Mais um dia de vida - Angola 1975

Mais um dia de vida - Angola 1975 Cheirava mal em toda a parte, um fedor ácido, e uma humidade pegajosa e abafada espalhava‐se pelo edifício. As pessoas transpiravam de calor e de medo. Havia um ambiente apocalíptico, uma expectativa de destruição. Alguém chegou com o boato de que se preparavam para bombardear a cidade durante a noite. Uma outra pessoa ouvira dizer que, nos bairros dos negros, se afiavam facas para cortar a garganta aos portugueses. A insurreição explodiria a qualquer momento. «Que insurreição?», perguntei, para poder informar Varsóvia. Ninguém sabia exactamente. Apenas uma insurreição, e descobriremos de que natureza é quando nos atingir.

Mukanda

27.09.2013 | por Richard Kapuschinski

Na guerra, a vida sem filtro - entrevista a Cândida Pinto

Na guerra, a vida  sem filtro - entrevista a Cândida Pinto Nunca somos imparciais. A imparcialidade não existe. Nós podemos e devemos aproximar-nos o mais possível da verdade. (...) A minha profissão permite-me transmitir essa força que está a acontecer no momento, com distanciamento. Um jornalista que se torna porta-voz perde um bocado a razão de ser de estar ali, passou para outro campeonato.

Cara a cara

15.05.2012 | por Marta Lança

Licínio de Azevedo: Crónicas de Moçambique

Licínio de Azevedo: Crónicas de Moçambique Dar a voz aos outros. Ouvir os outros. Ancorar o seu trabalho na observação de uma determinada realidade histórica e social. Pôr as pessoas a representarem-se a si mesmas. Estas são as premissas do trabalho de Licínio e que se podem resumir numa frase: o desejo de ir ao encontro de alguém.

Afroscreen

15.10.2011 | por Margarida Cardoso

Luandino Vieira

Luandino Vieira Luandino Vieira é caso paradigmático do divórcio entre interesse do público e ensino da literatura. Conheci muito pouca gente que tivesse conseguido ler Luandino Vieira, tirando naturalmente os escritores que assumem terem sido influenciados por ele, como Albino Carlos, Ondjaki, ou o moçambicano Mia Couto.

A ler

26.02.2011 | por António Tomás

Carlos Cardoso foi morto há dez anos

Carlos Cardoso foi morto há dez anos A 22 de Novembro de 2000, o jornalista Carlos Cardoso foi assassinado a tiro numa rua de Maputo quando seguia para casa após um dia de trabalho. Moçambique perdeu um jornalista sem medo, comprometido com a verdade e a justiça. Tinha 48 anos.

Cara a cara

22.11.2010 | por Nuno Milagre

A outra face do jornalismo moçambicano - Guerra Manuel

A outra face do jornalismo moçambicano - Guerra Manuel Guerra Manuel foi um dos primeiros jornalistas negros em Moçambique. Entrevistou Malagantana, Ricardo Chibanga e Lindo Lhongo na década de 60. Todos eles jovens no início das carreiras. Ao entrevistar estes jovens pretendia dar a conhecer ao mundo o talento e a capacidade artística dos moçambicanos, numa época em que estes não eram valorizados e nem havia espaço na imprensa colonial.

Cara a cara

30.09.2010 | por Rui Guerra Laranjeira