Trace

Nos dias entre 6 e 9 de Outubro acontecerá o Workshop TRACE Troubled Restitutions, Anthropological Critique, and Entangled Heritage (Restituições em Disputa, Crítica Antropológica e Patrimónios Entrelaçados)

Um Workshop fechado de três dias, concebido para garantir um ambiente seguro de partilha e intercâmbio. O objetivo imediato é refletir sobre as necessidades, as dificuldades e as estratégias bem-sucedidas relacionadas ao tema da restituição, bem como compartilhá-las. O nosso foco será a experiência de quem vive e trabalha nos países destinatários dos processos de restituição, seja ela material ou imaterial.

O projeto TRACE – Troubled Restitutions, Anthropological Critique, and Entangled Heritage é financiado pela Wenner-Gren Foundation por meio de uma Workshop Grant. O apoio permitiu reunir, em Lisboa, antropólogos, artistas e lideranças comunitárias dos países africanos de língua portuguesa, do Brasil e das suas diásporas, com o objetivo de reforçar a presença lusófona nos debates globais sobre restituição e reparação. Mais informações em: https://wennergren.org/grantee/laura-burocco/

Organizado por: 

Laura Burocco, CRIA polo Iscte 

Francisca Alves Cardoso,  CRIA polo NOVA FCSH

Catarina Simão, Artista e investigadora independente

Participantes 

Angola 

Gilson Lázaro (Universidade Agostinho Neto, FCS-UAN)

Israel Campos (University of Leeds, escritor e jornalista)

Brasil 

Glicéria Tupinambá (Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, MN/UFRJ)

Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha(Universidade Federal da Bahia UFBA)

Moara Tupinamba (artista visual e educadora)

Paola Barreto (Universidade Federal da Bahia, UFBA)

Moçambique 

Marilio Wane (ARPAC-Instituto de Investigação Sociocultural)

Otília Aquino (Documentalista e gestora cultural)

Portugal 

Frank Ntaluma (escultor e fundador da Favana - Grupo de Escultores Makonde, em Maputo)

Luzia Moniz (jornalista e socióloga)

Sandra Santos (Universidade de Coimbra)

Enquanto os dias de trabalho ( 6-7 e 8 pela manha ) serão apenas pelo/as participantes internacionais e nacionais convidado/as

8 de Outubro  entre as 18-21hs 

No Espaço Cultural @mbongi_67

RESTITUIÇÃO, MEMÓRIA E COMUNIDADE:

CONVERSA SOBRE RESTITUIÇÕES EM DISPUTA, CRÍTICA ANTROPOLÓGICA E PATRIMÓNIOS ENTRELAÇADOS 

Um momento para conversar, ouvir experiências diferentes e pensar em conjunto sobre os desafios e as possibilidades da restituição. Com a participação de convidada/os vindo da Angola, Brasil e Moçambique.

Como chegar : Praceta António Sérgio 4A, Monte Abraão, 2745-252 Queluz

Pegue a Linha de Sintra, trem 18290 com destino a Sintra. Desça na estação Monte Abrão. A partir da estação, caminhe cerca de 7 minutos até o local.

9 de Outubro entre 10-12hs 

RESTITUIÇÕES EM DISPUTA, CRÍTICA ANTROPOLÓGICA E PATRIMÓNIOS ENTRELAÇADOS REFLEXÕES APÓS O WORKSHOP

no Auditório do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Auditório ISCTE- ED 2 B2.03 – Avenida das Forças Armadas, Lisboa

Na sequência do workshop esta mesa-redonda assume a forma de uma conversa pública de devolução à comunidade académica. O objetivo é partilhar as reflexões, os debates e as questões que emergiram do encontro, abrindo espaço ao diálogo sobre os desafios éticos, políticos e epistemológicos que atravessam os processos de restituição e sobre a forma como os patrimónios se entrelaçam em diferentes geografias e histórias.

O projeto TRACE – Troubled Restitutions, Anthropological Critique, and Entangled Heritage é financiado pela Wenner-Gren Foundation por meio de uma Workshop Grant. O apoio permitiu reunir, em Lisboa, antropólogos, artistas e lideranças comunitárias dos países africanos de língua portuguesa, do Brasil e das suas diásporas, com o objetivo de reforçar a presença lusófona nos debates globais sobre restituição e reparação. Mais informações em: https://wennergren.org/grantee/laura-burocco/

Com a Participação de :

ANGOLA Gilson Lázaro, Israel Campos | BRASIL Glicéria Tupinambá, Marcelo

Nascimento Bernardo da Cunha, Moara Tupinambá, Paola Barreto | MOÇAMBIQUE

Marílio Wane, Otília Aquino | PORTUGAL Frank Ntaluma, Luzia Moniz, Sandra Santos.

A iniciativa é organizada por Laura Burocco (CRIA Iscte | IN2PAST), Francisca Alves Cardoso (CRIA NOVA FCSH) e Catarina Simão (artista visual e investigadora independente).
Durante o evento estará presente uma banca de livros da Editora Falas Afrikanas.
A entrada é livre e todas as pessoas interessadas estão convidadas a participar

 

 

 

 

 

28.09.2026 | par martalanca | Trace

Cinquenta anos a tecer a Resistência cultural em Cabo Verde

No Mindelo, uma exposição revisita a história da Cooperativa Resistência, fundada em 1976, e acompanha o caminho que a ligou ao atual Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design. Entre arquivos, tecelagem e criação digital, a mostra interroga o lugar do artesanato na construção da identidade cabo-verdiana.


Fundada um ano após a independência de Cabo Verde, a Cooperativa Resistência nasceu num momento em que construir o futuro do país implicava também procurar formas próprias de o representar. Manuel Figueira, Luísa Queirós, Bela Duarte, Clementina Chantre, Mercedes Leite e Alexandrina Freitas estiveram entre as pessoas que deram corpo a esse projeto. Cinquenta anos depois, a sua história é o ponto de partida de «50 Anos de Memória, Criação e Resistência», exposição apresentada pelo Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), no Mindelo, de 23 de julho a 14 de novembro de 2026.

A Cooperativa Resistência está na origem do que viria a ser o CNAD. A exposição percorre esse meio século sem tratar o artesanato como uma prática confinada ao passado. Nas técnicas, nos objetos e nos saberes transmitidos entre gerações, encontra uma história de afirmação cultural que continua a abrir possibilidades de criação.

Memória, criação e resistência são os três eixos da mostra. O primeiro reúne documentos, imagens, vozes e objetos ligados ao percurso da instituição. O segundo aproxima a tecelagem e a panaria das linguagens do design e das artes visuais contemporâneas. O terceiro pergunta o que significou, ao longo destas décadas, preservar conhecimentos, trabalhar com recursos escassos e inventar novas formas de expressão.

Na Galeria Bela Duarte, o percurso organiza-se em quatro núcleos. Inclui composições têxteis inspiradas num pano de obra ampliado e no clabédotche, uma instalação vídeo sobre a Cooperativa Resistência no antigo Consulado Inglês, uma obra digital baseada nos padrões do Pano de Terra e um dispositivo interativo com fotografias dos 50 anos da instituição. O arquivo surge, assim, lado a lado com obras que retomam e transformam os seus materiais.

O texto curatorial situa a fundação da cooperativa no contexto da construção nacional após a independência. Apresenta-a como um gesto de soberania cultural e estética: a possibilidade de valorizar práticas locais e de lhes dar um lugar central na vida artística do país. Ao cruzar esse legado com criações atuais, a exposição mostra como uma tradição pode continuar em movimento, nas mãos de quem a aprende, transmite e reinventa.

Com curadoria e direção artística de Artur Marçal e Elisângela Monteiro, «50 Anos de Memória, Criação e Resistência» integra o programa comemorativo promovido pelo CNAD. O programa culmina na 11.ª edição da URDI — Feira de Artesanato e Design de Cabo Verde, prevista para 25 a 29 de novembro de 2026.

«50 Anos de Memória, Criação e Resistência»
Galeria Bela Duarte, CNAD, Mindelo, São Vicente
23 de julho a 14 de novembro de 2026

 

24.09.2026 | par martalanca | Cooperativa Resistência, Mindelo

Viajantes Solitários

30 setembro e 1 outubro | 21h00

A partir de uma extensa recolha de histórias de vida e de estrada de camionistas, o Teatro do Vestido constrói um espectáculo sobre a solidão, a distância, a viagem e a inquietação de partir e regressar. Uma reflexão poética sobre vidas em permanente deslocação e sobre os lugares, pessoas e histórias que habitam os quilómetros percorridos. Estreou em 2015 e regressa agora, com o camião do espectáculo a instalar-se na Devesa, em Castelo Branco, para voltar a dar lugar às histórias, memórias e paisagens de quem vive a estrada.

Co-produção: Teatro Viriato, Centro de Artes de Ovar, Teatro Municipal do Porto, Teatro Nacional Dona Maria II. Mecenas: Patinter.

fotografia de Filipe Ferreirafotografia de Filipe FerreiraJoana Craveiro Joana Craveiro

 

23.09.2026 | par martalanca | Teatro do Vestido

Festival Política

Com a Embaixadora do Festival Mariana Moniz

Mais info

A programação do festival é composta por debates, performances, concertos, oficinas para adultos e crianças, exposições, cinema e visitas guiadas que promovam a literacia democrática e selecionados tendo em conta os eixos programáticos e o tema anual, visto que cada edição tem um tema-central: Abstenção (2017), Direitos Humanos (2018), Europa (2019), Ambiente (2020), Fronteiras (2021), Desinformação (2022), Pós-democracia (2023), Intervenção (2024), Revoluções em Curso (2025) e Constituição (2026). Todas as atividades são de entrada gratuita.

Em 2026 o Festival Política irá decorrer em Lisboa (24 a 26 de setembro), Loulé (22 a 24 de outubro), Coimbra (12 a 14 de novembro) e Torres Vedras (28 e 29 de novembro).

O Festival Política tem como objetivos nucleares a promoção da cidadania e a defesa dos direitos humanos, o festival tem os seguintes eixos de programação:

• Aprofundar a consciência cívica, incitar à participação eleitoral e reforçar a Democracia;

• Promover e defender os Direitos Humanos;,

• Combater a discriminação em todas as suas variantes e alcances, promovendo a tolerância e a aceitação e valorização do que é diferente;

• Promover a inclusão e o acesso à informação dos grupos sociais mais distanciados dos processos formais de decisão, nomeadamente os jovens e, em especial, portadores de deficiência e oriundos de territórios marginalizados;

• Reforço da participação social dos jovens, nomeadamente o seu envolvimento na comunidade, promovendo a sua participação ativa nos processos de tomada de decisão.

23.09.2026 | par martalanca | Festival Política

Escrever na Água e Mesa para Dois com Fernanda Almeida em conversa com Marta Lança

A partir do livro “Essas Pessoas na Sala de Jantar” fala-se das memórias, BUALA e impressões marcadas pelo movimento constante por várias geografias.

Escrever na Água - RDA África 

e no episódio 100 do Mesa para Dois (21/9).

Marta Lança e Fernanda Almeida Marta Lança e Fernanda Almeida


23.09.2026 | par martalanca | Essas Pessoas na Sala de Jantar

Cinemateca lança edição dedicada a Billy Woodberry

A Cinemateca Portuguesa apresenta no próximo sábado, dia 20 de junho às 17h na livraria Linha de Sombra, uma nova edição dedicada à obra de Billy Woodberry. A mais recente publicação resulta do programa “realizador convidado” de junho de 2025, que trouxe às salas da Cinemateca o realizador norte-americano onde propôs, na companhia de vários convidados especiais, uma viagem pessoal pelo seu cinema e inspirações suas.
Atualmente a viver e trabalhar em Lisboa, Billy Woodberry nasceu em 1950 em Dallas e ficou associado à designada “L.A. Rebellion”, fundamental na representação das vidas e comunidades afro-americanas, asiático-americanos, latino-americanas e de americanos nativos, surgido no seio da UCLA, na Califórnia, nos anos 1970-80. Nos últimos anos tem vindo a dedicar-se a um cinema mais documental, realizando filmes que dialogam com a História, a cultura afro-americana ou as questões coloniais, incluindo as questões coloniais portuguesas, a partir de um trabalho sobre imagens de arquivo.
 Com o formato de “livro de bolso”, esta edição bilingue reúne textos e entrevistas originais ou inéditos em português com a participação de, entre outros, Maria João Madeira (programadora do ciclo e organizadora da edição), Andy Rector, Sylvain George, Maria do Carmo Piçarra, Luís Mendonça, Josslyn Luckett, Giovanni Vimercati, Valteri Lepistö, além do próprio Billy Woodberry.
Para assinalar o lançamento, às 18h haverá uma sessão dupla integrada na rubrica COM A LINHA DE SOMBRA, com os títulos A STORY FROM AFRICA, de Billy Woodberry, e NOTRE MUSIQUE, de Jean-Luc Godard (a apresentar numa magnífica cópia 35mm, legendada em inglês e eletronicamente em português).
Veja aqui algumas páginas da edição.

21.09.2026 | par martalanca | billy woodberry

Contemporânea leva a Lisboa e ao Porto um programa de performances sobre memória resistência e transformação

Com curadoria de Alexandra Balona, MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM reúne, entre 19 de setembro e 10 de outubro, obras de Sammy Baloji, Shahd Wadi, James Newitt, Noor Abed, Haig Aivazian, Ali Cherri, Ana Isabel Castro e Marcelo Reis.

A Contemporânea apresenta, entre 19 de setembro e 10 de outubro, em Lisboa e no Porto, um programa de performances que cruza memória colonial, exílio, resistência palestiniana, transformação geológica e modos alternativos de perceção. Intitulado MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM, o ciclo tem curadoria de Alexandra Balona, integra o projeto ON HYBRIDITY AND THE POETICS OF RESISTANCE e desenvolve-se sob direção artística de Celina Brás.

O título parte de The Heart of the Heart of Another Country, obra publicada em 2005 pela artista e poeta libanesa Etel Adnan, cuja escrita atravessa experiências de conflito, migração, exílio e identidades híbridas. A frase escolhida — «O meu centro não está no sistema solar» — serve de ponto de partida para um programa que procura deslocar centros, escalas e narrativas dominantes. Em vez de uma geografia fixa, propõe um campo de relações entre o Atlântico e o Mediterrâneo, ligando Europa, Ásia ocidental e norte de África através de histórias marcadas por diferentes regimes de poder, mobilidade e visibilidade.

Ao reunir artistas com práticas e percursos distintos, o programa interroga versões eurocêntricas da história e os limites das fronteiras políticas e ideológicas. A performance surge aqui como linguagem capaz de aproximar corpo, voz, som, imagem e matéria, mas também de ensaiar outras temporalidades. São obras em que o passado não aparece como capítulo encerrado: persiste nos museus e nos arquivos, na paisagem, na garganta, na lama, nos gestos quotidianos e nas formas de escutar.

O ciclo organiza-se em três momentos. O primeiro decorre a 19 de setembro, no anfiteatro ao ar livre do CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, coincidindo com o segundo aniversário da reabertura do espaço. Seguem-se duas jornadas no Porto: a 3 de outubro, no Mosteiro de São Bento da Vitória, no programa da sua reabertura; e a 10 de outubro, na Rampa, espaço de arte independente.

Sammy Baloji revisita cinco séculos de relações entre a Europa e o Reino do Congo

A abertura, no CAM, faz-se com a estreia nacional de Missa Utica (2024), do artista congolês Sammy Baloji. A obra é um novo capítulo de Fragments of Interlaced Dialogues, investigação de longa duração desenvolvida a partir de objetos do Congo levados para a Europa ao longo dos últimos cinco séculos e hoje conservados em diferentes museus.

Depois de etapas em cidades como Florença e Paris, o percurso conduz Baloji a Utica, na Tunísia. Foi ali que, no século XVI, foi nomeado o primeiro bispo africano, num contexto de intensos intercâmbios entre a Europa cristã — em particular Portugal — e o Reino do Congo. A partir desta história, Missa Utica cruza o texto poético de Fiston Mwanza Mujila, a criação musical de Pytshens Kambilo e Barbara Drazkov, a interpretação de Bwanga Pilipili e a instalação cenográfica de Baloji. Entre concerto, instalação e performance, a obra aproxima memória colonial, espiritualidade e música, interrogando também os percursos dos objetos e as instituições que os guardam.

Palestina memória e voz no Mosteiro de São Bento da Vitória

O segundo momento do programa reúne, a 3 de outubro, três obras no Mosteiro de São Bento da Vitória. A tarde começa com a estreia absoluta de Matei o Pássaro (2026), leitura-performance de Shahd Wadi com o artista australiano James Newitt. Entre memória, luto, escrita e herança palestiniana, Wadi parte da figura do pássaro como símbolo de esperança e liberdade para perguntar o que acontece quando as metáforas deixam de responder à dimensão da catástrofe. A criação atravessa poemas, canções, vozes ancestrais, fantasmas e símbolos da resistência palestiniana, procurando aquilo que pode permanecer vivo depois do fim da esperança.

Segue-se a estreia nacional de Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025), de Noor Abed e Haig Aivazian. A performance nasce de uma correspondência continuada entre os dois artistas, feita de reflexões, episódios quotidianos, leituras, poemas, canções e recitações. Em cena, esse arquivo transforma-se numa partitura de som, texto e movimento.

O corpo é simultaneamente instrumento e arquivo. Suspiros, tosses, murmúrios e sibilos percorrem o nariz, a boca, a laringe, a traqueia e os pulmões, fazendo da voz um lugar de memória e resistência. Ao convidarem o público a participar em alguns momentos da experiência sonora, Abed e Aivazian procuram construir uma câmara de ressonância coletiva, um coro heterogéneo perante a violência genocida que atravessa as trajetórias de ambos.

A jornada prossegue com The Book of Mud (2025), estreia nacional do artista libanês Ali Cherri. A lama — matéria situada entre a terra e a água, associada tanto à origem da construção como a paisagens temidas e fantasmagóricas — conduz uma reflexão sobre civilização, poder, geologia e memória. Ao percorrer narrativas de pântanos, águas estagnadas e planícies, Cherri pergunta o que a matéria guardaria se tivesse memória própria e o que escolheria recordar. O encontro termina com um momento de convívio em torno da mesa.

Duas estreias na Rampa encerram o ciclo

A 10 de outubro, a Rampa recebe duas obras inéditas. Em street tease (2026), Ana Isabel Castro propõe um exercício de observação assente na proximidade e na disponibilidade perante aquilo que nos rodeia. A performance prolonga questões de Adoçar (2025), trabalho em que a palavra «adoçar» — usada, no lugar de onde vem a artista, como sinónimo de lavar — designa a retirada do sal e do suor do corpo com água doce. Se nesse projeto a limpeza abria espaço à observação, street tease aproxima esse gesto do público e procura torná-lo mais direto, íntimo e igualitário.

O programa encerra com Barragem dos Minutos (2026), vídeo-performance de Marcelo Reis que dá continuidade à sua investigação sobre o ruído. Depois de trabalhar com quedas de água, o artista procura agora um ruído não sonoro num corpo de água, encontrado à primeira luz da manhã na Barragem dos Minutos, em Montemor-o-Novo. Uma voz sintetizada convoca autores como Hito Steyerl, Aaron Zwintscher e Warren Weaver e explora a tensão entre ruído e apofenia — a tendência para reconhecer padrões onde eles não existem. No limite do audível, a própria voz deixa em aberto a dúvida sobre aquilo que é realmente escutado e aquilo que a imagem e as legendas levam o público a ouvir.

Entre Lisboa e Porto, MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM constrói assim uma cartografia descontínua, feita de histórias coloniais, deslocações, matéria, perda e persistência. Mais do que oferecer respostas comuns, o programa aproxima práticas que usam a performance para descentrar o olhar e tornar sensíveis relações que as narrativas dominantes tendem a apagar.

Programa

CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Sábado, 19 de setembro

  • 20h00 — Sammy Baloji, Missa Utica (2024), estreia nacional

Mosteiro de São Bento da Vitória, Porto

Sábado, 3 de outubro

  • 16h00 — Abertura
  • 16h30 — Shahd Wadi com James Newitt, Matei o Pássaro (2026), estreia absoluta
  • 17h30 — Noor Abed e Haig Aivazian, Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025), estreia nacional
  • 18h30 — Ali Cherri, The Book of Mud (2025), estreia nacional
  • 20h00 — Convívio

Rampa, Porto

Sábado, 10 de outubro

  • 15h00–19h00 — Ana Isabel Castro, street tease (2026), estreia absoluta
  • 19h00 — Marcelo Reis, Barragem dos Minutos (2026), estreia absoluta

18.09.2026 | par martalanca | performance, Sammy Baloji, Shahd Wadi

De Noémia Delgado a Margaret Tait, de Brigitte Bardot a Lino Brocka

Em outubro, já feita a rentrée, a Cinemateca Portuguesa conta com dois ciclos que tocam no lado mais poético do cinema: o cinema etnográfico, literário e fantástico da realizadora e artista portuguesa Noémia Delgado e a abordagem pessoal e experimental da cineasta e poeta escocesa Margaret Tait. A programação mensal conta ainda com um ciclo dedicado a Brigitte Bardot, Lado B.B., e a retrospetiva Lino Brocka – Matem o Artista Nacional. O mês não termina sem um revisitar das paragens da Viagem ao Fim do Mudo e a celebração do Dia Mundial do Património Audiovisual com a exibição, entre outros títulos, de A LENDA DE MIRAGAIA, um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta em maio e subsequente doação à Cinemateca.   

O Lado B.B. decorre de 1 a 17 de outubro e explora a carreira de Bardot no cinema francês, da eclosão na Nouvelle Vague à instituição da iconicidade da sua imagem. A programação mostra a amplitude da sua filmografia, com filmes como ET DIEU… CRÉA LA FEMME, LE MÉPRIS, DEAR BRIGITTE, VIE PRIVÉE, LE REPOS DU GUERRIER, VIVA MARIA! e LA VÉRITÉ. O ciclo, apresentado em colaboração com a Festa do Cinema Francês, inclui ainda um “Spécial Bardot”, e A SIMPLE FAVOR, de Paul Feig, filme que contém três canções de Bardot (incluindo um dueto com Serge Gainsbourg). 

Em concomitância, acontece de 2 a 14 de outubro, Noémia Delgado, O Cinema no Singular, o ciclo dedicado à realizadora portuguesa, com um programa extremamente abrangente da sua obra, do seu trabalho na área do cinema (documental sobretudo, mas também ficcional, enquanto assistente de realização ou montadora) aos seus trabalhos televisivos (como em “Palavras Herdadas” ou “Contos Fantásticos”) relacionados com a cultura e o património portugueses. A retrospetiva, que inicia e termina com MÁSCARAS (o seu primeiro e mais reconhecido título enquanto realizadora) reflete o seu cinema poético e etnográfico, marcado por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes (figuras como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha e Almeida Garrett). Destacamos a apresentação integral dos seus sete “Contos Fantásticos”, que fizeram de Noémia uma pioneira de um género pouco comum em Portugal, o cinema fantástico, estando o seu nome associado a um importante prémio para o cinema de terror no feminino. Estão também presentes curtas-metragens e séries que realizou sobre arte, arquitetura, património e artesanato – com MAFRA E O BARROCO EUROPEU, “Arte Nova e Déco no Norte de Portugal” e “Trabalho do Ouro e da Prata no Norte” –, e outras raridades, sublinhando como foi sempre transitando entre o cinema, a escultura, a pintura o desenho e a escrita.

   

Lino Brocka – Matem o Artista Nacional é a retrospetiva programada em conjunto pela Cinemateca e o DocLisboa e que será apresentada nas salas da Barata Salgueiro, escancarando as portas do cinema de Lino Brocka entre 16 e 30 de outubro. Organizada em diálogo com Khavn De La Cruz, artista filipino multifacetado e especialista na obra de Brocka, é apresentado um conjunto significativo da obra do realizador filipino. Percorrem-se diferentes géneros e momentos da sua filmografia, mostrando a amplitude da sua produção cinematográfica – do infinitamente pessoal ao social e político numa escala mais alargada – como INSIANG, MACHO DANCER, CAIN AND ABEL, WANTED: PERFECT MOTHER, MY MOTHER, MY FATHER, ORAPRONOBIS, JAGUAR ou MANILA IN THE CLAWS OF LIGHT. Durante o ciclo será publicado um Caderno da Cinemateca sobre o trabalho do cineasta.

No final do mês, de 26 a 31 de outubro, teremos um ciclo dedicado à obra secreta de Margaret Tait, realizadora e poeta escocesa cujos filmes são marcados por uma abordagem diarística, experimental e naturalmente poética. O programa reúne curtas-metragens (muitas delas a exibir em cópias de 16mm), retratos, diários e trabalhos ligados à memória, aos lugares e à experiência quotidiana, como THREE PORTRAIT SKETCHES, COLOUR POEMS, WHERE I AM IS HERE, ou MY ROOM. VIA ANCONA 21. Mas nem só de filmes assinados por Tait se faz este ciclo, que estabelece ligações com outros filmes que dialogam com as obras da realizadora. Um exemplo recente é AFTERSUN, de Charlotte Wells, que cita um dos livros de Tait (Poems, Stories and Writings), sendo que Wells assumiu a influência desta no seu trabalho. Outro diálogo surge através do emparelhamento de ONE IS ONE (1951) de Tait com VIAGGIO IN ITALIA (1954) de Rossellini, já que Tait estudou cinema em Itália entre 1949 e 1952 e conheceu pessoalmente o cineasta italiano. O programa inclui, claro, a única longa-metragem de Margaret Tait, o belíssimo palimpsesto geracional BLUE BLACK PERMANENT, bem como filmes-homenagem assinados por autores como Luke Fowler, Ute Aurand e Peter Todd. Todd, grande especialista na obra de Tait, estará em Lisboa para acompanhar o ciclo e apresentar os seus próprios filmes.

O ciclo Viagem ao Fim do Mudo em outubro desdobra-se nas exibições de EROTIKON, de Mauritz Stiller, RAPSODIA SATANICA, de Nino Oxilia, e FRAU IM MOND, de Fritz Lang, três filmes mudos europeus que exploram uma dimensão experimental. Sempre com acompanhamento ao piano.

O Dia Mundial do Património Audiovisual, a 27 de outubro, decorre este ano em ligação direta com o programa de comemoração dos 30 anos do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento. A data será marcada com a exibição de A LENDA DE MIRAGAIA (de Raul Faria da Fonseca e António Cunhal), um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta no passado mês de maio e subsequente doação à Cinemateca. Juntam-se na mesma sessão uma seleção de curtas-metragens portuguesas de animação: TÓ E TINA (Servais Tiago), CANTIGA DA LAGARTA (Artur Correia e Ricardo Neto), ESTÓRIA DO GATO E DA LUA (Pedro Serrazina), A NOITE (Regina Pessoa) e CLANDESTINO (Abi Feijó), numa celebração do cinema de animação português. No mesmo dia, mas noutra sessão, é apresentado LETTY LYNTON (1932, Clarence Brown), protagonizado por Joan Crawford, filme que esteve embargado mais de 90 anos e que só recentemente é possível mostrar.

18.09.2026 | par martalanca | De Noémia Delgado, Margaret Tait

De Noémia Delgado a Margaret Tait, de Brigitte Bardot a Lino Brocka

Em outubro, já feita a rentrée, a Cinemateca Portuguesa conta com dois ciclos que tocam no lado mais poético do cinema: o cinema etnográfico, literário e fantástico da realizadora e artista portuguesa Noémia Delgado e a abordagem pessoal e experimental da cineasta e poeta escocesa Margaret Tait. A programação mensal conta ainda com um ciclo dedicado a Brigitte Bardot, Lado B.B., e a retrospetiva Lino Brocka – Matem o Artista Nacional. O mês não termina sem um revisitar das paragens da Viagem ao Fim do Mudo e a celebração do Dia Mundial do Património Audiovisual com a exibição, entre outros títulos, de A LENDA DE MIRAGAIA, um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta em maio e subsequente doação à Cinemateca.   

O Lado B.B. decorre de 1 a 17 de outubro e explora a carreira de Bardot no cinema francês, da eclosão na Nouvelle Vague à instituição da iconicidade da sua imagem. A programação mostra a amplitude da sua filmografia, com filmes como ET DIEU… CRÉA LA FEMME, LE MÉPRIS, DEAR BRIGITTE, VIE PRIVÉE, LE REPOS DU GUERRIER, VIVA MARIA! e LA VÉRITÉ. O ciclo, apresentado em colaboração com a Festa do Cinema Francês, inclui ainda um “Spécial Bardot”, e A SIMPLE FAVOR, de Paul Feig, filme que contém três canções de Bardot (incluindo um dueto com Serge Gainsbourg). 

Em concomitância, acontece de 2 a 14 de outubro, Noémia Delgado, O Cinema no Singular, o ciclo dedicado à realizadora portuguesa, com um programa extremamente abrangente da sua obra, do seu trabalho na área do cinema (documental sobretudo, mas também ficcional, enquanto assistente de realização ou montadora) aos seus trabalhos televisivos (como em “Palavras Herdadas” ou “Contos Fantásticos”) relacionados com a cultura e o património portugueses. A retrospetiva, que inicia e termina com MÁSCARAS (o seu primeiro e mais reconhecido título enquanto realizadora) reflete o seu cinema poético e etnográfico, marcado por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes (figuras como Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Camilo Pessanha e Almeida Garrett). Destacamos a apresentação integral dos seus sete “Contos Fantásticos”, que fizeram de Noémia uma pioneira de um género pouco comum em Portugal, o cinema fantástico, estando o seu nome associado a um importante prémio para o cinema de terror no feminino. Estão também presentes curtas-metragens e séries que realizou sobre arte, arquitetura, património e artesanato – com MAFRA E O BARROCO EUROPEU, “Arte Nova e Déco no Norte de Portugal” e “Trabalho do Ouro e da Prata no Norte” –, e outras raridades, sublinhando como foi sempre transitando entre o cinema, a escultura, a pintura o desenho e a escrita.

   

Lino Brocka – Matem o Artista Nacional é a retrospetiva programada em conjunto pela Cinemateca e o DocLisboa e que será apresentada nas salas da Barata Salgueiro, escancarando as portas do cinema de Lino Brocka entre 16 e 30 de outubro. Organizada em diálogo com Khavn De La Cruz, artista filipino multifacetado e especialista na obra de Brocka, é apresentado um conjunto significativo da obra do realizador filipino. Percorrem-se diferentes géneros e momentos da sua filmografia, mostrando a amplitude da sua produção cinematográfica – do infinitamente pessoal ao social e político numa escala mais alargada – como INSIANG, MACHO DANCER, CAIN AND ABEL, WANTED: PERFECT MOTHER, MY MOTHER, MY FATHER, ORAPRONOBIS, JAGUAR ou MANILA IN THE CLAWS OF LIGHT. Durante o ciclo será publicado um Caderno da Cinemateca sobre o trabalho do cineasta.

No final do mês, de 26 a 31 de outubro, teremos um ciclo dedicado à obra secreta de Margaret Tait, realizadora e poeta escocesa cujos filmes são marcados por uma abordagem diarística, experimental e naturalmente poética. O programa reúne curtas-metragens (muitas delas a exibir em cópias de 16mm), retratos, diários e trabalhos ligados à memória, aos lugares e à experiência quotidiana, como THREE PORTRAIT SKETCHES, COLOUR POEMS, WHERE I AM IS HERE, ou MY ROOM. VIA ANCONA 21. Mas nem só de filmes assinados por Tait se faz este ciclo, que estabelece ligações com outros filmes que dialogam com as obras da realizadora. Um exemplo recente é AFTERSUN, de Charlotte Wells, que cita um dos livros de Tait (Poems, Stories and Writings), sendo que Wells assumiu a influência desta no seu trabalho. Outro diálogo surge através do emparelhamento de ONE IS ONE (1951) de Tait com VIAGGIO IN ITALIA (1954) de Rossellini, já que Tait estudou cinema em Itália entre 1949 e 1952 e conheceu pessoalmente o cineasta italiano. O programa inclui, claro, a única longa-metragem de Margaret Tait, o belíssimo palimpsesto geracional BLUE BLACK PERMANENT, bem como filmes-homenagem assinados por autores como Luke Fowler, Ute Aurand e Peter Todd. Todd, grande especialista na obra de Tait, estará em Lisboa para acompanhar o ciclo e apresentar os seus próprios filmes.

O ciclo Viagem ao Fim do Mudo em outubro desdobra-se nas exibições de EROTIKON, de Mauritz Stiller, RAPSODIA SATANICA, de Nino Oxilia, e FRAU IM MOND, de Fritz Lang, três filmes mudos europeus que exploram uma dimensão experimental. Sempre com acompanhamento ao piano.

O Dia Mundial do Património Audiovisual, a 27 de outubro, decorre este ano em ligação direta com o programa de comemoração dos 30 anos do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento. A data será marcada com a exibição de A LENDA DE MIRAGAIA (de Raul Faria da Fonseca e António Cunhal), um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta no passado mês de maio e subsequente doação à Cinemateca. Juntam-se na mesma sessão uma seleção de curtas-metragens portuguesas de animação: TÓ E TINA (Servais Tiago), CANTIGA DA LAGARTA (Artur Correia e Ricardo Neto), ESTÓRIA DO GATO E DA LUA (Pedro Serrazina), A NOITE (Regina Pessoa) e CLANDESTINO (Abi Feijó), numa celebração do cinema de animação português. No mesmo dia, mas noutra sessão, é apresentado LETTY LYNTON (1932, Clarence Brown), protagonizado por Joan Crawford, filme que esteve embargado mais de 90 anos e que só recentemente é possível mostrar.

18.09.2026 | par martalanca | De Noémia Delgado, Margaret Tait

NA MARÉ, de César Schofield Cardoso, no CNAD

Exibição do filme documentário NA MARÉ, de César Schofield Cardoso, no dia 25 de setembro, pelas 19h00, no Pátio Multiuso Vasco Martins, CNAD (Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design).

Após a projeção, será realizado um debate com dois convidados: a professora investigadora da Universidade de Cabo Verde, Celeste Fortes e o psicólogo e cineasta, Olavo da Luz.

NA MARÉ foi realizado no âmbito de uma residência de investigação artística, desenvolvida entre janeiro e maio de 2026, na comunidade de Salamansa, em Mindelo, em preparação para o projeto que o autor apresentará na Bienal de Sharjah 17, nos Emirados Árabes Unidos, em janeiro de 2027.O filme conta com a participação de Alcinda Évora, Arlindo David, Auxílio Matias, Daniel Bandeira, Daniel David, Joanita Gomes, Manuel Évora e Manuel dos Santos.Na equipa técnica, participam David Medina, Alex de Figueiredo, Natalia Andrade, Cátia Lush e Eurittse Silva.

17.09.2026 | par martalanca | Artesanato e Design, Celeste Fortes, Centro Nacional de Arte, César Schofield Cardoso, Olavo da Luz