Contemporânea leva a Lisboa e ao Porto um programa de performances sobre memória resistência e transformação

Com curadoria de Alexandra Balona, MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM reúne, entre 19 de setembro e 10 de outubro, obras de Sammy Baloji, Shahd Wadi, James Newitt, Noor Abed, Haig Aivazian, Ali Cherri, Ana Isabel Castro e Marcelo Reis.

A Contemporânea apresenta, entre 19 de setembro e 10 de outubro, em Lisboa e no Porto, um programa de performances que cruza memória colonial, exílio, resistência palestiniana, transformação geológica e modos alternativos de perceção. Intitulado MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM, o ciclo tem curadoria de Alexandra Balona, integra o projeto ON HYBRIDITY AND THE POETICS OF RESISTANCE e desenvolve-se sob direção artística de Celina Brás.

O título parte de The Heart of the Heart of Another Country, obra publicada em 2005 pela artista e poeta libanesa Etel Adnan, cuja escrita atravessa experiências de conflito, migração, exílio e identidades híbridas. A frase escolhida — «O meu centro não está no sistema solar» — serve de ponto de partida para um programa que procura deslocar centros, escalas e narrativas dominantes. Em vez de uma geografia fixa, propõe um campo de relações entre o Atlântico e o Mediterrâneo, ligando Europa, Ásia ocidental e norte de África através de histórias marcadas por diferentes regimes de poder, mobilidade e visibilidade.

Ao reunir artistas com práticas e percursos distintos, o programa interroga versões eurocêntricas da história e os limites das fronteiras políticas e ideológicas. A performance surge aqui como linguagem capaz de aproximar corpo, voz, som, imagem e matéria, mas também de ensaiar outras temporalidades. São obras em que o passado não aparece como capítulo encerrado: persiste nos museus e nos arquivos, na paisagem, na garganta, na lama, nos gestos quotidianos e nas formas de escutar.

O ciclo organiza-se em três momentos. O primeiro decorre a 19 de setembro, no anfiteatro ao ar livre do CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, coincidindo com o segundo aniversário da reabertura do espaço. Seguem-se duas jornadas no Porto: a 3 de outubro, no Mosteiro de São Bento da Vitória, no programa da sua reabertura; e a 10 de outubro, na Rampa, espaço de arte independente.

Sammy Baloji revisita cinco séculos de relações entre a Europa e o Reino do Congo

A abertura, no CAM, faz-se com a estreia nacional de Missa Utica (2024), do artista congolês Sammy Baloji. A obra é um novo capítulo de Fragments of Interlaced Dialogues, investigação de longa duração desenvolvida a partir de objetos do Congo levados para a Europa ao longo dos últimos cinco séculos e hoje conservados em diferentes museus.

Depois de etapas em cidades como Florença e Paris, o percurso conduz Baloji a Utica, na Tunísia. Foi ali que, no século XVI, foi nomeado o primeiro bispo africano, num contexto de intensos intercâmbios entre a Europa cristã — em particular Portugal — e o Reino do Congo. A partir desta história, Missa Utica cruza o texto poético de Fiston Mwanza Mujila, a criação musical de Pytshens Kambilo e Barbara Drazkov, a interpretação de Bwanga Pilipili e a instalação cenográfica de Baloji. Entre concerto, instalação e performance, a obra aproxima memória colonial, espiritualidade e música, interrogando também os percursos dos objetos e as instituições que os guardam.

Palestina memória e voz no Mosteiro de São Bento da Vitória

O segundo momento do programa reúne, a 3 de outubro, três obras no Mosteiro de São Bento da Vitória. A tarde começa com a estreia absoluta de Matei o Pássaro (2026), leitura-performance de Shahd Wadi com o artista australiano James Newitt. Entre memória, luto, escrita e herança palestiniana, Wadi parte da figura do pássaro como símbolo de esperança e liberdade para perguntar o que acontece quando as metáforas deixam de responder à dimensão da catástrofe. A criação atravessa poemas, canções, vozes ancestrais, fantasmas e símbolos da resistência palestiniana, procurando aquilo que pode permanecer vivo depois do fim da esperança.

Segue-se a estreia nacional de Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025), de Noor Abed e Haig Aivazian. A performance nasce de uma correspondência continuada entre os dois artistas, feita de reflexões, episódios quotidianos, leituras, poemas, canções e recitações. Em cena, esse arquivo transforma-se numa partitura de som, texto e movimento.

O corpo é simultaneamente instrumento e arquivo. Suspiros, tosses, murmúrios e sibilos percorrem o nariz, a boca, a laringe, a traqueia e os pulmões, fazendo da voz um lugar de memória e resistência. Ao convidarem o público a participar em alguns momentos da experiência sonora, Abed e Aivazian procuram construir uma câmara de ressonância coletiva, um coro heterogéneo perante a violência genocida que atravessa as trajetórias de ambos.

A jornada prossegue com The Book of Mud (2025), estreia nacional do artista libanês Ali Cherri. A lama — matéria situada entre a terra e a água, associada tanto à origem da construção como a paisagens temidas e fantasmagóricas — conduz uma reflexão sobre civilização, poder, geologia e memória. Ao percorrer narrativas de pântanos, águas estagnadas e planícies, Cherri pergunta o que a matéria guardaria se tivesse memória própria e o que escolheria recordar. O encontro termina com um momento de convívio em torno da mesa.

Duas estreias na Rampa encerram o ciclo

A 10 de outubro, a Rampa recebe duas obras inéditas. Em street tease (2026), Ana Isabel Castro propõe um exercício de observação assente na proximidade e na disponibilidade perante aquilo que nos rodeia. A performance prolonga questões de Adoçar (2025), trabalho em que a palavra «adoçar» — usada, no lugar de onde vem a artista, como sinónimo de lavar — designa a retirada do sal e do suor do corpo com água doce. Se nesse projeto a limpeza abria espaço à observação, street tease aproxima esse gesto do público e procura torná-lo mais direto, íntimo e igualitário.

O programa encerra com Barragem dos Minutos (2026), vídeo-performance de Marcelo Reis que dá continuidade à sua investigação sobre o ruído. Depois de trabalhar com quedas de água, o artista procura agora um ruído não sonoro num corpo de água, encontrado à primeira luz da manhã na Barragem dos Minutos, em Montemor-o-Novo. Uma voz sintetizada convoca autores como Hito Steyerl, Aaron Zwintscher e Warren Weaver e explora a tensão entre ruído e apofenia — a tendência para reconhecer padrões onde eles não existem. No limite do audível, a própria voz deixa em aberto a dúvida sobre aquilo que é realmente escutado e aquilo que a imagem e as legendas levam o público a ouvir.

Entre Lisboa e Porto, MY CENTER IS NOT IN THE SOLAR SYSTEM constrói assim uma cartografia descontínua, feita de histórias coloniais, deslocações, matéria, perda e persistência. Mais do que oferecer respostas comuns, o programa aproxima práticas que usam a performance para descentrar o olhar e tornar sensíveis relações que as narrativas dominantes tendem a apagar.

Programa

CAM — Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Sábado, 19 de setembro

  • 20h00 — Sammy Baloji, Missa Utica (2024), estreia nacional

Mosteiro de São Bento da Vitória, Porto

Sábado, 3 de outubro

  • 16h00 — Abertura
  • 16h30 — Shahd Wadi com James Newitt, Matei o Pássaro (2026), estreia absoluta
  • 17h30 — Noor Abed e Haig Aivazian, Nothing Will Remain Other than the Thorn Lodged in the Throat of this World (2025), estreia nacional
  • 18h30 — Ali Cherri, The Book of Mud (2025), estreia nacional
  • 20h00 — Convívio

Rampa, Porto

Sábado, 10 de outubro

  • 15h00–19h00 — Ana Isabel Castro, street tease (2026), estreia absoluta
  • 19h00 — Marcelo Reis, Barragem dos Minutos (2026), estreia absoluta

18.09.2026 | by martalanca | performance, Sammy Baloji, Shahd Wadi

Affective Utopia I Kadist Paris

Avec Sammy Baloji & Filip De Boeck, Luis Camnitzer, Ângela Ferreira, Alfredo Jaar, Kiluanji Kia Henda, Grada Kilomba, Reynier Leyva Novo et Paulo Nazareth*

KADIST invite Mónica de Miranda et Bruno Leitão, fondateurs et directeurs de Hangar, un centre de recherche artistique situé à Graça (Lisbonne) pour une résidence curatoriale et une exposition.

Développée sur trois chapitres, l’exposition Affective Utopia abordera les questions et les défis relatifs à la production de connaissances artistiques et de pratiques curatoriales en regard des tensions et conflits générés par les problématiques Sud/Nord, des divisions géographiques, de l’assimilation culturelle et du besoin urgent de décoloniser les pratiques curatoriales et artistiques. 

Les artistes de l’exposition abordent différentes façons de penser et d’interpréter la notion d’utopie dans l’art contemporain. Le concept d’utopie implique deux notions liées bien que contradictoires : d’une part l’aspiration à un monde meilleur,  d’autre part le fait qu’elle n’existe dans nos imaginaires seulement qu’à travers les fictions inventées par les artistes. Affective Utopia réfléchit à cette ambivalence et pose la question de comment l’art peut être un outil de réflexion critique sur ses propres processus de socialisation et ses liens avec les concepts géographiques affectifs d’appartenance, d’origine et de diaspora.

Inviter une structure artistique en résidence permet d’expérimenter le déplacement de pratiques contextuelles pour offrir de nouvelles perspectives à des discussions ayant lieu à Paris et à l’international.

A Lisbonne, Hangar conçoit ses expositions comme des espaces d’engagement avec le public afin de depasser sa condition de spectateur, à travers des stratégies génératrices de sociabilité. Les fondateurs de Hangar souhaitent délocaliser cette approche à Paris le temps de l’exposition, en proposant un programme de rencontres en dialogue avec le public dans un autre contexte. 

Hangar est à la fois un espace d’exposition, de recherche et de résidences d’artistes. C’est également un centre éducatif qui organise des temps de discussion dans le but d’unifier les lieux géographiques et de stimuler le développement de pratiques artistiques et théoriques. Hangar cherche à développer des projets artistiques interdisciplinaires qui se concentrent sur la ville de Lisbonne en tant que scène centrale pour la culture contemporaine. La programmation artistique est tournée vers les problématiques Sud/Nord prenant comme référence la position spécifique de cette ville, carrefour géographique ainsi qu’historique.

*Les artistes de l’exposition à KADIST ont tous travaillé avec Hangar à Lisbonne à travers des résidences, des conférences ou des expositions.

With: Sammy Baloji & Filip De Boeck, Luis Camnitzer, Ângela Ferreira, Alfredo Jaar, Kiluanji Kia Henda, Grada Kilomba, Reynier Leyva Novo
and Paulo Nazareth*

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KADIST invites Mónica de Miranda and Bruno Leitão, founders and directors of Hangar, an artistic research center located in Graça, Lisbon, for an art-space residency and exhibition.

Developed over three chapters, the exhibition Affective Utopia will approach questions and challenges relative to the production of knowledge in the arts and curatorial practices: a reflection on the tensions and conflicts generated by South/North issues, geographic divisions, cultural assimilation and the urgent need for decolonization of thought in curatorial processes and artistic production.

The artists in this exhibition discuss the different ways of thinking and performing utopia in contemporary art from a broad range of angles. The concept of utopia entails two related but contradictory perceptions: the aspiration to a better world, and the acknowledgement that its form may only ever live in our imaginations through the artists’ fictional reconstructions of reality. Affective Utopia reflects this general ambivalence, but it also poses the question of how art can be a tool for critical reflection of one’s own socialization process and to one´s connections to affective geographic concepts of belonging, origin and diaspora.

The purpose of the art-space residency is to experiment with delocalizing context relevant practices in order to offer new perspectives on discussions happening in Paris, and internationally. 

Hangar in Lisbon produces exhibitions as spaces of action for public engagement beyond spectatorship and through strategies that produce sociality. 

Delocalized at KADIST during the time of this exhibition, Bruno Leitão and Mónica de Miranda’s project will reframe this approach towards public engagement in another context and towards another audience. 

Hangar is comprised of a center of exhibitions, artistic residencies, and artistic studies. It is also a center of education, talks and conversations that unify geographic locations and stimulate the development of artistic and theoretical practices. It seeks to organize and produce the development of artistic inter-disciplinary projects and visual arts projects that focus on Lisbon as a central backdrop for contemporary culture. Hangar’s artistic program is focused on South/North problematics, taking from the specific position that Lisbon occupies both geographically as well historically.

*The artists in the exhibition have all worked with Hangar in Lisbon through residencies, talks or exhibitions.

Vernissage : le vendredi 8 février 2019
Opening on Friday, February 8, 2019Les chapitres / chapters:
1 — Concrete Utopia 
09.02 — 03.03 Avec / with Sammy Baloji & Filip De Boeck, Ângela Ferreira, Kiluanji Kia Henda
2 —Art as a Critical Tool 07.03 — 24.03 Avec / with Luis Camnitzer, Alfredo Jaar,Reynier Leyva Novo
3 —The Body as a Political Tool
04.04 — 21.04 Avec / with Grada Kilomba andPaulo NazarethLes événements / events*:26.02 Conférence de / talk by Sammy Baloji & Filip De Boeck
07.03 Conférence de / talk by Luis Camnitzer
12.04 Grada Kilomba en conversation avec / in conversationwith Paul Goodwin
*Tous les événements liés à l’exposition auront lieu à 19h au bureau de KADIST. / All associated events will take place at 7 pm, at the KADIST office.

VISIT KADIST, PARIS 19bis/21 rue des Trois Frères 75018 +33 1 42 51 83 49

04.02.2019 | by martalanca | Affective Utopia, Alfredo Jaar, ângela ferreira, Bruno Leitão, Filip De Boeck, Grada kilomba, HANGAR, KADIST, kiluanji kia henda, Luis Camnitzer, Monica de Miranda, Paulo Nazareth, Reynier Leyva Novo, Sammy Baloji

Urban Realignments: Ethnographic and Artistic Ventures into Congo’s Cityscapes, conversa com Sammy Baloji e Filip De Boeck

SAMMY BALOJI e FILIP DE BOECK, foto de Dieter TelemansSAMMY BALOJI e FILIP DE BOECK, foto de Dieter TelemansSammy Baloji e Filip De Boeck falarão do seu livro Suturing the City: Living Together in Congo’s Urban Worlds (2016) e da sua exposição Urban Now: City Life in Congo, que estará patente em Lisboa a partir do final de Março (Galeria Av. da Índia).

Sammy Baloji (b. 1978, Lubumbashi, República Democrática do Congo) é um artista visual que vive entre Bruxelas e Lubumbashi. É o co-fundador da Bienal de Lubumbashi, organizada por Picha Asbl. Reconhecido internacionalmente, o trabalho de Baloji tem sido exibido em espaços relevantes, tais como o Musée du Quai Branly, Paris; Muzee, Ostend; the Royal Museum for Central Africa, Tervuren; Museum for African Art, Nova Iorque; WIELS, Bruxelas; Bienal de Arte de Veneza, Veneza; e Documenta 2017, Kassel e Atenas. Publicações recentes incluem Mémoire/Kolwezi (2014), Hunting and Collecting (2016), e Suturing the City: Living Together in Congo’s Urban Worlds (2016, com Filip De Boeck).

Filip De Boeck (b. 1961, Antuérpia, Bélgica) é Professor de Antropologia no Institute for Anthropological Research in Africa (IARA) da Universidade Católica de Lovaina, Bélgica. As suas publicações incluem Kinshasa: Tales of the Invisible City (2004, com a fotógrafa Marie-Francoise Plissant), e mais recentemente Suturing the City: Living Together in Congo’s Urban Worlds (2016, com Sammy Baloji). De Boeck também realizou Cemetery State (2010), um documentário sobre um cemitério de Kinshasa, e produziu várias exposições. A sua exposição Kinshasa: Imaginary City(2014), co-comissariada com Koen Van Synghel para o pavilhão belga da 9ª Bienal de Arquitectura de Veneza, recebeu um Leão de Ouro.

Em 2016, De Boeck e Baloji apresentaram a exposição Urban Now: City Life in Congo no WIELS Contemporary Art Centre, Bruxelas, em colaboração com a Open Society (Nova Iorque) e The Power Plant (Toronto). A 23 de Março de 2018, a exposição inaugura na Galeria Avenida da Índia/EGEAC (Lisboa).

Data: 24 de Março de 2018

Local: Hangar – Centro de Investigação Artística

Horário: 18:00 – 20:00

Moderação: Ana Balona de Oliveira

Organização:

Ana Balona de Oliveira, Pensando a Partir do Sul: Comparando Histórias Pós-Coloniais e Identidades Diaspóricas através de Práticas e Espaços Artísticos, Transnational Perspectives on Contemporary Art: Identities and Representation, CASt-IHA-FCSH-NOVA e Visual Culture, Migration, Globalization and Decolonization, CITCOM-CEC-FLUL.

Mónica de Miranda, Post-Archive: Politics of Memory, Place and Identity, CITCOM-CEC-FLUL.

Apoio: DG Artes, FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, IHA-FCSH-NOVA, CEC-FLUL.

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URBAN REALIGNMENTS: ETHNOGRAPHIC AND ARTISTIC VENTURES INTO CONGO’S CITYSCAPES

TALK WITH SAMMY BALOJI AND FILIP DE BOECK

Date: March, 24

Venue: Hangar – Artistic Research Centre, Lisbon

Schedule: 6 pm – 8 pm

Sammy Baloji and Filip De Boeck will discuss their book Suturing the City: Living Together in Congo’s Urban Worlds (2016) and their exhibition Urban Now: City Life in Congo, which will be on view in Lisbon from the end of March (Galeria Av. da Índia).

Sammy Baloji (b. 1978 Lubumbashi, Democratic Republic of Congo) is a visual artist based in Brussels and Lubumbashi. He is the co-founder of the Lubumbashi Biennial organized by Picha Asbl. Internationally renowned, Baloji’s work has been exhibited in prestigious venues such as the Musée du Quai Branly, Paris; Muzee, Ostend; the Royal Museum for Central Africa, Tervuren; Museum for African Art, New York; WIELS, Brussels; the Venice Art Biennial, Venice; and Documenta 2017, Kassel and Athens. Recent book publications include Mémoire/Kolwezi (2014), Hunting and Collecting (2016), and Suturing the City: Living Together in Congo’s Urban Worlds (2016, with Filip De Boeck).

Filip De Boeck (b. 1961, Antwerp, Belgium) is Professor of Anthropology at the Institute for Anthropological Research in Africa (IARA) at the Catholic University of Leuven, Belgium. His book publications include Kinshasa: Tales of the Invisible City (2004, with photographer Marie-Françoise Plissart), and most recently Suturing the City: Living Together in Congo’s Urban Worlds (2016, with Sammy Baloji). De Boeck also directed Cemetery State (2010), a documentary about a Kinshasa graveyard, and produced several exhibitions. His exhibition Kinshasa: Imaginary City (2014), co-curated with Koen Van Synghel for the Belgian Pavillion at the 9th Venice Architecture Biennial, was awarded a Golden Lion.

In 2016, De Boeck and Baloji presented the exhibition Urban Now: City Life in Congo at WIELS Contemporary Art Centre, Brussels, in collaboration with the Open Society (New York) and The Power Plant (Toronto). On March 23 2018, the exhibition will open at Galeria Av. da Índia/EGEAC (Lisbon).

Chair: Ana Balona de Oliveira

Organization:

Ana Balona de Oliveira, Thinking from the South: Comparing Post-Colonial Histories and Diasporic Identities through Artistic Practices and Spaces, Transnational Perspectives on Contemporary Art: Identities and Representation, CASt-IHA-FCSH-NOVA and Visual Culture, Migration, Globalization and Decolonization, CITCOM-CEC-FLUL.

Mónica de Miranda, Post-Archive: Politics of Memory, Place and Identity, CITCOM-CEC-FLUL.

Support: DG Artes, FCT – Foundation for Science and Technology, IHA-FCSH-NOVA, CEC-FLUL

08.03.2018 | by martalanca | Filip De Boeck, Sammy Baloji

Exposition CONGO FARWEST

Bonjour,
J’ai le réel plaisir de vous inviter à visiter l’exposition Congo Farwest à partir du 10 mai 2011 au Musée de Tervuren.L’exposition est le résultat d’une résidence dans les collections du département d’histoire coloniale du musée. Depuis septembre 2008, Patrick Mudekereza et moi avons travaillé sur les archives coloniales.Nous serons heureux de vous présenter nos travaux et de recevoir vos commentaires.
Bien à vous, Sammy Baloji+32 488 210 685

28.04.2011 | by martalanca | Congo, Sammy Baloji