A Banalidade da Luz
A Fotografia faz com que o Objecto se desprenda do ordenamento da matériae se transforme na aura do real. Há uma sublimação incutida pela fotografia ao objecto que o impregna de uma profundeza onírica, própria da luz negra de uma visão subtractiva que reduz o mundo a uma mancha imaculada na superfície imponderável do olhar. Como se fosse uma epiderme fronteiriça transfigurada, ou até apocalíptica. É essa a magnitude da banalidade da Fotografia. O seu magnetismo inexplicável, e irresistível. O objecto é corroído por uma espécie de irrepetibilidade mesmo sendo repetível, e por uma espécie de impossibilidade mesmo sendo comprovável. Atrai para uma cratera de gravidade em que o voo do testemunhobate asas de fogo atiçado pelo líquido combustível de uma memória abrupta, inventada pelo poder evocativo de um sonho que decerto sucedera algures alguma vez. Essa urgência do real, do reconhecimento imediato do impossível, é o principal traço da Banalidade da Luz fotográfica.
Brassalano Graça




