Pocas Pascoal conquista prémio da Francofonia no Festival de Locarno

Realizadora angolana recebe o The Open Doors – OIF-Francophonie Award para o desenvolvimento de filme sobre a pioneira do cinema africano Sarah Maldoror

A realizadora angolana Pocas Pascoal foi distinguida com o The Open Doors – OIF-Francophonie Award, atribuído na noite de 9 de agosto, durante o Festival de Locarno, na Suíça. O prémio, concedido pela Organização Internacional da Francofonia (OIF), destina-se ao desenvolvimento do projeto da longa-metragem Sarah, inspirado na trajetória da cineasta franco-angolana Sarah Maldoror, considerada uma das pioneiras do cinema africano.

O reconhecimento integra a iniciativa Open Doors, um dos programas mais relevantes do Festival de Locarno, dedicado a apoiar cineastas de regiões onde o cinema independente enfrenta maiores desafios e a promover novas vozes da cinematografia mundial. Atualmente, o programa centra-se em realizadores de 42 países africanos, promovendo formação, encontros com a indústria e oportunidades de coprodução internacional.

Durante o festival, Pocas Pascoal também apresentou a curta-metragem Time to Change no Open Doors Short Films Screening, em sessões destinadas a um público formado por cerca de uma centena de diplomatas de diferentes países. A obra propõe uma reflexão sobre os impactos da colonização na relação entre o ser humano e a natureza, estabelecendo uma ligação entre exploração colonial, racismo, destruição ambiental e memória histórica.

Para Pocas Pascoal, o prémio representa muito mais do que um reconhecimento profissional: é um impulso para levar adiante um projeto que pretende recuperar uma das figuras mais importantes e menos conhecidas da história do cinema africano.

“Receber o The Open Doors – OIF-Francophonie Award é uma enorme alegria e uma grande honra. Locarno é um festival de enorme prestígio e estar aqui já era um privilégio. Este apoio dá ainda mais força ao projeto Sarah e à possibilidade de contar uma história que merece ser conhecida por novas gerações”, afirmou a realizadora.

O filme pretende colocar em evidência o legado de Sarah Maldoror, que revolucionou o olhar sobre as lutas de libertação africanas ao dar protagonismo às mulheres que participaram desses movimentos.

“Pretendo pôr em evidência Sarah Maldoror, que, no seu cinema, olhou para quem quase nunca era visto, e também essas mulheres de que a História não falou ou que a História colocou na sombra”, explica Pocas Pascoal.

Fundado em 1946, o Festival de Locarno é considerado um dos mais importantes eventos cinematográficos do mundo, ao lado de Cannes, Veneza e Berlim. Reconhecido por revelar novos talentos e valorizar o cinema de autor, o festival reúne anualmente realizadores, produtores, distribuidores e programadores de dezenas de países, funcionando como uma plataforma estratégica para o desenvolvimento de projetos e para a circulação internacional de obras cinematográficas.

A conquista reforça a projeção internacional de Pocas Pascoal, cuja filmografia é marcada por narrativas que questionam as heranças do colonialismo e recuperam memórias silenciadas. Com o apoio conquistado em Locarno, a realizadora dá um passo importante para concretizar Sarah, um filme que resgata não apenas a trajetória de uma pioneira do cinema africano, mas também a história de mulheres que permaneceram invisíveis nas narrativas oficiais.

10.08.2026 | by martalanca | Pocas Pascoal, Sarah Maldoror

Cineasta angolana Pocas Pascoal apresenta "Time to Change" durante o Festival de Locarno

 Curta integra a programação “Open Doors Short Films Screening”, reafirmando o diálogo entre cinema, diplomacia e justiça climática

O cinema africano ganha protagonismo num dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo. A realizadora angolana Pocas Pascoal apresenta o curta-metragem “Time to Change” durante o “Open Doors Short Films Screening”, dia 7 de agosto, no Festival de Locarno, durante sessão que contará com cerca de 100 diplomatas de diferentes países. A exibição integra uma programação dedicada a obras que promovem reflexão sobre desafios globais contemporâneos, reforçando o papel do cinema como ferramenta de diálogo intercultural e transformação social.

Em sua estreia na Suíça, “Time to Change” propõe uma poderosa reflexão sobre os impactos da colonização na relação entre seres humanos e natureza. A partir de uma linguagem visual poética e contundente, o filme retrata como a exploração da terra e do homem remontam a tempos coloniais, alertando que é urgente mudar o rumo da pegada humana no planeta. A produção mostra como a colonização conduz à devastação, à desolação e à subjugação da fauna, da flora e das populações. A obra amplia o debate sobre memória, exploração dos territórios e justiça ambiental, temas que atravessam fronteiras e dialogam diretamente com a agenda internacional.

O convite para integrar a sessão “Open Doors” marca mais um capítulo da relação de Pocas Pascoal com o Festival de Locarno. Em 2014, o seu primeiro longa-metragem de ficção, Alda e Maria, participou do programa e conquistou sete prémios internacionais, consolidando a realizadora como uma das vozes mais relevantes do cinema lusófono contemporâneo. Agora, a angolana regressa ao Festival com uma obra que reafirma o seu compromisso artístico com narrativas de forte dimensão política, histórica e humana.

A presença de “Time to Change” no Festival de Locarno reforça o reconhecimento internacional da obra de Pocas Pascoal e evidencia a crescente visibilidade do cinema africano em espaços de influência cultural e diplomática. Ao reunir representantes de dezenas de países em torno da exibição da curta, a sessão demonstra como a linguagem cinematográfica pode estimular conversas urgentes sobre colonialismo, sustentabilidade, memória e futuro comum.

Pocas Pascoal Pocas Pascoal Nascida em Luanda, Pocas Pascoal tornou-se a primeira mulher operadora de câmara de Angola antes de se mudar para França, onde se formou em montagem e trabalhou durante quinze anos como editora. A sua filmografia reúne documentários, ficções e instalações audiovisuais apresentadas em importantes bienais e festivais internacionais. Em 2021, o documentário “Blow” recebeu o Prémio Árvore da Vida para Melhor Filme no IndieLisboa. Em 2024, integrou o projeto GREENHOUSE, que representou Portugal na 60.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza. Paralelamente à circulação internacional de “Time to Change”, a realizadora desenvolve atualmente o longa-metragem “Sarah Maldoror”, dedicado à cineasta franco-angolana considerada uma das pioneiras do cinema africano.

06.08.2026 | by martalanca | Pocas Pascoal

Alda e Maria: por aqui tudo bem, de Pocas Pascoal

Sessão do ciclo Ciências Sociais e Audiovisual: consequências da Guerra 24 de Janeiro, 18h Auditório Sedas Nunes (ICS-ULisboa) I Entrada Livre

A projecção da longa de ficção realizada por Pocas Pascoal, Alda e Maria: por aqui tudo bem é o mote para debater o cruzamento entre consequências da guerra civil de Angola (1976-2002), género e migração. Situado na década de 1980, o filme narra a história de duas irmãs adolescentes que rumam até Lisboa, na esperança de um futuro mais promissor.

A projecção é seguida de debate, entre a realizadora de origem Angolana e Marzia Grassi, investigadora em estudos africanos, género, migração. 

Alda e Maria: por aqui tudo bem foi produzido em 2011, Portugal, 94 min. Teve distribuição comercial em Portugal, circulou em vários festivais (Brasil, Alemanha, Burkina Faso, Suíça, França, Emirados Árabes Unidos), tendo sido premiado tanto no IndieLisboa em 2012, como a Melhor Longa Metragem Portuguesa de Ficção, como no Festival FIC Luanda em 2011 como a melhor Longa Metragem Angolana. Mais detalhes sobre o filme aqui.

Pocas Pascoal nasceu em Luanda em 1963, tendo migrado para Portugal (Lisboa) em 1983 e mais tarde França (Paris), onde estudou cinema. Memórias de Infância (2000), Há sempre alguém que te ama (2003), Amanhã será diferente (2009) são outros filmes que realizou. 

O ciclo Ciências Sociais e Audiovisual explora o valor analítico e metodológico das imagens em movimento para o trabalho desenvolvido por cientistas sociais. Mais informações sobre o ciclo aqui. Organização: Inês Ponte, Mariana Liz, Pedro Figueiredo Neto, Paulo Granjo; ICS-ULisboa: Rua Prof. Anibal Bettencourt 9, Lisboa. Metro: ENTRECAMPOS.

16.01.2019 | by martalanca | angola, cinema, Pocas Pascoal