A produção cultural vive de relações humanas, entrevista a Irlando Ferreira

A produção cultural vive de relações humanas, entrevista a Irlando Ferreira  Saiu de Cabo Verde há uns anos para se formar em Lisboa em produção cultural. Estagiou no Teatro Nacional e trabalhou no Teatro Trindade como produtor (2009 – 2011) e fez acontecer muitos espectáculos. Encontra-se neste momento a fazer um estágio nos Estados Unidos de seis meses, pelo programa Inovartes, onde vive na pele a exigência de uma grande companhia de teatro. Mas foi com as associações em Cabo Verde que começou a ganhar gosto pela ideia de ajudar a materializar aspectos artísticos e pela dinâmica de equipa

Palcos

26.08.2011 | por Marta Lança

Hip Hop da Diáspora: Malcriado, Chullage e Bandidos

Hip Hop da Diáspora: Malcriado, Chullage e Bandidos La Mc Malcriado em Paris; Chullage em Lisboa; Jay na Noruega. Trata-se de nomes que tornam visíveis uma dupla margem, traduzindo a contestação tanto no arquipélago como na diáspora. Na diáspora, estes jovens cumprem extraordinariamente a função de mediação cultural.

Palcos

10.08.2011 | por Eurídice Monteiro

Hip hop: breve história e introdução ao mundo do rap crioulo

Hip hop: breve história e introdução ao mundo do rap crioulo Olhando para trás, para a história do hip hop, iniciada nos States nos anos sessenta, da herança dos griots - os contadores de histórias, da tradição africana da oralidade - muita coisa mudou. É normal. Vivemos hoje na era alter-moderna, parafraseando Nicolas Bourriaud.

Palcos

07.07.2011 | por Redy Wilson Lima

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte IV)

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte IV) Hall deslocou-se de uma posição de radical negro para o campo do híbrido, não existe um sujeito negro inocente que possa usar a etnicidade como uma força de resistência legítima, e o racismo é uma força ambivalente porque atravessada por posições de género, etnicidade e desejos especulares. Gilroy desafia tanto o essencialismo (por exemplo, as reivindicações de autenticidade dos afrocentrismos) quanto o anti-essencialismo que vê a negritude como uma construção; a sua alternativa é a contemplação de um Atlântico Negro como uma contracultura hibridizadora. Bhabha vê o nacionalismo como algo que nunca é homogéneo ou unitário, e localiza a agência no acto de enunciação interruptiva (interruptive enunciation) de Derrida, focando na intersticialidade das identidades criadas nos confrontos coloniais.

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08.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte II e III)

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte II e III) A crioulização tem claramente a sua base no estudo do complexo Afro-Americano e nas sociedades de plantação das Caraíbas, talvez apenas com ramificação para o Brasil como instância comparativa. Na sua review da antropologia da Afro-América Latina e Caraíbas, Yelvington (2001) diz que a actual preocupação antropológica com os processos de globalização, dispersão, migração e transnacionalidade, com o colonialismo, o hibridismo, etc., elide muitas vezes a produção fundacional que remete para os estudos da diáspora africana nas Américas.

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06.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte I)

O Projecto Crioulo - Cabo Verde, colonialismo e crioulidade (Parte I) Escravatura ou liberdade, homogeneidade cultural europeia e diversidade africana, desequilíbrios de género, criação de grupos intermediários são, pois, determinantes. Para Mintz e Price, o conceito de “crioulização” surgiu como um útil substituto de “aculturação” e “assimilação”, pois descreve uma expressão sincrética que leva ao surgimento de novas formas culturais, tal como no passado aconteceu na Europa.

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06.05.2011 | por Miguel Vale de Almeida

Os lugares da juventude no contexto urbano de Cabo Verde

Os lugares da juventude no contexto urbano de Cabo Verde Corpo, consumo, sexualidade, expressividade, festividade, colectividade, informalidade e ilegalidade serão assim analisados como os lugares centrais dos novos desafios, negociações, inovações e afirmações dos jovens contemporâneos de Cabo Verde, das suas formas de estar no mundo.

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30.04.2011 | por Filipe Martins

A Mãe

A Mãe A biblioteca da sala era composta por cinco livros: “Eva e a África” (?), “Portugal Amordaçado” (Mário Soares) , “O Barão Trepador” (Italo Calvino), “Lady L” (Romain Gary) e a Bíblia Sagrada. À direita ficavam os três álbuns de família; no lado esquerdo os pisa-papéis de água, com a Ópera de Sidney dentro, e as fotografias da família nas molduras e nos fundos da faiança, mandada gravar em Yokohama, por familiares embarcados, sinal de que haviam tocado um porto japonês (o Japão e o golfo Pérsico como última fronteira para os marinheiros crioulos).

Mukanda

12.04.2011 | por Joaquim Arena

Brasilin, Cabo-Verdão

Brasilin, Cabo-Verdão Na música, o que faz sucesso no Brasil também faz em Cabo Verde. Basta entrar num autocarro na cidade da Praia para comprovar que, não fosse o zouk, a hegemonia seria verde-amarela, em várias rádios crioulas. Das letras melodramáticas do que no Brasil se chama “brega” (irmão do “pimba” português), aos alegres pagodes cariocas e axés baianos, jamais esquecendo “o rei” Roberto Carlos nem os temas da novela do momento, música brasileira é o que não falta.

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05.04.2011 | por Gláucia Nogueira

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário

Sair do paradigma da dívida, a partir da leitura de João Vário João Vário (João Manuel Varela, 1937-2007), poeta caboverdiano. Em toda a poesia deste autor encontramos o mesmo imenso obstáculo à decifração – perseverança na opacidade, que se gera pela reflexão que hesita e pela atenção ao que vem, o nascer do mundo, na sua irreconhecível e demasiado próxima escrita. Estamos perante uma afirmação da poesia como enigma desencadeador de enigmas, isto é, como pensamento inspirador de pensamento.

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31.03.2011 | por Silvina Rodrigues Lopes

A Fotografia Poética de João Freire

A Fotografia Poética de João Freire “O povo das ilhas quer um poema diferente para o povo das ilhas: um poema sem homens que percam a graça do mar E a fantasia dos pontos cardeais” Onésimo Silveira

Vou lá visitar

19.03.2011 | por Mário Alves

Mamadou Sene Bhour Guewel do Senegal para Cabo Verde

Mamadou Sene Bhour Guewel do Senegal para Cabo Verde A sonoridade única da banda continua enraizada no intercâmbio musical de fusão histórica entre Cabo Verde e Senegal e na exploração de novos horizontes, com um som cada vez mais influenciado pelo afro-jazz, por vezes prestando homenagem à mazurka caboverdiana, mas ancorado nos ritmos quentes do Senegal e na tradição griot. Cantando em wolof e crioulo, numa voz peculiar, Mamadou dá cor à música acústica de fusão com letras que contam histórias, como um griot canta o passado. Como dizia a avó N’Gom, “uma canção que não conta uma história, que não transmite conhecimento e amor não é uma canção, é uma brincadeira”.

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18.03.2011 | por Pedro F Marcelino

Inebriantes metáforas consagram a escrita etílica do poeta - Filinto Elísio – Li Cores & Ad Vinhos

Inebriantes metáforas consagram a escrita etílica do poeta - Filinto Elísio – Li Cores & Ad Vinhos Explosões dos sentidos, êxtase do verbo. Tais sensações encontram-se após a travessia instigante, surpreendente e prazerosa pelos cinquenta e três poemas do livro de poesia de Filinto Elísio, com o etílico e sugestivo nome Li Cores & Ad Vinhos. Este é o seu quinto título em poesia; constata-se, comparando ao anterior “Das Frutas Serenadas”, o aprofundamento metafórico e a semântica concupiscente das palavras buscando novos significados que vão além dos sentidos inertes impostos pelo discurso estabelecido.

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21.02.2011 | por Ricardo Riso

Sobre o documentário mim'delo

Sobre o documentário mim'delo Desde o comércio à cultura, Cabo Verde sempre foi encruzilhada de um conhecimento global. Um bom exemplo desta mistura é a capital cultural, Mindelo. Como segunda maior cidade, com cerca de 70 mil habitantes, Mindelo vive de costas voltadas para a sua periferia. Estigmatizadas pelo desemprego crónico, estas recentes comunidades periféricas convivem diariamente com um universo de drogas, violência, carência, exploração laboral e abandono social. Surpreendentemente, nada parece roubar o sorriso de esperança dos seus rostos, nem a sua vontade de celebrar a vida.

Afroscreen

04.01.2011 | por Miguel Pinheiro

Bety e os “pikinoti” dançam por um mundo melhor

Bety e os “pikinoti” dançam por um mundo melhor “52 histórias” é um livro ilustrado evocando uma agenda perpétua onde, ao longo de 52 semanas, sucedem-se 52 histórias, rostos, direitos, geografias de coragem, dignidade, mas também de privação e de injustiça. “52 histórias” integra a colecção “Arquipélago” da ACEP, que procura novas abordagens de comunicação com a sociedade portuguesa para combater estereótipos e desocultar pessoas e iniciativas que geram mudanças no mundo de que somos parte.

Palcos

16.11.2010 | por Rita Vaz da Silva

Você: Brasil - diálogo poético brasil / cabo verde

Você: Brasil - diálogo poético brasil / cabo verde Jorge Barbosa jamais foi ao Brasil; Ribeiro Couto jamais pôs os pés em Cabo Verde. "Eu gosto de você, Brasil, porque você é parecido com a minha terra. Eu bem sei que você é um mundão e que a minha terra são dez ilhas perdidas no Atlântico (...)"

Mukanda

17.08.2010 | por Jorge Barbosa e Ribeiro Couto

“O meu lado infantil está radiante” - Arménio Vieira

“O meu lado infantil está radiante” - Arménio Vieira Prémio Camões 2009. Cabo-verdiano. Conde. Arménio Vieira no seu laboratório de criação: Pracinha do Liceu, Cidade da Praia. O que se segue não é um discurso milimetricamente estruturado e óbvio. É, antes, um desenrolar de frases, pensamentos e memórias às vezes desconexos e non sense na aparência, que evidenciam, nesse jeito irónico e mordaz, a dimensão humana e artística do poeta e ficcionista.

Cara a cara

12.08.2010 | por Pedro Cardoso

Políticas de Juventude e Cultura

Políticas de Juventude e Cultura Desenvolver políticas de valorização do artista para evitar que um jovem pintor tenha que vender seus quadros para poder comprar tintas e pincéis para pintar novo quadro. Outro ciclo vicioso a ser quebrado é o do jovem talentoso que não consegue fazer uma exposição por não ser conhecido e não ser reconhecido por não fazer exibições.

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22.06.2010 | por Odair Varela

Mindelo: entre a Ficção e a Realidade

Mindelo: entre a Ficção e a Realidade Descoberta em 1462 por Diogo Gomes, S.Vicente manteve-se praticamente deserta até princípios do séc. XIX, apesar de várias tentativas de colonização, realizadas durante o séc. XVIII. Tentativas frustradas pelas secas que, numa ilha tão escassa em água potável, tornavam a sobrevivência praticamente impossível. Assim é que, em 1813, a população de S. Vicente, estava reduzida a um punhado de “aventureiros, pastores de rebanhos alheios, prostitutas e degregados”.

Cidade

17.06.2010 | por Ana Cordeiro

Da resistência e da fantasia, entrevista a Luísa Queirós e Naufrágios e barcos abandonados

Da resistência e da fantasia, entrevista a Luísa Queirós e Naufrágios e barcos abandonados Gosto de me ligar à palavra e à música como fontes de inspiração. Histórias contadas por mulheres de Santo Antão sobre mulheres-gatos-feiticeiras e parteiras de sereias que vão ao fundo do mar, ao palácio dos “encantados” prestar os seus serviços recebendo três pedrinhas que se transformarão em ouro. Gosto imenso deste universo e aproveito para criar personagens para a minha arte.

Cara a cara

15.06.2010 | por Marta Lança