“Koração lá e korpo ká em Pretugal”. Entre a mestiçagem e a afirmação da negritude

“Koração lá e korpo ká em Pretugal”. Entre a mestiçagem e a afirmação da negritude Propus-me conhecer os modos de sociabilidade dos jovens Red Eyes Gang, um grupo da Arrentela, Seixal, periferia de Lisboa. A maior parte dessa juventude é constituída por filhos de imigrantes africanos dos países que foram outrora colónias portuguesas e vivem em condições sócio-económicas bastante abaixo dos parâmetros portugueses. Todos nasceram ou vieram muito novos para Portugal, não conhecendo os países de origem dos pais. No entanto, a estigmatização e o racismo a que estão sujeitos fazem com que se apropriem de algumas das heranças étnicas e culturais para reelaborarem a sua condição de pobres e negros. Não reproduzem mecanicamente o modo de vida e as referências étnicas das suas famílias, mas reinventam-nas com imaginação, produzindo assim discursos positivos sobre si próprios.

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11.09.2010 | por Otávio Raposo