Adolfo Gutkin
(Buenos Aires, 1936 – Lisboa, 2025) foi encenador, ator e pedagogo, com um percurso profundamente marcado pelas experiências políticas e culturais de Cuba e Portugal. Depois de se iniciar no teatro independente argentino, instalou-se em Cuba em 1962, atraído pelo contexto aberto pela Revolução. Em Santiago de Cuba fundou uma escola de teatro e o Conjunto Dramático de Oriente, que dirigiu, desenvolvendo um trabalho decisivo como encenador e formador e participando intensamente na renovação do teatro cubano.
Em 1969 chegou a Portugal, convidado para dirigir o Grupo Cénico da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. A sua encenação de Volpone, de Ben Jonson, foi distinguida como Melhor Espetáculo do Ano pela crítica e pela Casa da Imprensa. Trabalhou também na formação de atores na Fundação Calouste Gulbenkian, deixando uma influência importante numa geração do teatro português. Em 1973, perseguido pela PIDE, foi expulso de Portugal e regressou a Cuba, onde retomou o trabalho no Conjunto Dramático de Oriente e participou na criação de uma estação de televisão em Santiago de Cuba.
Regressou a Portugal em 1980, já depois do 25 de Abril, dirigindo inicialmente o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra e fixando-se depois em Lisboa. Fundou o Teatro do Mundo e esteve na origem do Teatro Maizum e do Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral (IFICT), criado a partir de um projeto apresentado à Fundação Calouste Gulbenkian e dedicado à formação, investigação e criação teatral, com particular atenção também às relações com os países africanos de língua portuguesa. Ao longo de décadas, Gutkin fez do teatro um espaço de experimentação artística, formação e intervenção política, cruzando as experiências latino-americana, cubana, portuguesa e africana. Adquiriu a nacionalidade portuguesa em 1994 e morreu em Lisboa, a 25 de outubro de 2025, aos 89 anos.
