Hoje fui a enterrar uma pluma, em memória de Luís Giovane, estudante cabo-verdiano assassinado em Bragança.

Hoje fui a enterrar uma pluma, em memória de Luís Giovane, estudante cabo-verdiano assassinado em Bragança. Giovani tropeçou na morte à saída da discoteca. Por vezes, a existência é uma embriaguez permanente. Ser negro e estrangeiro é maldição a mais. Lembrou-lhe a derradeira paulada que levara da vida naquela triste noite de dezembro. Lembrou-lhe as mãos cobardes dos quinze diabos. Giovani era um artista. Só sonhava com mornas. Compor e cantar repertórios de adoração a um deus que fosse mais justo e imparcial. Por que é que uns têm a bênção de matar e outros de serem mortos? Tombou numa rua qualquer de Bragança. Um negro caído, quem se importa?

Mukanda

14.06.2026 | por Venâncio Calisto