Fred Moten na Dentu Zona,

É com enorme alegria que, no dia 2 de agosto, às 13h, recebemos Fred Moten na Dentu Zona, na Cova da Moura, para uma conversa com p.feijó em torno da sua obra e, em particular, d’OS SUBCOMUNS: PLANEAMENTO FUGITIVO E ESTUDO NEGRO, livro recentemente publicado pela Maio Maio e pelas Edições da Snob.
O trabalho de Fred Moten circula entre a poesia, o estudo da Tradição Radical Negra, a história da música e a Teoria Crítica. Escreveu uma vasta obra de poesia e Teoria Crítica e, com Stefano Harney, OS SUBCOMUNS e TUDO INCOMPLETO.
p.feijó é a editora convidada d’OS SUBCOMUNS, tendo contribuído com um texto introdutório e participado em todo o processo de edição deste livro. É também escritora, investigadora e militante.

30.07.2026 | by martalanca | Fred Moten, subcomuns

Cortejo, a primeira exposição individual de Anthony Mazza

A Kolibri Gallery tem o prazer de apresentar Cortejo, a primeira exposição individual de Anthony Mazza na Europa. Com abertura na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, às 18h00, a exposição reúne dez pinturas de pequeno formato, realizadas em óleo sobre linho e em óleo e cera de abelha sobre tela. Cortejo ficará patente na Kolibri Gallery, em Lisboa, até 28 de agosto de 2026.

Em Cortejo, Mazza trata a pintura como um campo temporal em camadas. As obras não pretendem apresentar a paisagem como descrição direta ou cenário fixo. Em vez disso, constroem imagens nas quais o lugar surge através de vestígios, intervalos e recordações parciais. Horizontes, água, campos escuros, fragmentos arquitetónicos e formas suspensas são mantidos em composições reduzidas, permitindo que cada pintura permaneça entre o aparecimento e a dissolução.

O título Cortejo refere-se a uma procissão silenciosa. Ao longo da exposição, as pinturas parecem mover-se em relação umas às outras, transportando ecos entre imagem, superfície e memória. A sua pequena escala concentra esse movimento. As obras pedem uma atenção próxima a subtis variações de tom, densidade material e suspensão espacial, em vez de se expandirem em vistas panorâmicas.

O uso de óleo, linho, tela e cera de abelha por Mazza reforça esta condição de instabilidade. Em várias obras, a cera confere à superfície uma profundidade tátil e contida, enquanto a trama visível do linho mantém a imagem materialmente aberta. A paisagem torna-se menos um tema do que um lugar de passagem: um espaço onde luz, matéria e recordação permanecem por resolver.

Apresentada em Lisboa, Cortejo marca um momento importante na trajetória do artista como a sua primeira exposição individual na Europa. A exposição posiciona a prática pictórica recente de Mazza através de um corpo compacto de obras íntimas na escala, mas conceptualmente precisas, reunindo questões de lugar, memória, superfície e suspensão temporal.

Evento de Abertura
Receção de abertura: quarta-feira, 5 de agosto de 2026, 18h00
Kolibri Gallery: Rua Passos Manuel 64A, 1150-260 Lisboa, Portugal

Datas da Exposição
5-28 de agosto de 2026

Obras
Dez pinturas de pequeno formato
Óleo sobre linho; óleo e cera de abelha sobre tela

30.07.2026 | by martalanca | Anthony Mazza

vítimas na Europa do tráfico transatlântico

Resultados recentes da investigação sobre as primeiras vítimas conhecidas na Europa do tráfico transatlântico de escravizados (Valle da Gafaria)
Sábado, 25 de julho, às 17h (MUNHAC)
No Valle da Gafaria, em Lagos, Portugal, os arqueólogos descobriram os restos mortais de 158 africanos escravizados. Este continua a ser o mais antigo e o maior sítio de enterramento associado ao tráfico atlântico de escravos na Europa.
Ao sintetizar as evidências resultantes de múltiplas análises isotópicas, esta apresentação explora a origem destas pessoas, reconstrói as suas histórias de vida e revela novos conhecimentos sobre mobilidade, deslocação e experiências humanas durante as primeiras fases do tráfico transatlântico de escravos.
Com: Dra. Vicky M. Oelze (Professora Associada no Departamento de Antropologia da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, EUA) 
Sessão em Inglês. PowerPoint em português.
Participação livre, limitada à lotação da sala.
Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC). 

23.07.2026 | by martalanca | escravatura

"Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global", de Paulo Ramalho

18 de julho de 2026 | 17h00 | Bar Flor do Tejo | Cais de Vila Franca de Xira

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global, de Paulo Ramalho, pertence à rara categoria das obras que recusam o conforto da literatura de viagem para se transformarem numa interrogação sobre o mundo e sobre nós próprios.

Antropólogo de formação, escritor por necessidade e viajante por inquietação, Paulo Ramalho conhece profundamente a Guiné-Bissau e o arquipélago dos Bijagós, um dos últimos territórios africanos onde a memória ancestral, os rituais, a natureza e a resistência cultural permanecem vivos perante a crescente uniformização do planeta. O seu olhar não é o do turista nem o do repórter ocasional. É o de quem sabe que um povo nunca se descreve apenas pela paisagem, mas pela forma como enfrenta o tempo, a morte, a comunidade e o sagrado.

Neste livro, os Bijagós deixam de ser apenas um arquipélago perdido no Atlântico para se tornarem uma metáfora do nosso tempo. A viagem conduz o leitor para lá da geografia, confrontando-o com as grandes questões do século XXI: o esgotamento do modelo ocidental, a crise ecológica, a desigualdade entre Norte e Sul, o legado do colonialismo e a procura de outras formas de habitar o mundo.

A literatura da Guiné-Bissau ensinou-nos, através de vozes como Abdulai Sila, Tony Tcheka ou Filinto de Barros, que a identidade nasce do diálogo permanente entre memória e futuro. É nesse território de fronteira que Paulo Ramalho inscreve a sua escrita. Sem exotismos nem paternalismos, aproxima-se dos Bijagós com o respeito de quem escuta antes de interpretar, oferecendo ao leitor uma narrativa onde a antropologia e a literatura se cruzam para revelar uma realidade simultaneamente bela, complexa e profundamente humana.

Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, devolve-nos perguntas que preferimos adiar. Que significa viajar quando o mundo parece caminhar para o colapso? O que procuramos no outro que não sejamos capazes de reconhecer em nós? Será o Sul Global apenas uma geografia ou poderá ser também um lugar de resistência, de aprendizagem e de esperança?

Mais do que apresentar um livro, esta sessão propõe um encontro entre leitores, viajantes e todos aqueles que acreditam que a literatura continua a ser um dos poucos lugares onde ainda é possível compreender a complexidade do mundo.

No dia 18 de julho, às 17 horas, o Bar Flor do Tejo, em Vila Franca de Xira, junto à marina, será palco desta conversa. Um espaço de proximidade para ouvir o autor, descobrir as histórias que deram origem ao livro e participar num diálogo sobre a viagem, a cultura, a Guiné-Bissau e os desafios do nosso tempo.

Porque há viagens que terminam quando regressamos a casa.

E há livros que só começam verdadeiramente quando fechamos a última página.

Lançamento de Bijagós – Uma Viagem ao Sul Global
Paulo Ramalho
Sábado, 18 de julho de 2026 | 17h00
Bar Flor do Tejo –  Cais de Vila Franca de Xira  


13.07.2026 | by martalanca | Bijagós

“Mulheres que carregam”: concurso do Festival do Minuto reflete sobre a força feminina cotidiana

Festival do Minuto convida realizadores a enviarem vídeos de até 60 segundos sobre o tema “Mulheres que carregam”. As inscrições para este e outros concursos temáticos vão até 31 de julho, e os melhores vídeos concorrem ao Troféu Minuto. Clique aqui para assistir à vinheta do concurso. O que uma mulher aguenta carregar? Uma criança, uma família, um país? O mundo inteiro? É nesse vasto campo de possibilidades que o Festival do Minuto lança o concurso temático “Mulheres que carregam”. A proposta é aberta a interpretações diversas, estimulando olhares autorais sobre o tema em vídeos de até um minuto.

Inscrições até 31 de julho “Mulheres que carregam” é um dos 9 concursos temáticos lançados no 1º semestre de 2026 pelo Festival Permanente do Minuto, todos com inscrições abertas até 31 de julho.

Além dos concursos temáticos, o Festival também mantém inscrições abertas para as categorias permanentes mensais: Tema Livre, Animação, Nano Minuto e Minuto Vertical. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site: www.festivaldominuto.com.br. 35 anos de Festival do Minuto

Criado em 1991, o Festival Permanente do Minuto é pioneiro no formato de curtíssima duração, incentivando a criação de vídeos de até 60 segundos antes mesmo do surgimento das redes sociais. Gratuito, online e permanente, passou a alcançar todo o planeta. No Brasil, atinge cidades pequenas, médias e grandes, alcançando o interior, o litoral e as periferias urbanas. Com produções de diferentes sotaques, vivências e contextos, a iniciativa amplia a diversidade no audiovisual e incentiva realizadores amadores e independentes.

Completando 35 anos em 2026, o Festival Permanente do Minuto reafirma seu papel como espaço de experimentação e visibilidade para obras que apostam na síntese e na força expressiva do formato Minuto. Ao longo de sua trajetória, o festival já inspirou iniciativas semelhantes em mais de 50 países.SERVIÇO:

CONCURSOS - FESTIVAL PERMANENTE DO MINUTO ONDE: www.festivaldominuto.com.br

QUANDO: Inscrições até 31 de julho de 2026 CONTATO: thais@festivalminuto.com.br | 43 9874-9580


13.07.2026 | by martalanca | feminina, mulheres

Lançamento do primeiro livro de Orálio Mendes Katchunkuró

A Casa da Cultura da Guiné-Bissau, a LON Edições e o autor @Orálio Mendes Katchunkuró convidam o público para o lançamento de «eu, os Fragmentos e Alentos», a primeira obra publicada pelo autor, um livro de poesia.
A sessão terá lugar no dia 25 de julho de 2026, às 16h30, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Alameda da Universidade, Cidade Universitária, 1649-014 Lisboa).
A apresentação estará a cargo de Bia Djassi, Michel Té e Tcherno Baldé.
A entrada é livre. Venham celebrar connosco esta estreia literária!

 

 

04.07.2026 | by martalanca | Orálio Mendes Katchunkuró

Olime, em Lisboa e Sintra

Interpretação | Eliana Rosa - Mynda Guevara - João Branco

Texto Marta Lança | Marinho Pina

Encenação, espaço cénico | João Branco

Figurinos | Simone Rodrigues

Desenho de Luz | Pedro Fonseca

Sonoplastia | Basil da Cunha

Fotografia | Machine Pedro Dinis - Queila Fernandes
Agradecimento especial Henrique Silva. 
Apoio à Criação: República Portuguesa - Ministério da Cultura, Juventude e Desporto / Direção Geral das ArtesResidência Artística: Teatro ViriatoParcerias: BUALA · Associação Caboverdiana de Lisboa · Associação de Intervenção Comunitária, Desenvolvimento Social e de Saúde · Associação de Solidariedade Social do Alto Cova da Moura · Centro Desportivo da Reboleira · RDP África 

COMPRA BILHETE AQUI 

Folha de sala - Processo número 0027/2025

Convocada a uma Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, uma mãe vê-se confrontada com um procedimento “de rotina” que rapidamente se transforma num exame minucioso à sua vida.
Ao longo de sucessivas entrevistas, expõe-se o atrito entre linguagem institucional e a experiência da vida concreta. O técnico responsável pelo processo obedece ao protocolo, interroga, regista e avalia riscos. Do outro lado, Maria Isabel responde, hesita, defende-se, acusa (o Estado, os outros?). Um conjunto de critérios - casa pequena, rendas impossíveis, salário mínimo, trabalho noturno, falência de rede de apoio - associam precariedade a perigo e fazem desta mãe, pobre, negra e do bairro, que ainda por cima ousa ser artista, suspeita.
OLIME constrói um dispositivo cénico depurado, onde a repetição burocrática ganha peso dramático. A frieza do registo oficial contrasta com momentos de exposição íntima e ruptura poética. O espetáculo alterna entre o realismo das entrevistas e interlúdios que abrem o discurso para dimensões mais amplas: identidade, memória colonial, violência policial, documentação e cidadania, pertença a um Cabo Verde imaginado, a família e as redes de apoio que na sociedade neoliberal se deslaçam.
Em palco, Eliana Rosa interpreta Maria Isabel, uma mulher irónica, orgulhosa, contraditória, artistística, e cansada de tanto esforço. João Branco, que também encena, é o funcionário Anselmo, que oscila entre as boas intenções e produto de um sistema que mede, categoriza e decide. A rapper e performer Mynda Guevara assume a função de coro contemporâneo. Através da palavra dita e cantada, introduz dados, memórias e comentários críticos que ampliam o caso individual para uma reflexão coletiva. Integra a estrutura dramatúrgica e tensiona a narrativa com composições que atravessam temas como abuso policial, racismo estrutural, o crioulo e a identidade nacional.
O funcionário é incapaz de desligar a máquina absurda da burocracia e vigilância, e a mãe, por sua vez, move-se num contexto onde qualquer falha pode ser lida como prova de incapacidade. Entre protocolo e sobrevivência, instala-se uma pergunta central: é possível medir o amor? E que instrumentos utiliza o Estado para distinguir risco social de desigualdade estrutural?
A peça é uma produção do coletivo Saaraci, que mantém viva, em Portugal, uma ligação artística e cultural a Cabo Verde. Essa presença manifesta-se na sonoridade, na língua, na memória e no modo como a peça convoca a história partilhada entre Portugal e a colonialidade. A colonialidade infiltra-se nas instituições, nos discursos, nas expectativas e nas formas de classificação social. Ao colocar frente a frente uma mãe precarizada e um técnico do Estado, o espetáculo evita simplificações, despertando a reflexão sobre justiça social, responsabilidade institucional e a criminalização da pobreza. Questiona a fronteira entre cuidado e controlo, entre proteção e punição. Recorda que, em contextos de vulnerabilidade económica e racialização, a parentalidade, sobretudo as mães pobres e radicalizadas, é frequentemente sujeita a um escrutínio acrescido.
Mais do que retratar um caso específico, o espetáculo convoca o público a reconhecer as estruturas invisíveis que moldam decisões e narrativas. Entre a morna e o relatório, entre o palco e o gabinete, OLIME afirma o teatro como espaço de escuta, confronto e pensamento crítico.
Uma criação que cruza teatro, música e intervenção cívica, afirmando o direito à dignidade.
17 e 18 em Lisboa, 25 em Sintra.

 

Marta Lança (codramaturga da peça com Marinho de Pina)

03.07.2026 | by martalanca | Olime

"Essas Pessoas na Sala de Jantar", apresentação com Vasco Santos e Margarida Ferra

Apresentação do meu  livro de crónicas, gostava muito que aparecessem no Bota dia 9 às 18h para comprarem (ou trocarem) o livro e ouvir o Vasco Santos e a Margarida Ferra.

Nunca morei sozinha: sempre partilhei casa, com família ou amigos. Por razões práticas, claro, para dividir despesas e responsabilidades, mas também porque partilhar casa é uma escola intensa em atualização permanente. Dá-nos novas perspetivas sobre aquilo que julgávamos saber; dicas e soluções para pequenos e grandes problemas. Obriga-nos a ceder, a negociar e a constatar que o normal para mim pode ser insuportável para o outro: nomeadamente no que toca a critérios de barulho, limpeza ou acumulação. Uma pequena comunidade doméstica acrescenta-se, ampara-se e, quando alguém perde a chave, há menos hipótese de ficar do lado de fora.

03.07.2026 | by martalanca | crónicas, livro

"Oficina de Escrita Criativa - Curativa"

Em alusão ao mês da mulher africana.  Abre-se a “Oficina de Escrita Criativa - Curativa” como um lugar seguro para mulheres transformarem suas emoções e sentimentos em arte.
A partir do sábado - dia 11 de Julho.Em quatro sessões serão partilhadas técnicas de escrita com  intuito de criação de textos, usaremos a escrita como terapia.
Aos sábados de Julho e Agosto pelas 10 horas As vagas são limitadas 
Inscreva - se :WhatsApp 934 442 034
Luz & Leveza

03.07.2026 | by martalanca | escrita, mulher africana

«Feminismo na Periferia» de Mikki Kendall

Apresentação do «Feminismo na Periferia» de Mikki Kendall, editora Kiala com a presença de Nuna, que escreveu o prefácio da edição portuguesa, e de Gisela Casimiro, dia 9 de julho, às 19h na Casa do Comum.

‘O movimento feminista tem um ponto cego e, ironicamente, esse ponto cego são as mulheres. As correntes feministas convencionais raramente encaram a satisfação das necessidades básicas como uma questão feminista e, demasiadas vezes, concentram-se não na sobrevivência das muitas, mas no aumento dos privilégios de poucas. Essa miopia, alimentada por divisões internas e pelo privilégio étnico-racial e de classe, fragiliza a solidariedade entre mulheres e deixa, sobretudo, as mulheres negras e periféricas à margem.
«Como podemos falar de união», questiona Mikki Kendall, «se algumas continuam a oprimir outras?»
Em Feminismo na Periferia, Kendall confronta as falhas do feminismo contemporâneo, partindo da sua própria experiência — marcada pela violência, pela pobreza e pela hipersexualização —, e analisa com lucidez temas como direitos reprodutivos, experiências de abuso, cultura popular e saúde mental.
Feroz, incisivo e profundamente necessário, este livro é tanto uma denúncia de um movimento em transformação como um apelo a todas as mulheres que se reivindicam feministas para que vivam, em pensamento e em ação, segundo o verdadeiro propósito da causa.’

 

02.07.2026 | by martalanca | feminismos na periferia, Kiala editora