Kalaf Ângelo, quanto mais caminho percorres mais a sorte é tua aliada

Kalaf Ângelo, quanto mais caminho percorres mais a sorte é tua aliada O percurso do músico e poeta angolano que cativou os europeus tem muita determinação. Soube evidenciar em Lisboa o que ainda não estava à vista: a riqueza cultural de origens africanas em forma de novos sons. Pegar naquilo que traz e lhe vem de Angola e sintonizar com os tempos que correm nas cidades europeias, falar das novas tendências e ser um cidadão do mundo, são alguns dos segredos da sua singularidade.

Cara a cara

22.07.2010 | por Marta Lança

E se amanhã o medo - ONDJAKI

E se amanhã o medo - ONDJAKI Foi depois da libélula que reparou na mulher encostada ao seu portão, de olhos fechados, pareceu-lhe, a ouvir a música de Adriana: “tenho por princípios nunca fechar portas, mas como mantê-las abertas o tempo todo...”.

Mukanda

22.07.2010 | por Ondjaki

Pacto com o diabo no bairro Buenavista

Pacto com o diabo no bairro Buenavista A Regla Conga é uma prática tribal e animista, e uma das religiões secretas que se praticam em Cuba. Guiada por um dos tatas mais respeitados do bairro Buenavista, Carla Isidoro viveu a experiência da religião maldita, também conhecida por Palo Monte.

Vou lá visitar

19.07.2010 | por Carla Isidoro

Sara Chaves - As chaves dos seus cantos

Sara Chaves - As chaves dos seus cantos O reconhecimento efectivo do seu talento chega em 1966, ano em que ganha o prémio de interpretação no Festival da Canção de Luanda, com a famosa “Maria Provocação”, de Ana Maria de Mascarenhas e Adelino Tavares da Silva. As recordações são ainda intensas: “Nessa noite de Setembro de 1966, no cinema Aviz, ouviu-se música tipicamente angolana. O sucesso foi estrondoso, assim como estrondosa foi a decepção quando anunciaram que ‘Maria Provocação’ não podia ser considerada concorrente ao festival, porque a organização não autorizava que os instrumentos típicos do Ngola Ritmos fossem integrados na orquestra.

Palcos

18.07.2010 | por Mário Rui Silva

Ciudad Sur de Pablo Brugnoli

Ciudad Sur de Pablo Brugnoli Reflexões em torno da entrevista e da conferência CIUDAD SUR apresentada por Pablo Brugnoli no Próximo Futuro. Conforme então afirmou, CIUDAD SUR é a revisão de ideias, práticas e projectos de colectivos de arquitectos e artistas, com trabalhos recentes de reinterpretação de cidades do cone sul da América (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) que apostam na valorização da reconstrução comunitária, tanto nos processos como nas dinâmicas sociais e culturais.

Cidade

12.07.2010 | por Cristina Salvador

Centro de Dia

Centro de Dia Toda a audiência expectante e especada à espera do início do espectáculo. Penso na tarde que passei. Convidam-nos para uma selva evocando, estereofonicamente, Tarzan. A selva da vida, pensa-se; o imaginário colonialista, evoca-se. Os actores reais espreitam na porta depois das funcionárias ultra-reais darem o mote do início do espectáculo. Bebo o meu último gole de água, da garrafa de um dia muito quente. Entramos com a mostragem de uma placa a sinalizar o capítulo: “todos os dias”.

Palcos

08.07.2010 | por Ricardo Seiça Salgado

Estrelas congolesas Staff Benda Bilili lideram presença africana no FMM Sines 2010

Estrelas congolesas Staff Benda Bilili lideram presença africana no FMM Sines 2010 O Congo envia as suas estrelas mais brilhantes, mas o Mali é o país africano com mais representantes no FMM Sines 2010: Tinariwen, Cheick Tidiane Seck feat. Mamani Keita e Founé Diarra Trio (neste caso, juntamente com o quarteto do bretão Jacky Molard).

Palcos

08.07.2010 | por Câmara Municipal de Sines

Identidades, causas e efeitos

Identidades, causas e efeitos A obra de Délio Jasse pode ser lida sob o prisma algo complexo da teoria dos discursos pós-coloniais na medida que as suas imagens imanam uma identidade da figura de alteridade. Contudo, esta simplificação pode ser redutora se entrar em dissonância com o discurso artístico onde as suas imagens, obviamente, se inserem.

Cara a cara

08.07.2010 | por Hugo Dinis

Literaturas emergentes, identidades e cânone

Literaturas emergentes, identidades e cânone O conceito de literaturas emergentes surgiu nas últimas décadas como consequência das chamadas teorias pós-coloniais e alargou-se, por influência da poderosa academia norte-americana, tanto às denominadas literaturas de minorias (étnicas, de género, de orientação sexual), como às literaturas formadas no interior dos processos de colonização e descolonização, independentemente das características destes.

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06.07.2010 | por Fátima Mendonça

O último voo do flamingo, de João Ribeiro

O último voo do flamingo, de João Ribeiro Será, pois, necessário ter tempo para se tornar um país. É uma tarefa longa, mas outros flamingos virão. São tão numerosos como naquele primeiro plano do filme. Eles guiam os vivos. Na região de Tizangara, os pescadores chamam-lhes “salva-vida”: basta seguir a sua voz para alcançar a terra quando se está perdido. A doce e bela música de Omar Sosa convida a dar tempo ao tempo.

Afroscreen

06.07.2010 | por Olivier Barlet

Ação cultural, instrumento para igualdade, conversa com CHICO CÉSAR

Ação cultural, instrumento para igualdade, conversa com CHICO CÉSAR No Brasil, a gente vive um momento em que se colocam objetivos para serem alcançados e a sociedade vai caminhando. Não acho exagerado optar por políticas de afirmação, através de cotas.(...) Existe um desgaste imenso da democracia representativa no Brasil. Temos democracia ativa nas comunidades, nas organizações, e os negros estão ligados a estes movimentos, às associações de moradores, culturais, comunidades de candomblé, agremiações religiosas, grupos de música. Acho que cada vez mais as ONGs, as associações de bairro e de moradores, têm peso.

Cara a cara

05.07.2010 | por Ariel de Bigault

Os Monstros, quando a qualidade supera barreiras raciais

Os Monstros, quando a qualidade supera barreiras raciais Os Monstros tiveram um impacto bastante grande entre a juventude negra a nível das mentes. A sua auto-estima e os seus índices de confiança melhoraram bastante, pois, ao cantar Soul Music, música do negro norte-americano, estes passavam a mensagem de luta dado que aqueles eram conhecidos pelo uso da música como instrumento de luta, de denúncia e contestação ao sistema. Isto era feito de uma forma tão subtil e com uso de linguagem metafórica, que o poder colonial não se sentiu em nenhum momento confrontado, daí que o grupo tenha sido largamente aceite pelo establishment.

Palcos

05.07.2010 | por Rui Guerra Laranjeira

Papel dos festivais na recepção e divulgação dos cinemas africanos

Papel dos festivais na recepção e divulgação dos cinemas africanos Toda a ambiguidade da ajuda ocidental às cinematografias africanas decorre do fato de que ela carrega boa parte das contradições que cercam as relações do ocidente com o Outro e com as culturas do Outro. (...) O cinema africano continua sendo feito com grande dificuldade, mas festivais dedicados exclusivamente a filmes africanos se multiplicam nos quatro cantos do mundo. Estes festivais internacionais, que poderiam alavancar o lançamento comercial dos filmes realizados por cineastas africanos, acabam funcionando apenas como única oportunidade de exibição pública.

Afroscreen

04.07.2010 | por Mahomed Bamba

Residências artísticas em debate: a rede "Triangle Arts Trust"

Residências artísticas em debate: a rede "Triangle Arts Trust" Com uma larga e continuada experiência de apoio a projectos de residência em todo o mundo, a “Triangle Art Trust” é um projecto voltado para os artistas que trabalham no local, para as suas necessidades, e encoraja a mobilidade, a troca e o “fresh thinking”, com ênfase no processo e no desenvolvimento. Uma rede em contínua expansão e mutação, com mais de 3000 artistas participantes nos últimos 25 anos.

Cara a cara

02.07.2010 | por Marta Mestre

Cinema e antropologia para além do filme etnográfico

Cinema e antropologia para além do filme etnográfico Do exposto se infere qual é a nossa posição relativamente ao cinema que escolhemos fazer. O profissional de cinema tem plena consciência de que para fazer um trabalho de acordo com a realidade nacional deve munir-se de instrumentos de reflexão que lhe permitam escolher o que deve filmar e como fazê-lo. Ele sente-se autoconduzido à escolha de temas que legitimem o emprego do seu tempo de trabalho, e do da sua equipa, numa actividade não directamente produtiva e numa conjuntura em que a reabilitação da economia e da organização se impõe a todos como tarefa prioritária.

Ruy Duarte de Carvalho

02.07.2010 | por Ruy Duarte de Carvalho

Incipiente, amadorístico e negligenciado mas com muito potencial, entrevista a Mena Abrantes

Incipiente, amadorístico e negligenciado mas com muito potencial, entrevista a Mena Abrantes "Acho que a única coisa que realmente existe é a vontade de o fazer, visível na grande adesão da juventude a essa prática artística." José Mena Abrantes dirige o Elinga Teatro e já faz teatro há trinta anos, conversámos sobre o grupo, fazendo o ponto da situação do teatro em Angola.

Cara a cara

02.07.2010 | por Marta Lança

As Formigas, a guerra, o actor e a experiência, peça de Rogério de Carvalho

As Formigas, a guerra, o actor e a experiência, peça de Rogério de Carvalho Imagine-se Boris Vian em português e em mucubal, língua de uma etnia do sul de Angola que vive entre o deserto do Namibe e do Kalahari. Além da experiência semântico-linguística, que convoca o espectador para duas culturas com significados diferentes, o diálogo em conflito e as sonoridades e tradução das duas línguas constroem o próprio material dramático da peça. A complexidade começa logo aí. As Formigas que o encenador Rogério de Carvalho e os actores Meirinho Mendes e Dulce Baptista apresentam no Festival de Almada, não faz nem uma ilustração do texto nem particulariza o acontecimento da guerra.

Palcos

01.07.2010 | por Marta Lança

José Saramago, o visionário da tangibilidade

José Saramago, o visionário da tangibilidade A morte só existe se há ausência. Para uns, como Saramago, não haverá nunca ausência. O escritor semeou-se tanto e por tantos outros que ele apenas mudou de presença. Não falo da escrita. Mas dos momentos em que ele se distribuiu, pessoa entre pessoas. Em mim, essa permanência faz-se de indeléveis momentos. Relembro aqui alguns desses episódios.

Cara a cara

30.06.2010 | por Mia Couto

Os artistas africanos não são uma espécie diferente

Os artistas africanos não são uma espécie diferente Na África do Sul, por esta altura, não se joga apenas futebol. Joga-se uma oportunidade única para chamar a atenção para um país e um continente. De 16 a 20 de Junho, enquanto na África do Sul se jogava à bola, do outro lado do mundo, na Suíça, decorria a mais importante feira de arte mundial – a Art Basel – e discutia-se, numa sessão com a dupla de artistas sul-africanas, Rosenclaire, e a directora da galeria sul-africana Goodman, Liza Essers, a arte da África do Sul e o mercado emergente africano.

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29.06.2010 | por Susana Moreira Marques

Reverberações lusotropicais: Gilberto Freyre em África 2

Reverberações lusotropicais: Gilberto Freyre em África 2 Mal ou bem eis os alicerces conceptuais daquilo que seria, após as independências africanas, a lusofonia, cujas linhas de força e definição são ainda objecto de debate. Gilberto Freyre destacou o papel de Portugal na construção de um espaço cultural comum lusotropical, sem perder de vista o protagonismo presente e futuro do Brasil naquele espaço faltando-lhe, no entanto, uma visão mais clara acerca da evolução e o papel a desempenhar por parte dos futuros países africanos. O seu legado ainda hoje reverbera na tentativa de construção de comunidades linguísticas e culturais numa era ambivalentemente pós-colonial, de processos híbridos intensificados e globalização acelerada.

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28.06.2010 | por Fernando Arenas