Catchupa Factory – Projecto Colectivo

Curadoria de António Júlio Duarte e Diogo Bento


No âmbito da iniciativa Catchupa Factory – Novos Fotógrafos, lançada em Maio de 2016, realizou-se o Curso Avançado de Projecto em Fotografia, com a participação de 12 fotógrafos cabo-verdianos provenientes de diferentes ilhas.
Pretendia-se incentivar o desenvolvimento de um projecto fotográfico documental dando particular ênfase ao trabalho de edição e de construção de sequências narrativas. Ao exercício proposto, todos responderam de forma praticamente unívoca: tendo como pano de fundo a cidade do Mindelo, os trabalhos apresentados reflectiam preocupações de ordem social, cultural e económica.
Partindo de um maior ou menor conhecimento da cidade (e fazendo-o com recurso a diferentes estratégias), cada um dos autores acabou por percorrer ou habitar diferentes espaços (não é a própria fotografia, também, um acto performativo?). Em alguns casos é nos lugares de maior intimidade que se desenvolve a narrativa, sendo que outros fotógrafos foram obrigados a deslocar-se em território até então desconhecido. Dentro de uma esfera tão ampla de abordagens, talvez a característica mais visível seja uma atitude de transgressão relativamente às noções de centro e periferia. Numa cidade em que a própria geografia e o desenvolvimento urbanístico determinam de forma tão vincada sociabilidades distintas, vemos nestes trabalhos como as diferentes fronteiras e centralidades acabam por ser corrompidas.
Foram estes aspectos que quisemos destacar no processo de deslocamento dos projectos fotográficos para esta plataforma eminentemente visual e interactiva. De que forma a dispersão e localização das tomadas de vista foram condicionadas pela biografia de cada autor, por sentimentos de pertença, distanciamento, curiosidade ou desejo?
A Catchupa Factory – Novos Fotógrafos é uma iniciativa da AOJE e contou com o apoio do Ministério da Cultura de Cabo Verde e da Fundação Calouste Gulbenkian; o Curso de Projecto foi orientado por António Júlio Duarte e Diogo Bento e teve a participação de Pedro dos Reis (da RAUM) e Miguel Rodrigues que entre 16 e 18 de Maio conduziram um workshop e conversa sobre a fotografia e o espaço digital, no âmbito da iniciativa Raum: em Cabo Verde, com o apoio da Direção-Geral das Artes.

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04.01.2017 | par martalanca | António Júlio Duarte, cabo verde, Catchupa Factory, Diogo Bento, residências artísticas

"Cabral ka morri" - fotografias de Diogo Bento

“Cabral ka morri” (Cabral não morreu) é um trabalho conceptual (em progresso) do fotógrafo portuguêsDiogo Bento acerca da figura do líder guineense.

O projecto de investigação de Diogo Bento constitui uma homenagem à resistência e sobrevivência da memória de Amílcar Cabral, um dos principais responsáveis pela luta, libertação e independência da Guiné e de Cabo Verde. Sendo clara a necessidade de preservar e revisitar a vida e a obra de Amílcar Cabral, a sua proposta de construção de um arquivo dedicado a coleccionar documentos relacionados com o seu legado, sejam fotografias, suportes áudio, vídeo e alguns objectos, constitui uma investigação que não tem o propósito de formar uma narrativa com rigor documental e/ou histórico. À luz das práticas artísticas de alguns autores contemporâneos, que têm desenvolvido projectos baseados na apropriação de imagens documentais e na releitura desse legado, Diogo Bento revela assumidamente o desejo de construir uma ficção geradora de novos significados assente numa visão parcial, reflexiva, sobre a vida de Amílcar Cabral. - Sandra Vieira Jürgens, 2011

Esteve em exposição na Plataforma Revólver, Edifício Transboavista, Lisboa, entre 30 de Junho e 30 de Julho de 2011 e no Espaço Experimental de Arte e Design do M_EIA, Mindelo, Cabo Verde, de 17 a 31 de Janeiro de 2012. A instalação no espaço expositivo incluía a reprodução, em loop, do registo sonoro integral da última Mensagem de Ano Novo de Amílcar Cabral, transmitida pela Rádio Libertação em Janeiro de 1973.

 

pode ver a sequência publicada no Público aqui 

 

21.01.2013 | par martalanca | Amílcar Cabral, arquivo, Diogo Bento, fotografia