Victor Hugo Lopes
Huambo (1973). A seguir à Independência, com o eclodir da guerra civil, mudou-se com os pais para o Bairro da Ingombota, em Luanda. Fez a primária na Escola 11 de Novembro (hoje, Escola nº 3002), onde foi um “destacado” da OPA, e então incumbido de organizar não só as actividades desportivas e recreativas, mas também as peças de teatro, nas quais conseguia ser encenador e protagonista, causando “rasgados elogios dos professores”. Na adolescência, estudou no Alda Lara e no Mutu Ya Kevela, fazendo de “cassete jockey” nas festinhas de colegas, e participando em torneios de futebol e basquetebol. Fez o secundário na Escola Pré-Universitária de Luanda (PUNIV), na vertente de “ciências exactas”, porque queria seguir arquitectura. Ali iria dar início, com a “envergonhada actividade cineclubista” no bairro e na escola, à sua grande paixão por cinema. Com os acordos de paz de 1991, ele e muitos dos seus colegas conseguiram bolsas de estudo para o exterior do país.
Victor Hugo foi para Portugal e estudou Cinema / Comunicação Social na Universidade Nova de Lisboa, onde se entusiasmou pelas lutas estudantis, núcleos de jazz e de cinema e pela rádio da faculdade, a qual ajuda a fundar e dirige três programas, além de fazer “dj set’s” nas festas. Intercalou a universidade com variados empregos e chegou a ser “assistente de edição” na D&D Audiovisuais, onde começou o seu estágio curricular. Mais tarde trabalhou como projeccionista num multiplex de cinemas da Lusomundo.
Trabalhou mais dez anos no arquivo do ANIM Cinemateca Portuguesa, como preservador de filmes.
