vigília por Angola, hoje no Rossio

28.09.2011 | par martalanca | angola, manifestações

6ª Conferência do Ciclo «1961: o ano de todos os perigos»

6ª Conferência do Ciclo «1961: o ano de todos os perigos», com o título “Portugueses, mas não tanto…”
Sábado, 24 de Setembro de 2011, às 15h00, nas instalações do CES-Lisboa (Picoas Plaza, Rua do Viriato, 13, Lj. 117/118).

Programa: Em Setembro de 1961 é abolido o Estatuto do Indigenato, uma das peças legislativas fundamentais do sistema colonial português em África. Numa altura em que os ventos de mudança sopravam em África, o que significou a abolição do Estatuto?
Orador: Adriano Moreira
Exibição do documentário “Catembe” [Moçambique, 1965, 45’], do realizador Faria de Almeida, que procurou fixar nele o quotidiano de um bairro popular de Lourenço Marques. Antes de ter sido alvo de cortes pela censura do regime salazarista, integrava sequências de ficção com sequências documentais. A sua exibição acabou por ser proibida durante o período do Estado Novo.

Enquadramento do ciclo

O ano de 1961 foi, para o regime salazarista, o ano de todos os perigos, vindo a revelar-se como o annus horribilis do ditador. Em distintos contextos, múltiplos acontecimentos marcariam esse ano, prenúncio do final do regime colonial-fascista português. Porque uma das linhas de orientação temática do CES aposta no aprofundar do conhecimento sobre o espaço de expressão portuguesa – e sobre as suas ligações históricas – este conjunto de sessões procura reflectir sobre um espaço unido por várias histórias e lutas.
Em 2011 passam 50 anos sobre esse ano de todos os perigos. Boa ocasião para recordar factos muitas vezes esquecidos, ouvindo os seus protagonistas, enquadrando-os na história comum que une Portugal e os países em que se transformaram – ou se integraram – as suas possessões coloniais.
Logo no início de Janeiro de 1961 tem lugar em Angola um levantamento de trabalhadores da Cotonang, protestando contra as condições de trabalho impostas pela companhia algodoeira. Os protestos são rapidamente reprimidos pelo exército português, mas anunciam o início da luta armada de libertação de Angola, marcada pelo ataque à cadeia de S. Paulo, em Luanda, a 4 de Fevereiro e pelo levantamento armado – que Mário Pinto de Andrade classificava como “jacquerie” – conduzido pela UPA em 15 de Março.
Entretanto, a 22 de Janeiro, elementos do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação – congregando militantes da União de Combatentes Espanhóis e do Movimento Nacional Independente, português – apoderam-se do paquete Santa Maria, da Companhia Colonial de Navegação, que rebaptizam de Santa Liberdade, conseguindo uma cobertura noticiosa internacional e abalando profundamente o regime de Salazar.
Em Abril, a crise vem, não da oposição, mas do interior do regime, através da tentativa de golpe liderada pelo Ministro da Defesa, Júlio Botelho Moniz.
Em Junho, cerca de cem estudantes oriundos das colónias portuguesas em África que se encontram em Portugal abandonam clandestinamente o país, muitos deles para se juntarem aos movimentos de libertação.
A abolição do Estatuto do Indigenato, associado a outras reformas, em Setembro, chega demasiado tarde para travar a acção dos movimentos de libertação das colónias, entretanto reunidos na Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas, CONCP.
A 10 de Novembro, Hermínio da Palma Inácio comanda o desvio do Super-Constellation da TAP Mouzinho de Albuquerque, a fim de lançar sobre Lisboa milhares de panfletos apelando à revolta contra a ditadura.
A 18 de Dezembro, tropas da União Indiana ocupam os territórios de Goa, Damão e Diu. Salazar ordena que as tropas portuguesas lutem até à última gota de sangue, mas o governador, general Vassalo e Silva, recusa-se a obedecer à ordem do Presidente do Conselho e opta pela rendição.
E, na noite de fim de ano, uma tentativa frustrada de assalto ao quartel de Infantaria 3, em Beja, leva à morte do então sub-secretário de Estado do Exército, tenente-coronel Jaime Filipe da Fonseca.

Organização do ciclo: Maria Paula Meneses e Diana Andringa.
Para mais informações, contactar: ceslx@ces.uc.pt

23.09.2011 | par joanapires | angola, conferência, história, regime salazarista

"Comissão das Lágrimas" de António Lobo Antunes

“Um doloroso canto de uma mulher torturada” foi o ponto de partida para Comissão das Lágrimas, o novo livro de António Lobo Antunes. A mulher torturada foi Elvira (conhecida por Virinha), comandante do batalhão feminino do MPLA, presa, torturada e morta na sequência dos terríveis acontecimentos de Maio de 1977 em Angola.

Mas este é apenas um episódio num livro denso e sombrio sobre Angola depois da independência. António Lobo Antunes não quis fazer um livro documental ou uma reportagem “verídica” sobre o que se passou em Angola, antes usou a sua sensibilidade e o espantoso poder evocativo da sua escrita para falar sobre a culpa, a vingança, a inocência perdida.

 

O livro chega às livrarias no dia 30 de Setembro.

14.09.2011 | par joanapires | angola, história, independência

"SOS ANGOLA – Os Dias da Ponte Aérea" de Rita Garcia

Entre Julho e Novembro de 1975, quase 200 mil portugueses interromperam abruptamente uma vida inteira passada em Angola e vieram para Portugal através de uma das maiores pontes aéreas de resgate de civis jamais implementadas.

Aviões da TAP e de várias companhias estrangeiras voaram sem pausas entre Lisboa e África para trazer todos os que quisessem sair das cidades e dos confins de Angola antes da independência. O desespero dos últimos meses e o medo de morrer às mãos dos chamados movimentos de libertação levaram milhares de colonos a correr para os aeroportos à procura de um lugar nos aviões que partiam de Luanda e Nova Lisboa a toda a hora e sobrelotados, com pessoas a viajar em porões e casas-de-banho para aproveitar o espaço ao máximo. Comissários e assistentes de bordo trabalharam sem folgas nesses meses loucos, acompanhando homens, mulheres, crianças, famílias inteiras desamparadas e soldados à beira da morte. As tripulações, exaustas, nunca conseguiram esquecer esses dias, nem as mães que lhes pediam para ficarem com os filhos.

Recuperando esse tempo de angústia e agitação, S.O.S. Angola é um livro dramático e profundamente enternecedor, que revela cada pormenor desta epopeia e evoca as tragédias pessoais de quem teve de sair de África sem nada em direcção a um país desconhecido que, ainda por cima, acabara de viver uma revolução. Para os passageiros da Ponte Aérea, o futuro não podia ser mais aterrador.

 

Rita Garcia nasceu em Lisboa em Julho de 1979. Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, é repórter da revista Sábado desde 2005 e autora do livro de reportagens “INEM 25 anos. Recebeu o 2º prémio Henrique de Barros, atribuído pelo Parlamento Europeu em 2003, e o Prémio de Jornalismo Novartis Oncology em 2008.

14.09.2011 | par joanapires | angola, história

Angola: Libertar Manifestantes Condenados Injustamente

Investigar Papel da Polícia na Violência na Manifestação de Setembro
(Joanesburgo, 14 de setembro de 2011) – As autoridades angolanas devem retirar imediatamente acusações politicamente motivadas contra 18 pessoas que foram condenadas no seguimento de julgamentos injustos, devido à sua participação numa manifestação contra a governo em Luanda, anunciou hoje a Human Rights Watch.
Um segundo julgamento contra outro grupo de manifestantes deve ser posto fim por não cumprir os padrões de julgamento justo e os detidos com base em acusações forjadas devem ser libertados, afirmou a Human Rights Watch. As autoridades devem conduzir uma investigação rápida e imparcial sobre o uso excessivo da força por parte da polícia em manifestações políticas e sobre a intimidação e assédio de testemunhas de defesa.
“Julgar injustamente manifestantes não é resposta às exigências legítimas de reformas dos cidadãos,” disse Daniel Bekele, diretor de África da Human Rights Watch. “As autoridades devem respeitar o direito a manifestações pacíficas e investigar de forma imparcial a violência cometida contra os manifestantes.”
A 3 de setembro de 2011, agentes da polícia e grupos de homens não identificados, aparentemente associados às autoridades, dispersaram violentamente uma manifestação contra o governo em que participavam várias centenas de manifestantes em Luanda.  A polícia disse que quatro agentes e três outras pessoas tinham ficado feridos e culpou os manifestantes pela violência. Testemunhas contaram à Human Rights Watch que muito mais manifestantes tinham ficado feridos.
Há testemunhos credíveis de que agentes de segurança vestidos à civil se infiltraram na manifestação e agiram com violência. A Human Rights Watch já havia documentado anteriormente o uso desproporcionado da força por parte da polícia contra os manifestantes e os ataques contra manifestantes e jornalistas por parte de homens não identificados durante a manifestação.
Um tribunal de polícia em Luanda sentenciou cinco dos organizadores da manifestação de 3 de setembro a três meses de prisão e ao pagamento de taxas e danos no total de 1400 USD pelos crimes de desobediência, resistência e “ofensas corporais.” Os queixosos são quatro agentes da polícia que alegaram terem sido feridos por manifestantes. O tribunal também sentenciou 13 outros manifestantes a 45 dias de prisão pelos mesmos crimes, com pena suspensa por dois anos para dois menores de idade. Três dos manifestantes acusados foram absolvidos por falta de provas. Os arguidos recorreram da sentença ao Supremo Tribunal; o Ministério Público recusou um pedido de libertação dos arguidos até à decisão do Supremo Tribunal.
A 14 de setembro, vai ter início outro julgamento contra 27 alegados manifestantes que foram detidos durante manifestações que apelavam à libertação dos participantes nos protestos de 3 de setembro.
A polícia mantém estes manifestantes detidos numa prisão de alta segurança, a 60 quilómetros de Luanda, e têm-lhes negado o acesso a advogados e familiares. Dois partidos da oposição, a UNITA e o Bloco Democrático, declararam que o acesso dos seus representantes a membros do partido que estavam entre os detidos na prisão lhes foi negado.
O julgamento contra os manifestantes de 3 de setembro violou garantias fundamentais de julgamento e processo justos, afirmou a Human Rights Watch.
A polícia tem-se recusado a fornecer informação a advogados e familiares acerca do paradeiro dos detidos de 3 de setembro, e recusou-lhes o acesso a um advogado. Advogados e testemunhas disseram à Human Rights Watch que vários manifestantes, julgados em várias sessões de tribunal, tinham ferimentos visíveis e se queixaram sobre as condições degradantes na prisão, e sobre comida e água insuficientes.
Advogados de defesa disseram à Human Rights Watch que só lhes foi dado acesso à acusação no primeiro dia de audiências, a 8 de setembro, e apenas durante alguns minutos. Advogados de defesa e pessoas que assistiram ao julgamento contaram à Human Rights Watch que os quatro queixosos, todos agentes da polícia, não apresentaram provas credíveis de que haviam sido feridos por algum dos manifestantes, nem de que tenha havido quaisquer danos materiais.
Testemunhas de defesa contaram à Human Rights Watch que, durante o julgamento, se verificou um clima de intimidação e assédio por parte de indivíduos não identificados no tribunal, e que nem a polícia nem os magistrados do tribunal fizeram algo para as proteger. Num incidente que ocorreu no segundo dia de julgamento, duas testemunhas de defesa – Diana Pereira, manifestante, e Coque Mukuta, jornalista na estação privada Rádio Despertar – contaram à Human Rights Watch que dois homens os tinham ameaçado e tentado raptá-los à força. Quando identificaram um dos agressores ao comandante da polícia presente, não foi tomada nenhuma ação e os agressores continuaram a ameaçá-los na presença da polícia. Em resposta às ameaças, outra testemunha de defesa contou à Human Rights Watch: “Temos medo de voltar para casa hoje à noite.”
Diana Pereira descreveu à Human Rights Watch o intervalo da sessão de tribunal na tarde de 9 de setembro:
Eu e Coque Mukuta saímos do tribunal para ir comprar almoço a uma loja ali perto. Aí, dois indivíduos ameaçaram-me. Disseram-nos para “calarmos a boca”, agarraram-me e tentaram levar-me com eles. Conseguimos escapar, saltámos a rua para voltar para o tribunal e informámos o comandante da polícia que estava lá. Voltámos à loja com a polícia. Apontámos para um dos indivíduos que nos tinha ameaçado, que ainda lá estava. O homem continuou a ameaçar-nos dizendo “Cuidado, posso bater-vos à frente da polícia.” O agente da polícia assistiu a isto mas não fez nada. O comandante da polícia disse-nos para apresentar queixa numa outra esquadra, longe do tribunal, alegando que não era responsável por este caso.
“As autoridades são obrigadas a proteger as testemunhas de tribunal, um elemento importante de um julgamento justo,” disse Bekele. O governo deve conduzir rapidamente uma investigação imparcial sobre estas ameaças e obrigar quem quer que seja responsável a prestar contas.”
 
Para mais relatórios da Human Rights Watch sobre Angola, visite

Angola: Free Demonstrators Unfairly Convicted    
Investigate Police Role During September Demonstration

 
(Johannesburg, September 14, 2011) – The Angolan authorities should immediately drop politically motivated charges against 18 people who were convicted after unfair trials for their participation in an anti-government demonstration in Luanda, Human Rights Watch said today.
A second trial against another group of demonstrators should be halted for failing to meet fair trial standards and those held on trumped up charges should be released, Human Rights Watch said. The authorities should conduct a prompt and impartial investigation into police use of unlawful force at political demonstrations and intimidation and harassment of defense witnesses. 
“Unfair trials of demonstrators are not the answer to the legitimate reform demands of citizens,” said Daniel Bekele, Africa director at Human Rights Watch. “The authorities should respect the right to peacefully demonstrate and impartially investigate violence against demonstrators.”
On September 3, 2011, police agents and groups of unidentified men apparently allied to the authorities violently dispersed an anti-government rally involving several hundred protesters in Luanda. The police said four police officers and three others had been injured and blamed demonstrators for the violence. Witnesses told Human Rights Watch many more demonstrators were injured.
There are credible accounts that plainclothes security agents infiltrated the demonstration and committed violence. Human Rights Watch previously documented the disproportionate use of force by the police against demonstrators and attacks on demonstrators and journalists by groups of unidentified men during the demonstration.
A police court in Luanda sentenced five organizers of the September 3 demonstration to three months in prison and fines and damages totaling US$1400 for the crimes of disobedience, resistance, and “corporal offenses.” The claimants for damages were four police officers who alleged being injured by demonstrators. The court also sentenced 13 other demonstrators to 45 days in prison for the same crimes, suspending the sentence for two years for two minors. Three of the accused protesters were acquitted for lack of evidence. The defendants have appealed to the Supreme Court. The attorney general refused a request to release the defendants pending the Supreme Court’s ruling.
Another trial will begin on September 14 against 27 alleged demonstrators who were arrested during rallies calling for the release of the September 3 protesters.
Police are holding these demonstrators in a high-security prison 60 kilometers from Luanda, and have denied them access to lawyers and family members. Two opposition parties, UNITA and Bloco Democrático, claimed that their representatives were denied access to party members among the detainees at the prison.
The trial against the September 3 demonstrators violated fundamental fair trial guarantees and due process of law, Human Rights Watch said.
The police have refused to give information to lawyers and family members about the September 3 detainees’ whereabouts, and refused them access to a lawyer. Lawyers and witnesses told Human Rights Watch that a number of the demonstrators, who were tried in police court hearings had visible injuries and complained about degrading prison conditions, insufficient food and water.
Defense lawyers told Human Rights Watch they were allowed access to the indictment only on the first day of the hearings, on September 8, and only for a few minutes. Defense lawyers and persons attending the trial told Human Rights Watch that the four claimants, all police agents, did not present credible evidence that they had been injured by any of the demonstrators, nor that there had been any material damage.
Defense witnesses told Human Rights Watch that during the trial there was a climate of intimidation and harassment by unidentified individuals present at the court, and neither the police nor the court magistrates did anything to protect them. In one incident during the second day of the trial, two of the defense witnesses, Diana Pereira, a demonstrator, and Coque Mukuta, a journalist at the privately owned Rádio Despertar, told Human Rights Watch that two men threatened them and tried to forcibly abduct them. When they identified one of the assailants to the police commander present, no action was taken, and the assailants continued to threaten them in the presence of the police. In response to the threats, another defense witness told Human Rights Watch, “We are afraid to go home tonight.”
Diana Pereira described to Human Rights Watch the court session break in the afternoon on September 9:
Coque Mukuta and I left the court to buy lunch at a nearby shop. There, two individuals threatened me. They told us to “keep our mouth shut,” grabbed me and tried to drag me with them. We managed to escape, jumped the road back to the court and reported to the police commander at the court. We returned to the shop with the police. We pointed at one of the individuals who had threatened us, who was still there. The man continued threatening us, saying, “Beware, I can beat you up in front of the police.” The police agent witnessed this but didn’t do anything about it. The police commander told us to lodge a complaint at another police station, far from the court, alleging he was not responsible for this case.
“The authorities are obliged to protect court witnesses, an important component of a fair trial,” Bekele said. “The government should promptly conduct an impartial investigation into these threats and hold whoever is responsible to account.”

14.09.2011 | par martalanca | angola, manifestações

DIAMANTES DE SANGUE Livro de Rafael Marques

Os diamantes são uma enorme fonte de riqueza em Angola. Os cidadãos angolanos não retiram benefícios dessa riqueza. Nas zonas de garimpo, as populações são subjugadas e brutalizadas pelas forças militares e de segurança ao serviço do Estado e das empresas diamantíferas. Rafael Marques vai estar no Fórum FNAC para explicar como e porquê.

Rafael Marques apresenta Diamantes de Sangue no dia 15 de Setembro, às 21 horas, na Fnac Chiado.

14.09.2011 | par joanapires | angola

Comunicado de Imprensa pela Associação dos estudantes da Universidade Católica de Angola

À luz do úlitmos acontecimentos ocorridos a respeito da manifestação realizada no sábado 03 de Setembro, incidentes, apreensões nos dias 03 e 08 de Setembro e o processo de julgamento que está  em curso.

Os estudantes da UCAN, representados pela sua Associação, apresentam à opinião pública as suas convicções e propostas:

a)      Valorizamos toda contribuição dos jovens universitários para criar uma sociedade angolana mais justa e fraterna. Achamos que a manifestão pública das próprias idéias, um contexto democrático, é uma riqueza para o debate nacional.

b)      Rejeitamos qualquer tipo de violência seja no expôr, como no reprimir as ideias dos outros. Somos convencidos que só uma proposta respeitosa, educada, não violenta, sem deixar de ser corajosa, são os meios lícitos para o debate nacional tendo como limite a Lei e a ordem pública.

c)       Nos solidarizamos com os estudantes universitários, particularmente com os nossos colegas da UCAN que foram privados da libertade;

d)      Temos a certeza que nenhum dos nossos estudantes da UCAN que foram reconhecidos entre os detidos e submetidos a julgamento: Kady Mixinge, Domingos Neves Cardozo e os demais que ainda nao foram identificados, não estiveram envolvidos em actos de violência.

e)      Lamentávelmente ocorreram actos de vandalismo que não foram iniciados nem pelos manifestantes nem pela polícia, mas por elementos alheios ao grupo de activistas.

f)       Exortamos às autoridades públicas para que seja respeitada a dignidade e direitos dos jovens apreendidos.

Os estudantes da UCAN convidam aos seus colegas e demais univeritários de outros centros a dedicar a terça feira 13 de Setembro para uma jornada de relfexão e oração pelos colegas que inocentemente encontram-se privados de liberdade e  para encontrar os caminhos de concórdia e participação activa na nossa sociedade.

                Pedimos que Deus, fonte da paz e da justiça toque nos corações de todos os envolvidos neste processo.

 

Associação de Estudantes da Universidade Catolica de Angola

12.09.2011 | par martalanca | angola, estudantes, repressão

Angola: 14 ONG's condenam detenção e tortura de manifestantes

14 organizações da sociedade civil angolana denunciaram as agressões e detenções de jovens e jornalistas na manifestação de 3 de Setembro. 21 detidos irão a julgamento sumário nesta quinta feira. Human Rights Watch alerta que existem 30 detidos incontactáveis e em paradeiro desconhecido. Eurodeputados do Bloco exigem informação.

Nesta quinta feira, 8 de Setembro, irão a julgamento sumário em Luanda 21 pessoas que foram detidas na manifestação do passado dia 3 de Setembro, promovida por jovens sob o lema “32 é de mais”, referindo-se aos anos em que Eduardo dos Santos ocupa a Presidência da República de Angola. Entre as pessoas detidas encontra-se Ermelinda Freitas de 60 anos, militante do Bloco Democrático. A Human Rights Watch (HTW) que exige o fim da repressão dos protestos anti-governamentais em Angola, manifestou-se preocupada pela existência de presumivelmente três dezenas de pessoas que continuam incomunicáveis e em paradeiro desconhecido.

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08.09.2011 | par martalanca | angola, manifestações

Os Hereros de Sérgio Guerra no Museu Afro Brasil, São Paulo

Pouquíssimas pessoas conhecem tão bem Angola quanto o fotógrafo pernambucano Sérgio Guerra. Responsável pela comunicação do governo angolano, há quase 15 anos ele vive na ponte-aérea Salvador-Luanda. Daí nasceu uma relação de amor profundo com o país africano, dando origem a um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas e de suas populações, o que resultou em cinco livros. O mais recente, ‘Hereros’, é aquele no qual Guerra aprofunda seu olhar sobre a cultura daquele país e a matéria prima para a grande e inédita exposição ‘Hereros Angola’, com cerca de 100 fotos selecionadas pelo artista plástico e curador Emanoel Araujo.
 Fotógrafo, publicitário e produtor cultural, Sérgio Guerra nasceu em Recife, morou em São Paulo e no Rio de Janeiro, até se fixar na Bahia nos anos 80. A partir de 1998, passou a viver entre Salvador, Rio de Janeiro e Luanda, onde desenvolve um programa de comunicação para o Governo de Angola. Em suas constantes viagens pelo país, testemunha momentos decisivos da luta pela paz e reconstrução, constituindo um dos mais completos registros fotográficos das 18 províncias angolanas.Local: Museu Afro Brasil – Parque Ibirapuera (Portão 10) Até 24 de julhoEntrada Gratuita

10.07.2011 | par martamestre | angola, Hereros, Museu Afro Brasil, Sérgio Guerra

Angola depois do fim da Guerra Civil: Olhares sobre um país em transformação, LISBOA

Conferência Internacional 

ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, 8 Julho _ Sala 229

9h: Introdução, a seguir comunicação por Franz-Wilhelm Heimer (ISCTE – IUL, Lisboa) “Estruturas e identidades sociais em Angola: as recomposições em curso”

10h: João Milando (Universidade Katyavala Bwila, Benguela) “Violência prolongada e resiliência social: estudos de caso de sociedades rurais de Angola”

11h30: Fernando Florêncio (Universidade de Coimbra) “Persistência e capacidade de adaptação das Autoridades Tradicionais na Angola pós-colonial”

14h30 Margarida Ventura (Universidade Privada de Angola, Lubango) “Impactos psíquicos das guerras anti-colonial e civil em Angola: o caso da Província da Huíla”

16h: Jean-Michel Mabeko Tali (Howard University, Washington) “Os vencidos da Guerra Civil: trajectórias de dirigentes, militantes e apoiantes da UNITA e da FNLA depois do fim da Guerra Civil”

17h30: Manuel Alves da Rocha (Universidade Católica de Angola, Luanda) “Assimetrias do desenvolvimento regional em Angola”

19h30: Encerramento 

30.06.2011 | par franciscabagulho | angola, CEA, Estudos Africanos

Batida - Cuka (Isso é o que eles querem!)


“Cuka”, numa alusão à cerveja mais bebida em Angola, (tão barata quanto a água engarrafada), fala de um kota que se resignou ao vício do álcool, mas que se arrependeu e decidiu pregar o oposto a todo o povo Angolano na forma de um refrão: “Heh Mwangolé! Não faz como nós não perde o teu tempo só a běbě!” A história termina porque (…) “O kota tanto falou, até que parou” (morreu). 
Uma música de baile, interpretada pela “Orquestra Alcoólica do Wako Kungo”, sob a batuta errante de Kota Bolota, na letra do Ikonoklasta.

via Fazuma 

20.06.2011 | par franciscabagulho | angola, fazuma, ikonoklasta

Companhia Dança Contemporânea Angola em risco de extinção _ Nota de impressa

A Temporada 2011 da Companhia de Dança Contemporânea, com a peça intitulada “O Homem que chorava sumo de Tomates”, vai já na sua terceira semana de cartaz (das quatro programadas), com sala cheia, num espectáculo, uma vez mais inovador, atitude que tem caracterizado a forma de partilha desta companhia com o público. Na sua nova obra, a CDC Angola opta pelo teatro-dança, um género associado à dança contemporânea, insistindo também na dança inclusiva com a integração de bailarinos portadores de deficiência no seu elenco.

Pioneira em diferentes frentes que vão desde a introdução da dança contemporânea em Angola, à apresentação periódica e regular de espectáculos, em regime de temporadas, passando pela utilização de espaços não convencionais e, mais recentemente a abertura para a dança inclusiva (bailarinos com e sem deficiência física), a CDC tem procurado diferentes vocabulários e novas linguagens, como forma de expressão, no âmbito da pesquisa e experimentação, surgindo assim uma proposta de revitalização da cultura de raiz tradicional e popular, pela utilização dos seus elementos na perspectiva da criação de novas estéticas para a dança angolana, diversas vezes em articulação com outras linguagens (literatura, cinema, artes plásticas, teatro)        

Porque a arte não existe apenas num âmbito de espectáculo, mas também noutras vertentes em que outros públicos a experimentam, a manipulam e criam produtos, sensações, descobrem vocações ou apenas desfrutam de momentos de prazer, o projecto da CDC integra também uma Oficina de Artes com o objectivo de fazer uma ponte entre o ensino artístico, as artes e a comunidade.

Numa altura em que a CDC Angola assinala 20 anos de existência, com mais de uma dezena de obras originais, sob a direcção da coreógrafa angolana Ana Clara Guerra Marques, cujo trabalho de investigação e produção criativa são sobejamente conhecidos pela sua regularidade, consistência intelectual e qualidade artística e profissional; num momento em que esta companhia, a primeira e única profissional do género em Angola tenta desenvolver um projecto de extensão comunitária com foco na dança enquanto forma de inclusão; num tempo em que Angola pretende ser um país moderno e aberto para o mundo com um desenvolvimento a nível de todos os sectores, visando a sua expansão, o Gabinete de Divulgação e Imagem vem por este meio comunicar que a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, deixou de ter um espaço para desenvolver o seu trabalho diário.

Tendo em conta o volume de projectos e actividades que são regularmente apoiados em Angola por entidades estatais e privadas, é de questionar porque não é a CDC Angola contemplada? Para reflexão, aqui ficam as palavras do Presidente da República de Angola: “Não é por acaso que muitos dos nossos criadores já se baseiam nelas [nas tradições] e irão certamente continuar a basear-se para produzirem a música erudita, a dança contemporânea, as danças africanas estilizadas, as belas artes e o teatro moderno. Isto não deverá impedir, no entanto, que continuemos a inserir-nos sem complexos na modernidade, apoiando sem reservas a expressão das novas realizações, inquietações e aspirações que a transformação das bases da nossa sociedade e o progresso social e científico nos impõem”.

Gabinete de Divulgação e Imagem da CDC, em Luanda, aos 16 de Maio de 2011.

CDC Angola. Fotografia de Rui Tavares.CDC Angola. Fotografia de Rui Tavares.


18.05.2011 | par franciscabagulho | angola, Companhia de dança contemporânea de Angola

Paulo Flores em Vila Nova de Santo André

O músico, cantor e compositor angolano Paulo Flores vai estar em Vila Nova de Santo André, na noite de dia 24 de Abril, para o concerto comemorativo dos 37 anos do 25 de Abril.

Trata-se do concerto que a Câmara Municipal de Santiago do Cacém promove e oferece à população no âmbito das comemorações da Revolução dos Cravos. Este ano, o concerto realiza-se em Vila Nova de Santo André, junto ao Parque Central, às 22h00.

23.04.2011 | par ritadamasio | 25 de abril, angola, comemorações, música angolana, revolução dos cravos

Fazer Trabalho de Campo em Angola, desafios e contrangimentos a partir de uma experiência pessoal

Seminário de Estudos Africanos Fernando Florêncio
Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Auditório B203 Edifício II ISCTE-IUL 18h00 às 20h00

Fernando Florêncio é Antropólogo e Professor Auxiliar no Departamento de Ciências da Vida na Universidade de Coimbra. Tem um Doutoramento em Estudos Africanos, pelo ISCTE. Tem dedicado investigação aos estudos sobre o político em África, com destaque para o estudos das relações entre as autoridades tradicionais e os estados africanos, a partir de estudos de caso de Moçambique e Angola. Ultimamente tem desenvolvido estudos sobre o pluralismo jurídico, em Angola e Moçambique. Efectuou diversos trabalhos de campo nestes países, desde 1994. Publicou diversas obras sobre estes assuntos, com destaque para o livro À Procura dos mambo vaNdau. Estado e Autoridades Tradicionais em Moçambique, (2005). Coordenou um projecto de investigação, onde fez investigação sobre o municipio do Bailundo, em Angola.

Ver também o cartaz do seminário em  SeminárioCEAFernandoFlorêncio

18.04.2011 | par martalanca | angola, antropologia, trabalho de campo

Companhia de Dança Contemporânea de Angola, temporada 2011.

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola estreia no dia 29 de Abril - Dia Mundial da Dança - a sua nova peça intitulada “O Homem que chorava sumo de tomates”, com coreografia de Ana Clara Guerra Marques. Os figurinos de Nuno Guimarães; os textos são de Miguel Hurst e do escritor e artista plástico Frederico Ningi que assina também os desenhos do fundo cenográfico. As fotografias são de Rui Tavares e a criação vídeo é da Geração 80.

Nesta nova criação, a CDC Angola opta pelo teatro-dança, voltando à crítica social para trabalhar sobre flagrantes e personagens do quotidiano angolano, onde o humor ocupa um lugar especial. “O Homem que chorava sumo de tomates” estará em cartaz no Nacional Cine-Teatro (Chá de Caxinde), em Luanda, nos seguintes dias e horário: Mês de Abril: dias 29 e 30 às 20.30H
Mês de Maio: dias 6, 7, 13, 14, 20 e 21 às 20.30H e dias 1, 8, 15 e 22 às 18.30H

http://www.cdcangola.com/

15.04.2011 | par franciscabagulho | Ana Clara Guerra Marques, angola, dança contemporanea

The Study of Angola:Towards a New Research Agenda (Call for papers)

This Conference will bring together social scientists and historians to discuss the study of modern and contemporary Angola. Organized in partnership with SOCIUS-ISEG, the Economics Faculty of the Technical University of Lisbon, the workshop will include academics from North America and Europe as well as Angola, and will revolve around three major goals:

- Assess the state-of-the-art of Angolan studies

- Delineate a future research agenda that results in both country-specific studies and the inclusion of Angola into cutting-edge comparative research

- Create a network of researchers that will deepen collaborative work

The Conference organizers would welcome papers on the following subject areas with a view to putting together between five and six panel discussions: petroleum and political economy; challenges of postwar reconstruction; the social and political legacies of the war; colonial legacies; and Angola’s international relations. Other themes will also be considered.

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10.04.2011 | par ritadamasio | angola, colonialismo, conferência, politica economica, reconstrução pós guerra

Pepetela lança livro - Recolha de crónicas do Jornal português Público

O escritor angolano Pepetela lançou em Luanda na passada quinta-feira (31), no espaço Verde Caxinde, um livro intitulado “Crónicas com fundo de guerra”.

As crónicas que compõem o livro foram publicadas no jornal português “Público”, de 1992 a 1995, e tinham o título genérico “Da terra dos mitos”.

05.04.2011 | par ritadamasio | angola, crónicas, literatura angolana, recolha

Exposition "Angola, figures de pouvoir"

Dapper
35 bis, rue Paul Valéry (musée) 50, av. Victor Hugo (admin.), 75116 Paris, France

Tous les jours, sauf le mardi, de 11 h à 19 h - Tél. : 01 45 00 91 75 - Tarif exposition : 6 € - Tarif réduit : 4 € (seniors, familles nombreuses, enseignants, demandeurs d’emploi) Gratuit : Les Amis du musée Dapper, les moins de 26 ans, les étudiants et le dernier mercredi du mois.

Cette manifestation exceptionnelle présente environ cent quarante oeuvres : masques de différentes factures, statuettes de chef à l’effigie du héros-chasseur Chibinda Ilunga, figures cultuelles et insignes de dignité, impressionnants objets magico-religieux et bas-reliefs polychromes.

L’espace consacré à l’art contemporain sera
investi par l’un des plus grands artistes angolais, António Ole.
Savoir plus sur le site Africultures
Commissaire :
Christiane Falgayrettes-Leveau

Conseiller scientifique :
Boris Wastiau

Avec le haut patronage de l’ambassadeur d’Angola en France, Miguel DA COSTA

Riche de la diversité de son peuplement, l’Angola a vu s’épanouir des aires culturelles au sein desquelles se sont développés des arts de cour prestigieux exaltant la puissance politique et spirituelle des chefs. De même, les cultes rendus aux ancêtres, héros, divinités et esprits, ainsi que les institutions initiatiques assurant la formation des individus ont donné naissance à des pratiques artistiques élaborées.

Masques, statuettes, emblèmes et bien d’autres types d’oeuvres des Chokwe, Kongo, Lwena, Lwimbi, Mwila, Ovimbundu, pour citer les peuples les plus connus, occupent une place centrale dans les arts d’Angola. Cette exposition offre un étonnant répertoire de formes où s’affirment des styles spécifiques et où se devinent des emprunts sinon des influences. Les masques sculptés ou réalisés dans des matières végétales de même que les figures cultuelles en bois, au-delà de leur appartenance et de leur rôle, suggèrent fréquemment des liens noués entre les peuples.Les représentations les plus prégnantes mêlent souvent et intimement plusieurs registres. Les données de l’histoire, du politique et du religieux investissent, de façon plus ou moins explicite, les modes de figuration ainsi que les systèmes symboliques. Les objets constituent donc les indices d’un univers où sont en jeu de multiples pouvoirs. Cette sélection révèle la volonté de présenter aussi largement que possible les productions de peuples ayant contribué à édifier un patrimoine artistique exceptionnel.

Exposition réalisée avec le soutien de la Fondation TOTAL

Pour la première fois en France, une exposition d’envergure est consacrée aux arts d’Angola

30.03.2011 | par ritadamasio | angola, arts, exposition, france

Representações Coloniais de Angola e dos Angolanos na literatura colonial portuguesa (1924-1939), LISBOA

O Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação Mundos Novos  e o Centro de Investigação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade de Évora organiza a Conferência: Representações Coloniais de Angola e dos Angolanos na literatura colonial portuguesa (1924-1939), que decorrerá no dia 29 de Março de 2011, às 18h no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Centro de História Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Cidade Universitária - Alameda da Universidade
site

25.03.2011 | par franciscabagulho | angola, literatura colonial

"Dundo, memória colonial", de Diana Andringa

Nasci em 1947 no Dundo, centro de uma das mais importantes companhias coloniais de Angola, a Diamang. Ali fui feliz. Ali aprendi o racismo e o colonialismo. Agora volto, porque o Dundo é a minha única pátria, a mais antiga das minhas memórias.

Ficha Técnica: “Dundo, Memória Colonial”

Realização: Diana Andringa

60’, LX Filmes, Portugal, 2009

exibição dia 30 de Março, 18h, no ISCTE

24.03.2011 | par martalanca | angola, Diana Andringa, Dundo