fotografia, filme, vídeo e som em suas formas expandidas e dentro dos limites entre ficção e documentário. Mónica é cofundadora do Hangar (Centro de Investigação Artística, Lisboa 2014) e em 2019 foi nomeada para o Prémio EDP Novos Artistas (MAAT, Lisboa) e em 2014 para o Prémio Novo Banco de Fotografia. A sua obra está representada em diversas coleções públicas e privadas, nomeadamente: Calouste Gulbenkian, MNAC, MAAT, FAS, Nesr Art Foundation e Arquivo Municipal de Lisboa. Entre as suas exposições mais recentes destacam-se: Europa Oxala (CAM, Lisboa; Mucem, França, 2022)  , Thinking about possible futures,(Biennale del Sur,2021), African Cosmologies, Houston Fotofest (2020), Taxidermy of the future (Biennale Lubumbashi,2019), Architecture and Manufacturing, at MAAT in Lisbon (2019), Tales from the water margins, (Biennale Internationale de l’Art Contemporain de Casablanca,2018); Daqui Pra Frente, Caixa Cultural (Rio de Janeiro and Brasília, 2017-2018); Dakar Biennial in Senegal (2016); Bienal de Casablanca (2016), Addis Photo Fest (2016); Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (2017), Bamako Encounters – African Biennale of Photography (2015); MNAC (2015); 14th Biennale di Architettura di Venezia (2014); São Tomé e Príncipe Biennale (2013); Estado Do Mundo, Fundação Calouste Gulbenkian (2008), entre outras.
www.monicademiranda.org

11.07.2022 | by Alícia Gaspar | A ilha, arte, cultura, exposição, ilha dos pretos, Mirages and Deep Time, Monica de Miranda, negritude, rio sado

Exposição de Yola Balanga: "Quadros de Guerra, Corpos de Luto"

O “ELA - Espaço Luanda Arte” tem o prazer de o(a) convidar para a exposição individual e inaugural em Angola da jovem Artista Angolana Yola Balanga de nome “QUADROS DE GUERRA, CORPOS DE LUTO” esta sexta-feira dia 8 de Julho a partir das 18h. A entrada é livre.

BALANGABALANGA 

De acordo com Yola Balanga e Zaci Dombaxi Xinavane: ”Existem corpos que mereçam luto público e há corpos se apresentam desde sempre como precárias?, apropriando-se do discurso da filósofa Judith Butler que tem como marca de sua obra um pensamento transgressor e peculiar sobre questões de gênero, Yola Balanga traz a tona questões camufladas e romantizadas pelos centros de poder e olhares canonizados. Imbuída na redenção e desconstrução de (pre)conceitos que fazem parte da sua vivência como mulher, tais como corpo, gênero, cultura, religião e espiritualidade, a artista levanta o véu contra as ideias políticas de uma sociedade que rege e manipula esses conceitos como ferramenta de imposição, subjugação e limitação de corpos femininos.

A exposição reúne 9 (nove) pinturas, 6 (seis) fotografias, 1 (uma) performance e 1 (uma) instalação, totalizando 17 (dezassete) obras, como referem: “resultado de reflexões a partir da romantização da zungueira, da mão leve para se resolver os problemas como a fuga a paternidade, estupro, pedofilia, violência doméstica, maternidade, aborto bem como outras reflexões ou quadros de guerra e corpos de luto que afectam o universo da mulher.”

Mais, Yola Balanga e Zaci Dombaxi Xinavane adiantam: “Dessas reflexões sobre o enquadramento do valor desses corpos surge uma ligação original entre a Guerra e as guerras contra todas as normatividades que nos constrangem e limitam, tal como enfatiza Butler “guerras servem como cenário para o desenvolvimento de uma filosofia política”. É neste cenário que a artista usa e coloca o seu corpo como objecto de combate, arma da revolução, Balanga faz emergir questões pertinentes aos espectadores e a sociedade, os quais todos os dias o noticiário também interpela: Quais corpos merecem luto público e quais corpos se apresentam desde sempre como precárias?

BALANGABALANGA 

Yola Balanga é o nome artístico que usa Margarida Celestino Balanga. Descreve-se como uma “artista transdisciplinar”. Começou o seu contacto com as ´artes´ dentro do teatro e da moda, e mais tarde com a licenciatura em Artes Visuais e Plásticas pelo Instituto Superior de Artes / ISARTES, agora Faculdade de Artes. Utiliza principalmente a linguagem ´peformance´ para traduzir as suas propostas artísticas, assim como fotografia, video, instalação e pintura. Explora conceitos sobre espiritualidade e transcendência, corpo feminino, violência de género, questões sócio-políticas religiosas e culturais. É representada em Angola pela galeria ´ELA-Espaço Luanda Arte´.

O “ELA” é um espaço de arte contemporânea com mais de 7 anos de existência e após 2 anos de fecho devido à pandemia por COVID-19, re-abriu as suas portas ao grande público em 2022 no armazém Cunha & Irmão SARL / ex-Escola Portuguesa, situado na Rua Alfredo Troni 51/57, na baixa de Luanda ao lado do Ministério das Relações Exteriores. 

Depois da inauguração, esta mostra poderá ser visitada entre terça e domingo, das 12h às 20h, até 1 de Setembro.

06.07.2022 | by Alícia Gaspar | arte, arte contemporânea, exposição, quadros de guerra corpos de luto, yola balanga

Guizef expõe “Figuras E Cores” na Galeria Artistas De Angola

Guizef “, artista plástico angolano, volta a Lisboa para apresentar o seu mais recente conjunto de trabalhos na exposição individual “Figuras e Cores”, que estará patente na Galeria Artistas de Angola, de 23 de junho a 24 de julho.

Giuzef 2022Giuzef 2022

Serão 20 obras, todas em acrílico sobre tela, onde os rostos, olhares e expressões angolanas estarão em destaque, com todos os seus detalhes, emoções e manifestações. A curadoria é do próprio Guizef, com apoio do Fotógrafo António Silva e do Arquitecto João Paixão Salvado.

A Galeria Artistas de Angola é em Lisboa, na Rua Sousa Lopes, N.º 12A.

Nas palavras de Guizef, “Figuras e Cores é o meu texto artístico, onde falo do meu povo, dos seus valores, das cores culturais e das suas evoluções e onde procuro apresentar o notável do “Made in África” dentro da máquina da globalização”.

Em todas as peças expostas é evidente a riqueza e variedade do povo angolano, as suas cores, vestes, adereços, manifestações e envolvência cultural. A expressão artística de Guizef traduz de forma perfeita a ancestralidade e a riqueza etnográfica das suas gentes. Não é fotografia, mas é como se fosse. O Realismo é puro, percetível e intrigante.

Augusto Zeferino Guilherme (Guizef), nasceu em Ambriz na província de Bengo (Angola), a 12 de janeiro de 1969, é autodidata e é talvez o pintor contemporâneo angolano mais entusiasmante e com maior expressão e crescimento. É membro da UNAP (União Nacional dos Artistas Plásticos), na sua visão artística a cultura africana incorpora uma fonte inesgotável de inspiração para cada uma das suas criações, tanto na pintura como na escultura. Guizef já realizou diversas exposições individuais e coletivas.

Giuzef 2022Giuzef 2022Giuzef 2022Giuzef 2022

 

Em dezembro de 2018 doou uma obra à princesa Charlene do Mónaco que posteriormente foi leiloada em Monte Carlo, na presença de sua alteza o Príncipe Albert II, para beneficência de crianças desfavorecidas no Líbano. Em 2020 foi o autor da peça q o Sr. Presidente da República Angolana ofereceu ao Papa Francisco no Vaticano. As suas obras já foram expostas em vários países, nomeadamente: Angola, Portugal, Itália, Noruega, Suécia e Emirados Árabes Unidos.

Convida-se os apreciadores e público a visitarem.

27.06.2022 | by Alícia Gaspar | arte, exposição, Galeria Artistas de Angola, Giuzef, realismo

Panamérica, lavro e dou fé!

Panamérica, lavro e dou fé! Ato 1 – Haiti o Ayiti

Cecilia Lisa Eliceche e Leandro Nerefuh

BANDEIRAS, templo sagrado Na-Ri-VéH, Porto-Príncipe, 2019; @Libidiunga CommonsBANDEIRAS, templo sagrado Na-Ri-VéH, Porto-Príncipe, 2019; @Libidiunga Commons

Ato 1, a começar pelo começo. Haiti, ou melhor, Ayiti, que quer dizer “terra elevada“, foi por milhares de anos uma Meca, território sagrado, lugar de carregos e descarregos cósmicos para os povos Taino, Arawak, Marien, Magua, Maguana, Higuey, Xaragua, Ciboney, Lokono, Inwiti, Lucumi, entre tantes outres.

Foi lá também que tribos européias invadiram, em 1492, dando inicio a hecatombe da colonização e Maafa. Entre as multitudinárias e continuas revoltas que marcaram esses últimos 530 anos, destaca-se Bwa Kayiman, um congresso, conselho de guerra, encontro de dança e cerimônia Vodou, múltiplo no espaço e no tempo, convocado por uma sacerdotisa africana, que deu início à vitoriosa Revolução do Haiti, em 1791.

Com a Revolução Haitiana, projetos e fantasias de emancipação, mistè, e resistência anticolonial convergiram em uma ilha. Mas a abrangência desse imaginário ressoa para muito além desde então. As lutas por liberdade do Rio de la Plata a Nova Orleans também tiveram sua gênese no Haiti. Esse programa ambiental presta homenagem à história de resistência e à riqueza cósmica da ilha do AYITI. AYIBOBO!

Data: 21.05.2022 – 18.09.2022

Horário: Terça a domingo: 10h - 13h e 14h - 18h

Local: Galeria da Boavista

24.05.2022 | by Alícia Gaspar | Cecilia Lisa Eliceche, colonização, exposição, lavro e dou fé!, Leandro Nerefuh, Panamérica, pós-colonização

"Mundos paralelos" - Exposição

Mundos paralelos destaca uma dimensão de bolso que se originou não de uma singularidade, mas sim de um choque entre dois mundos não muito distantes um do outro — como forma de nos trazer de volta à consciência, à nossa terra e aos nossos ancestrais, para estarmos cientes da vida , da natureza e do universo nesta pequena parte do mundo, que é a cidade de Luanda.

Uma cidade dominada pela imagem ilusória do Eu como uma entidade separada do Ser.

É isso que nos mantém nesse estado perpétuo de ansiedade, escassez, medo e insatisfação.

Corpo e mente, a nossa pele, status social, nacionalidade não podem mais ser usados para definir os limites do Eu e do Ser.

Precisamos de uma nova história para redefinir o nosso papel neste universo para além de luandenses, para além de angolanos, para além de homens e mulheres, para além de humanos.

Se dois corpos não podiam partilhar o mesmo espaço, hoje podem. Assim como essas duas pirâmides incorporaram massa física no centro desta galeria, o Eu e o Ser encontrar-se-ão.
Quando se repelem, contornam, encontrando uma superfície não repelente.
Deixando-se ser.
Mesclando.

EU SOU

Bem-vindo aos dois mundos

—Jamil “parasol” Osmar

04.05.2022 | by Alícia Gaspar | ELA, espaço luanda arte, exposição, mundos paralelos, reencontros de Luanda

Nova Exposição “Campos Minados” de Alice Miceli retrata realidade em territórios de conflito

“Em profundidade (campos minados): Angola e Bósnia” é o nome da mais recente exposição da artista brasileira Alice Miceli, com curadoria de Luiz Camillo Osorio, que estará patente na Sala de Exposições da Escola das Artes da Universidade Católica no Porto. A inauguração, agendada para 5 de maio às 18h15, contará com um momento de conversa entre a artista e o curador, seguido de uma visita guiada à exposição e de um EA Dashed Concert do artista de som de Beirute Mhamad Safa.

A exposição da artista tem por base a captação de imagens em territórios que passaram por conflito e com a existência de minas subterrâneas que continuam ativas até os dias de hoje mesmo depois de declarada a paz. “Em profundidade (campos minados): Angola e Bósnia” é composta por quatro conjuntos de imagens que se complementam, um em cada Continente, nomeadamente nos países: Camboja, Bósnia, Colômbia e Angola. Duas destas séries, referentes à Bósnia e Angola serão expostas na Escola das Artes. A mostra deste trabalho surge precisamente num momento como o atual, em que está a decorrer uma guerra em território europeu com potencial nuclear.

“Não há drama nas imagens, parecem paisagens prosaicas e ao mesmo tempo estranhas, intrigantes. Se o espectador passar rápido por elas, não vai ver nada. É aí que sempre mora o perigo. A ameaça iminente está nos detalhes”, refere Luiz Camillo Osorio descrevendo a exposição.

Esta obra desdobra uma interrogação que já era muito clara no projeto anterior da artista, sobre Chernobyl – o de encontrar alguma visibilidade para o que nos ameaça concretamente e que não é percetível a olho nú, nem tampouco através da câmara. É precisamente transformar em imagens esta invisibilidade que a artista concebe para esta exposição.

A viver entre Beirute e Londres, Mhamad Safa é um produtor/arquiteto de som e investigador que se já apresentou o seu trabalho performativo no Goethe Institute em Beirut, no Arab Center for Architecture, no Institute for Contemporary Art in London, no Centre for Research Architecture in London, e no Sharjah Architecture Triennial, entre outros. O EA Dashed Concert do artista realizar-se-á pelas 21h30.

A exposição “Em profundidade (campos minados): Angola e Bósnia” que será inaugurada a 5 de maio, está inserida no Spring Seminar “Traumatic Landscape”, que decorre de 4 a 6 de maio, na Escola das Artes onde Alice Miceli será uma das artistas convidadas 

Sobre a artista:

A obra de Alice Miceli (Rio de Janeiro, 1980) caracteriza-se por alternar entre vídeo e fotografia, muitas vezes partindo da investigação de eventos históricos e viagens exploratórias, por meio das quais a artista reconstitui traços culturais e físicos de traumas passados infligidos em paisagens sociais e naturais. O seu trabalho faz parte de coleções importantes a nível internacional como as do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Brasil), Cisneros Fontanals Art Foundation (EUA) e Moscow Biennale Art Foundation (Rússia). Recentemente, realizou exposições a solo na Americas Society, em Nova York, e no Instituto PIPA, no Rio de Janeiro, assim como diversas mostras coletivas e feiras de arte nos Estados Unidos, Brasil e Europa. Em 2022,Em profundidade (campos minados” será também apresentado na 17ª Bienal de Istambul.

EXPOSIÇÃO “EM PROFUNDIDADE” (CAMPOS MINADOS)

Alice Miceli · 5 de MAIO · 23 de junho

Curadoria de Luiz Camillo Osorio

Entrada Livre · de terça a sexta · 14H00 – 19H00

Sala de Exposições da Escola das Artes da Católica

Rua de Diogo Botelho, 1327, 4169-005 Porto

Agenda para 5 de maio:

18:15 conversa com a artista e o curador
19:30 inauguração da exposição
21h30 EA Dashed Concerts com Mhamad Safa

Mais informações em:

Escola das Artes - Universidade Católica Portuguesa (ucp.pt)

https://artes.porto.ucp.pt/pt/springseminar

 

29.04.2022 | by arimildesoares | Alice Miceli, Escola das Artes da Universidade Católica no Porto, exposição, Luiz Camillo Osorio

Sombras do Império Belém - Projetos, Hesitações e Inércia 1941-1972


Padrão dos Descobrimentos
2 maio de 2022 - 30 de janeiro de 2023

Sombras do Império - Belém, Projetos, Hesitações e Inércia 1941-1972 pretende dar a conhecer a sucessão de planos urbanísticos e projetos de arquitetura cujo centro foi a Praça do Império. Menorizados ou até esquecidos pela historiografia, estes projetos revelam-se hoje particularmente significativos, pela escala e natureza das transformações que anteviam, pela orientação programática que preconizavam, pelo investimento de meios que implicariam, pela extensão do seu período de elaboração, em contraponto com o pouco que foi concretizado. 
A partir de documentação de natureza diversa (desenhos e memórias descritivas, pareceres, ofícios, legislação, fotografias, bibliografia da época) e de investigação académica recente, a exposição mostra um percurso cronológico centrado nos projetos para a Praça do Império e área envolvente e para os designados “Palácio do Ultramar” e “Museu do Ultramar”, considerando ainda outras propostas para grandes edifícios públicos a localizar na orla ribeirinha de Lisboa.
Estes projetos são a base para abordagens distintas e complementares, apresentadas por investigadores de diferentes formações disciplinares, que irão aprofundar a contextualização e ensaiar propostas de leitura crítica: Urbanismo, Arquitetura, Paisagismo, Arte Pública, Património, Propaganda e Ideologia coloniais.

Sombras do Império | Belém - Projetos, Hesitações e Inércia 1941-1972 é organizada em sete núcleos e apresentada em dois tempos:
De 2 de maio a 16 de outubro 2022
1.Cronologia 1941 -1972
2.Da Praia do Restelo à Praça do Império
3.A Exposição do Mundo Português e mais além
4.Uma praça para o Império todo
5.1 Palácio do Ultramar
6.1 Museu do Ultramar e Instituto Superior de Estudos Ultramarinos
7.1 O Museu de Etnologia do Ultramar

De 29 de outubro de 2022 a 30 de janeiro de 2023
1.Cronologia 1941 -1972
2.Da Praia do Restelo à Praça do Império
3.A Exposição do Mundo Português e mais além
4.Uma praça para o Império todo
5.2 Torre de Belém
6.2 Monumento de Sagres e Padrão dos Descobrimentos
7.2 O Museu de Marinha

Coordenação Científica – João Paulo Martins
Mestre em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1995). Doutor em Arquitetura pela Universidade Técnica de Lisboa (2006). Membro do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design

Equipa de Investigadores
Joana Brites - Mestre em História de Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Doutora em História, variante História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Investigadora integrada do Centro de Estudos Interdisciplinares (CEIS20) da Universidade de Coimbra.

Natasha Revez - Mestre em História de Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Diploma de Estudos Avançados (DEA de doutoramento) em História da Arte Contemporânea. Investigadora do Instituto de História da Arte/Estudos de Arte Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais de Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Pedro Rito Nobre - Mestre em Património, variante Património Urbano, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.

Sebastião Carmo-Pereira – Licenciatura em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora. Colaboração com diversos arquitetos paisagistas nomeadamente Ribeiro Telles, João Gomes da Silva, Falcão de Campos.

Sofia Diniz - Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa. Doutoranda em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa Investigadora integrada do Pólo ”História Territórios e Comunidades” na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - Universidade Nova de Lisboa.

 

27.04.2022 | by arimildesoares | Belém, exposição, memória, Padrão dos Descobrimentos, Sombras do império

Now that we found freedom, what are we gonna do with it?

Narrativas sobre a pós-independência e processos de descolonização

Curadoria: Kiluanji Kia Henda & Ana Sophie Salazar

Inauguração: 7 de Abril de 2022, das 18h às 21h

Datas: Exposição patente até 12 de Maio 2022, Quarta a Sábado, das 15h às 19h

Local: R. Damasceno Monteiro, 12 R/C | 1170-112 – Lisboa

Artistas:
Hélio Buite
Clara Ianni
Rui Magalhães
Mussunda N’Zombo
Daniela Ortiz
Mwana Pwo
Yoel Díaz Vázquez
Castiel Vitorino Brasileiro

Esta exposição é o início de um estudo mais amplo que foca nas narrativas dos povos que conquistaram a independência após longos séculos de colonialismo. Ocupando o lugar da conquista, os oprimidos falam desde esse lugar de poder para repensar a própria ideia de poder e as suas possíveis formas de reorganização. A luta pela independência deu azo a várias outras lutas através da sua re-significação pós-independência, um período chamado de liberdade, marcado pela necessidade de desmantelar as heranças coloniais. Os preconceitos deixados pelo patriarcado e o cristianismo impregnam ainda hoje a textura social das ex-colónias europeias, impulsando as gerações mais jovens a fortalecer os movimentos sociais, feministas e transfeministas para combater esse legado. Esses são os movimentos e lutas que perguntam, com pertinência e ímpeto, o que foi feito com a conquista da liberdade. Para este questionamento é vital não só a consciência das conquistas que formam hoje África e as Américas descolonizadas, mas também o sentimento de responsabilidade pelas suas lutas anteriores. Os artistas reunidos questionam colectivamente a gestão da liberdade pós-independência e quais são as lutas de hoje.

Os olhos e ouvidos estão postos em futuros inclusivos, onde categorias de representação fluem de forma descentralizada. Enquanto a figura de poder autoritário é desconstruída, celebram-se multiplicidades culturais e sociais e exploram-se noções de liberdade e civismo. A indagação dos processos políticos e históricos da pós-independência permite repensar as relações de colonialidade com o ocidente. Na exposição ressaltam-se pontos de referência desde Angola, aos quais se juntam vozes do continente latino-americano com demandas similares. Através dos trabalhos expostos, um outro legado, paralelo e inverso ao colonial, é trazido para primeiro plano para ser homenageado, assim como continuado. Trata-se da herança de todas as diversas forças de resistência, a vida que sempre encontrou formas de luta.

Concebida pelo artista Kiluanji Kia Henda e HANGAR – Centro de investigação artística, com co-curadoria de Ana Sophie Salazar, a exposição é uma extensão do convite a Kiluanji que lhe concede carta branca para esta tomada do espaço. Participam os artistas emergentes angolanos Hélio Buite, Rui Magalhães e Mwana Pwo, os quais foram nomeados por Kiluanji para uma residência no HANGAR durante o mês de Março, assim como os artistas Clara Ianni, Mussunda N’zombo, Daniela Ortiz, Yoel Díaz Vázquez e Castiel Vitorino Brasileiro.

Mais informação.

17.03.2022 | by Alícia Gaspar | ana sophie salazar, colonialismo, exposição, HANGAR, kiluanji kia henda, pós-colonialismo

Nova exposição - Europa Oxalá

Até 22 agosto, Galeria Principal – Edifício Sede

Seis dezenas de obras de pintura, desenho, escultura, filme, fotografia e instalação de 21 artistas afro-europeus (filhos ou netos de quem nasceu ou viveu em Angola, Madagáscar, Congo, Benim, Guiné e Argélia) vêm alimentar a reflexão sobre o racismo, a descolonização das artes, o estatuto da mulher na sociedade contemporânea ou ainda a desconstrução do pensamento colonial. Não perca a visita-conversa com o curador António Pinto Ribeiro e os artistas e curadores Katia Kameli e Aimé Mpane, marcada para sexta-feira, dia 4, às 17:00.

04.03.2022 | by Alícia Gaspar | cultura, europa Oxalá, exposição, Gulbenkian, visita conversa

Europa Oxalá

GULBENKIAN
4 de Março a 22 de Agosto de 2022

Amanhã dia 3, pelas 18 h, inauguramos a exposição Europa Oxalá, na Fundação Gulbenkian. No final do projeto Memoirs começamos a ter o real impacto e a levar o tema para outros lados através da curadoria de António Pinto Ribeiro, Katia Kameli e Aimé Mapne e o empenho de 4 instituições: o MUCEM, em França, onde a exposição já esteve, a Fundação Gulbenkian em Lisboa onde vai inaugurar, o Africa Museum em Tervuren na Bélgica a partir de 6 de Outubro e o Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra onde esteve o projeto Memoirs Filhos de Império e Pós-memórias Europeias (European Research Council).

De Março a Agosto a FCG preparou um programa que acompanha a exposição com conferências, cinema, teatro, música. Em breve a programação será divulgada pela Gulbenkian.
Amanhã pelas 18 h na Fundação Gulbenkian é um momento grande. Contamos convosco.

EUROPA OXALÁ é uma exposição sobre a Europa jovem que está a acontecer agora e que se quer construir como lugar de um futuro inclusivo, diverso, democrático e livre. Filhos de impérios europeus, os artistas e intelectuais que fazem EUROPA OXALÁ trazem para a cena cultural e artística a herança colonial que os modela e que foi o ponto de partida para o trabalho de investigação e de produção que agora se expõe.

+INFO

03.03.2022 | by Alícia Gaspar | Europa, europa Oxalá, exposição, Gulbenkian, Projeto Memoirs

Artistas moçambicanas apresentam exposição pela primeira vez em Lisboa

Taíla Carrilho e Nália Agostinho exibem “Sinergia de Emoções” no Espaço Espelho D’Água


Dia 26 de fevereiro o Espaço Espelho D’Água inaugura a exposição “Sinergia de Emoções”, de Nália Agostinho e Taíla Carrilho, artistas plásticas e ativistas moçambicanas baseadas em Maputo.

É a primeira vez que as duas expõem juntas e também é a primeira vez em Portugal. Estão presentes nas obras as questões de género, discriminação, inclusão e exclusão social das mulheres em Moçambique e no continente africano como um todo, em um ambiente com transformação sociocultural acelerada, onde existe um processo de desvalorização e desqualificação da mulher em todos sectores. Faz ainda parte do interesse criativo das artistas temas relacionados com o isolamento e a emoção afetada pelas questões da crise atual.

São 20 obras – uma série de pinturas, desenhos e ilustrações com o uso de acrílico, pastel de óleo, carvão e tinta de óleo, tinta da China e aquarelas sobre a tela e papel. Para além dos pormenores indicados, elas usam a literatura em momentos de pausa para complementar o seu processo criativo, recorrendo, neste caso, à poesia e à prosa.

A exposição é resultado de um grande mergulho interno para a autoanálise fundamental, que comprova a necessidade de aprender a lidar com as mudanças, as perdas e os ciclos. Pela herança africana, Taíla e Nália percebem a morte como uma das poucas certezas da vida. De acordo com suas crenças, a morte não significa um ponto final e sim uma mudança de estado, deixando de lado o corpo físico para dar lugar a outra forma de estar no espaço. E isto se aplica no sentido literal e figurado. Não existe um fim, existe uma transformação.

É o que se vê em uma das obras de Nália, “Nobreza da Alma” – uma mulher em movimento, braços esticados ao ar em busca de um futuro, cheia de energia positiva, mas presa nos traços do passado. A obra reflete melhor a realidade corrente de Moçambique sobre a agonia e a passagem do tempo. Enquanto isso, um quadro de Taíla mostra uma mulher mergulhada no meio de um abismo colorido, cheia de angústia, mas também de esperança. Tudo à sua volta parece não fazer sentido, mas por baixo da tela nota-se uma diversidade de escolhas.

A exposição pode ser visitada até o dia 20 de março.

Sobre Taíla Carrilho

Nasceu em Maputo, em 1984, e é licenciada em Design Gráfico pela Cape Peninsula University of Technology, Cape Town. Vinda de uma família de artistas, cedo desenvolveu, naturalmente, o gosto por desenhar, pintar e cantar. Mais tarde veio a paixão por escrever poesia e, recentemente, por declamar. É co-fundadora da RUUM, desde novembro de 2013, uma galeria criativa de objectos de design, feitos à mão, com recurso a materiais locais. A concepção destes objectos surge da necessidade de criar peças artísticas à sua imagem e com o seu DNA.As peças, os objectos e as intervenções em que se envolve combinam características lúdicas, utilitárias e inovadoras.

Valores com os quais tenta buscar a exclusividade no trabalho que faz, um trabalho impregnado do lugar e do tempo em que está.  Um trabalho feito em Moçambique com os materiais e as sugestões encontradas à sua  volta.

Em 2018 fundou a CONFORME com a ajuda de amigos e familiares. Uma plataforma que tem o objectivo a consciencialização e educação sobre Anemia Falciforme em Moçambique.

Sobre Nália Agostinho

Nasceu em Maputo, em 1990.  As raízes da sua infância estão na Polana e no Chamanculo, bairros da Capital de Moçambique, repleto de texturas cruas, padrões, cheiros e o jeito caótico de ser. Seu amor pela arte começou durante sua infância, incentivada por seu falecido pai, que era um amante das artes e da música. 

Se formou em Ciências Políticas em Trento, Itália, onde viveu, estudou e trabalhou por quase uma década. Frequentou a Escola Nacional de Música, onde completou a sua formação com uma certificação em Dezembro de 2006. Em 2018 decidiu começar a pintar profissionalmente, como uma necessidade de expressão do seu verdadeiro eu.

Suas visões sobre a Pintura baseiam-se em uma percepção de osmose da vida, onde tudo o que ser humano tende a ser e expressar é fortemente movido entre as expectativas internas e externas, os cenários micro e macro, os pólos positivos e negativos.

Sobre o Espaço Espelho d’Água

O Espaço Espelho D’Água resulta de um concurso público organizado em 2012 pela Associação de Turismo de Lisboa – ATL para a exploração de parte de um edifício localizado na emblemática zona de Belém, em frente ao rio Tejo. O espaço compõe uma área de 1.200 m2 e foi inicialmente construído em 1940 durante a Exposição do Mundo Português.

O mote do projeto é o de que neste local, onde há cinco séculos os portugueses partiram para o mundo, seja agora uma plataforma de conexões culturais onde se traga as culturas contemporâneas das diferentes regiões por onde os portugueses andaram nessa aventura durante as grandes navegações.

Desta forma criou-se um espaço onde há atividades de gastronomia, exposição de arte e design, música, cinema e vídeo, entre outras formas de divulgação cultural. Tendo presente todo enquadramento histórico do local, e o que ele representa na atual conjuntura mundial, visa criar um ambiente artístico e cultural que reflita sobre a relação dos portugueses com o mundo e do mundo com os portugueses.

Apresentar neste local as mais variadas formas de expressão cultural contemporânea dos países que se relacionam historicamente com Portugal é a principal premissa do projeto que esteve na base da criação do Espaço Espelho D’Água.

SERVIÇO: Sinergia de Emoções

Local: Espaço Espelho D’Água

Endereço: Av Brasília, Edifício Espelho D’Água (ao lado do Padrão dos Descobrimentos) Inauguração: 26 de fevereiro, às 17h

Horário de visitação: diariamente, das 11h à 0h

Período: 26 de fevereiro a 20 de março de 2022

Entrada gratuita

 

24.02.2022 | by arimildesoares | espaço espelho d'agua, exposição, lisboa, Nália Agostinho, Sinergia de Emoções, Taíla Carrilho

Exposição | As roças de São Tomé e Príncipe - o lido e o fotografado

As roças de São Tomé e Príncipe são assentamentos agrícola-industriais, em número aproximado de 200, que se estendem pelo território destas duas ilhas do Atlântico no Golfo da Guiné. Para além de uma arquitetura de matriz portuguesa as roças albergavam as populações que desde o séc. XV foram sendo trazidas para estes territórios e sujeitas ao trabalho árduo e iníquo. São também locais onde eficientes máquinas de produção foram construídas e colocaram São Tomé e Príncipe como um dos maiores produtores de cacau do mundo no início do séc. XX.  

No âmbito do mestrado integrado em arquitetura do ISCTE, um conjunto de alunos do Laboratório Cidade Justa e Inclusiva do 5ºano debruçou-se sobre este património partilhado, visitá-lo, analisá-lo e dialogar com os vários intervenientes. Em novembro de 2021 rumámos em viagem a São Tomé e Príncipe. De lá trouxemos imagens evocativas de uma natureza exuberante, de gentes afáveis, e de edifícios imponentes, construídos ao estilo português, consumidos pela floresta tropical e pelo tempo.  

Partilhamos fragmentos desta experiência através de fotografias e de escritos, alguns dos quais encontrados na biblioteca do ISCTE trazendo à luz complexas dinâmicas sociais, culturais e económicas.   

A exposição irá ocorrer de 2 a 31 de março de 2022 na Biblioteca do ISCTE. No dia 2 faremos a inauguração com uma tertúlia que terá a participação do fotógrafo Dário Paraíso e do antropólogo Emiliano Dantas que participaram na curadoria da exposição fotográfica.

Caso possam estar presentes na inauguração pedimos que se inscrevam em https://forms.gle/txAq22aJsj2M3rtG6

21.02.2022 | by Alícia Gaspar | dário paraíso, emiliano dantas, exposição, fotografia, ISCTE, Laboratório Cidade Justa e Inclusiva, São Tomé e Príncipe

LOOT - Exposição Individual de Barbara Wildenboer

05 Fevereiro 2022 - 19 Março 2022

Entrada Livre

THIS IS NOT A WHITE CUBE | Rua da Emenda, nº 72, Chiado, Lisbon

A galeria de arte THIS IS NOT A WHITE CUBE inaugura a 5 de Fevereiro “LOOT”, a primeira exposição individual da artista sul-africana Barbara Wildenboer em Portugal. 

A mostra integra cerca de 30 trabalhos inéditos, repartidos em três núcleos distintos, de entre os quais se destaca aquele que agrega o mais recente corpo de trabalho da artista e que dá nome à exposição.

“LOOT - SPOILS OF WAR”, decorre do interesse crescente da artista pela forma como um novo modelo de significações foi gerado e moldado a partir do encontro histórico e civilizacional entre África e a Europa. 

A materialização da ideia dá-se através da  exploração do conceito de  ‘apropriação’  que, se por um lado constitui, nesta exposição, uma referência directa aos artefatos saqueados e expropriados das suas origens no contexto da colonização, por outro lado, traduz a consistência plástica da obra da artista que, na apropriação “per se” encontra um instrumento de trabalho verdadeiramente essencial para a construção de um medium artístico que desde há muito envolve a reconfiguração e integração de textos, livros, mapas e imagens pré-existentes em colagens e instalações tridimensionais. 

Transversalmente, Barbara Wildeboer utiliza no seu processo criativo uma combinação de processos analógicos e digitais que concorrem para a construção de uma obra diversificada e rica, composta maioritariamente por colagens, construções fotográficas, instalações em papel, esculturas fotográficas animadas digitalmente e book arts. 

Tendo por base este modelo e o conceito de apropriação, ao longo dos últimos dois anos, a artista recolheu imagens de inúmeros artefactos antigos de proveniências distintas - de África, Oceânia, Grécia Antiga, Mesopotâmia e Américas - que atualmente integram as coleções de museus no mundo ocidental, na Grã-Bretanha, Alemanha, França e EUA. 

Arredadas do contexto original e assembladas em sistemas visuais complexos, de carácter surrealizante, estas imagens passam por um processo autoral de re-significação, assumindo nesta exposição uma natureza renovada. Na sua génese está uma (re) leitura iconográfica que enquadra o peso histórico dos contatos de carácter intercultural.

Ao longo da exposição, assistimos a um ritual de re-significação iconográfica, de descodificação e recodificação da imagem, que concorre para a construção de uma visão crítica da historiografia e dos processos de apropriação e “fetichização” das culturas. 

No epicentro da mostra e do debate que através desta a artista procura alavancar, encontramos um conjunto de instalações escultóricas monocromáticas que na sua configuração se assemelham a “escadas, postes, árvores, torres”, totens ou pequenos obeliscos, que “consistem numa assimilação de diferentes relíquias, figuras de fertilidade, máscaras, vasos e elementos arquitectónicos” diversos. 

Estes artefactos de papel, agrupam-se arguta e sagazmente, numa acomodação reflectida que evoca, de um modo idiossincrático e absurdo, a sistematização do Museu Ocidental para  evidenciar as múltiplas formas como estes objetos podem ser percepcionados. 

“As esculturas de papel aludem à curadoria das exposições de artefactos arqueológicos que, sendo colocados em pedestais ou em vitrinas, são depois iluminados por forma a produzir a ideia da aura de uma obra de arte sobre objeto que está já muito afastada das suas funções originais. 

O resultado é uma espécie de documentário de ficção ou de documento ficcional que faz referência a coisas reais, mas que as transforma em algo mais.”

Os conceitos de originalidade e de autoria são elementos centrais nesta exposição de Barbara Wildenboer, que através da sua ação, num desafio declarado às convenções do mundo artístico, vem produzido contributos significativos para a inversão do pensamento numa era  marcada pela necessidade de imposição de uma ideologia decolonial.

A exposição “LOOT” ficará patente até 19 de Março, de 3ª feira a sábado, entre as 14h30 e as 19h30. A entrada é livre, obedecendo às necessárias normas de segurança e prevenção em tempos de pandemia.

(Graça Rodrigues - Curadora, Janeiro de 2022)

Sobre Barbara Wildenboer

Barbara WildenboerBarbara Wildenboer

Barbara Wildenboer (b. 1973, África do Sul) investiga o conceito filosófico de estética através de uma série de diferentes meios e processos. Ao explorar este conceito, juntamente com fenómenos como a temporalidade, a geometria fractal e a interligação de todos os seres vivos, ela expõe as ligações entre uma miríade de formas de vida - desde a microscópica à imensa. 

O foco principal de Wildenboer é a estética ambiental, a qual ela vê englobando tanto territórios naturais, como a interação humana com o reino natural. No seu trabalho, explora ainda a ideia do sublime matemático (noção estética desenvolvida inicialmente por Immanuel Kant) e o modo como o infinito / ausência de limites do universo transcendem os limites da razão.

Wildenboer utiliza uma combinação de processos analógicos e digitais para produzir um corpo de trabalho diversificado e rico, composto maioritariamente por colagens, construções fotográficas e em papel, instalações, esculturas fotográficas animadas digitalmente e book arts.

Equipa

Diretora Geral e Co-Diretora Artística  |  Sónia Ribeiro

Curadora e Co-Diretora Artística  |  Graça Rodrigues

Assistente de Galeria | Francisca Vaz

Design Gráfico e Audiovisual  |  Francisco Blanco e  Nelson Chantre

THIS IS NOT A WHITE CUBE 

04.02.2022 | by Alícia Gaspar | Africa, arte, Barbara Wildenboer, Europa, exposição, LOOT, pós-colonialismo, this is not a white cube

Gina Diama (Meu nome minha história)

Pintura angolana de Grácia Ferreira e Silvestre Quizembe em exposição na galeria Artistas de Angola


A Galeria Artistas de Angola abre portas à exposição coletiva Gina Diama (Meu Nome Minha História) dos artistas plásticos angolanos Grácia Silva e Silvestre Quizembe, com curadoria do Fotógrafo António Silva. A inauguração será no dia 18 de fevereiro, sexta-feira, a partir das 17h, na Rua Sousa Lopes N.º 12A em Lisboa. A exposição ficará patente até 18 de março do mesmo ano.

Gina Diama (Meu Nome Minha História) é uma palavra de origem Kimbundo, língua nativa do norte de angola. É uma forma de apresentação, reveladora da identidade e da origem de alguém.  As peças em exposição revelam episódios da história pessoal dos autores — receios, traumas, pensamentos, sonhos, viagens e desejos, de forma eloquente e expressiva.

Na exposição poderão ser vistas e apreciadas várias obras de ambos os artistas nos formatos de pintura, baixo relevo e escultura, realizadas entre 2020 e 2022, em plena época de pandemia e dúvidas preocupantes para os artistas.

Sobre o artista Silvestre Quizembe

Quizembe 2022Quizembe 2022Nasceu em Angola (Uíge), em 1991 e atualmente é finalista do Curso de Artes Plásticas, na Escola Superior de Arte e Design em Caldas da Rainha. O seu trabalho é representativo das suas matrizes estéticas, ancoradas na arte Angolana.  

Percurso, Materiais e Expressão

Durante o seu percurso tem vindo a desenvolver objetos tridimensionais em cartão, metal, barro e tela, explorando amplamente a sua plasticidade e flexibilidade. Na sua prática artística, utiliza também objetos encontrados que adapta a novas funções estéticas e formais. Quizembe explora os materiais para projetar e materializar formas tridimensionais fragmentadas e expressivas do seu auto-retrato e que se podem identificar como máscaras. Algumas delas são por vezes ativadas através da prática da performance, próximas da ideia de ritual enquanto ação que catalisa a memória. A sua pintura, composta pela convivência de múltiplas linguagens pictóricas, é cromaticamente vibrante e figurativa, e explora fundamentalmente o auto-retrato num universo onírico e psicológico. 

Sobre a artista Grácia Ferreira

Grácia Ferreira 2021Grácia Ferreira 2021Engrácia Ferreira dos Santos, nome artístico Grácia Ferreira, 48 anos de idade é natural de Luanda - Angola. Concluiu o Ensino Secundário no Instituto de Formação Artístico e Cultural em Luanda (INFAC), defendendo o trabalho final de escultura com o tema “Diferença conceptual entre estatueta e estátua”. Como artista plástica as suas telas e peças já passaram por vários países e continentes, com exposições em Cabo Verde, Angola, Cuba e Portugal.

Percurso, Materiais e Expressão

Cedo descobriu que a sua disciplina favorita era a Educação Visual e Plástica. Desde sempre se recorda de fazer rabiscos nas paredes de casa. Formou-se em Escultura, mas a paixão pela pintura esteve sempre presente e o destino encarregou-se de a encaminhar para as telas, pincéis e tintas. A sua fonte de inspiração é a arte no geral, seja de anónimos ou famosos. Baseia-se muito em coisas do dia-a-dia, na realidade africana e a tudo isto soma a criatividade e imaginação que mora no seu subconsciente.

Privilegia os acrílicos, o óleo, e a aguarela, sobre os mais diversos suportes, nomeadamente a tela, o papel e muitos materiais reciclados. Também a cor e a multiplicidade pictórica são proeminentes na sua pintura, vivendo apaixonada pelo surrealismo e o pelo abstratismo, o que lhe possibilita viajar no tempo. As suas imagens e envolvente pictórica são muito belas.

02.02.2022 | by Alícia Gaspar | arte, cultura, exposição, Galeria Artistas de Angola, gina diama, grácia silva, silvestre quizembe

"O Sistema", exposição do artista angolano Cristiano Mangovo

A galeria de arte .insofar convida: O SISTEMA

Cristiano Mangovo

Curadoria de Katrine Sirois

4.02 – 30.04.2022 na Rua Capitão Leitão, nº 53, Marvila, 1950-050 Lisbon


A galeria de arte .insofar apresenta “O Sistema”, uma exposição individual do artista angolano Cristiano Mangovo. Inaugura dia 4 de fevereiro entre as 16h-21h, coincidindo com a comemoração do Dia do Início da Luta Armada de Libertação Nacional.

Sob a curadoria da canadiana Katherine Sirois, a exposição é composta por uma seleção de pinturas que abordam questões sóciopolíticas complexas, tais como as hierarquias, as mentalidades de divisão e oposição profundamente enraizadas e difundidas, os conflitos de interesses ou o exercício do poder, a sua conquista e preservação a todo o custo.

Ecoando uma expressão comum em Angola, o título da exposição – O Sistema – impregna o conjunto das obras de Mangovo com um ligeiro toque de filosofia política. Esta referência à expressão popular e largamente utilizada para qualificar algo que seja disfuncional, ineficiente, fraudulento, inadequado ou injusto destaca o questionamento sobre a natureza ardilosa e intangível do “sistema” que assombra as obras de grandes dimensões.

Sem pretender mostrar a natureza profunda de um tal sistema de poder, cujo magnetismo e dinâmica são capazes de corroer qualquer espírito elevado, a exposição propõe-se questionar e estimular a reflexão sobre o imperialismo, as rivalidades e os jogos de poder entre indivíduos, tribos, regiões, países, géneros ou mesmo entre Estados e as suas populações.

Cristiano Mangovo

Nascido em Angola no ano de 1982, vive e trabalha presentemente em Lisboa. Sendo natural de Cabinda, a sua visão, imaginação e referências estão enraizadas na rica e complexa paisagem sócio-cultural multicamada dessa região. As suas aptidões artísticas e o seu interesse precoce pelo desenho levaram-no a estudar pintura na Academia de Belas Artes de Kinshasa. Considerado como um dos mais prolíficos entre os pintores da geração angolana do pós-guerra, Mangovo desenvolveu um estilo único, profundo, exuberante e maduro, que poderia ser definido como Expressionismo Figurativo. Motivado por um apurado sentido de observação e um espírito crítico perspicaz, a marca artística de Mangovo caracteriza-se por um impulso criativo energético, ritmos visuais fortes, cores e contrastes ousados, formas em movimento orgânicas desinibidas e representações corporais distorcidas.

Colocando o seu foco em tópicos complexos através de uma peculiar ótica satírica, a sua abordagem inovadora, com o uso de tipologias e símbolos arquetípicos e a sua atenção a questões como a injustiça, a desigualdade, a pobreza e o ecocídio, vai além das especificidades locais visando almejar uma dimensão universal. A sua obra faz parte de várias colecções de arte, tal como: AFRICANA Art Foundation (Suíça), Centro Cultural Brasil (Angola), Dâr-alMakhzen (Marrocos), Fondation Gandur pour l’Art (Suíça), Fundo das Nações Unidas para a População (RDC), Lycée Français A.E.F.L. (Angola) e Museu da Presidência da República Portuguesa (Portugal). Destaques recentes incluem a Residência Artistica Black Rock no Senegal, Prémios Lusofonia (2021) na categoria de artes visuais e a próxima Bienal de Kinshasa. Actualmente, Cristiano Mangovo é representado pela galeria de arte .insofar.

Katherine Sirois

curadora

Historiadora de arte canadiana sediada em Lisboa, autora independente e co-curadora da revista de arte contemporânea Wrong Wrong.

Como bolseira do Social Sciences and Humanities Research Council of Canada, concluiu os seus diplomas em Estudos de História da Arte na Université du Québec em Montreal. Assistente de ensino e de investigação na UQÀM, nomeadamente no projecto federal “The Self and the Other” no âmbito de “Issues of Identity Definitions in Contemporary Aboriginal Arts”, migrou para a Europa para realizar estudos de doutoramento em Estética (EHESS, Paris e Paris I-Panthéon Sorbonne). É actualmente associada ao Instituto de História das Artes da Universidade Nova de Lisboa.

Autora de ensaios e textos para catálogos de exposições de arte contemporânea e, por último, curadora da exposição “Fukuko Ando: Weaving (the) Cosmos” no Museu da Fundação do Oriente em Lisboa e membro da equipa de curadoria de “Histórias de Rostos: Variações Belting” no Museu Berardo.

31.01.2022 | by Alícia Gaspar | arte, cristiano mangovo, exposição, insofar, o sistema

NO PAST, NO FUTURE: THE PRESENT IS LOOPED

PT

Exposição NO PAST, NO FUTURE: THE PRESENT IS LOOPED, na PLATAFORMA REVÓLVER.

Curadoria de Vítor Pinto da Fonseca.

Inauguração no Sábado dia 20, da 16.00 às 19.00.

Morada: R DA BOAVISTA 84 3º PORTA 6, 1200-068. (Logo a seguir à rua de S. Paulo).

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EN

Exhibition NO PAST, NO FUTURE: THE PRESENT IS LOOPED, at PLATAFORMA REVÓLVER.

Curated by Vítor Pinto da Fonseca.

Opening on Saturday 20th, from 26.00 to 19.00.

Address: R DA BOAVISTA 84 3º DOOR 6, 1200-068. (Just after Rua de S. Paulo)

19.11.2021 | by Alícia Gaspar | arte contemporânea, exposição, no future:the present is looped, no past, plataforma revólver, Vitor pinto da Fonseca