Ser africano em Cabo Verde é um tabu

Ser africano em Cabo Verde é um tabu Cabo Verde não é África, os cabo-verdianos são “pretos especiais” e os mais próximos de Portugal. É o país da mestiçagem, a “prova” da “harmonia racial” do luso-tropicalismo. Durante anos esta foi a narrativa dominante. Ser ou não ser africano ainda continua como ponto de interrogação.Pertencente à série especial "Racismo em português", Joana Gorjão Henriques vai em busca de como o colonialismo marcou as relações raciais. Os portugueses foram mais brandos e menos racistas? Racismo em português: como foi, como é?

A ler

14.03.2016 | por Joana Gorjão Henriques

Manifesto «Lusofóbico», crítica da identidade cultural «lusófona» em Cabo Verde

Manifesto «Lusofóbico», crítica da identidade cultural «lusófona» em Cabo Verde Esta visível ausência do elemento afro-negro, alimentada principalmente por posteriores seguidores do Movimento, contribui para que este adquirisse um carácter puramente cosmético na medida em que se legitimou uma suposta mestiçagem em que a presença branca é assegurada pela propriedade da própria reivindicação da mestiçagem, pela ausência textual dos negros apesar da incómoda presença física, pela presença textual dos indígenas mas cujo genocídio físico e epistémico impede a sua presença carnal permitindo uma incorporação despreocupada dos seus elementos culturais nas produções literárias do Movimento, pois não constituem, de facto, um perigo ou uma ameaça à esta elite literária e académica brasileira da época e da actualidade. Esta elite, apesar de «branca», se diz, ou quer ser, mestiça, utilizando o argumento e a linguagem da mestiçagem, ou da valorização do mestiço.

A ler

19.09.2012 | por Odair Bartolomeu Varela

Lisboa Mestiça, de José Manuel de S. Lopes, João Vilhena e Vitor Belanciano

Lisboa Mestiça, de José Manuel de S. Lopes, João Vilhena e Vitor Belanciano Um dia na cidade de Lisboa. Do nascer do dia à noite e os lugares mágicos da cidade, cheios de história e prontos a receber novas memórias. O nascimento, o casamento, a refeição, a morte, actos principais e comuns à humanidade, aqui observados nas várias comunidades imigrantes de Lisboa, fragmentos da história diária.

Afroscreen

20.06.2012 | por José Manuel de S. Lopes

Edouard Glissant (1928-2011), um legado magnífico

Edouard Glissant (1928-2011), um legado magnífico  Enquanto os filósofos africanos gastam um energia louca e vão a correr atrás da sombra, Edouard Glissant afronta Hegel de forma oblíqua. A esta visão totalizante, pretensamente universal, Edouard Glissant opõe a Opacidade, o Diverso, o Rizoma e, sobretudo, a Relação. Esta recusa dos sistemas constituirá ao longo de toda a sua vida, a sua marca. Deste ponto de vista, o pensamento de Glissant, que é uma ode à fraternidade, corrobora, em alguns aspectos, os de Derrida e Levinas: dois pensamentos do Outro, mas também dois discursos da opacidade. Mas enquanto os filósofos profissionais propõem tratados, Glissant apresenta o fragmento, o estilhaço, o aforismo, subvertendo os géneros

A ler

21.02.2011 | por Boniface Mongo-Mboussa

“Koração lá e korpo ká em Pretugal”. Entre a mestiçagem e a afirmação da negritude

“Koração lá e korpo ká em Pretugal”. Entre a mestiçagem e a afirmação da negritude Propus-me conhecer os modos de sociabilidade dos jovens Red Eyes Gang, um grupo da Arrentela, Seixal, periferia de Lisboa. A maior parte dessa juventude é constituída por filhos de imigrantes africanos dos países que foram outrora colónias portuguesas e vivem em condições sócio-económicas bastante abaixo dos parâmetros portugueses. Todos nasceram ou vieram muito novos para Portugal, não conhecendo os países de origem dos pais. No entanto, a estigmatização e o racismo a que estão sujeitos fazem com que se apropriem de algumas das heranças étnicas e culturais para reelaborarem a sua condição de pobres e negros. Não reproduzem mecanicamente o modo de vida e as referências étnicas das suas famílias, mas reinventam-nas com imaginação, produzindo assim discursos positivos sobre si próprios.

A ler

11.09.2010 | por Otávio Raposo

Que África escreve o escritor africano?

Que África escreve o escritor africano? Os intelectuais africanos não têm que se envergonhar da sua apetência para a mestiçagem. Eles não necessitam de corresponder à imagem que os mitos europeus fizeram deles. Não carecem de artifícios nem de fetiches para serem africanos. Eles são africanos assim mesmo como são, urbanos de alma mista e mesclada, porque África tem direito pleno à modernidade, tem direito a assumir as mestiçagens que ela própria iniciou e que a tornam mais diversa e, por isso, mais rica. É preciso sair dessa armadilha.

Mukanda

23.05.2010 | por Mia Couto