Memória Ambiental — MAAT

29 de Maio | 15.00 - 18.00

Programa: Clima: Emergência > Emergente

Curadora:Margarida Mendes

Com: Boaventura Monjane, Joana Roque de Pinho, João Ruivo, Julia Seixas, proTEJO, Movimento SOS Serra d’Arga

Local: Sala dos Geradores [Central]

João Ruivo, 'Monólitos Solo'João Ruivo, 'Monólitos Solo'

Este fórum composto por dois painéis – integrado na iniciativa de programação do maat Clima: Emergência > Emergente – aborda legados críticos do extrativismo e a atual transição energética propondo futuros restaurativos. O fórum reúne investigadores e ativistas que operam nos campos da engenharia do ambiente, conservação e humanidades, para discutirem o legado colonial da política de recursos e opções alternativas para a utilização da terra e da água.
Cruzando o campo da crítica infraestrutural com o discurso descolonial, Memória Ambiental introduz perspectivas históricas sobre o planeamento agrário, a gestão de recursos e práticas de conservação, definindo um eixo entre a injustiça climática contemporânea e o legado colonial das políticas ambientais, tanto em Portugal como noutros locais. Pondo em causa o extrativismo que permeia os modelos económicos contemporâneos, os convidados analisam a sua origem em regimes prévios de instrumentalização de solos e recursos, fundeando o debate em casos de estudo em territórios previamente colonisados. São também introduzidas perspectivas críticas sobre modelos emergentes para uma transição energética justa, questionando-se o conceito de “energia verde” em relação à manutenção hidrográfica da bacia do Tejo que atravessa a Península Ibérica, e à extração de lítio no Alto Minho.

As conversas (em inglês) contam com a participação de Boaventura Monjane, Joana Roque de Pinho, João Ruivo, Júlia Seixas, proTEJO – Movimento pelo Tejo, Movimento SOS Serra d’Arga, a convite de Margarida Mendes.

Painel 1:
Disputas territoriais em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Portugal

Com Boaventura Monjane, Joana Roque de Pinho, João Prates Ruivo.
Moderação Margarida Mendes.

Boaventura Monjane fala-nos das dinâmicas agrárias e de extração, de penetração de capital em zonas rurais do Sul Global, olhando em particular para processos de acumulação históricos, mas também dos nossos dias. A conferência traz luz às raízes muitas vezes obscuras do contínuo conflito de Cabo Delgado no norte de Moçambique, ou seja, o modo militarista do extrativismo de enclave, que amplia desigualdades sociais e económicas existentes, e os usuais défices no que diz respeito à tomada de responsabilidade, transversalmente evidentes no sector de extração em África. Monjane fala-nos ainda sobre o que é cunhado por ele como “reações políticas vindas de baixo” para destacar agências rurais (e urbanas) no confronto e resistência ao extrativismo (e militarização).

Através de fotografias e narrativas criadas por um grupo variado de agricultores da Guiné-Bissau que vivem no Parque Nacional de Cantanhez, a apresentação de Joana Roque de Pinho examina as descrições locais de uma paisagem culturalmente muito valorizada e as próprias práticas dos agricultores de conservação de biodiversidade, ambas as quais desafiam narrativas dominantes sobre o parque e os seus residentes.

Partindo de uma leitura crítica da história recente do aproveitamento hidroelétrico, a conferência de João Prates Ruivo foca o papel das missões de reconhecimento pedológico na reconfiguração territorial ocorrida durante o conflito anticolonial em Angola, e refletir hoje sobre as possibilidades de práticas situadas de resistência, no contexto das transformações ambientais decorrentes do projeto de cultivo intensivo da Barragem de Alqueva, no Alentejo.

Painel 2:
Vectores energéticos e modelos de conservação
Com Júlia Seixas, Carlos Seixas (Moviemento SOS Serra d’Arga) and Paulo Constantino (Movimento proTEJO).
Moderação Margarida Mendes.

O uso de recursos energéticos tem aumentado desde a revolução industrial, particularmente depois do fim da Segunda Guerra Mundial, para suportar o número crescente de serviços humanos e sociais. Os modelos de abastecimento de combustível fóssil têm colocado uma enorme pressão ambiental e social em algumas zonas do planeta, nomeadamente em países vulneráveis, com poucos ou nenhuns benefícios para as suas populações. Segundo Júlia Seixas, a transição energética traz um novo modelo muito baseado em recursos energéticos locais, mas muito exigente para com a terra, os minerais e metais. A “velha” relação entre países fornecedores de recursos e países consumidores de tecnologia ainda persiste, dificultando a transição justa desejada pelas novas gerações.

Endereçando a questão da prospecção de lítio em Portugal, Carlos Seixas do Movimento SOS Serra d’Arga esclarece como a população do Minho tem resistido ao projeto governamental de fomento mineiro, expondo como os cidadãos podem combater a mentira da mineração verde e ganhar esta batalha.

proTEJO – Movimento pelo Tejo questiona o conceito de energia verde e irá apresentar a sua posição sobre as questões hídricas e energéticas ligadas à bacia do Tejo, que vem a observar desde 2009. Prestando especial atenção às questões de conservação e salvaguarda da biodiversidade do rio Tejo e seus afluentes, o movimento propõe uma gestão sustentável, transparente e participativa da bacia hidrográfica do Tejo a fim de assegurar a disponibilidade de água em quantidade suficiente e de qualidade tanto para nós como para as gerações futuras. Com este objetivo considera fundamental a defesa dos pilares da vida do rio: a quantidade de água com a circulação de caudais ecológicos, em consonância com os ritmos sazonais e com condições que permitam a migração das espécies; a qualidade da água para suprir as necessidades humanas e ecológicas; e a conectividade fluvial que mantém um rio livre e vivo para assegurar as condições naturais para termos água em quantidade e com qualidade, bem como para preservar a biodiversidade e o património cultural material e imaterial associado.

Sobre o programa
Ao chamar a atenção para a emergência climática, a iniciativa de programa público Clima: Emergência > Emergente estimula análises críticas e propostas criativas que procuram ir além do catastrofismo, fazendo emergir futuros ambientalmente sustentáveis.
De âmbito internacional e interdisciplinar, o programa foi idealizado pelo recém-fundado Coletivo Climático do maat, dirigido por T. J. Demos, e destina-se a reunir diferentes profissionais de cultura que trabalham na interseção das artes experimentais com a ecologia política.

Leia a declaração do Coletivo Climático no maat ext. (em inglês).

25.05.2021 | by Alícia Gaspar | ambiente, angola, conversas, Guiné-Bissau, maat, memória ambiental, Moçambique, Portugal, proTEJO

Seminário de Estudos Africanos dia 16 de Maio

 Dia 16 de Maio de 2011, 2ª feira, às 18h, no Auditório B103, se efectuará o  Seminário de Estudos Africanos apresentado pela Doutora Brigida Rocha Brito, investigadora pós-doutoral do CEA-IUL, sobre Preservação Ambiental e Desenvolvimento Comunitário: semelhanças e diferenças em contexto insular africano.

16.05.2011 | by martalanca | ambiente, Estudos Africanos

ANÚNCIO DE VAGA ENGº AGRÓNOMO_TINIGUENA (GUINÉ-BISSAU)

No quadro do projecto Anos Ku Tem Tera! Promover a soberania alimentar, fortalecer a economia e a governação local, uma parceria entre a TINIGUENA, a DIVUTEC e o CIDAC, financiado pela EU, pretende-se recrutar um(a) Engenheiro(o) Agrónomo(a) guineense, com o seguinte perfil:

1.1.  Formação superior em Agronomia e/ou agroeconomia

1.2.  Mínimo de 5 anos de experiências de terreno no domínio da agricultura durável e gestão integrada dos espaços rurais

1.3.  Conhecimento e domínio de métodos participativos de animação comunitária e organização do mundo rural

1.4.  Conhecimento e experiência de dinâmicas económicas geradoras de auto-emprego no mundo rural

1.5.  Conhecimento da realidade socioeconómica e sistemas de produção das comunidades das zonas de intervenção do projecto

1.6.  Capacidade de produzir relatórios e documentos técnicos

1.7.  Capacidade de trabalho em equipa

1.8.  Conhecimento, interesse e convicções nas questões centrais abordadas pelo projecto (conservação da biodiversidade, soberania alimentar, direitos comunitários, desenvolvimento participativo e durável)

1.9.  Perfeito domínio do Português e Crioulo

1.10.   Domínio de pelo menos uma língua estrangeira (de preferência Francês) é uma vantagem

1.11.   Capacidade de se integrar dentro de uma instituição e de trabalhar ao seu serviço, abraçando sua história, identidade, valores e percurso

Candidaturas:

As candidaturas deverão ser dirigidas à Direcção da Tiniguena e depositadas na sua sede em Bissau, até ao dia 16 de Abril de 2011, às 13h00, em envelope fechado, contendo os seguintes documentos:

§   Carta de motivação;

§   Curriculum Vitae;

§   Cópia autenticada do Diploma ou Certificado de Habilitações;

§   Fotocópia do Bilhete de Identidade ou Passaporte.

As candidaturas poderão ainda ser enviadas via Internet, para os endereços electrónicos abaixo referidos.

Para consulta dos Termos de Referência e informações adicionais, favor contactar o Assistente PMA da Tiniguena, Sr. Miguel de Barros, nos horários de funcionamento desta organização (das 8H30 às 15H00) e através das seguintes coordenadas:

Telefone: (+245) 325 19 07             E-mail: tiniguena_gb@hotmail.comdebarros.miguel@gmail.com

A TINIGUENA

30.03.2011 | by martalanca | ambiente, Guiné Bissau, Tiniguena