Homenagem a Adolfo Gutkin e ¡Que viva Cuba!

Nesta sessão especial do FITEI e homenageamos – e agradecemos a - Adolfo Gutkin (Buenos Aires, 1936 — Lisboa, 2025), a quem o teatro tanto deve.

E aproveitamos para conversar sobre as renovadas ameaças que assolam Cuba hoje, passadas mais de seis décadas de resistência, revisitando o seu legado político, social e simbólico. ¡Que Viva Cuba!

Organização: FITEI Curadoria: Ana Bigotte Vieira, no âmbito do projecto RESONANCE*

O projeto RESONANCE é apoiado pelo Programa Regional Lisboa 2030, Portugal 2030 e a União Europeia (LISBOA2030-FEDER-00914500), e pela FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.Preferência 2023.17624.ICDT, DOI https://doi.org/10.54499/2023.17624.ICDT

Homenagem a Adolfo Gutkin  Adolfo Gutkin é é uma figura chave na renovação da prática teatral em Cuba, Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique, contribuindo como pedagogo para o surgimento de várias geração de actores em diversos países. Impulsionado pelas suas convicções estéticas e sociais a sua vida e a sua obra, entre as décadas de 1960 e 1980, abarcaram a América Latina, a Europa e a África. Examinar sua trajetória permite revisitar as redes teatrais e artísticas entre os três continentes.  Gutkin foi um dos encenadores “estrangeiros” que chegaram a Portugal nos idos de 70 com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e infiltraram o teatro que se fazia nas universidades com experiências de trabalho de criação baseada no corpo e na visão plástica da cena.

17h | Adolfo Gutkin: um experimentalismo que se desdobra entre a Argentina, Cuba, Portugal, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe , Angola e Guiné Bissau por Ana Bigotte Vieira (PT)

17h20 | Breve Historia de un Teatrista Argentino en Santiago de Cuba por Carlos Padrón Montoya (CUBA)

17h30 | Recital de guitarra por Carlos Gutkin (CUBA-PT)

18h ¡Que viva Cuba! 

Não obstante a actual intensificação do bloqueio, José António Cerejo e Raquel Ribeiro estiveram recentemente em Cuba (Raquel Ribeiro integrou mesmo a flotilha humanitária que recentemente se deslocou ao país), e partilham connosco a situação do país, a mais de seis décadas da Revolução Cubana, por ocasião dos sessenta anos da Conferência Tricontinental, discutindo o seu legado, bem como a resistência e as ameaças que Cuba hoje enfrenta.

José António Cerejo (lido por Pedro Cerejo) Raquel Ribeiro 

BIOGRAFIAS

José António Cerejo foi durante quase 30 anos, José António Cerejo foi grande repórter no jornal “Público”. É conhecido pelo trabalho na área da investigação, na qual tratou casos como o do Freeport e escândalos na política

Raquel Ribeiro tem uma Licenciatura em Ciências da Comunicação na NOVA FCSH e um Doutoramento em Estudos Hispânicos na Universidade de Liverpool, Reino Unido (2009). Obteve uma bolsa de Pós-doutoramento – Nottingham Advanced Research Fellowship (Universidade de Nottingham, Reino Unido, 2010-2012), para desenvolver um projecto sobre a memória da presença de Cuba na guerra civil de Angola. Foi Visiting Fellow de St Peter’s College, Universidade de Oxford (2013-2014) onde leccionou Literatura Brasileira, e docente de Estudos Portugueses na Universidade de Edimburgo (Prof. Auxiliar e Prof. Associada, entre 2014-2021). Em Edimburgo, desenvolveu vários projectos colaborativos financiados pelo AHRC: “Afro-Latin (in)visibility and the UN Decade: Cultural politics in motion in Nicaragua, Colombia and the UK” e “Visibilizing Afro Cultural Connections and Geopolitical Dynamics in Nicaragua, Colombia, San Andrés and Providencia“; e “Ixchel: Building understanding of the physical, cultural and socio-economic drivers of risk for strengthening resilience in the Guatemalan cordillera” (financiado pelo National Environment Research Council/NERC). Em 2021, foi Fellow do Leverhulme Trust (Reino Unido). Regressou a Portugal para um contrato de Investigadora Júnior no Instituto de História Contemporânea (2022), antes de vencer um Concurso de Estímulo ao Emprego Científico (CEEC) da FCT, como Investigadora Principal também no Instituto de História Contemporânea (2023-2025). Desde Novembro de 2025 é Professora Auxiliar de História Ibero-Americana no Departamento de Línguas, Culturas e Literaturas Modernas da NOVA FCSH.

 Como escritora e jornalista freelance publicou em vários media (Portugal, Reino Unido, Luxemburgo e na América Latina). Foi bolseira de Gabriel García Márquez de Periodismo Cultural, atribuída pela Fundación Nuevo Periodismo Latinoamericano (Colômbia) e é membro do Cuba Research Forum (Nottingham).

Ana Bigotte Vieira é co-Investigadora Responsável do projeto FCT Archiving Theatre e, juntamente com Maria João Brilhante, ajudou a desenhar e implementar a linha de apoio em parceria CET-DGARTES Arquivos das Artes de Performativas. Presentemente é investigadora associada dos projectos  LISBOA2030-FEDER-00914500: “Epistemologias da Documentação de Formas de Afeto e Devir nas Manifestações Culturais em Performance (1969-1979)”* and “Performance y curadoría: transformaciones performativas del comisariado, el coleccionismo y la espectaduría desde una perspectiva comparada: España, Portugal, Brasil y Argentina, 2003-2028” (PID2024-156472NB-I00). Publicou A Caixa Preta e Outros Mal Entendidos - Histórias do Experimental (Sistema Solar 2025), Uma Curadoria da Falta - ACARTE 1984-1989 (Sistema Solar 2022) e Dança Não Dança – arqueologias da nova dança em Portugal (FCG-IN) com João dos Santos Martins, Ana Dinger e Carlos Manuel Oliveira, com quem organizou recentemente o programa, ciclo de (re)performances e exposição do mesmo nome, VII edição do projeto Para Uma Timeline a Haver, que coordena com João dos Santos Martins. 

Em 2011 recebeu uma menção honrosa PSi Dwight Conquergood em 2011 e, em 2016, a sua tese de Doutoramento recebeu Menção Honrosa Prémio Mário Soares. Foi Visiting Scholar no departamento de Performance Studies da NYU entre 2009 e 2012. Investigadora do IHC e colaboradora do CET, a sua investigação tem incidido sobre a relação entre experimentalismo nas artes e as transformações culturais e urbanas. Licenciou-se em História Moderna e Contemporânea (ISCTE), especializando-se em Ciências da Comunicação - Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias (UNL-FCSH), e em Estudos de Teatro (UL). Iniciou recentemente BRINCAR, um projecto colectivo de investigação histórica e artística que procura trabalhar sobre – e a partir de – experiências artísticas e sociais radicais ocorridos com – e para – a infância nos anos que rodeiam a Revolução de Abril de 1974 e o final do séc. XX. Traduz teatro e filosofia. Entre 2018 e 2023 fez parte da equipa de programação do Teatro do Bairro Alto. Integra a Associação BUALA e o IRI - Institute of Radical Imagination

Carlos Padrón Montoya (Santiago de Cuba, 1947) é um actor, encenador, dramaturgo, argumentista e realizador cubano. Licenciado em História (Universidade de Oriente, 1980), iniciou a sua carreira no Conjunto Dramático de Oriente. É fundador da Tele Rebelde (1967), do Cabildo Teatral Santiago (1965) e do Calibán Teatro (1986).  Desde 1989 trabalha no teatro, rádio e televisão em Havana. Participou em 41 filmes em Cuba, Canadá, Venezuela, Espanha, Estados Unidos, Suíça, União Soviética e França. Entre 1993 e 2014 foi presidente da Associação de Artistas de Cena da UNEAC - União de Escritores e Artistas de Cuba. É professor de História do Teatro Cubano e Latino-Americano na Escola Nacional de Teatro e na Faculdade de Teatro da Universidade das Artes.

Carlos Gutkin é professor de Guitarra na Escola de Música do Conservatório Nacional. Estudou em Cuba sob a orientação de Flores Chaviano, prosseguindo os seus estudos com Demetrio Ballesteros no Real Conservatório Superior de Música de Madrid, onde obteve os títulos de concertista e professor superior. Tem actuado como solista e em conjuntos de Cuba, Espanha e Portugal.

19.05.2026 | by martalanca | Adolfo Gutkin, Cuba

ENSAIO DIRIGIDO A... de Andresa Soares

 

 

 
 

- ciclo completo nos Jardins do Bombarda -  30 DE MAIO.12H ÀS 22H.

pretende explorar esse espaço reticente relativo ao interlocutor através de um ensaio performativo instruído por uma voz pré-concebida e dançado pelo público que escolhe participar. Uma voz dirige, à semelhança de um ensaio a que um performer se propõe e no qual é dirigido pelo coreógrafo ou ensaiador. Mas aqui o discurso que orienta, explora lugares em que se evidenciam os determinismos a que os “corpos” ou “certos corpos” estão, recorrentemente, sujeitos, atravessando várias formas de domínio da palavra sobre o corpo

Este projecto, desenvolvido entre 2024/2025, é composto por cinco versões para público geral e uma para a infância. 

Neste evento serão realizadas as seis performances contando com a participação dos seguintes músicos convidados:

12h - # 6 (versão para a infância)

com MÁRIO PITA e DAVID MARQUES (alunos da EMARTE)

14h30 - #1

com HELENA ESPVALL

16H - #2

com BRUNO PERNADAS

15h - #3

com MARCO SANTOS

19h30 - #4

com PATRÍCIA RELVAS

21h - #5

com VAN AYRES

 

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Será ainda lançada a publicação ENSAIO DIRIGIDO A… que reúne todos os textos/partituras que constituem o projeto, com design e paginação de Filipe Pinto.

 

FICHA…

 

Direção artística, pesquisa, escrita e voz: Andresa Soares

Direção técnica e criação do dispositivo sonoro: Artur Pispalhas

Apoio técnico: Maria Kadhija

Desenho de luz: Gabriela Claveria

Tradução: Miguel Cardoso

Design e paginação: Filipe Pinto

Imagem: Von Calhau

Registo vídeo: James Newitt

Gestão de projeto: Daniela Ribeiro

Produção e comunicação: Margot Silva e Marta Sarmento

Colaboração ensaios e dramaturgia: Julia Salem, Vanessa Garcia, Carolina Zingler, Marta Lança, Elizabete Francisca, Sek Sar, Joana Gomes e Yael Karavan

Oficinas de pesquisa: “As Marias” - Outurela, Oeiras; 1º ano do Curso Profissional Técnico de Massagem, Estética e Bem-Estar da ESCO, Torres Vedras; CRIT - Torres Novas e GANG - Grupo Animação Natureza e Ginástica, Associação de moradores PER11, Lisboa

Produção: Cotão Associação Cultural

Coprodução: Artemrede e Municípios de Alcanena, Lisboa, Oeiras e Torres Vedras

Parceiro Institucional: República Portuguesa -  Cultura, Juventude e Desporto/Fundo de Fomento Cultural

Apoios: DeVIR/CAPa, Pólo Cultural das Gaivotas/CML, Lugar do Meio, PenhaSco Arte Cooperativa, Bóia AC e Largo Residências

Projeto financiado por República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto/Direção Geral das Artes


19.05.2026 | by martalanca | ensaio

Essas pessoas na sala de jantar

“Cada um se arranca do silêncio para virar narrativa”, escreve Eliane Brum em ‘Os meus desacontecimentos’. Então, encontrei no fio condutor das mudanças de casa, a matéria a partir da qual virar narrativa. É que experimentei demasiadas vezes a sensação de entrar num espaço vazio e projetar algo novo naquelas duas ou três assoalhadas, subir malas e caixotes ou aninhar-me no território de outras pessoas. Mudar de casa implicou reduções de contrato e separações. Foi preciso refazer caminhos, desprender-me de objetos, desapegos afetivos, para dar lugar ao que viria: novos parceiros de refeições, outros cartazes na sala e lavatórios para esfregar, renovados entusiasmos e dores. Nódoas negras ao embater nos móveis, como quem reaprende a andar. Dessa sucessão de mudanças, nasceu a vontade de encapsular temporadas em certos lugares e circunstâncias…. Textos ambientados em vários bairros de Lisboa, e no Faial, Paris, Mindelo, Luanda, Rio de Janeiro, São Paulo, Maputo, Ourique, e em várias almofadas… Publicado pela editora Tigre de Papel. Lançamento na Feira do Livro de Lisboa com a Golgona Anghel.

14.05.2026 | by martalanca | crónicas, livro

Restaurar o Futuro, conferência de David Scott

Moderação: Liliana Coutinho

Como as práticas de restituição de objetos, memórias e histórias se podem tornar gestos de reconfiguração de futuros? Scott propõe uma crítica pós-colonial que vai para além da reparação. Ao articular ética, crítica e imaginação, Scott convida-nos a pensar na restituição não como um mero retorno, mas como um movimento criativo, um fundamento para futuros plurais, ou seja, não como a restauração de um passado perdido, mas como novas formas de coexistência e de responsabilidade partilhada. 

David Scott leciona no departamento de Antropologia da Universidade de Columbia. É autor de vários livros, entre os quais Refashioning Futures: Criticism after Postcoloniality (1999), Stuart Hall’s Voice: Intimations of an Ethics of Receptive Generosity (2017) e The Paradox of Freedom: A Biographical Dialogue (2023). Foi também curador da Bienal de Kingston de 2022, com o tema “Pressure”, bem como das exposições Caribbean Queer Visualities (Belfast 2016, Glasgow 2017) e The Visual Life of Social Affliction (Nassau e Miami, 2019 e Roterdão, 2020). 

19 MAI 2026 TER 19:00 - Culturgest 

14.05.2026 | by martalanca | David Scott

Festival Panos

22 - 24 MAICentro Cultural de Paredes

O PANOS — palcos novos palavras novas é um projeto onde se lê, faz e apresenta teatro de e para jovens, dos 12 aos 19 anos.
Ao longo de quase um ano, num processo composto por várias fases, o PANOS promove e valoriza o teatro juvenil em Portugal e as novas dramaturgias, a partir da criação artística em conjunto com dezenas de grupos de norte a sul do país. Grupos de jovens, de escolas, associações, teatros e grupos municipais escolhem e encenam um de três textos, ensaiam e apresentam o espetáculo nas suas cidades, vilas ou aldeias e os palcos descentralizam-se. Seis criações são depois selecionadas por um júri para apresentação no Festival PANOS, uma celebração coletiva e intensa da experiência teatral, que decorre durante três dias, em Paredes.
Conheça os grupos participantes na edição 2026 do PANOS – palcos novos palavras novas, aqui.
Festival PANOS – Centro Cultural de Paredes
22 MAIO ESPETÁCULOS 

O Meu Pai Carlitos de Joaquim Arena pelo grupo Outros Trevos (Portalegre)

Pequeno Auditório > 18h  

Carlitos, 40 anos, pai de Pedro, Joana e Luís (falecido aos 15 anos), desaparece. A família desespera: a mulher Maria Teresa e a mãe; bem como a D. Bia Zé, os vizinhos e amigos. O tempo passa e as autoridades não têm sucesso nas buscas que vão fazendo na região. Em O Meu Pai Carlitos, de Joaquim Arena, percorremos em revista, durante a investigação, o passado de Carlitos. Porque afinal Carlitos desapareceu? Por causa da morte do filho Luís? Porque a vida lhe é insuportável? Que homem é afinal Carlitos?


Insegura – Uma Tragédia de Enganos de Ana Markl pelo grupo de teatro infanto juvenil RecreArte (Marinha Grande) Grande Auditório > 21h  

23 MAIO LANÇAMENTO DO LIVRO PANOS 2025coordenação Sandro William Junqueira edição TNDMII Foyer > 16h ESPETÁCULOS

Insegura – Uma Tragédia de Enganos de Ana Markl pelo grupo Sol d’Alma – Associação de Teatro (Ovar) Pequeno Auditório > 18h Olívia de Mariana Jones pelo grupo Art´J - Escola Profissional de Artes Performativas da Jobra (Branca) Grande Auditório > 21h

Festa PANOS
Arena > 22h30
  24 MAIO ESPETÁCULOSOlíviade Mariana Jonespelo grupo Ateatra (Vila Nova de Santo André)Pequeno Auditório > 18h Insegura – Uma Tragédia de Enganosde Ana Marklpelo grupo Escola Secundária Dr. Ginestal Machado (Santarém)Grande Auditório > 21h

14.05.2026 | by martalanca | Joaquim Arena, panos

Ceci n’est Pas Francisco, de Marta Pinto Machado

De 22 de maio a 27 de junho 2026 no Centro Cultural Cabo Verde, Lisboa.

Na continuidade da exposição apresentada no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea, Ceci n’est Pas Francisco expande-se no CCCV – Centro Cultural Cabo Verde. É um novo momento do projecto de Marta Pinto Machado em torno de Francisco Mendonça, das ausências do arquivo e das histórias que ficaram por contar. Entre 1961 e 1962, não existe um registo claro sobre Francisco Mendonça. Esse intervalo coincide com o período da sua tentativa falhada de fuga, no contexto das lutas anticoloniais e da Casa dos Estudantes do Império. É a partir desse vazio que a artista desenvolve uma investigação feita de imagens, documentos, vídeo e instalação.

No CCCV, a exposição ganha outra presença no espaço. O filme apresentado no MNAC é agora acompanhado por novos elementos, propondo uma leitura mais fragmentada desta história. Francisco surge entre vestígios, perguntas e imagens possíveis, não como uma figura totalmente recuperada, mas como uma presença marcada por uma ausência que continua activa.

A exposição aproxima-se do arquivo como lugar incompleto, onde a memória se constrói também a partir de falhas, silêncios e restos. Ao trazer este trabalho para o CCCV – Centro Cultural Cabo Verde, reforça-se a relação com histórias comuns, atravessadas tambem por cabo-verdianos atravessadas pela circulação, pela resistência e pela dificuldade de inscrição nos relatos oficiais.

Ceci n’est Pas Francisco permanece nesse ponto instável entre documento, imagem e memória, procurando dar forma a uma história interrompida.

Curadoria: Filipa Oliveira e Ricardo Barbosa Vicente

Marta Pinto Machado é portuguesa-caboverdiana. É doutoranda em História pela Universidade NOVA de Lisboa, mestre em Fotografia pela Universidade Católica do Porto. O seu trabalho fotográfico analisa as ambiguidades da História e a sua relação com as narrativas ditas oficiais do mundo ocidental, centrando-se nas temáticas do colonialismo, identidade e território e está em coleções privadas e na coleção do Estado Português (Museu da Presidência). Expõe frequentemente. Durante os últimos cinco anos expôs em Dublin, Utrecht, Budapeste, Novi Sad, Braga, Lamego, Lisboa e Guimarães. No campo académico, publicou artigos nas revistas “Interact: Revista Online de Arte, Cultura e Tecnologia”, “Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento” e “JSTA - Journal of Science and Technology of the Arts”. Durante o ano 2026, o seu trabalho figurará na revista Zum do Instituto Moreira e Salles de São Paulo, Brazil. O projeto “Nos Txôn”, foi publicado em livro pela editora Pierrot Le Fou. É membro da UNA - União Negra das Artes. O seu trabalho tem sido referenciado em diversos jornais de referência por autores como Filipa Lowndes Vicente e Djaimilia Pereira de Almeida. 

Abertura da exposição a 22 de maio

18h00 - Conversa com Inês Vieira Gomes, investigadora, e Marta Pinto Machado, artista

19h00 - Abertura da exposição

3ª a 5 ª feira, das 12h00 às 19h00 | 6ª e Sab, das 13h00 às 20:00

13.05.2026 | by martalanca | Casa dos Estudantes do Império

Como falar com(o) a terra? IV CONFERÊNCIA INTERNACIONAL COUNTER-IMAGE

18, 19 e 20 de novembro Universidade do Algarve (Faro, Portugal)

Conhecimentos situados, métodos para desnomear e visões do umbral

“Eu não podia tagarelar como costumava fazer, tomando tudo por garantido. As minhas palavras agora devem ser tão lentas, novas e hesitantes quanto os passos que dei descendo o caminho para longe de casa…”

Ursula K. Le Guin, Ela Tira-lhes os Nomes, 1985/2025 [trad. Liliana Coutinho]

A pergunta “Como falar com(o) a terra?” não é uma metáfora, mas uma urgência política, ontológica e epistémica diante do colapso ecológico, do esgotamento das gramáticas antropocêntricas e dos modelos de representação do regime colonial-capitalista e o seu paradigma de expansão e ocupação da terra – a plantação, cuja lógica de extração, objetificação e extinção perdura (Le Petitcorps et al. 2023; Bastos 2020; Thomas 2019; Haraway 2015; Tsing 2015, McKittrick 2013; Mirzoeff 2011; Stoler 2008, 2016; Hartman 2007). Os Pós com que insistimos em nomear um mundo (ainda) não superado – pós-colonialismo, pós-modernismo, pós-humanismo – estão a ser substituídos pelo prefixo Geo (Pratt 2025, 2022; Coelho & Ponce de Léon 2025; Krieger 2022; Ray 2019, 2026; Latour 2018; Povinelli 2016). O “advento do Geo”, esclarece Mary Louise Pratt (2025), marca uma mudança de escala (do global para o planetário), de imaginário (do político para o ecológico) e de tempo (do histórico para o “tempo profundo” geológico). Esta condição requer o questionamento do que tomamos por garantido e formas outras de pensar e produzir conhecimento que Gabriela Milone e Franca Maccioni, em “The Land of Language, the Language of the Earth” (2025), iluminaram como “geo-logia” (a linguagem da terra) e “geo-grafia” (a escrita da terra).

Tal implica “falar com a terra” em vez de “sobre a terra” e em termos de “semelhança” em vez de “diferença” – um “trabalho de imaginação” e “experimentação”. De subjetivação em vez de objetificação (Kopenawa 2010). De fusão em vez de ocupação (Krenak 2022).

“Como falar com(o) a terra” é então inseparável da questão de como a terra foi constituída como objeto, recurso e imagem e disso nos fala o conto de Ursula K. Le Guin, Ela tira-lhes os nomes (1985). Sobre o impulso colonial de nomear e identificar sem cuidado, criando fronteiras artificiais, ao mesmo tempo que nos exorta a encontrar formas de falar com outras criaturas. Falar “com” ou “como” em vez de “sobre” sinaliza

um deslocamento epistemológico e exige-nos repensar a sua nomeação, mediação e representação. E se a terra não fosse o referente do discurso, mas a sua condição? E se a possibilidade de falar com(o) ela abrisse um espaço entre o individual e o múltiplo, entre o território situado e a totalidade planetária? Esta dialética é metodológica: uma prática de “desnomeação” – de erosão da semântica objetificante, extrativista e extintora. Se a terra foi mapeada, renomeada e cercada (e a propriedade privada criada), ela é também resistência, cosmopercepção e ritual.

A IV Counter-Image propõe explorar a terra não como tema, mas como onto-episteme. Não a linguagem universal e logocêntrica (que teima em separar o sujeito do objeto), mas antes conhecimentos situados, enraizados nos territórios, corpos e relações que habitam as frestas da colónia e do capital. Não a semântica antropocêntrica da ciência positivista e da sua fictícia objetividade, mas antes métodos para desnomear

que suspendam as taxonomias coloniais e permitam que o solo, o fóssil, o animal, a planta, a pedra, a árvore, o rio, a montanha, o líquen, o fungo se apresentem na sua singularidade irredutível e também em proximidade. Não a pseudo “visão de lugar -2-Submissões até 25 de Maio nenhum”, mas antes as visões do umbral, aquelas fabricadas a partir do pial das casas das nossas avós ou nas horas crepusculares, em imagens dialéticas e incandescentes de sínteses impossíveis.

Com vista à profusão de questionamentos, mais do que à sua resolução, a IV Counter-Image pergunta: o que significa pensar com(o) a terra em vez de sobre ela? É possível traduzir a linguagem da terra, dos animais, das plantas, dos minerais? É a “desnomeação” um método filosófico-estético? Como é que as visões do umbral suspendem os regimes extrativos de representação? Que práticas artísticas resistem, reconfiguram ou perturbam os regimes coloniais sobre a terra? Como dar vida a formas de pertença, cuidado e reparação com vista a um mundo pós-extrativista? Ancorada no território do Algarve, mas expandindo ligações a outros territórios, convidamos investigadores, artistas, ativistas e ensaístas a submeterem propostas que dialoguem com os seguintes eixos temáticos:

1. Conhecimentos Situados

Como e o que é que a terra lembra? Este eixo acolhe trabalhos ancorados em composições relacionais e geo-subjectividades que desafiam a “visão de lugar nenhum”, bem como a incerteza, a falha e a contradição, encorajando a conexão entre pesquisa e experiência vivida.

• “Terricidio” (Millán 2024) e buen vivir
• Epistemologias artesanais (Farago et al 2025) e epistemologias do Sul
• Ecologias decoloniais, anti-extrativistas, ecofeministas, queer e trans
• “Ecologias exílicas” (Marder 2023)
• Cosmopolíticas indígenas e afro-diaspóricas
• O baldio e o quilombo/quilombismo (B. Nascimento 1977, A. Nascimento 1980)
• “Arquivos Insurgentes” (Biehl 2022) e contra-cartografias
• Lutas ambientais, os seus lutos e justiça multiespécie
• Crítica às taxonomias Lineanas e biopolíticas
• Histórias ambientais, políticas da paisagem e “piropolítica” (Marder 2020)

2. Métodos para Desnomear

Se nomear é colonizar, como podemos desnomear para aproximar? Este eixo acolhe trabalhos sobre geo-semânticas e experimentações metodológicas e pedagógicas que erodam o olhar extrativista e especista.

• Desnomear como método filosófico-estético

• Poéticas do silêncio e escuta profunda

• Caminhar como método e “ver com o corpo todo” (Cusicanqui 2015)

• Ontologias fósseis (Castro 2023), minerais e animais

• Geo-estéticas (Coelho & Ponce de Léon 2025; Krieger 2022; Ray 2019), incluindo

vulcânicas e das ervas ditas daninhas

• Estéticas e “alianças líquidas” (Mendes & Garcia-Antón 2026)

• Narrativas de relacionalidade e métodos multiespécie

• Contracolonizar (Nêgo Bispo 2015)

• Arte como laboratório de pensamento (e não como representação)

• Cinema animista e montagens visuais anti-extrativistas e anti-especistas

3. Visões do Umbral

Como habitar o umbral e mover-se entre mundos? Neste eixo acolhemos as formas que excedem os preceitos dualistas do Plantationoceno/Capitaloceno – as geo-coreografias que nos conduzem ao alargamento de afinidades e alianças.

• Epistemologias do umbral

• “Dark ecology” (Morton 2016), deep time e temporalidades submersas

• Ecologia popular

• Agência não-humana e a redistribuição do sensível

• “Ruínas do Plantationoceno/Capitaloceno” (Tsing 2015)

• “Zonas intersticiais” (Gomez-Barris 2017), conhecimentos ribeirinhos e da beira-mar

• Imagens dialéticas (Benjamin 1940) e “peles de imagens” (Kopenawa 2010)

• Visões “ch’ixi” (Cusicanqui 2015)

• “Alianças afetivas” (Krenak 2022)

• “Florestania” (Krenak 2022) e “lutas com a floresta” (Milanez 2024)

+DATAS IMPORTANTES

25 de maio | envio de propostas

30 de junho | notificação de aceitação

18-20 de novembro | conferência

Formatos de submissão:

1. Comunicações (pesquisas teóricas ou empíricas): sumário até 300 palavras

2. Intervenções artísticas (performances, leituras poéticas): memória descritiva até 300 palavras

3. Rodas de conversa, oficinas, caminhadas de escuta, cartografias afetivas: memória descritiva até 300 palavras

O sumário (em português, espanhol ou inglês) deve fazer-se acompanhar de uma biografia breve (até 100 palavras) para: counterimageconference@fcsh.unl.pt

Oradores principais: Gabriela Milone e Franca Maccioni (Universidade Nacional de Córdoba, Argentina) e Felipe Milanez (Universidade Federal da Bahia, Brasil)

Organização:

Inês Beleza Barreiros (ICNOVA, NOVA FCSH / CIAC, Universidade do Algarve)

Liliana Coutinho (IHC, NOVA FCSH)

Maria do Carmo Piçarra (ICNOVA, NOVA FCSH)

Salomé Lopes Coelho (ICON, Utrecht University / ICNOVA, NOVA FCSH)

Sílvia Leiria Viegas (CIAC, Universidade do Algarve)

Teresa Castro (IRCAV, Sorbonne Nouvelle / ICNOVA, NOVA FCSH)

Teresa Mendes Flores (ICNOVA, NOVA FCSH)

-4-Submissões até 25 de Maio

Comité Científico:

Ana Lúcia Marsillac (Universidade Federal de Santa Catarina)

Bruno Mendes da Silva (CIAC, Universidade do Algarve)

Cristiana Bastos (Instituto de Ciências Sociais)

Filippo Di Tomasi (ICNOVA, NOVA FCSH)

Iacã Macerata (Universidade Federal de Santa Catarina)

Isabel Stein (ICNOVA, NOVA FCSH)

Leila Lehnen (Brown University)

Luís Trindade (IHC, NOVA FCSH)

Margarida Brito Alves (IHA, NOVA FCSH)

Margarida Mendes (ICNOVA, NOVA FCSH)

María Gloria Robalino (Washington University St. Louis)

Maria Teresa Cruz (ICNOVA, NOVA FCSH)

Marita Sturken (New York University)

Maura Castanheira Grimaldi (ICNOVA, NOVA FCSH)

Mirian Nogueira Tavares (CIAC, Universidade do Algarve)

Patrícia Martins Marcos (University of Oklahoma)

Patrícia Martinho Ferreira (Brown University)

Paulo Nuno Vicente (ICNOVA, NOVA FCSH)

Romy Castro (ICNOVA, NOVA FCSH)

Rui Gomes Coelho (Durham University)

Susanne Knittel (ICON, Utrecht University)

Organização institucional:

ICNOVA, FCSH, Universidade Nova de Lisboa

CIAC, Universidade do Algarve

Coordenação do CIAC:

Bruno Mendes da Silva

Mirian Tavares

Comissão de Comunicação e Logística do CIAC:

João Paulo dos Reis e Cunha (Gestão)

Juan Manuel Escribano Loza

Cobertura Fotográfica e Audiovisual:

João Paulo dos Reis e Cunha

Desenho gráfico:

Maura Grimaldi

Apoio institucional:

IHC, FCSH, Universidade Nova de Lisboa

ICON-Institute for Cultural Inquiry, Utrecht University

 

12.05.2026 | by martalanca | conferência

MEG STUART - SULPHUR EDGES

13 MAY 2026
WED 19:00 Culturgest Moderation: Liliana Coutinho 


Sulphur Edges is a choreographic encounter shaped with and through place. Created during Forum Dança’s PACAP 8 / Mystery School residency, the 60-minute film unfolds across São Miguel’s thermal sites, oceanfront pools, traces of a mine, and the shell of an abandoned hotel. These places act as co-agents in a process of sensing and transmission. Guided by Meg Stuart’s direction, the performers respond to the elemental conditions of each site. Movement arises from relation — to temperature, texture, invisible forces, and to one another. The camera moves as a choreographic partner, tracing tensions between body, place, and atmosphere. Before the film screening, a conversation with Meg Stuart, about project Mystery School will explore modes of presence, transmission, and artistic practice that resonate through the work.

Following the screening of the film, there will be a conversation with Meg Stuart about the Mystery School project, exploring modes of presence, transmission, and artistic practice that resonate throughout the work.

10.05.2026 | by martalanca | MEG STUART

MEG STUART - SULPHUR EDGES

13 MAY 2026
WED 19:00 Culturgest Moderation: Liliana Coutinho 


Sulphur Edges is a choreographic encounter shaped with and through place. Created during Forum Dança’s PACAP 8 / Mystery School residency, the 60-minute film unfolds across São Miguel’s thermal sites, oceanfront pools, traces of a mine, and the shell of an abandoned hotel. These places act as co-agents in a process of sensing and transmission. Guided by Meg Stuart’s direction, the performers respond to the elemental conditions of each site. Movement arises from relation — to temperature, texture, invisible forces, and to one another. The camera moves as a choreographic partner, tracing tensions between body, place, and atmosphere. Before the film screening, a conversation with Meg Stuart, about project Mystery School will explore modes of presence, transmission, and artistic practice that resonate through the work.

Following the screening of the film, there will be a conversation with Meg Stuart about the Mystery School project, exploring modes of presence, transmission, and artistic practice that resonate throughout the work.

10.05.2026 | by martalanca | MEG STUART