Lunda-norte, no reino do Muatyânvua

Lunda-norte, no reino do Muatyânvua Quando Kundi, o sucessor de Iala Maku, envelheceu, a harmonia entre os povos lundas estremeceu. Quem seria o sucessor do velho Kundi? Um dos rapazes? – O Tchinguri ou o Tchinhama? - Ou a menina, Lweji, a mais jovem filha da segunda esposa? Dizem que os irmãos não se entendiam. Tchinguri era o mais afoito e Tchinhama o mais ponderado. Porém, numa tarde, os dois irmãos irromperam embriagados de vinho de palma pela tchota (palácio) do pai e maltrataram-no, ambos querendo sucedê-lo.

A ler

31.10.2010 | por Carlos Lousada

Heroínas sem nome

Heroínas sem nome O "Livro da Paz da Mulher Angolana, as Heroínas sem Nome", é uma obra inspiradora contra o esquecimento que ilumina uma comunidade de mulheres sobreviventes a lutar pela paz sim, mas sobretudo pela paz social, por uma cidadania mais igualitária, por uma maior virtude cívica, por mais oportunidades, por uma renovação social, utilizando as armas da emancipação feminina, do empreendedorismo, do associativismo, do empoderamento e da solidariedade. Estas mulheres, através das suas práticas e dos seus discursos, dizem que não aceitam ser secundarizadas nessa grande narrativa colectiva que é a construção da nação. Nesta óptica, este livro de memórias é um livro político.

A ler

29.10.2010 | por Margarida Paredes

Murmúrios do espio: uma leitura sobre o olhar marginal e exilado da escrita de lídia jorge e suas personagens femininas em "A Costa dos Murmúrios"

Murmúrios do espio: uma leitura sobre o olhar marginal e exilado da escrita de lídia jorge e suas personagens femininas em "A Costa dos Murmúrios" Parte-se do pressuposto que o Romance de Lídia Jorge A costa dos Murmúrios, apresenta uma escrita pós-colonial e um posicionamento político feminino em relação à Guerra Colonial de Portugal na África. Assim, o artigo apresenta um breve resumo da obra, para, em seguida, desenvolver questões sobre o posicionamento social das personagens exiladas; depois comentar a vivência da escritora como mulher e exilada e, finalmente, tecer comentários sobre o seu lugar de fala e propósito da obra. Em suma, o artigo pretende interpretar o texto de Lídia Jorge, considerando sua vivência de exílio e relacioná-la ao seu posicionamento político no momento da escritura do romance.

A ler

27.10.2010 | por Sumaya Machado Lima

CACAU – Casa das Artes Criação Ambiente Utopias

CACAU – Casa das Artes Criação Ambiente Utopias A CACAU – Casa das Artes Criação Ambiente Utopias – é um projecto assente numa filosofia particular, cujo lema é “(trans).formar o local.com” tendo como eixo central os jovens, os recursos naturais e a cultura de São Tomé e Príncipe, a CACAU intervém com a população e não para a população.

Vou lá visitar

27.10.2010 | por CACAU

Milita, o cântico da borboleta

Milita, o cântico da borboleta Milita vive actualmente em França, onde fundou a Associação dos Artistas Angolanos Residentes naquele país. Como companheiro tem um músico croata que “também dá uns toques de pintura”. Sempre que há uma oportunidade não hesita e sobe ao palco. Ficam as palavras emocionadas: “de cada vez que canto, vivo o instante com o mesmo deslumbramento com que a borboleta vive o seu único dia de vida, pousada numa pétala colorida!”

Palcos

27.10.2010 | por Mário Rui Silva

Mário Macilau - foto-relatos da contemporaneidade moçambicana

Mário Macilau - foto-relatos da contemporaneidade moçambicana Mário Macilau, fotógrafo moçambicano, finalista do concurso BesPhoto 2011. Macilau seguiu continuamente, e de perto, o quotidiano do Xiquelene com a sua lente. Retratou o amanhecer do mercado, o montar das bancas, a criação do espaço para fazer o negócio, a compaixão exercitada entre vendedores, a partilha do almoço, a solidariedade para com aqueles que num dia menos lucrativo não têm dinheiro para voltar a casa, a extrapolação da rede de amizade para lá das linhas do mercado nas casas de cada um, nas festas de família. Macilau fotografou nos tempos de chuva, quando debaixo de condições inóspitas as pessoas continuavam a ir trabalhar. Fotografou quando “o Governo decidiu destruir o mercado de uma forma muito injusta”.

Cara a cara

27.10.2010 | por Joana Simões Piedade

O regresso de CHICA XAVIER

O regresso de CHICA XAVIER Vinda de Salvador na primeira metade da década de 50, para trabalhar no serviço público e se tornar atriz, acompanhada de seu futuro e até hoje marido Clementino Kelé, Chica após estudar arte dramática com Paschoal Carlos Magno, estreou com pompa na produção histórica de Vinicius de Morais, "Orfeu da Conceição", no papel da Dama Negra que simbolizava a Morte. "- Eu tenho minha primeira carteira de trabalho assinada por Vinícius de Moraes. E eu não dei baixa na carteira porque ele não rescindiu o meu contrato. Acho que até hoje ele está me esperando..." afirma Chica com saudosismo.

Cara a cara

26.10.2010 | por Clementino Junior

Black Movement

Black Movement Um grande desafio da luta afro-descendente e, portanto, da Plataforma GUETO, é servirmo-nos das nossas ferramentas pessoais para organizar as pessoas para o pensamento das suas questões. Não é, de forma alguma pensar pelas pessoas e chegar à comunidade com as ideias feitas e/ou os projectos aprovados. (...) Não há dúvida de que somos muito bons/boas a mediar a integração dos Imigrantes ou a inclusão dos seus descendentes mas quantos olham para lá desse prisma e questionam esse quadro de normas que está a seleccionar seres humanos e a enviar os outros para as sucatas da sociedade? Quantos põem este regime em causa e procuram formas de luta alternativas ou complementares àquelas com as quais fomos doutrinados nas associações e movimentos a que pertencemos? Poucos. Não temos uma agenda própria. Andamos ao sabor de agendas alheias.

Cidade

25.10.2010 | por Plataforma Gueto

Muros

Muros Quando o Muro de Berlim foi derrubado, quiseram vender-nos a estória de que as barreiras, as fronteiras que dividiam o mundo estavam definitivamente deitadas abaixo. A Nova Ordem Mundial pós-muro seria a da livre circulação das pessoas, das ideias, das mercadorias e da economia mundial globalizada. Doce ilusão.

A ler

24.10.2010 | por Luís Leiria

Entre as palavras e memória: o grito silenciado da Guiné Equatorial

Entre as palavras e memória: o grito silenciado da Guiné Equatorial Num país sem imprensa, sem editoras, sem livrarias, em que as bibliotecas existentes são coordenadas pelas cooperações estrangeiras, em que o analfabetismo atinge valores altíssimos, em que os intelectuais sofrem acções persecutórias não é de estranhar esta situação e ainda se estranha menos que acabem escrevendo e publicando no estrangeiro, mesmo quando não abdicam de viver em solo pátrio. Se bem que recente, a sua produção literária já apresenta diversidade tanto em termos de géneros, como de estilos, de conteúdos e de gerações em escrita.

A ler

22.10.2010 | por Cátia Miriam Costa

O ensino das Literaturas Africanas e Afro-Brasileira e os desafios à práxis educacional e à promoção humana na contemporaneidade

O ensino das Literaturas Africanas e Afro-Brasileira e os desafios à práxis educacional e à promoção humana na contemporaneidade Discorremos neste texto sobre implicações diversas que a colonização portuguesa legou, sobretudo ao Brasil, e algumas de suas injunções à África em termos literários, bem como o surgimento de uma literatura híbrida e centrada, através de forte viés histórico, em fatos oriundos da colonização de negros africanos.

A ler

22.10.2010 | por Robson Dutra

Mauro Pinto fotografa os restos do mundo em Maputo

Mauro Pinto fotografa os restos do mundo em Maputo Em Maputo, um homem penteia-se como Batman e vários homens vagueiam nus. Arminda acabou nas ruas da Baixa, com todo o seu enxoval. No caniço, Bitula vende feitiços debaixo de uma árvore. Além do fotógrafo Mauro Pinto, sucessor do mítico Ricardo Rangel, ninguém parece vê-los. Um percurso pela capital de Moçambique, onde hoje há eleições autárquicas.

Cara a cara

21.10.2010 | por Alexandra Lucas Coelho

“O que faço melhor é o que de mais raiz nós temos”, entrevista a Paulo Flores

“O que faço melhor é o que de mais raiz nós temos”, entrevista a Paulo Flores Cantor e compositor, Paulo Flores é uma voz inconfundível na música em Angola. Com 22 anos de carreira e 11 discos editados, percorrendo e inovando a cultura angolana, prestando homenagem ao seu patrimônio bem enraizado e às suas expressões mais vanguardistas. Apresenta agora em Portugal o espectáculo "Raiz da Alma", dia 24 em Lisboa e 26 no Porto. Esta conversa refere-se à sua trilogia “Ex-Combatentes” (“Viagem”, “Sembas” e “Ilhas”), que navega em águas poéticas e documentais da vida angolana.

Cara a cara

21.10.2010 | por Marta Lança

"A beleza e o sofrimento" - conversa com o artista Barthélémy Toguo

"A beleza e o sofrimento" - conversa com o artista Barthélémy Toguo A passagem de Barthélémy Toguo por Lisboa em 2009 foi pretexto para a conversa que se segue. Apresentou no espaço Carpe Diem a instalação "Road for Exile" integrada numa programação sobre a ideia de viagem, exílio, solidão, medos urbanos e barbárie. A conversa que tivemos é uma ocasião para revisitar os seus projectos anteriores, as suas origens camaronesas e as viagens. Barthélémy Toguo é um dos mais importantes artistas internacionais da sua geração, e tem uma obra que organiza o mundo como um ciclo de vida e de morte.

Cara a cara

19.10.2010 | por Marta Mestre

No rasto de instrumentos inovadores - entrevista a Victor Gama

No rasto de instrumentos inovadores - entrevista a Victor Gama Os Kronos Quartet apresentarão a peça “Rio Cunene” de Victor Gama no Grande Auditório do CCB, em Lisboa, já em Novembro, depois de o terem feito no Carnegie Hall, Nova Iorque. A pesquisa e construção de instrumentos continua em Angola, uma fonte inesgotável de projectos, onde Victor Gama nasceu e cresceu, dividindo também o seu trabalho com Portugal e Colômbia. Este compositor e performer, formado em Engenharia Electrónica, conta o porquê de instrumentos musicais inovadores.

Cara a cara

18.10.2010 | por Marta Lança

Representações de África na National Geographic

Representações de África na National Geographic Os artigos da National Geographic têm um sentido imperialista, onde se representa sempre um “outro”, sendo esse outro o oposto aos Estados Unidos. A representação que vários artigos e fotos da National Geographic fazem sobre África segue um padrão que representa uma alteridade selvagem versus um mundo civilizado. Esta representação de África cria uma imagem de África como um lugar onde as pessoas podem ir de safari, procurar a exploração e a aventura.

A ler

18.10.2010 | por Andrés Cartagena Troche

Pela abolição das fronteiras herdadas da colonização -entrevista a Achille Mbembe

Pela abolição das fronteiras herdadas da colonização -entrevista a Achille Mbembe Esta oscilação da geografia, do imaginário e das formas de mobilidade é um fator chave das recomposições em curso. Acompanhar de maneira criativa estas recomposições exige que sejam abolidas fronteiras herdadas da colonização, que sejam abertos grandes espaços de circulação sem os quais não haverá nenhum pólo regional de força económica e de criatividade intelectual, cultural e artística. Nós temos que abrir em África vastos espaços de livre-circulação.

Jogos Sem Fronteiras

16.10.2010 | por Achille Mbembe

Arqueologia de uma cultura soterrada, entrevista a Emanoel Araújo

Arqueologia de uma cultura soterrada, entrevista a Emanoel Araújo Entrevista com o artista plástico e curador brasileiro Emanoel Araújo, em 2003, o início do projecto que deu origem ao Museu Afro Brasil em S.Paulo.

Cara a cara

15.10.2010 | por Anelito de Oliveira

Barthélémy Toguo: unbounded exile

Barthélémy Toguo: unbounded exile No Carpe Diem - Arte e Pesquisa em Lisboa o artista franco-camaronês Barthélémy Toguo expôs a instalação Road for Exile, uma vasta narrativa sobre tráfico, trânsito e morte, mas também a beleza que tudo isto pode conter. Actualmente, Barthélémy Toguo trabalha com a prestigiada galeria Robert Miller (NY), e continua o seu percurso consolidado, acrescentando imagens belas e grotescas ao seu universo. Vimos a sua participação no projecto “Carpe Diem - Arte e Pesquisa”.

Cara a cara

14.10.2010 | por Marta Mestre

Desmedida: Ruy Duarte de Carvalho, a escrita e nós, no “vaivém das barcas”

Desmedida: Ruy Duarte de Carvalho, a escrita e nós, no “vaivém das barcas” Embora defenda sempre a necessidade de distinguir o pessoal do profissional, percebo que essa distinção hoje mostra-se impossível para mim. Não há como não me sentir, nesse momento, misturada ao tentar falar desse notável Desmedida, que ficou como um dos últimos legados deixados pelo Ruy Duarte. E dos mais valiosos para nós brasileiros. Porque a emoção é indisfarçável, eu antecipo o meu pedido de desculpas por não conseguir a dose de rigor que foi sempre uma das marcas essenciais do autor desse e de outros livros fundamentais.

Ruy Duarte de Carvalho

12.10.2010 | por Rita Chaves