Conflitos de memóra : o "bairro africano" de Berlim

Conflitos de memóra : o "bairro africano" de Berlim Este esforço, todavia, só pouco a pouco vai conseguindo trazer o tema à memória pública, no que, sem dúvida, a relutância das instâncias oficiais em tematizar adequadamente este capítulo da história alemã tem uma boa quota-parte de responsabilidade. Em 2016, uma iniciativa parlamentar tendente ao reconhecimento oficial da responsabilidade pelo genocídio dos Herero e Nama, foi rejeitada pela maioria dos deputados. O relatório elaborado pelos “Serviços Científicos” do Bundestag, um órgão com funções de assessoria e emissão de pareceres sobre matérias levadas ao debate parlamentar, concluía, baseando-se numa perspectiva estreitamente jurídica, do ponto de vista da qual apenas são aplicáveis as normas vigentes à época, que as acções do exército alemão não violaram o direito internacional

Cidade

03.07.2018 | por António Sousa Ribeiro

A negação pelo silêncio... os africanos e o genocídio dos tutsi

A negação pelo silêncio... os africanos e o genocídio dos tutsi O racismo primário está muito claramente no centro da negação do genocídio dos tutsi por certos ocidentais. Racismo e negacionismo caminham sempre lado a lado. No caso do Ruanda, estamos perante uma negação espontânea da humanidade, mas que permanece quase sempre envergonhada de si própria e escondida nos recantos mais obscuros da alma humana. Formam uma legião, os intelectuais ocidentais que sustentam que a sua África, uma África fantasiada, continua a ser uma terra de paradoxos e de enigmas, ao mesmo tempo glauca e cheia de luz, exaltada e sonolenta, dividida entre uma alegria de viver desenfreada e as paixões mais sombrias.

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15.12.2014 | por Boubacar Boris Diop