Warped Tapes, Brassalano Graça

No fundo, é uma questão de perceber o Movimento

perpétuo das palavras. Da Máquina extrema da Linguagem.

Um movimento contra a inércia das Certezas.

O movimento da boca sobre a concentração do rosto

no sismo de um sorriso.

Um sorriso nunca é só um sorriso,

é também uma Oscilação circunstancial de qualquer dor.

O movimento tectónico das mãos sobre o corpo que ama,

e que desliza para a fronteira do Pecado.

Não há um Deus que abocanhe esse movimento da dor,

não há felicidade que suplante o vigor da ferida que arde no peito.

Faz-se o Movimento do fumo rumo ao sítio de concentração da Beleza.

Essa saturação da nossa fragilidade, da nossa impotência

perante o limite dos sentidos,

perante o tremor da Imaginação.

Solo negro, pois,

onde tudo se esvai entre os dedos trémulos

de uma força acabada de nascer,

nascitura das Trevas de um sonho.

A Poesia vem das trevas, tal como a Fotografia –

vêm, saem, das Trevas de uma Visão.

A Arte é isso, uma Visão, uma usurpação da Realidade

pelos Olhos alagados pelo coração.

É essa a Terminologia da Humanidade dilacerada

pela lucidez.

Esta Trilogia - Poesia, Fotografia, Música - é o término das pedras, 

o início dos ventos.

O meio do Sol.

A claridade do Desejo,

sujo como todas as raízes arrancadas da terra.

Aqui inventou-se o terror do Amor.

Brassalano Graça


22.06.2026 | par martalanca | Brassalano Graça