50 anos depois: revisitar a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção (Estoril, 1976)

Três dias de cinema, conversas e mesas-redondas em Lisboa, convidam a reflectir sobre os potenciais políticos e emancipatórios das práticas cinematográficas.

De 24 a 26 de junho de 2026, o Doc’s Kingdom organiza um programa de encontros e sessões de cinema na Casa do Comum (Bairro Alto) e n’A Voz do Operário (Graça), com o apoio do IFILNOVA, e em colaboração com um grupo internacional de investigadores. 

Em maio de 1976, no Centro de Congressos do Estoril, realizou-se a Mostra Internacional de Cinema de Intervenção: um festival de nove dias inteiramente dedicado ao cinema militante e ativista. Reunindo mais de 150 filmes politicamente comprometidos provenientes do Sul e do Norte globais, o evento articulou, através do ecrã, lutas anticoloniais, anti-imperialistas, antifascistas e anticapitalistas. Organizado pelo Centro de Intervenção Cultural, no rescaldo imediato da Revolução dos Cravos, contou com a presença de realizadores e coletivos cinematográficos internacionais. Foi o primeiro evento do género desta envergadura a ser realizado na Europa, após iniciativas semelhantes em Montréal ou Argel, por exemplo. Apesar da sua importância histórica, o evento permanece praticamente ausente da historiografia cinematográfica, tanto a nível nacional como internacional.

Cinquenta anos depois, o Doc’s Kingdom – Seminário Internacional de Cinema Documental (organizado pela Apordoc – Associação pelo Documentário) apresenta um programa de filmes e de conversas que revisitam a Mostra, confrontando-a ao presente. O programa não pretende celebrar uma data, mas reabrir questões que a Mostra colocou: o que pode o cinema militante hoje? Que formas são capazes de produzir pensamento e movimento, em vez de confirmação e paralisia? Como se constroem solidariedades cinematográficas entre geografias diferentes, num tempo em que a linguagem da crítica política está sob pressão?

22.06.2026 | by martalanca | cinema de intervenção, Doc’s Kingdom