METEORIZAÇÕES, Filipa César et al

JAN – MAI 2026 Fundação Serralves, Porto 

Meteorizações, a primeira exposição antológica da artista Filipa César em Portugal, reúne mais de quinze anos de pesquisa, produção e colaborações com cineastas, artistas e investigadores como Sana na N’Hada, Sónia Vaz Borges, Marinho de Pina, Louis Henderson, et al.  A mostra apresenta filmes, objetos e documentos que evocam eventos históricos como a desobdiência antifascista portuguesa e a resistência anticolonial guineense, atravessando os arquivos audiovisuais do período das lutas de libertação, reflexões sobre o mangal, políticas da ótica e da tecelagem, e o pensamento agropoético de Amílcar Cabral.
O título remete para um conceito geológico usado por Cabral para pensar a relação entre território, história e transformação, orientando o percurso da exposição e a forma como são apresentados imagens, sons e memórias. Meteorizações articula diferentes épocas e materiais, convidando o público a refletir sobre processos e poéticas de resistência e a sua utilidade no presente.
A exposição é organizada pela Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea, com curadoria de Inês Grosso, curadora-chefe do Museu de Serralves, e de Paula Nascimento, curadora convidada. A arquitetura da exposição, concebida em colaboração com o atelier Barbosa Mateus Arquitetos, recorre a materiais naturais e integra uma paisagem sonora criada por João Polido Gomes.


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Meteorisations, Filipa César’s first anthological exhibition in Portugal, brings together more than fifteen years of research, production and collaborations with filmmakers, artists and researchers such as Sana na N’Hada, Sónia Vaz Borges, Marinho de Pina, Louis Henderson, et al..The exhibition presents films, objects and documents that evoke historical events such as Portuguese anti-fascist disobedience and Guinean anti-colonial resistance, drawing on audiovisual archives from the period of liberation struggles, reflections on the mangrove, the politics of optics and weaving, and the agropoetic thinking of Amílcar Cabral.
The title refers to a geological concept used by Cabral to think about the relationship between territory, history, and transformation, guiding the exhibition’s trajectory and the way images, sounds, and memories are presented. Meteorisations articulates different times and materials, inviting the public to reflect on processes and poetics of resistance and their use in the present.
The exhibition is organised by the Serralves Foundation — Museum of Contemporary Art, curated by Inês Grosso, chief curator of the Serralves Museum, and Paula Nascimento, guest curator. The exhibition’s architecture - designed in collaboration with Barbosa Mateus Arquitetos - uses natural materials and incorporates a soundscape created by João Polido Gomes.

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Filipa César (Porto, 1975) desenvolve uma prática multidisciplinar que habita o território entre o cinema e as artes visuais. O seu trabalho explora os aspetos ficcionais do documentário e as políticas e poéticas da imagem em movimento, questionando as fronteiras entre realidade e representação. Integrada numa geração que utiliza o vídeo como ferramenta de registo e de expressão, César constrói narrativas deliberadamente ambíguas, onde a perceção se torna um campo de investigação estética e política.
Desde 2011, a artista dedica-se à investigação do cinema militante da Guiné-Bissau através do projeto coletivo Luta ca caba inda (A luta ainda não acabou), que examina o legado visual e político desse movimento. Este trabalho afirma-se como uma plataforma crítica sobre o passado colonial português e as suas reverberações contemporâneas, consolidando Filipa César como uma das vozes mais relevantes na reflexão pós-colonial em Portugal.
A exposição — a sua primeira grande antologia — marca o regresso da artista ao Museu de Serralves e apresenta um percurso abrangente da sua obra, funcionando também como ponto de partida para uma retrospetiva dedicada ao seu trabalho fílmico.

 

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07.01.2026 | par martalanca | filipa césar