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Lino Brocka – Matem o Artista Nacional é a retrospetiva programada em conjunto pela Cinemateca e o DocLisboa e que será apresentada nas salas da Barata Salgueiro, escancarando as portas do cinema de Lino Brocka entre 16 e 30 de outubro. Organizada em diálogo com Khavn De La Cruz, artista filipino multifacetado e especialista na obra de Brocka, é apresentado um conjunto significativo da obra do realizador filipino. Percorrem-se diferentes géneros e momentos da sua filmografia, mostrando a amplitude da sua produção cinematográfica – do infinitamente pessoal ao social e político numa escala mais alargada – como INSIANG, MACHO DANCER, CAIN AND ABEL, WANTED: PERFECT MOTHER, MY MOTHER, MY FATHER, ORAPRONOBIS, JAGUAR ou MANILA IN THE CLAWS OF LIGHT. Durante o ciclo será publicado um Caderno da Cinemateca sobre o trabalho do cineasta.
No final do mês, de 26 a 31 de outubro, teremos um ciclo dedicado à obra secreta de Margaret Tait, realizadora e poeta escocesa cujos filmes são marcados por uma abordagem diarística, experimental e naturalmente poética. O programa reúne curtas-metragens (muitas delas a exibir em cópias de 16mm), retratos, diários e trabalhos ligados à memória, aos lugares e à experiência quotidiana, como THREE PORTRAIT SKETCHES, COLOUR POEMS, WHERE I AM IS HERE, ou MY ROOM. VIA ANCONA 21. Mas nem só de filmes assinados por Tait se faz este ciclo, que estabelece ligações com outros filmes que dialogam com as obras da realizadora. Um exemplo recente é AFTERSUN, de Charlotte Wells, que cita um dos livros de Tait (Poems, Stories and Writings), sendo que Wells assumiu a influência desta no seu trabalho. Outro diálogo surge através do emparelhamento de ONE IS ONE (1951) de Tait com VIAGGIO IN ITALIA (1954) de Rossellini, já que Tait estudou cinema em Itália entre 1949 e 1952 e conheceu pessoalmente o cineasta italiano. O programa inclui, claro, a única longa-metragem de Margaret Tait, o belíssimo palimpsesto geracional BLUE BLACK PERMANENT, bem como filmes-homenagem assinados por autores como Luke Fowler, Ute Aurand e Peter Todd. Todd, grande especialista na obra de Tait, estará em Lisboa para acompanhar o ciclo e apresentar os seus próprios filmes.
O ciclo Viagem ao Fim do Mudo em outubro desdobra-se nas exibições de EROTIKON, de Mauritz Stiller, RAPSODIA SATANICA, de Nino Oxilia, e FRAU IM MOND, de Fritz Lang, três filmes mudos europeus que exploram uma dimensão experimental. Sempre com acompanhamento ao piano.
O Dia Mundial do Património Audiovisual, a 27 de outubro, decorre este ano em ligação direta com o programa de comemoração dos 30 anos do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento. A data será marcada com a exibição de A LENDA DE MIRAGAIA (de Raul Faria da Fonseca e António Cunhal), um dos primeiros filmes de animação em Portugal, dado como perdido até à sua descoberta no passado mês de maio e subsequente doação à Cinemateca. Juntam-se na mesma sessão uma seleção de curtas-metragens portuguesas de animação: TÓ E TINA (Servais Tiago), CANTIGA DA LAGARTA (Artur Correia e Ricardo Neto), ESTÓRIA DO GATO E DA LUA (Pedro Serrazina), A NOITE (Regina Pessoa) e CLANDESTINO (Abi Feijó), numa celebração do cinema de animação português. No mesmo dia, mas noutra sessão, é apresentado LETTY LYNTON (1932, Clarence Brown), protagonizado por Joan Crawford, filme que esteve embargado mais de 90 anos e que só recentemente é possível mostrar.
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