Uma música com identidade

Uma música com identidade Em 1943 Benguela prospera. Com o famoso caminho-de-ferro a avançar em direcção ao interior africano, a cidade prepara-se para mudar de cara segundo um moderno plano de urbanização. Respira-se progresso. Numa das suas ruas um acontecimento importante está também prestes a acontecer: Dona Ludovina (uma cantadeira de mão cheia, diz-se), esposa de Sebastião José da Costa, um funcionário dos Correios e antigo jornalista, prepara-se para dar à luz uma criança a que dará o nome de Carlos Lamartine. Benguela prepara-se assim para receber, de braços abertos mais um grande filho, que se tornará num senhor grande da música nacional e autor de melodias imortais.

Palcos

18.02.2011 | por Mário Rui Silva

Arménio Vieira, o poema, a viagem, o sonho

Arménio Vieira, o poema, a viagem, o sonho "Em ti há um marinheiro demandando uma ilha onde ninguém ainda esteve. Também em ti encontrarás o mapa, a bússola e o navio. Há coisas a que não deves atribuir nomes. A tua ilha não tem nome.”

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18.02.2011 | por Ricardo Riso

Terceira Metade no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Terceira Metade no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro Terceira Metade é a primeira edição de um projeto do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro de Janeiro dedicado a pensar o espaço do Atlântico, em especial a triangulação Brasil, África e Portugal. E o que significa representar este espaço? Significa pensar os modelos culturais e os sistemas do visível que lhe conferem estrutura, circulação, significado, sentido. Ainda que tenha em mente o debate pós-colonial, o passado das relações transnacionais no Atlântico, ou o estado atual das políticas culturais comuns, o ponto de partida de Terceira Metade é o visual. Através de exposições, seminário, mostra de cinema, ações educativas e de um livro que registrará os vários momentos, daremos atenção às alterações que acontecem no mundo contemporâneo globalizado, em especial nas três margens deste eixo geográfico, Brasil, África e Portugal.

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17.02.2011 | por Marta Mestre

Luta identitária- mais que uma preservação cultural, a sobrevivência de um povo: o caso de Cabília (Argélia)

Luta identitária- mais que uma preservação cultural, a sobrevivência de um povo: o caso de Cabília (Argélia) Os berberes ou "imazighen" (que quer dizer homens livres na língua berbere: o Tamazight) têm vindo a empreender várias formas de luta no sentido de se afirmarem anti-arabização. O propósito fundamental das suas lutas nada tem a ver com religião ou política, trata-se antes de mais da preservação de uma identidade cultural, sobretudo linguística. E da sobrevivência de um povo.

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17.02.2011 | por Rita Damásio

O Peso do Vazio

O Peso do Vazio As próprias letras das canções e os respectivos vídeo-clipes são um culto da ostentação oca e bacoca. Meninos de fatos italianos, cheios de penteados (a mostrar que lhes pesa mais o cabelo que a cabeça) e com dourados a pender dos dedos, dos dedos e do pescoço (a mostrar que precisam apenas de mostrar), meninos que cantam pouco e se repetem até à exaustão, fazem o culto deste vazio triste...

Mukanda

16.02.2011 | por Mia Couto

A Praça de Tahrir (repensar o espaço público)

A Praça de Tahrir (repensar o espaço público) O espaço virtual de comunicação através das redes sociais participou na nova configuração da praça, como igualmente interveio o espaço criado pela “janela” que todos abrimos. No entanto, determinante foi a presença física e real dos manifestantes e a sua capacidade de resistência. A ocupação da Praça obriga-nos a repensar o espaço público, mas a pergunta que se impõe é: o que terá que mudar para que a Praça de Tahrir possa manter a configuração que conquistou, local de intervenção, comunicação e encontro e não volte jamais à condição anterior de espaço “museológico” de visita turística e de circulação viária?

Cidade

16.02.2011 | por Cristina Salvador

Ao som da grafonola

Ao som da grafonola As tampas das panelas rodavam feito discos num aparelho de som imaginário. Fechavam-se os olhos e os sons ecoavam por todo o lado. Depois vieram as sessões de mornas e coladeras na guitarra de um primo que “morou lá em casa”. As grafonolas e as rádios pick-up também já lá moravam há muito. Mas isso foi no início, lá bem no início. Pela frente ainda haveria o Clube Marítimo Africano, as festas de finalistas, o agigantar de um novo valor e, por fim, o seu reconhecimento como grande nome da música angolana: Filipe Zau.

Palcos

16.02.2011 | por Mário Rui Silva

revolução: os dias seguintes na praça Tahrir

revolução: os dias seguintes na praça Tahrir "A praça não desarma. Ontem, os militares tentaram afastar os manifestantes, levantar os seus acampamentos, convencê-los a saírem da rua. Mas uma revolução não vai assim para casa de um momento para o outro. "Eu tenho o direito de festejar", disse Asim, de 26 anos, que veio para Tahrir com as duas irmãs. "Estivemos aqui até o regime cair. Agora esta praça é do povo." Paulo Moura

Cidade

14.02.2011 | por Alexandra Lucas Coelho

Jorge Ben, homem-jongo

Jorge Ben, homem-jongo Ben tem a medida intransferível de um modo de cantar que não abole o acaso nem o erro. Seu canto e sua música se projetam sobre uma ludicidade harmônico-discursiva menos nonsense do que jongueira. Sua alegria contagiante, o poder de sua simpatia está em ser um compositor que tematiza — sem dor e sem o menor detrimento de sua competência como inventor — a possibilidade de fazer música para aprender a fazer música.

Palcos

14.02.2011 | por Ronald Augusto

O Mundo do Funk Carioca de Hermano Vianna

O Mundo do Funk Carioca de Hermano Vianna Foi quase por um acaso que Hermano Vianna participou numa festa funk no Rio de Janeiro. Não estava à procura de um objecto de estudo, queria apenas presenciar uma grande festa de que tinha ouvido falar na rádio. Impressionado com o que viu, escreveu um artigo para o Jornal do Brasil sobre a música negra internacional e a sua influência no Carnaval de Salvador e nos subúrbios cariocas. Muito rapidamente, Vianna passou a fazer parte desse mundo dos bailes funk, transformando-se no seu principal tradutor para os jornalistas e curiosos que, vivendo na mesma cidade, sempre demonstram um enorme desconhecimento por tudo o que se passa nos subúrbios e nas favelas do Rio.

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13.02.2011 | por Francisca Bagulho

A Urgência do Crioulo Guineense

A Urgência do Crioulo Guineense  Na literatura na Guiné-Bissau, os termos em crioulo são cada vez mais utilizados, existindo já obras de poesia exclusivas nesta língua. Alguns intelectuais guineenses têm vindo a assumir cada vez mais uma postura de contestação à nacionalização da língua portuguesa. A música popular desde cedo se manifestou em crioulo. Dinamizada primeiramente por José Carlos Schwarz, que teve a ousadia de cantar nesta língua durante a guerra de libertação, este movimento continuou a ter força com bandas como os SuperMamajombo ou TabancaJazz.

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13.02.2011 | por

Um primeiro comboio sobre os carris em Angola, 9 anos depois do fim da guerra

Um primeiro comboio sobre os carris em Angola, 9 anos depois do fim da guerra A linha de caminho-de-ferro Luanda-Malange, fora de serviço durante 18 anos por ter sido demasiado danificada pela guerra civil, foi de novo posta a funcionar após vários anos de obras. Um símbolo forte do regresso à paz e um elo de comunicação importante para desencravar uma região particularmente martirizada pelo conflito que opôs o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) no poder, aos rebeldes da União para a Independência Total de Angola (UNITA) durante 27 anos.

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10.02.2011 | por Cécile de Comarmond

Paulo Flores, menino destino

Paulo Flores, menino destino Feliz a iniciativa de Gabriel Baguet Jr., para quem a música de Paulo Flores “é um hino constante de emoção”, de celebrar a sua arte, entre amigos e admiradores e através do livro Paulo Flores: o Talento da Utopia. Nesta viagem musical, de já vinte-anos-e-lá-vai-fumaça, nunca deixou de “procurar caminhos, sonoridades e novas abordagens musicais. Porque lhe interessa compreender a música também enquanto fenómeno social e a matriz dos sons, trabalhando para trazê-los aos nossos tempos de forma criativa.

Palcos

08.02.2011 | por Marta Lança

Rei Amador, história e mito do líder da revolta de escravos em São Tomé (1595)

Rei Amador, história e mito do líder da revolta de escravos em São Tomé (1595) Amador, o líder da grande revolta de escravos de 1595, é uma figura emblemática da história de São Tomé e Príncipe. ste artigo aborda as fontes primárias e a literatura secundária sobre Amador e a sua insurreição que, em termos da dimensão, duração e impacto, foi uma das maiores revoltas de escravos de toda a história atlântica. Em seguida, discute um conhecido mito colonial, segundo o qual Amador teria sido rei dos angolares.

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08.02.2011 | por Gerhard Seibert

UM “OBRONI” NO GANA -da boca para o pensamento

UM “OBRONI” NO GANA -da boca para o pensamento Se é verdade que a arte africana acontece, na sua grande maioria, no hemisfério Norte, e as suas maiores conquistas (políticas, financeiras, filosóficas, estéticas, etc.) aqui tiveram lugar, é certo que o continente africano se afirma cada vez mais como espaço relacional privilegiado para os agentes culturais. Jorge Rocha trabalhou sobre as relações sociais que se estabelecem em torno da comida. Digamos que entrou pela boca de cada um dos participantes, que o mesmo é dizer, pelos seus desejos, necessidades, ou primitivismos. Entrou pela boca, no centro de África. Pelos seus paladares, cheiros, cores, e sabores.

Cara a cara

08.02.2011 | por Marta Mestre

Faz escuro: saudades do tejo

Faz escuro: saudades do tejo sinto-a chegar – a saudade de estar perdido sem saber de que lado veio a brisa, feita segredo, dizer-me que o fim do dia está perto ainda há luz de brilho para olhar a tarde deitada sobre o rio, o seu corpo extenso a praticar pássaros feridos entre as barcas, travessias de gente triste que faz da vida ponte e pressa para o lado desconhecido da chegada inadiável – voz colectiva de um rumor à espera dos olhos da multidão que se agita, se agride mas já não olha este rio também meu, o seu nome é tejo – e há mil sotaques no corpo do seu dizer

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07.02.2011 | por Ondjaki

A morte de Edouard Glissant

A morte de Edouard Glissant “Sol da consciência” das mudanças do nosso mundo, o poeta martiniquenho morreu na passada quinta-feira, dia 3 de Fevereiro, em Paris.

Cara a cara

06.02.2011 | por Valérie Marin la Meslée

O jazz não é uma música snobe, entrevista a Jerónimo Belo

O jazz não é uma música snobe, entrevista a Jerónimo Belo Depois de largos anos levando o jazz consigo como uma “segunda” opção profissional, Jerónimo Belo pode dizer-se que deixou o que fazia para trabalhar o e com o jazz. Gegé Belo, como carinhosamente é tratado pelos seus próximos, assume-se como a voz e o rosto mais conhecido no sentido da sua divulgação em Angola, onde vê crescer, com notável agrado, o número de seguidores.

Palcos

06.02.2011 | por Adebayo Vunge

Trimbiose DNA Cidadão Angolano

Trimbiose DNA Cidadão Angolano Esta Trimbiose reflecte o quotidiano de uma sociedade mergulhada no Kaos forçado à evolução e presa nas redes da globalização; uma nação filha de ideologias há muito esquecidas que olha o futuro sempre com esperança de uma vida melhor. Exposição dos artistas angolanos Jika Kissassunda, Jorge Palma e Sérgio Pinto Afonso em LEIRIA

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03.02.2011 | por Jorge Palma

Pôr os nossos imaginários a dialogar...

Pôr os nossos imaginários a dialogar... No decorrer do último século – e sobretudo depois do fim da guerra-fria – o mundo mudou como talvez nunca antes, ao longo da história humana. Acontece o mesmo com a África. Longe de ser a aldeia continental que se comprazem a imaginar, ela está literalmente atomizada. Os seus estados voltam as costas uns aos outros e as suas populações têm, por razões práticas, a maior dificuldade em se encontrarem. É preciso passar à acção. A melhor forma de forçar as portas do futuro, é fazer com que, ao menos, os nossos imaginários possam conversar.

Mukanda

02.02.2011 | por Boubacar Boris Diop