Novela gráfica «Caderno de Memórias Coloniais»

Novela Gráfica de Isabela Figueiredo e ilustrações de Júlia Barata volta a trazer para o centro do debate temas como colonialismo, o racismo e a memória histórica. Já nas livrarias.

Dez anos após a sua publicação pela Editorial Caminho, em 2015, «Caderno de Memórias Coloniais» regressa ao centro do debate, com uma nova versão ilustrada, fiel à sua vocação de expor cruamente o colonialismo português em Moçambique. Nesta novela gráfica, ilustrada por Júlia Barata, Isabela Figueiredo revisita o seu texto, aprofundando a reflexão sobre a sua infância e relação com o pai, enquanto reabre uma ferida da nossa história ainda em processo de cicatrização. Num tempo em que factos e vivências individuais são frequentemente questionados ou silenciados ao serviço de determinadas narrativas, esta obra interpela de forma direta a maneira como abordamos temas tão essenciais quanto o colonialismo, o racismo e a memória histórica.

Várias apresentações com a presença das autoras Isabela Figueiredo (texto) e Júlia Barata (ilustração).

ISABELA FIGUEIREDO nasceu em Lourenço Marques, Moçambique, hoje Maputo, em 1963, filha de portugueses oriundos da zona Centro-Oeste de Portugal. Após a independência de Moçambique, em 1975, rumou a Portugal. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Especializou-se em Estudos sobre as Mulheres na Universidade Aberta. Trabalhou como jornalista no Diário de Notícias entre 1988 e 1994, onde foi também coordenadora do suplemento DN Jovem. Foi professora de português no ensino secundário. Escreveu Conto É Como Quem Diz, novela que recebeu o primeiro prémio da Mostra Portuguesa de Artes e Ideias, Caderno de Memórias Coloniais, cuja edição francesa foi finalista do Prémio Femina Estrangeiro, e A Gorda, obra que recebeu o Prémio Literário Urbano Tavares Rodrigues. Os seus livros estão publicados em França, Itália, Alemanha, Espanha e Brasil e alcançaram grande êxito junto do público e da crítica, especialmente em Portugal e no Brasil, sendo constantemente reimpressas. Em 2022 publicou Um Cão no meio do Caminho, o seu mais recente romance que é também um sucesso de vendas. 

JÚLIA BARATA nasceu em Portugal, cresceu em Moçambique até 1988 e vive atualmente em Buenos Aires. É arquiteta e autora de banda desenhada. Publicou novelas gráficas em Portugal, Argentina e Espanha.

 

04.09.2026 | by martalanca | Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo, Júlia Barata

Beatriz Batarda e Isabela Figueiredo I leitura encenada de "Caderno de Memórias Coloniais"

RETORNAR, TRAÇOS DE MEMÓRIA

PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS | SÁBADO, 30 JANEIRO, 17H

«O meu corpo foi uma guerra, era uma guerra, comprou todas as guerras. O meu corpo lutava contra si, corpo-a-corpo, mas o do meu pai era grande, pacífico. O corpo do meu pai era dele e valia a pena. O seu corpo era o do outro que estava em mim, mas sem guerra. Redondo, macio, arranhado, o corpo do meu pai dava-se ao riso, às cócegas, ao meu corpo.»

Isabela Figueiredo, Caderno de Memórias Coloniais 

Retornar, traços de memórias @José FradeRetornar, traços de memórias @José Frade

Beatriz Batarda e Isabela Figueiredo fazem leitura encenada de Caderno de Memórias Coloniais, sábado, dia 30, às 17 horas, no Padrão dos Descobrimentos. 

No âmbito do projecto expositivo Retornar – Traços de Memória, inaugurado em Novembro pela EGEAC, a actriz e encenadora Beatriz Batarda faz uma leitura encenada completa da obra Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo. A jornalista e escritora Isabela Figueiredo intervém na leitura com uma performance que inclui objectos de memória e do passado que o seu corpo e as suas mãos hoje transportam e que o seu pai transportou.

Beatriz Batarda Beatriz Batarda Ao longo de mais de três horas, o público é convidado a entrar no cenário das antigas colónias portuguesas, em Maputo, através das palavras, por vezes bruscas, de uma adolescente que viveu o período conturbado do fim do Império colonial português, ao lado do pai, personificação do colonialismo. 
Este é também um espectáculo sobre a relação humana com os jogos de memória, seja fotográfica, sensorial, ficcionada com o passar do tempo ou a «memória real» perpetuada pelos objectos cuja verdade também se renova quando retirados do seu contexto «original».

A publicação, em 2009, desta autobiografia de Isabela Figueiredo é considerada um dos momentos literários mais importantes em Portugal, já que trouxe a público a experiência do «retorno», tema tabu até então.   

Uma vez que esta obra nos fala de liberdade, intolerância, memória, redenção, a entrada e saída da sala é permitida durante a leitura, deixando espaço para o público sair para reflectir, descansar, e decidir regressar ou ir embora.

A entrada é gratuita, mas está sujeita a reserva prévia para info@padraodosdescobrimentos.pt ou 213 031 950.

 

Duração prevista de 3h20 com permissão para entrada e saída da sala.

Ler crítica ao livro da Margarida Calafate Ribeiro. 

 

29.01.2016 | by martalanca | Beatriz Batarda, Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo, Retornar