Palestras na Nova FCSH

organização Inês Beleza Barreiros (ICNOVA) e Margarida Rendeiro (CHAM).

Pensado os sentidos do desvario antropocêntrico a partir de uma imaginação sensorial multiespécies

No livro The Great Derangement, Amitav Ghosh argumenta que a ficção de tradição realista se revela incapaz de imaginar adequadamente as transformações desencadeadas pelo Antropoceno. Essa insuficiência decorre, em grande medida, da centralidade conferida ao humano nesse modelo narrativo — a mesma centralidade que está na raiz da própria crise antropocênica. Ao observar esta “nova era geológica”, Ghosh destaca a emergência de vozes que desafiam não apenas a primazia humana, mas também o apagamento de coletividades que incluem modos de existência não humanos. Partindo da noção de um sensorium relacional e interespécies, esta palestra investiga como a literatura contemporânea e as artes visuais têm respondido às limitações apontadas por Ghosh. Propõe-se, assim, refletir sobre a ideia de um sensorium multiespécies como possível horizonte estético e epistemológico capaz de tensionar a imaginação hegemônica do Antropoceno. A partir da leitura de textos e obras de escritores e artistas indígenas e afrodescendentes, buscarei rastrear como certas formas de sensorialidade — que atravessam distintos modos de ser e perceber e imaginar/criar — instituem outras maneiras de imaginar o mundo, desestabilizando a supremacia do humano e abrindo caminho para contranarrativas ao paradigma antropocênico.

Leila Lehnen é Professora Associada no Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Brown University (EUA). É especialista em literatura e cultura contemporâneas do Brasil e da América Latina, com interesses de pesquisa que abrangem as humanidades ambientais, o extrativismo, as práticas textuais e visuais contracoloniais, além de literaturas e produções culturais indígenas. Sua obra analisa, de modo crítico, o papel da literatura e das artes na expansão de imaginários democráticos, na contestação às formações autoritárias e no enfrentamento dos legados persistentes da colonialidade. Seu livro, Citizenship and Crisis in Contemporary Brazilian Literature, examina como a literatura brasileira contemporânea representa e problematiza formas diferenciadas de cidadania. Seu segundo livro investiga as interseções entre a literatura brasileira e a vida democrática, examinando como textos culturais articulam e reconfiguram imaginários democráticos, especialmente no tocante aos direitos ambientais e indígenas. Publicou textos acadêmicos sobre ecocrítica, literatura indígena, decolonialidade, literatura afro-brasileira, cidadania e direitos humanos em contextos brasileiros e latino-americanos. Permanecendo com o problema: possibilidades trans*amazônicas líquidas

Frente a atual crise ecológica e ontológica mundial, esta apresentação argumenta que as performances du Uyra (Emerson Pontes) posicionam a comunidade trans* como permanecendo com a Amazônia, encarnando um compromisso de reimaginar as possibilidades do agora. Uyra nas suas performances evita o discurso da futuridade para “permanecer com o problema” (Haraway), recusando a paralisia tanto do desespero quanto do otimismo ingênuo. Esta recusa é estratégica. Uyra posiciona-se para fora e além da oposição binária entre a não-futuridade queer e o futurismo hetero-reprodutivo (Edelman) ou entre um porvir distópico inevitável e um futuro technotopia que salve a sociedade, o mundo. Em vez disso, Uyra (re)imagina um presente fluido, molhado queer como simultaneamente imbuído do desejo de Julio Esteban Muñoz por novas formas de ser, fazer e relacionar-se, isto é, cuir como possibilidade. Ao mesmo tempo, o filme não ignora a realidade material da perda. Nas performances, Uyra reconhece o que foi, é, e será a destruição (Halberstam, Pratt), fluindo pela tensão entre possibilidade e perda, entre esses dois polos, essas forças contraditórias. Através da interconexão / intercalação de comunidades humanas e além-humanas, ecossistemas trans* e amazônicos, Uyra convida os espectadores a “permanecer com o problema”, “dwell in the dissolve” (Alaimo) a re-imaginar possibilidades líquidas no agora, não num futuro distante ou abstrato.

Jeremy Lehnen é diretor da Brazil Initiative no Watson Institute e diretor do Center for Language Studies na Brown University. Atuou como diretor interino do programa de Estudos de Gênero e Sexualidade e diretor associado interino do Centro de Pembroke para Ensino e Pesquisa sobre Mulheres, também na Brown U. Atualmente, é editor executivo do Journal of Lusophone Studies. O seu livro Neo-authoritarian Masculinity in Brazilian Crime Film foi publicado pela University of Florida Press em 2022. Fez seu doutorado na University of New Mexico em estudos latino-americanos e lecionou na University of New Mexico, no Macalester College e na University of Colorado, Boulder. Tem ensaios publicados na Luso-Brazilian Review, Journal of Lusophone Studies, e Mexican Studies, entre outras revistas acadêmicas. Seus principais interesses de pesquisa abordam questões de gênero e sexualidade, particularmente a construção da masculinidade, no cinema latino-americano contemporâneo, produção cultural, e humanidades digitais.

23.01.2026 | by martalanca | CHAM, palestras

I Mulherio das Letras

Partindo do pressuposto de que as artes e a ciência são ambas um bem colectivo, o I Mulherio das Letras – Portugal acontecerá nos dias 7, 8, 9 e 10 de Março de 2019. O evento tenciona propor uma abordagem da literatura de autoria feminina que possa estabelecer um diálogo entre a academia e a sociedade civil, entre as escritoras e as leitoras. O evento visa alargar as fronteiras da literatura e da arte, bem como perceber dinâmicas identitárias. Neste sentido, abrirá espaço para ouvir e debater a produção literária e académica de escritoras, artistas, investigadoras, jornalistas, etc.

Com actividades descentralizadas, parte do evento terá lugar na NOVA FCSH da Universidade Nova de Lisboa e parte no Palácio Baldaya, com contextual apresentação de duas colectâneas de poesia e prosa de autoria feminina.

Fruto da colaboração entre o CHAM - Centro de Humanidades e o Palácio de Baldaya, o evento enquadra-se no âmbito da linha de Investigação «História das Mulheres e do Género».

O I Mulherio das Letras – Portugal tem como inspiração o I Encontro Nacional do Mulherio das Letras, que ocorreu de 12 a 15 de Outubro de 2017, em João Pessoa, no Nordeste do Brasil.

Compreendemos que os movimentos de mulheres são um componente crucial para qualquer projecto de transformação radical da sociedade. Este evento é, portanto, pensado como uma política de irmandade, como um lugar de retomada de vozes silenciadas e uma ferramenta de discussão e difusão da produção artístico-cultural de autoria feminina.

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Considering we conceive art and science as common good, the first Mulherio das Letras de Portugal will take place on the 7,8,9 and 10 of March, 2019. The event aims to suggest an approach to feminine literature that can establish a dialogue between the academy and the civil society, between the writers and their readers. The event aims to broaden the borders of art and literature, as well as to understand dynamics of identity. In this regard, there will be space to open and debate the literary and academic production of writers, artists, researchers, journalists.

Being an initiative of the thematic line “History of Women and Gender”, of CHAM - Centre for the Humanities, the event will take place between the NOVA FCSH of the New University of Lisbon and Palácio Baldaya. The first Mulherio das Letras de Portugal is inspired on the first Brazilian national meeting Mulherio das Letras, that took place in João Pessoa (northwest of Brazil) between the 12th and 15th of October, 2017.

We think women’s movements are a crucial part of any project of radical transformation of society. This event is, therefore, conceived as a politic of sisterhood, as a place of recovery of silenced voices and, finally, as a tool of diffusion and discussion of the feminine artistic and cultural production.

Coordenadora Geral: Elizabeth Olegario
Comissão organizadora - CHAM: Elizabeth Olegario e Noemi Alfieri. Comissão Organizadora - Baldaya: Adriana Mayrink.
Organização da exposição: João Luís Lisboa.

Apoios: FCSH, CHAM, FCT, Palácio Baldaya, Associação dos Escritores Portugueses, In- Finita Lisboa.

03.02.2019 | by martalanca | CHAM, literatura, mulheres

Innovation, Invention and Memory in Africa - CHAM International conference in Lisbon, 17-20 July 2019

CHAM is proud to announce the organisation of its IV International Conference on  Innovation, Invention and Memory in Africa. Following very successful previous editions we are now focusing on Africa, its heritage, challenges and achievements. 

As a leading centre in the Humanities, CHAM aims in this edition to foster the presentation and discussion of multiple disciplinary approaches and contributions to the understanding of cultural, literary, historical, social, educational, artistic, ecological, and political landscapes in Africa. The conference will bring together students, academics, policymakers, community leaders, artists. It will promote a broad disciplinary approach to African Studies and a dynamic forum for discussion and knowledge production. A particular attention will be dedicated to the importance of future leaderships and to the role of young policymakers, researchers and artists. 

Call for panels: 5 July 2018 - 16 October 2018

Call for papers & posters: 1 November 2018 - 5 Feb 2019
Early bird registration: 14 March 2019 - 18 April 2019

Keynote

Paul Gilroy (Professor of American and English Literature, King’s College London)

Read more about the conference concept

Please note that the working language of the conference is English. Presentations may be delivered in Portuguese, although proposals (titles/abstracts) should be presented in English, and consideration given to the global audience.

03.08.2018 | by martalanca | Africa, CHAM, Conference