Rogério de Carvalho vence o Grande Prémio da Crítica (ACPT) de teatro, 2012

O encenador Rogério de Carvalho foi distinguido pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro pelas encenações “Devagar” e “O Doente Imaginário” que assinou em 2012. As companhias Teatro dos Aloés e Primeiros Sintomas, e o fotógrafo João Tuna foram também escolhidos pelo trabalho realizado no ano passado.

O encenador Rogério de Carvalho, que nasceu em Angola, em 1936, foi distinguido com o Prémio da Crítica 2012 pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (APCT) pelo “trajecto artístico de invulgar excelência e rigor”, como referido no Jornal Público

Em 2012, Rogério de Carvalho assinou “Devagar”, para a companhia As Boas Raparigas, a partir de textos de Howard Barker. A companhia, da qual é director artístico, estreou a peça a 16 de Novembro no Teatro Carlos Alberto, no Porto. O encenador assinou ainda “O Doente Imaginário”, para o Ensemble, e que estreou no FITEI a 1 de Junho, também no Porto. 

O júri, constituído por Alexandra Moreira da Silva (dramaturgista, tradutora e investigadora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto), João Carneiro (crítico no jornal Expresso), Maria Helena Serôdio (que preside à APCT), Jorge Louraço Figueira (crítico de teatro no Jornal Público) e Rui Monteiro (crítico de teatro na revista Time Out), encontrou nestes dois trabalhos “uma singular intensidade no trabalho sobre a voz e sonoridades com o rigor da inscrição do corpo dos actores num espaço que um belíssimo jogo de luz e sombras transfigurava de forma audaciosa”, como refere ainda a notícia do Público.

Rogério de Carvalho é um colaborador regular da Cena Lusófona – dirigiu “O Mulato dos Prodígios”, de José Mena Abrantes (co-produção com o Elinga Teatro, de Angola, em 1997), “A Fronteira” (no âmbito do I Estágio Internacional de Actores, em 1997) e “Pedro Andrade, a Tartaruga e o Gigante” (co-produção com o Cena Só, de São Tomé, em 2003), para além de várias oficinas de interpretação.

A entrega dos prémios da APCT, que distinguiram ainda, com Menções Honrosas, o fotógrafo João Tuna e os espectáculos “juramentos indiscretos”, do Teatro dos Aloés, e “Salomé”, do grupo Primeiros Sintomas, decorrerá no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em data ainda a anunciar.

fonte

13.02.2013 | par herminiobovino | teatro, teatro angolano, teatro português

Mário Macilau’s Portraits of the “Forgotten” Elderly

On display this month at the Centro Cultural Franco-Moçambicano in Maputo are Mozambican photographer Mário Macilau’s portraits he made of elderly people all over the continent (Nigeria, Congo, Mozambique, Cameroon, Kenya, Mali, etc.) during the year 2012. The title of the series is “Esquecidos” (Forgotten). In a short email, Mário Macilau explained his project:

A number of studies indicate that the average life expectancy has increased in the last decades. The implementation of technology, agriculture, medicine and sanitation have contributed to this phenomenon. As a result, this significant part of the population is reaching an age that does not permit this population to participate in labour nor to contribute to the production of everyday activities and self-maintenance. The growth of the population over sixty-five years – the age of retirement – is only increasing to such an extent that the elderly population might constitute half of the entire European population in the coming twenty years. Could ageing thus be understood as a blessing?

In affluent societies, the demands of the high-performance labour that is paired with the increasing life expectancy, a culture of care homes has been put in place. Elderly members of the family are placed in these homes under care of professionals who are often strangers to these vulnerable groups. Care homes are part social club, dispensaries and hospices.

This culture of displacement stands in contrast with social values of the traditions of living together and growing old in one homestead, whereby senior members of the family were cared for by their offspring. Such cultures can still be found in rural areas and some parts of African countries.





“Esquecidos” runs until 5 March 2013 at the Centro Cultural Franco-Moçambicano.

11.02.2013 | par herminiobovino | arte africana, exposição de fotografia, mozambique

Na sua quarta edição, o FESTin inova!

O FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa — atinge seu 4o ano e busca o apoio do público para poder premiar os melhores trabalhos apresentados durante o festival. Dessa forma, qualquer pessoa pode contribuir, ganhar recompensas exclusivas e, acima de tudo, saber que incentivou o cinema independente de língua portuguesa, seus produtores e realizadores.

O FESTin foi criado a pensar nas centenas de cineastas que não encontram espaço de exibição para o seu trabalho. O FESTin é feito por voluntários, que dedicam gratuitamente uma boa parte do seu tempo à concretização deste projeto. Eles têm contado com o apoio imprescindível da EGEAC e do Cinema São Jorge, para além de outros parceiros que ajudam com bens e serviços essenciais.

A programação do FESTin inclui uma competição oficial de longas e curtas- metragens, mostras temáticas paralelas, oficinas, debates e espetáculos. O FESTin já é um festival com muitas virtudes, porém os organizadores têm a noção de que poderia ser muito melhor. E é aqui que precisam da sua ajuda: precisam reunir fundos a distribuir como prémios à melhor longa-metragem (2.500 €) e melhor curta-metragem (500 €). Se o valor angariado for superior ao pedido, redistribuirão o saldo restante pelas duas categorias, premiando ainda mais o trabalho dos cineastas vencedores.

O projeto está em captação no site Zarpante até 29 de março de 2013. Tanto pessoas físicas quanto jurídicas podem contribuir. Recompensas estão previstas em troca: convites, um jantar com a presença de realizadores convidados, agradecimento público na cerimónia de entrega de prémios, inserção de logótipo na divulgação do FESTin…

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08.02.2013 | par martalanca | cinema, crowdfunding

"Terra de Ninguém", de Salomé Lamas na Berlinale

Uma sala neutra. Terra de ninguém. Um homem sentado numa cadeira conta-nos a sua vida. Na sua juventude foi soldado de uma tropa de elite na guerra colonial em Angola e em Moçambique. Depois do 25 de abril trabalhou como guarda-costas em Portugal, mais tarde como mercenário da CIA em El Salvador, e finalmente como assassino a mando da organização clandestina basca GAL, onde executava pessoas por encomenda. A monstruosidade da crueldade exibida contrasta com o minimalismo formal do filme e a narrativa do protagonista. Imperturbável, ele descreve detalhes brutais, comenta com grande lucidez o pano de fundo da história política, conta anedotas e piadas. Os seus depoimentos são numerados e servem de base para a pesquisa e reflexões da cineasta. Uma aposta num terreno incerto: factos e ficção, memórias e fantasias, confissão e encenação pessoal andam de mão dada, enquanto a credibilidade e identidade avo sempre sendo questionadas. O denso e inquietante protocolo fílmico de uma existência na sombra trona-se num exame multifacetado das bases e dos limites do trabalho documental.

Portugal 2012, 72 Min. (9, 10, 12, 15.2.2013 no Berlinale Forum)

Produção: Luís Urbano, O Som e a Fúria

08.02.2013 | par martalanca | guerra colonial, mercenário

Kinshasa é para os ouvidos

Você deve ouvir Kinshasa. Kinshasa é para os ouvidos, não para os olhos

É desse jeito singelo que o músico congolense Jupiter Bokondji descreve a capital da República Democrática do Congo, uma das cidades mais musicais do continente africano.

É difícil dizer o que é mais inspirador: a música de Jupiter ou sua história de vida. Segundo o texto do site Groovalizacion, adaptado pelo tás a ver?, ”quando ninguém se atrevia a redimensionar os sons da música congolesa, por medo de transformar sua frutífera tradição, Jupiter, que tinha acabado de chegar a Kinshasa, depois de ter vivido na Alemanha do Leste e na Bélgica como filho de um diplomata, trouxe na mala os ritmos que lhe tinham quebrado a cabeça. Com os pés na cidade, a realidade tomou-o de surpresa e na rua, a música manteve-o no caminho da dignidade. Vivendo para e pela sua música, entendeu, viajando pelo seu país, a força que cada uma das 450 etnias existentes no Congo traz em seus ritmos, de onde surgem uma gama inimaginável de sons, muitos dos quais chegaram até outros continentes. No documentário “Jupiter’s Dance” (2006 – trailer acima), que passeia pela vanguarda do movimento underground da capital, Bokondji conta-nos: “Uma pessoa não vê a Kinshasa, ouve-a. Em cada casa há um músico”. A banda que o acompanha, The Okwess Internacional, mistura os ritmos do Kassai, Baixo Congo, Ecuador e outras regiões do Congo, com a pimenta do Afro-Beat, do Reggae, do Rock e do Funk… este ritmo alucinante Jupiter cunhou de Bofenia Rock.”

Depois de 20 anos estudando e produzindo música, Jupiter finalmente começou a ficar conhecido fora do Congo. Gravou pela Virgin o excelente álbum “Man Don’t Cry” (2007), fez um tours pela Europa e esteveno Brasil no ano passado durante o festival Back2Black. Mas mesmo com essa ascensão recente, suas musicas mantêm a sonoridade dos guettos que o revelaram, muitas vezes nascendo de encontros, instrumentos e situações improvisadas, como é possível ver nesse vídeo.

 Ju Borges, no Tás a Ver 

08.02.2013 | par martalanca | Jupiter Bokondji, Kinshasa, República Democrática do Congo

Tolerace - Final Conference

International Conference
(Anti-)racism and critical interventions in Europe
Social sciences, policy developments and social movements
19-20 February 2013

Venue: CIUL Auditorium (Picoas Plaza, Lisbon)
Free registration: www.ces.uc.pt
(English-Portuguese translation services will be made available)

In contemporary Europe, we are witnessing the vanishing of anti-racism from political cultures and academic discourses, in favour of an approach that intervenes on immigrants and minorities themselves via public rhetoric on
integration.

This conference will thus bring together an international community engaging in debates on racism and anti-racism to discuss the analytical approaches and main findings of the European research project
TOLERACE - The semantics of tolerance and (anti-)racism in Europe: public bodies and civil society in comparative perspective, coordinated by the Centre for Social Studies.

The debate will focus on key issues that bring about an in-depth analysis of racism and anti-racism, such as the historical legacies of national formation processes and colonialism, contemporary political developments in European contexts, and the role of academia and social organisations in policy advice.

The event is intended as an opportunity to engage with policymakers, academics, political activists, journalists and stakeholders at local, national and European levels, discussing the difficulties of addressing racism in contemporary European contexts, as well as to propose a way forward by identifying approaches and key areas in which a sound debate on anti-racism can be constructed.

19 February
Opening Session
9:30-10:00 Welcome and Registration

10:00-11:00
Critical interventions in contemporary politics in Europe: the future of an anti-racist agenda
Chair: Maria Paula Meneses (Centro de Estudos Sociais).

Boaventura de Sousa Santos (CES)
Louisa Anastopoulou (EC project officer) – to be confirmed
Silvia Maeso (CES)
Marta Araújo (CES)

11:00-12:00
Keynote address: Jorge Sampaio (UN High Representative for Alliance of Civilizations).

Lunch break

14:00-16:30
The vanishing of anti-racism within policy developments in education and employment
Chair: Frank Peter (European University Viadrina/U. of Bern).

Presentation of TOLERACE case studies:
Marta Araújo (Centro de Estudos Sociais): “The ‘prudent integration’ of the Roma/Gypsies: Racism, school segregation and white flight”
María Martínez (Universidad del País Vasco): “From the racial question to the social question: avoiding (anti)-racism in the Basque educational system”
Tina Jensen (The Danish National Centre for Social Research): “Discrimination and Employment in Denmark: ‘Old’ and ‘New’ Immigrant Groups”
Salman Sayyid (CERS, University of Leeds): “Muslims in the labour market in the UK: Leeds and Leicester”

Comments:
Eva Smith-Asmussen (U. of Copenhagen/ECRI) and Robert Rustem (European Roma and Travellers Forum).

Discussion
17:00-18:00
Keynote address
David T. Goldberg (University of California, Irvine): “Postracial Conditions”
20 February
9:30-11:30
The politics of representation: (anti-)racism and the media
Chair: Ian Law (CERS, University of Leeds)

Presentation of TOLERACE case studies:
Simona Pagano (European University Viadrina, Frankfurt): “Chasing the gypsy, immolating the gypsy, securing the city: Roma and ‘nomad camps’ in the Italian media”
Ángeles Castaño (Universidad de Sevilla): “Cultural diversity in the media: immigration, education and Islam in Andalusia”
Hakan Tosuner (European University Viadrina, Frankfurt): “Female Victims - Male Perpetrators. Representation of the Muslim ‘other’ in the German media”.

Comments: Nadia Fadil (University of Leuven).

11:45-13:00:
Documentary “Era uma vez um arrastão”/ “The Beach Rampage That Never Was”, Diana Andringa (2005)
Presentation by the documentary’s director
Discussion

Lunch Break

14:30- 15:30
Keynote address
Ramón Grosfoguel (University of California, Berkeley): Decolonizing Epistemic Racism/Sexism in Europe Today: “The Decolonial Perspective of Boaventura de Sousa Santos and Frantz Fanon in the Context of Decolonial European Struggles”.

16:00-18:00
Round table: The state, academia and policy advice: better horizons?

Chair: Silvia Maeso (CES)

Opening intervention: Kwame Nimako (University of Amsterdam)
Discussion:
Javier Sáez (Fundación Secretariado Gitano)
Arzu Merali (Islamic Human Rights Commission)
Mamadou Ba (SOS Racismo)
Sandew Hira (International Institute for Scientific Research)

18:30-19:30
Closing keynote address: Pedro Bacelar de Vasconcelos (Universidade do Minho).

web

07.02.2013 | par herminiobovino | Conference, conferência, lisboa, racismo

Faz Escuro nos Olhos - LISBOA

Faz Escuro nos Olhos, criação coletiva do Teatro Griot e do encenador Rogério de Carvalho, estará em cena no Teatro do Bairro de 14 a 23 de fevereiro, de quinta-feira a sábado, às 21h.

06.02.2013 | par martalanca | Rogério de Carvalho, teatro

DEATH METAL ANGOLA - filme

The hardest hardcore is Angolan hardcore.

Following nearly 40 years of unrelenting war – with every attendant horror – peace and reconstruction are slowly arriving to Angola. Damaged first by the war for independence from Portugal, Angola was then ripped apart by a devastating civil war that orphaned thousands of children. Huambo, Angola’s second largest city, finds 55 of these children in the Okutiuka orphanage under the care of Sonia Ferreira. Sonia’s boyfriend, Wilker Flores, is a death metal guitarist who uses the brutal sounds and rhythms of this hardcore music as a path to healing, or, as Sonia says, “to clear out the debris from all these years of war.”

DEATH METAL ANGOLA tracks Wilker and Sonia’s dream – to stage Angola’s first-ever national rock concert, bringing together members from different strands of the Angolan hardcore scene from different provinces – as it unfolds in fits and starts against the bombed out and mined backdrop of the formerly stately Huambo. Rubble and deconstructed spaces provide scenic reminders of why
hardcore music has gained a foothold.

What initially looks like a Quixotic undertaking gains momentum, aided by social media and propelled by members of the various branches of the death metal hardcore underground, who join together to stage the event. Raucous and righteous, DMA’s look at a rock show off the grid is fulfilling, haunting, and real.

06.02.2013 | par martalanca | angola, hard core, metal

E se fossem os países africanos a ajudar o Ocidente? - artigo no Sol sobre No Fly Zone

No Fly Zone, a espantosa exposição da nova geração angolana no Museu Berardo, em Lisboa, mostra-os a observar como nós os vemos. Sem paternalismos, de forma acutilante e com humor. Amigos, mas não como dantes.

Estamos muito habituados ao discurso ocidental de ajuda aos países africanos. Mas e se fosse ao contrário? Kiluanji Kia Henda criou a O.R.G.A.S.M (Organization of African States for Mellowness), uma hipotética primeira ONG africana dedicada a projectos filantrópicos no Ocidente. É um vídeo, «que na verdade é um trailer para uma longa-metragem», diz Kiluanji, que apresenta o projecto desta ONG.

kiluanji kia hendakiluanji kia hendaO primeiro objecto da caridade africana seria Paris, cidade mergulhada na crise. O vídeo feito em 2011 mostra violência nas ruas da capital francesa e um sem-abrigo refugiado junto à montra de uma agência de viagens, com uma voz em off a insistir na necessidade de salvar Paris. «Este filme foi inspirado no livro de Mambysa Moyo Dead Aid que desmonta a actuação das agências de caridade em África, mais prejudiciais que benéficas ao continente africano. E também nos filmes de pornomiséria, um género colombiano dos anos 70, em que a miséria extrema era explorada». Observados nós europeus como objecto de misericórdia é novo e… chocante! «Odeio paternalismos», diz Kiluanji «porque isso cria uma distância. É preciso criarmos novas formas de comunicação».

O vídeo de Kiluanji Kia Henda, inscrito na parede onde está pintado o símbolo desta nova união africana (com as estrelas amarelas sobre azul a cercarem o desenho do continente), abre a exposição No Fly Zone. Unlimited Mileage, que no Museu Berardo apresenta a novíssima geração de artistas angolanos, até 31 de Março. O mote da exposição com curadoria de Fernando Alvim, comissário da Trienal de Luanda, e de Suzana Sousa é o de olhar para a História. «É um espaço de reflexão e de experimentação antes da próxima Trienal cujo tema será a História», diz Fernando Alvim.

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06.02.2013 | par martalanca | artistas angolanos, Fernando Alvim, no fly zone