Funaná, African avatar in a pluralistic Cape Verde

Depois de mais de 25 anos a partilhar a aventura kriola da vida nas ilhas e de viver em diferentes ilhas do arquipélago — entre elas Santiago, onde residi por uns tempos na vila do Tarrafal —, chegou finalmente o momento de partilhar esta magnífica experiência.

Foram inúmeras as estadias, curtas e longas, na cidade da Praia, a capital, mas principalmente no interior, entre montes e ribeiras, e nas diferentes praias de surf. Incontáveis viagens — umas mais alucinantes do que outras — nas hiaces de transporte público, com a banda sonora imprescindível do funaná e do kotxi pó. Participações em festivais e festas locais, como simples espectador ou cameraman e, uma ou outra vez, como DJ/selektor. E o privilégio de conviver e fazer boas amizades com músicos do género, tanto nomes consagrados como desconhecidos ou tocadores espontâneos.

Todo esse conhecimento, os momentos únicos e as milhas percorridas foram ficando registados num banco de imagens que venho a acumular ao longo dos anos e que agora partilho com o resto do mundo.

O convite chegou da Pan African Music, o site PAM. Juntamente com Kino Sousa, amigo de outras andanças musicais e talvez um dos jornalistas e músicos mais interessantes da actualidade franco-lusófona, partimos à aventura numa road trip ao encontro de velhos amigos e conhecidos.

Foi também uma viagem de descoberta dos meandros e mistérios do funaná, dos seus novos protagonistas e dos seus representantes emblemáticos, nos lugares onde vivem, tocam e fazem circular esta música. Tudo isto na grande ilha de Santiago, berço do funaná e praticamente a única ilha do arquipélago onde ele é a banda sonora do dia a dia e uma razão de existir.

João Barbosa 

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01.10.2026 | par martalanca | Funáná