Marcelo Evelin/Demolition Incorporada: Uirapuru

TEATRO SÃO LUIZ - SALA LUÍS MIGUEL CINTRA

Como imaginar os sons e as danças dos seres míticos que habitam as florestas brasileiras?

Uirapuru é uma peça inspirada nas entidades que habitam as florestas do Brasil e no imaginário mítico das matas brasileiras. A floresta como cosmologia particular – selvagem e encantada –, e como regresso a um interior profundo e desconhecido. O Uirapuru é um pássaro brasileiro, considerado o cantor da floresta. Uirapuru significa “homem transformado em pássaro” ou “ave enfeitada” em Tupi-Guarani, a língua dos povos originários do Brasil. Tem sua existência envolta em uma lenda indígena, a estória do encantamento de um dos amantes de um amor impossível em uma ave rara, cujo canto fizesse os ouvintes delirar. Um pássaro mítico, quase nunca visto, de canto belo, conhecido por trazer boa sorte a quem o escuta, símbolo de um Brasil que apesar de destroçado ainda canta.

Marcelo Evelin

Uirapuru é sobre pensar o canto como território, como possibilidade de reinvenção e resiliência. Um convite para nos concentrarmos, para nos prepararmos para escutar o mundo, algo para o qual tendemos a ter cada vez menos tempo.

Conversas Pós-Espetáculo

Dia 25 de novembro o espetáculo é seguido de uma conversa com Marcelo Evelin e Dori Nigro moderada por Raquel Lima.
Marcelo Evelin nos falará sobre como habitar em pássaro, desde a criação da sua peça Uirapuru, e Dori Nigro, performer e educador, é convidado a partilhar a sua leitura cuidada deste espetáculo, na qual relaciona cultura ioruba, candomblé afro-brasileiro, a simbologia do feminino, o animismo, o afrofuturismo, entre outros mitos. A conversa nos permitirá aprofundar e complexificar uma narrativa, que nos entrega várias camadas para refletirmos o canto do pássaro como território, como possibilidade de reinvenção e resiliência num período histórico de extinções e alterações climáticas.

Ficha artística

Conceção e coreografia Marcelo Evelin Criação e interpretação Bruno Moreno, Fernanda Silva, Gui de Areia, Luis Carlos Garcia, Márcio Nonato, Rosângela Sulidade e Vanessa Nunes Dramaturgia Carolina Mendonça Assistência Bruno Moreno Luz Márcio Nonato Som Danilo Carvalho Figurinos Gui de Areia Direção técnica e produção Andrez Ghizze Preparação e ensaios Mariana Alves
Ilustração Elza Hieramente Fotografia Maurício Pokemon Recepção/CAMPO Produção João Marcos Direção de produção Regina Veloso/Casa de Produção Administração e logística Humilde Alves Produção e difusão Materiais Diversos Residências artísticas CAMPO arte (Teresina), Teatro Municipal do Porto - Teatro Campo Alegre, La Vignette (Montpellier) Coprodução Teatro Municipal do Porto, Festival Montpellier Danse 2022 e Festival d’Automne à Paris

22.11.2023 | por martalanca | Brasil, florestas, Marcelo Evelin