“Trocar as teclas do piano pelas pinças” conversa com Cláudia Alves, a propósito do filme "Damas"

“Trocar as teclas do piano pelas pinças” conversa com Cláudia Alves, a propósito do filme "Damas" O repórter do filme existiu mesmo. Acompanhou-as até Ambleteuse e depois regressou. Numa das crónicas ele escreve que, em Paris, os homens se encontravam nos cafés e sentiam alguma liberdade, que havia leveza no ar e que viviam ao máximo durante os cinco ou seis dias de folga, antes de voltarem para as trincheiras. Em Madrid, diz ele, sempre na terceira pessoa, as senhoras são muito cumprimentadas na rua. Isto ajudou-me imenso porque finalmente tinha alguém a escrever sobre estas mulheres. Depois comecei a pensar como é que elas escreveriam, ou, como é que uma delas teria escrito se não tivesse sido ele a fazê-lo. Comecei pela descrição dos dias de viagem, do ambiente do comboio, da passagem por Madrid, por San Sebastián, o descarrilamento de um comboio que provocou muitas horas de atraso… Em Hendaia foram ao câmbio trocar dinheiro, visitaram um casino que estava a ser convertido em hospital de guerra, e que ainda hoje existe junto à praia… e eu filmei essas referências.

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01.06.2026 | por Tiago Lança