Warped Tapes, Brassalano Graça
No fundo, é uma questão de perceber o Movimento
perpétuo das palavras. Da Máquina extrema da Linguagem.
Um movimento contra a inércia das Certezas.
O movimento da boca sobre a concentração do rosto
no sismo de um sorriso.
Um sorriso nunca é só um sorriso,
é também uma Oscilação circunstancial de qualquer dor.
O movimento tectónico das mãos sobre o corpo que ama,
e que desliza para a fronteira do Pecado.
Não há um Deus que abocanhe esse movimento da dor,
não há felicidade que suplante o vigor da ferida que arde no peito.
Faz-se o Movimento do fumo rumo ao sítio de concentração da Beleza.
Essa saturação da nossa fragilidade, da nossa impotência
perante o limite dos sentidos,
perante o tremor da Imaginação.
Solo negro, pois,
onde tudo se esvai entre os dedos trémulos
de uma força acabada de nascer,
nascitura das Trevas de um sonho.
A Poesia vem das trevas, tal como a Fotografia –
vêm, saem, das Trevas de uma Visão.
A Arte é isso, uma Visão, uma usurpação da Realidade
pelos Olhos alagados pelo coração.
É essa a Terminologia da Humanidade dilacerada
pela lucidez.
Esta Trilogia - Poesia, Fotografia, Música - é o término das pedras,
o início dos ventos.
O meio do Sol.
A claridade do Desejo,
sujo como todas as raízes arrancadas da terra.
Aqui inventou-se o terror do Amor.
Brassalano Graça

