Conferência & Homenagem a Christine Messiant

Em homenagem a Christine Messiant (1947–2006), reputada socióloga e investigadora francesa reconhecida como uma das maiores autoridades internacionais na sociologia política de Angola pós-colonial. Cofundadora da revista Lusotopie e membro do Centre d’Études Africaines, dedicou décadas ao estudo crítico do nacionalismo, da transição democrática e da história social angolana.
Convidamo-lo(a) para um momento fundamental de reflexão e memória: «Memórias e narrativas da construção nacional. A angolanidade no olhar das ciências sociais».
Prelectores:•⁠  ⁠Didier Péclard: Politólogo suíço, investigador e professor associado de ciência política e estudos africanos na Universidade de Genebra (UNIGE).•⁠  ⁠Michel Cahen: Historiador francês, analista político e diretor de investigação emérito no CNRS, perito em África lusófona contemporânea.•⁠  ⁠Chloé Buire: Geógrafa, investigadora e especialista em estudos urbanos e cidadania na África Austral (CNRS / Sciences Po Bordeaux).  
Moderação:Nelson Pestana: Politólogo, jurista e doutorado em Ciências Políticas pela Universidade de Montpellier I.
Terça-feira, 6 de Outubro17h00 - 19h00 Museu de Antropologia (R. Friedrich Engels, nº 61, Mutamba, Luanda) Entrada Gratuita @franceenangola 
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01.10.2026 | par martalanca | Christine Messiant

Começa hoje a Festa do Cinema Francês

A programação desta 27.ª edição parte de um cinema francês e francófono plural, feito de grandes autores e novas vozes, de diferentes geografias, géneros e gerações. 

A resistência é uma das linhas programáticas que atravessam esta edição. A partir de De Gaulle: Resistência, de Antonin Baudry, encontramos diferentes formas de resistir - perante a História, a injustiça, as convenções sociais, as desigualdades ou os limites impostos pelas circunstâncias. Uma resistência que pode ser política e coletiva, mas também íntima e quotidiana. Através das várias secções do festival, esta dimensão cruza-se com questões de liberdade, emancipação e transformação, dando espaço a vozes femininas, a percursos de mulheres que desafiaram o seu tempo e à relação entre a ação humana e a natureza.

Mas se há coisa que o cinema francês também sabe fazer é não se levar demasiado a sério. Rir à Grande e à Francesa reúne comédias que encontram humor no absurdo, nas relações humanas, na sociedade e, por vezes, no próprio cinema. Porque rir de nós próprios — e até das convenções da sétima arte — pode ser uma forma particularmente francesa de olhar o mundo.

Esta edição reforça a dimensão francófona da Festa. A abertura da Competitiva a todo o espaço francófono permite descobrir primeiras e segundas obras de geografias tão diversas como o Congo, o Canadá ou o Gana. A francofonia atravessa, porém, toda a programação, chegando ao cinema marroquino através da escolha de Leïla Slimani, que apresenta Derrière les palmiers, de Meryem Benm’Barek. Mais do que um território delimitado pela língua, a francofonia surge como um espaço de encontro e criação, feito de múltiplas culturas, territórios e experiências.

Ao lado de cineastas consagrados como Asghar Farhadi, Jean-Pierre Jeunet, Arthur Harari e Quentin Dupieux, a Festa apresenta autores e autoras de diferentes gerações, dando espaço a novas vozes que renovam o cinema contemporâneo.

Um cinema que se reinventa, mas que também revisita o seu património, colocando em diálogo as obras que marcam o presente com os filmes que atravessaram décadas e continuam a encontrar novos espectadores. La Belle Époque regressa a filmes que fazem parte do imaginário cinéfilo — de O Ódio a Delicatessen e Microcosmos, que celebra este ano 30 anos —, obras de culto que continuam a surpreender e a revelar novas camadas quando regressam à sala de cinema.

Na programação dedicada aos mais novos, Destemidas, baseada nos livros de Pénélope Bagieu, recupera as histórias de 30 mulheres que desafiaram convenções, preconceitos e destinos que lhes eram impostos, prolongando uma das preocupações desta edição: mostrar como o cinema pode dar a conhecer outras vidas, experiências e formas de transformar o mundo.

Com esta seleção, procuramos acima de tudo, criar pontes: entre passado e presente, autores reconhecidos e cineastas emergentes, cinema francês e cinematografias de todo o espaço francófono, diferentes gerações e públicos. Depois de Lisboa, a Festa viaja pelo país, levando filmes a mais de 15 cidades e contribuindo para uma oferta cultural mais diversificada e descentralizada.

É este o trabalho que a Associação Il Sorpasso tem desenvolvido ao longo dos anos: criar, organizar e fazer circular projetos culturais que aproximem o público do cinema e promovam o encontro entre profissionais e espectadores. A Festa do Cinema Francês é hoje uma das expressões mais importantes desse compromisso.

Esperamos que esta 27.ª edição seja, para cada espectador, uma oportunidade de descoberta — de um filme, de um autor, de uma cultura ou simplesmente de uma nova maneira de olhar o mundo.

Anette Dujisin, Stefano Savio, Charlotte Serrand
Associação Il Sorpasso

L’INCONNUE, DE ARTHUR HARARI, CHEGA À FESTA DO CINEMA FRANCÊS APÓS CONQUISTAR CANNES

O filme, distinguido em Cannes pelas interpretações de Léa Seydoux e Niels Schneider, integra uma 27.ª edição que reúne ainda novas obras do cinema francófono, clássicos, filmes de culto, sessões especiais e uma programação dedicada aos mais novos.

A Festa do Cinema Francês anuncia a entrada de L’Inconnue, de Arthur Harari, na secção Premières da sua 27.ª edição. Estreado mundialmente na Competição do Festival de Cannes 2026, o filme conquistou o prémio conjunto de interpretação para Léa Seydoux e Niels Schneider, afirmando-se como um dos títulos mais singulares do cinema francês deste ano.

A receção crítica em França veio reforçar o impacto da passagem por Cannes: L’Inconnue recebeu a classificação máxima de cinco estrelas de seis publicações cinematográficas de referência — Cahiers du Cinéma, Les Inrockuptibles, Libération, Mad Movies, Positif e So Film.

Depois de Onoda, filme distinguido com o Prémio Louis-Delluc e apresentado em Cannes, e de ter co-assinado o argumento de Anatomia de uma Queda, vencedor da Palma de Ouro em 2023 e do Óscar de Melhor Argumento, Arthur Harari regressa à realização com uma obra radicalmente singular.

Adaptado da novela gráfica Le Cas David Zimmerman, escrita pelo seu irmão Lucas Harari, L’Inconnue parte de uma premissa tão simples quanto perturbadora: David Zimmerman, um fotógrafo de quase 40 anos que vive afastado do mundo, é levado por amigos a uma festa. Aí fixa o olhar numa mulher desconhecida e decide segui-la. Algumas horas depois, acorda no corpo dela.

A partir deste insólito body swap, género tradicionalmente associado à comédia, Harari constrói uma experiência cinematográfica física e psicologicamente inquietante, onde a transformação do corpo se torna uma forma de questionar identidade, género, desejo e perceção. A própria cidade surge como um organismo em transformação, atravessado por memórias, desaparecimentos e mudanças que alteram tanto os lugares como aqueles que neles vivem.

No centro desta experiência estão Léa Seydoux e Niels Schneider, confrontados com personagens em transformação física e emocional. O reconhecimento conjunto em Cannes sublinha a dimensão performativa de um filme em que corpo, identidade e perceção se tornam matéria cinematográfica.

Coprodução entre França e Itália, L’Inconnue integra uma secção Premières que reúne filmes em ante-estreia absoluta em Portugal, vindos dos principais festivais internacionais e assinados por alguns dos autores mais relevantes do cinema francófono contemporâneo. Ao lado de Arthur Harari, a programação inclui novas obras de Asghar Farhadi, Jean-Pierre Jeunet e Quentin Dupieux, entre outros.

Sessões Especiais: resistência, liberdade e transformação

A programação de Sessões Especiais amplia o olhar da Festa para filmes e autores que colocam em primeiro plano a relação entre cinema, sociedade e ação individual, com particular atenção a diferentes formas de resistência, emancipação e transformação.

A Festa presta homenagem a Marjane Satrapi, recentemente desaparecida, com Persépolis, um dos mais marcantes retratos cinematográficos do exílio e da liberdade. 

A revolução e a emancipação atravessam também Une vie manifeste, de Jean-Gabriel Périot, que recupera o destino incomum de Michèle Firk através de uma montagem construída a partir de arquivos cinematográficos e fotográficos. Da Segunda Guerra Mundial à Guerra da Argélia, dos bancos do IDHEC às guerrilhas das FAR na Guatemala e à Cuba dos anos de Castro e Che Guevara, o filme recompõe o percurso de uma mulher insubmissa e politicamente comprometida.

A condição feminina está igualmente no centro de Mémoire de fille, realizado a partir da colaboração entre Judith Godrèche, uma das principais vozes do movimento #MeToo em França, e Annie Ernaux, Prémio Nobel da Literatura em 2022. O filme parte das memórias de Ernaux sobre a sua primeira experiência sexual, em 1958, para construir uma reflexão sobre memória, consentimento e a forma como uma experiência pode ser revisitada ao longo de uma vida.

A relação entre ação humana e natureza marca, por sua vez, O Canto das Florestas. Depois de A Pantera das Neves, Vincent Munier regressa às florestas dos Vosges acompanhado pelo pai, o naturalista Michel Munier, e pelo filho Simon. Três gerações percorrem o mesmo território numa experiência de

observação da natureza que combina cinema, fotografia e música, com banda sonora de Warren Ellis. Vencedor dos Césares de Melhor Filme Documental e Melhor Som, o filme foi também um enorme sucesso de bilheteira em França.

Leïla Slimani propõe um olhar sobre o cinema marroquino

A presença do espaço francófono na 27.ª edição estende-se também ao cinema marroquino, através de uma escolha de Leïla Slimani, escritora franco-marroquina que integra este ano o júri da secção competitiva.

Convidada pela Festa a escolher um filme que permita descobrir uma cinematografia em crescente afirmação internacional, Slimani apresenta Derrière les palmiers, de Meryem Benm’Barek, estreado na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes.

O filme mergulha numa Tânger onde desejo, dinheiro e poder se cruzam. A partir de um triângulo amoroso envolvendo uma jovem francesa de uma família abastada e um casal marroquino de origem humilde, Meryem Benm’Barek constrói um retrato de uma sociedade marcada por profundas desigualdades. A escolha de Slimani acrescenta à programação um olhar sobre a vitalidade contemporânea do cinema marroquino e sobre um território francófono cuja presença nos grandes festivais internacionais tem vindo a ganhar crescente expressão.

Júri secção Competitiva e convidados

A 27.ª Festa do Cinema Francês contará com a presença de vários realizadores e atores que acompanharão algumas das sessões e estarão à conversa com o público. Entre os nomes confirmados estão Laetitia Masson (Ulysse), Jean-Paul Salomé (The Money-Maker – O Falsificador), Martin Darondeau (De La Comédie-Française), Jean-Gabriel Périot (Une Vie Manifeste) e o ator Antoine Reinartz (La Troisième Nuit e Bataclan: Os que Viveram).

A Secção Competitiva, dedicada a primeiras e segundas obras de realizadores francófonos, será avaliada por um júri composto pela escritora e jornalista franco-marroquina Leïla Slimani, vencedora do Prémio Goncourt em 2016, pela programadora e codiretora do IndieLisboa Susana Santos Rodrigues e pelo ator e jornalista Tiago Manaia. Ao longo do festival, o júri acompanhará os seis filmes em competição, antes de atribuir o prémio à melhor primeira ou segunda obra.

La Belle Époque: filmes que resistem ao tempo

Na secção La Belle Époque, a Festa regressa a obras que continuam a encontrar novos espectadores e a demonstrar a sua capacidade de atravessar gerações.

Entre os títulos apresentados estão Delicatessen, de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, O Ódio, de Mathieu Kassovitz, e Microcosmos, de Claude Nuridsany e Marie Pérennou.

Primeira longa-metragem de Jeunet e Caro, Delicatessen revelou um universo visual e narrativo singular, entre o humor negro, o absurdo e a fantasia. Situado numa cidade pós-apocalíptica onde a comida escasseia, o filme tornou-se uma obra de culto e será apresentado em diálogo com a estreia do mais recente filme de Jean-Pierre Jeunet, A Breve Vida das Flores, na secção Premières.

Também situado num espaço urbano, mas marcado pela tensão social, O Ódio acompanha uma noite de confrontos entre jovens de um bairro periférico e a polícia. Vencedor do Prémio de Melhor Realização em Cannes em 1995, o filme de Mathieu Kassovitz tornou-se uma referência incontornável do cinema francês e continua a ser revisitado pelo modo como representa desigualdade, violência e exclusão social.

Marca-se também o 30.º aniversário de Microcosmos, um filme fundamental na renovação do cinema documental sobre a natureza e que, três décadas depois, continua a surpreender pela sua modernidade. Realizado pelos biólogos Claude Nuridsany e Marie Pérennou, o filme revolucionou a representação do mundo natural ao aproximar a câmara dos mais pequenos seres e transformar a vida dos insetos e outros habitantes dos campos numa experiência cinematográfica de escala épica, simultaneamente realista, surreal e hipnótica. Com a música inesquecível de Bruno Coulais que conduz esta viagem, o filme foi distinguido com cinco Césares e foi visto por mais de 3,5 milhões de espectadores em França. O sucesso de Microcosmos contribuiu decisivamente para aproximar o documentário da natureza de um público mais vasto, demonstrando que a observação científica podia também ser uma experiência visual e sensorial.

Petit Cinéphiles: mulheres que ousaram mudar o mundo

A programação dedicada aos mais novos encontra em Destemidas uma proposta que cruza animação, história e emancipação. Baseada nos célebres livros ilustrados de Pénélope Bagieu, a série francesa dá vida a 30 mulheres que transformaram as suas próprias vidas numa forma de revolução.

De Josephine Baker a Sonita Alizadeh, Peggy Guggenheim, Hedy Lamarr ou Leymah Gbowee, cada episódio recupera a história de uma mulher que recusou o destino que lhe era imposto e abriu novos caminhos.

Atriz e produtora de Hollywood, mas também inventora da tecnologia que esteve na origem do Wi-Fi; nadadora extraordinária e pioneira do fato de banho moderno; ativista e Prémio Nobel da Paz: os 30 retratos atravessam diferentes épocas, geografias e áreas de atividade para mostrar mulheres que enfrentaram preconceitos, desafiaram convenções e transformaram, à sua maneira, a sociedade em que viveram.

A Festa prepara um evento especial em torno da série, pensado para várias gerações, celebrando vidas marcadas pela coragem, liberdade e criatividade.

Da descoberta de novos autores ao reencontro com filmes que marcaram a história do cinema, da criação francesa às múltiplas cinematografias que compõem o espaço francófono, a 27.ª Festa do Cinema Francês propõe uma programação que atravessa géneros, épocas e geografias, levando o cinema a Lisboa, Porto e mais de 20 outras cidades portuguesas ao longo de outubro e novembro.

Sobre a 27ª Festa do Cinema Francês
Além de Lisboa, a Festa vai realizar-se em vários municípios portugueses, como: Almada (7, 12, 13, 14, 21 e 28 de outubro), Porto e Vila Nova de Gaia (9 a 14 de outubro), Tavira (13 de outubro), Lagos (13 a 16 de outubro), Coimbra (14 a 18 de outubro), Cascais (21 a 25 de outubro), Vila Franca de Xira (23 a 25 de outubro), Braga (27, 28 e 29 de outubro), Beja (4 e 5 de novembro), Leiria (17 e 18 novembro), Setúbal (19 a 22 de novembro), Figueira da Foz (20 e 21 novembro), Santa Maria da Feira (10, 12 e 26 novembro), Faro (22, 23, 29 e 30 outubro).

Organizada pela Associação Il Sorpasso, a Festa do Cinema Francês realiza-se em parceria com a Embaixada de França em Portugal, o Institut Français du Portugal, a Unifrance e a Alliance Française Portugal, integrando ainda MaisFRANÇA, o programa da criação contemporânea francesa em Portugal.
A 27.ª edição da Festa do Cinema Francês conta também com a participação de um conjunto de parceiros privados que tornam possível a realização do festival. Destacam-se a Claude et Sofia Marion Foundation, BNP Paribas, Credibom, Peugeot, JCDecaux, Victoria Seguros, DPD e Thales.
A Festa do Cinema Francês tem o apoio de vários Municípios do país, entre os quais as autarquias de Lisboa, Coimbra, Braga, Leiria, Almada, Setúbal, Tavira, Lagos, Beja, Figueira da Foz e Santa Maria da Feira.
O festival conta ainda com a parceria da Lisboa Cultura, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema e Cinemas UCI; a RTP2, RTP Antena 1 e Canais Tv Cine como parceiros media; os parceiros de divulgação Lisbonne Affinités, C7nema e lepetitjournal.com; o apoio à programação da FNAC; e o apoio à divulgação de Infraestruturas de Portugal, Junta de Freguesia de Santo António e Turismo de Lisboa.

Sobre a Associação Il Sorpasso
Fundada em 2008, a Associação Il Sorpasso é uma entidade cultural sem fins lucrativos dedicada à promoção e divulgação do cinema internacional, com forte atividade na organização e programação de festivais e mostras de cinema. É responsável pela Festa do Cinema Italiano e pela Festa do Cinema Francês, e organiza ainda, o CineFiesta – Mostra de Cinema Espanhol, o Polska – Mostra de Cinema Polaco, a Semana do Cinema Chinês, o Luso! – Mostra Itinerante de Cinema Português na Itália e o Polar – As Longas Noites do Cinema Nórdico, colaborando também na organização do Kulturfest – Festival de Culturas de Expressão Alemã.
Ao longo da sua atividade, a Il Sorpasso tem-se afirmado como uma plataforma dinâmica e descentralizadora da oferta cultural em Portugal, apostando numa programação diversificada, itinerante e acessível, dirigida a públicos de diferentes idades e perfis e orientada para a democratização do acesso à cultura.

Mais informações: festadocinemafrances.com 

01.10.2026 | par martalanca | Festa do cinema francês