Prémio Nacional de Cultura e Artes em Angola - edição de 2012

RELATÓRIO FINAL
O Júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes, Edição de 2012, nomeado pelo Despacho nº 24/12, de 02 de Fevereiro, exarado por Sua Excelência Senhora Ministra da Cultura, Dra. Rosa CRuz e Silva, foi integrado pelos seguintes membros, nas suas respectivas subcomissões:
Presidente: Zavoni Ntondo
Disciplina de Literatura: António Fernandes da Costa e Manuel Muanza.
Disciplina de Investigação Científica em Ciências HUmanas e Sociais: Zavani Ntondo e Victor Hugo Guilherme.
Disciplina de Artes Plásticas: António Luís Jorge Gumbe e Lukulu Zola Ndonga
Disciplina de Teatro: Avelino d’Almeida Tavares Neto e João Cristóvão Benza.
Disciplina de Cinema e Audiovisuais: Alberto Adão Sebastião e Augusto Manuel dos Santos (Nguxi dos Santos).
Disciplina de Música: Belmiro António Carlos e Gaspar Agostinho Neto.
Disciplina de Dança: Cristóvão Mário Kajibanga e Nelson João Pereira Augusto.

O Júri do Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição 2012, decidiu o seguinte:

 Literatura:
Atribuir o prémio a José Mena Abrantes (nasc. 11/1/45, em Malanje). Dedicou parte da vida a produzir textos dramáticos, modalidade literária raramente cultivada em Angola e pouco conhecida enquanto tal. Destinando-se o texto literário dramático à representação, é inegável a importância desta vertente estética da obra de José Mena Abrantes, numa altura em que o teatro anima cada vez mais o público e floresce em palco. Além de escrever peças de teatro e de se dedicar à direcção do grupo Elinga-Teatro, desde 1988, o autor produziu romances, poesia e ensaios. O conjunto da obra de José Mena Abrantes é consubstanciado por uma profunda carga existencial. Trata-se, pois, de uma produção literária que preserva factos históricos ocorridos no período colonial, no espaço que hoje chamamos Angola, e que se afirma como crítica e reflexão sobre a realidade social e moral da época.

 Investigação em Ciências Humanas e Sociais:
Atribuir o prémio a Arlindo do Carmo Pires Barbeitos, pela sua obra ‘Angola-Portugal, Representações de si e de outrem ou jogo equívoco das identidades’, considerando a relevância, a pertinência, a cientificidade e o interesse deste trabalho. Este facto demonstra que a compartimentação dos angolanos e de outrem em categorias identitárias rígidas e hierarquizadas, com base nos conceitos modernos como raça, etnia ou nação que viriam a estabelecer as noções de eu e de outro, constitui um pressuposto das guerras civis em Angola. Este estudo, fruto de um trabalho aturado de investigação, vai enriquecer a bibliografia angolana com mais um documento que retrata um fragmento da história de Angola e contribui, por um lado, para a apreensão dos motivos íntimos e conhecidos no final da época histórica em análise e, por outro, para a compreensão dos equívocos do fenómeno de assimilação. A metodologia aplicada pode constituir um incentivo e um modelo para o alargamento da reflexão e estudo da temática.

Artes Plásticas:
Atribuir o prémio ao artista plástico Kiluanji Kia Henda, pelo conjunto da sua obra e, dada a sua internacionalização, pelas exposições fotográficas no contexto da arte contemporânea. A sua obra tem sido destacada em importantes iniciativas e espaços de diferentes países, nos continentes africano, europeu, americano e asiático. Kiluanji Kia Henda é um dos artistas angolanos com maior reconhecimento internacional, no panorama artístico da actualidade. Jovem audo-didata, tem-se destacado pelo seu trabalho fotográfico que vem desenvolvendo sobre o seu país, paralelamente à criação de séries relacionadas com outros lugares e contextos, decorrentes das várias residências artísticas em que tem participado. Na I Trienal de Luanda, em 2005, integrou programas de residências como os da galeria ZDB (Lisboa, 2007), espaço Blank Projects (Cidade do Cabo, 2008) e Fondazione di Venezia (veneza, 2010), participando também na 52ª Bienal de Veneza (Itália, 2007), na 3ª Trienal de Guangzhou (China, 2008) e na 29ª Bienal de S. Paulo (Brasil, 2010). Em 2011 foi finalista do BES PHOTO e esteve numa residência de quatro meses em Paris (Residência Internacional ‘Art Enclosures’). Seguiu logo depois para Itália, onde fez uma exposição individual com o mesmo nome na Galeria Fonti. O seu trabalho ‘Self-portrait as a white man’, desenvolvido entre Veneza e Luanda no âmbito da já citada residência internacional, também deu lugar a uma exposição individual na mesma galeria.

Teatro:
Atribuir o prémio ao Grupo Henrique Artes, pelo conjunto da obra. O grupo Henrique Artes tornou-se uma marca de incontornável referência do teatro angolano, com uma competente regularidade cénica, exibindo uma produção com padrões internacionais. Os seus textos lançam um sério desafio à urgente necessidade da edição de textos dramáticos, assim como constantes lições à arte de bem fazer teatro aos estreantes, constatado no rigor investigativo e pertinência das abordagens, bem como na personificação de níveis altos, claramente visíveis em espectáculos como ‘Luanda, meu enigma’ e ‘Côncavo e convexo’, onde satiriza a cidade capital; em ‘Amor fatal’, que retrata a trajectória da emancipação dos escravos; em ‘Mortes prematuras’, que visa despertar a consciência juvenil para a prevenção do VIH/SIDA. Produziu ‘Momentos’, ‘Distúrbios de personalidade múltipla’, ‘Renascer’, ‘Eu vi e vivi’, ‘O karateca’, ‘Um gesto de cidadania’, ‘A passageira 640’ (peça centrada na violência doméstica), ‘Elvira’ (relativa à atenção dada à marginalização da síndrome de Down no seio familiar), ‘Fragrâncias de Amor’ (uma lição de criatividade entre a mentira e o amor contemporâneo vivido no Norte da França, em Lille), ‘Corvos ao Imbondeiro’ (na qual valoriza o papel do teatro-história com a homenagem aos Comandos de Angola, com destaque para os ex-membros da Companhia de Intervenção de Defesa Popular (CIDP), e a sua marca de referência ‘Hotel Comarca’, na qual mostra de modo vivo e envolvente sonhos e frustrações de um grupo de reclusos, com a ual coleccionou uma série de prémios individuais e colectivos. O grupo Henrique Artes tornou-se uma referência da última década do teatro angolano de regular presença nos palcos convencionais do país. Dignifica a classe pelo excessivo cuidado com a ceno-técnica nas suas marcantes e regulares estreias, desde a sua fundação. 

Cinema e Audiovisuais:
Atribuir o prémio ao realizador Alberto Botelho, pelo conjunto das suas obras - ‘Encurralada’, ‘O amor de Mariana’ e ‘Os emplastros’, sendo esta última uma comédia social de redenção, amor e conflitos familiares que se transformam, de forma natural, em momentos hilariantes, protagonizados por cinco velhos traquinas, amigos e viúvos. Alberto Botelho, jovem realizador dinâmico e dedicado, a pensar Angola sempre com uma visão socio-política ou socio-cultural e perseverança, contribuindo para a nossa identidade cultural. Tem demonstrado criatividade, qualidade fotográfica nos seus filmes e prestado grande contributo para a valorização da nossa memória colectiva.

Música:
Atribuir o prémio ao cantor, compositor, instrumentista Eduardo Paim, de nome artístico General Kambuengo. Com 33 anos de carreira artística, constitui um representante activo da música e consta dos alicerces da história contemporânea angolana, ao ser considerado precursor do estilo/género musical Kizomba. É detentor de nove discos gravados e editados e obteve três discos de outro e de prata, distinções outorgadas por editoras portuguesas pela soma de 50 mil discos vendidos com os álbuns ‘Kambuengo’ (1994), ‘Do Kayaya’ (2002) e ‘Ainda há tempo’ (1996). Por ter sido pioneiro na introdução do Kizomba, foi a figura homenageada pela Rádio Nacional de Angola no ‘Top dos Mais Queridos 2009’. Com a utilização de meios técnicos electrónicos e a criação de uma linguagem rítmica, influenciou as carreiras de muitos artistas, incluindo os da nova geração.

Dança:
Atribuir o prémio ao grupo de dança tradicional Ombembwa, da província do Cunene, pelo conjunto da sua obra; por ser um fiel depositário das tradições da escola de iniciação masculina (Mukoka) entre os povos Nhaneka Humbi, onde a dança Jando se apresenta como a principal arte identitária da instituição Mukoka, que por sua vez também é dançada pelos Vahanya; por exaltar a mulher como ser igual ao homem, ao atribuir-lhe o papel de timoneira rítmica na execução da dança em que os instrumentos (batuques) são por elas tocados; pelo esforço contínuo em preservar o património imaterial da dança nacional; por ser, na actualidade, uma referência pedagógica no domínio das danças ‘Jando’, ‘Lisungu’ e ‘Nkakula’, enquanto danças e estilos musicais para iniciados e estudiosos interessados na cultura nacional; por a sua arte ser erudita e as instituições educadoras desta arte estarem sem realizações massivas, no contexto actual do país.

06.11.2012 | by martalanca | arte africana, cultura angolana, prémio

Mamadou & Sulabanku é um dos três vencedores do Prémio Afro Pepites 2012 (Melhor Artista da África Ocidental/África)

No dia 17 de Janeiro foi anunciado o Prémio Afro Pepites: Le Rêve Africain (O Sonho Africano) na categoria de Melhor Artista da África Ocidental/África, tendo sido atribuído ao grupo cabo-verdiano Mamadou & Sulabanku o segundo lugar DOS TRES GANADORES SELECCIONADOS que seram beneficiados com os mesmos prémios. A banda, liderada pelo artista senegalês radicado em Mindelo Mamadou Bhour Guewell Sene, fora nomeada como finalista por um júri profissional em Novembro do ano transacto, na sequência do lançamento do seu videoclip Lamp Fall, dirigido por Eric Mullet (Cesária Évora). A escolha final foi feita por voto directo.
Estiveram nomeados para a mesma categoria, e numa variedade de estilos musicais da região, os artistas Takeifa, Magou, Baye Gallo(Senegal), e Prince Diabaté (Guiné-Conakry)E OUTROS MUITOS. Os prémios reconhecem uma nova geração de talento musical na África Ocidental, fruto de cruzamentos culturais da africanidade, onde se incorpora Cabo Verde pela mão da banda Sulabanku, entre outras.
Já com uma década de existência e presença assídua nos palcos nacionais, pela banda fundada por Mamadou e pelos cabo-verdianos Tony Tavares e Joaquim Arenas passaram nomes como os de Voginha, o baterista Tey Santos (Cesária), o percussionista Osseynou, e mais recentemente Hêrnani Almeida, responsável pelos arranjos musicais do primeiro álbum do grupo, Arte Negro (2010).
Os demais vencedores têm sido anunciados diariamente, entre 15 e 23 de Janeiro, em categorias que incluem o Norte de África, a África Saariana, África Oriental, África Ocidental/Fusão, ÁfricaCentral/África, ou ainda África Central/Fusão. Todos os vencedores do concurso receberão agora exposição mediática internacional, uma vez que os prémios incluem uma tourné por palcos de África e da Europa, bem como contactos facilitados com produtores de espectáculos, e meios de comunicação associados à rede Africain.

 

Vídeoclip Lamp Fall:

 

Consulte a biografia de Mamadou & Sulabanku aqui.

Organização Afro Pepites:

http://www.lereveafricain.com
http://www.theafricandream.org

20.01.2012 | by joanapires | mamadou & sulabanku, melhor artista da África Ocidental/África, prémio, prémio Afro Pepites

Moçambique: Calane da Silva vence Prémio José Craveirinha

O mais importante galardão literário de Moçambique foi este ano entregue ao escritor Raul Calane da Silva, distinguindo a sua carreira “na literatura e no ensaio”. A notícia foi divulgada no passado dia 22 de Novembro.

Calane da Silva tem 66 anos. Ex-jornalista, professor universitário e antigo responsável pelo Centro Cultural do Brasil em Maputo, é autor de obras como “Lírica do Imponderável”, “Xicandarinha na lenha do mundo”, “Dos Meninos da Malanga” e “Olhar Moçambique”, entre outras.
O Prémio José Craveirinha foi instituído pela Hidroeléctrica de Cahora Bassa e tem um valor pecuniário de 700 mil meticais (cerca de 19.500 Euros). Em edições anteriores, foram distinguidos autores como Mia Couto, João Paulo Borges Coelho, Paulina Chiziane e Ungulani Ba Ka Khosa.

 

Tirado de Cena Lusófona

05.12.2011 | by joanapires | Moçambique, prémio, Prémio José Craveirinha, prémio literário

Ângelo Torres vence o prémio de "Melhor Actor Secundário" pelo filme "Estrada de Palha", de Rodrigo Areias

O 18º Festival Caminhos do Cinema Português consagrou Ângelo Torres como “Melhor Actor Secundário” pelo seu papel no western português Estrada de Palha, de Rodrigo Areias.

Estrada de Palha teve antestreia nacional no dia 9 de Julho na abertura do festival de Vila do Conde em versão cine-concerto. The Legendary Tigerman e Rita Redshoes tocaram, ao vivo, a banda sonora original que compuseram para o filme. A estreia acontecerá em Lisboa no dia 1 de Fevereiro de 2012, no Teatro São Luiz, percorrendo, depois, as salas de cinema nacionais.
A longa-metragem, produzida pela produtora Bando À Parte, foi rodada em 2010 em Castelo de Vide e conta com Vítor Correia, Nuno Melo e Ângelo Torres nos principais papéis.

Para consultar a lista completa dos vencedores do 18º Festival Caminhos do Cinema Português clique aqui.

Estrada de Palha acompanha a história de um homem que após ter vivido longe do seu país durante mais de uma década, volta à sua aldeia para vingar a morte do irmão. Inspirado nos escritos de Henry David Thoreau, traduz Desobediência Civil para Português. Num país onde a corrupção e a extorsão são encaradas com normalidade, aqueles que materializam a representação do Estado prendem e matam impunemente. Alberto tenta combater a tirania do estado e salvar o que resta da sua família. Mas este é um país onde nada muda.

Trailer Estrada de Palha

28.11.2011 | by joanapires | caminhos do cinema português, filmes, prémio

"Nôs Terra" vence prémio jovem cineasta português Cinanima

O filme “Nôs Terra”, do Colectivo de Crianças da EB1 de Trás-os-Montes, Polo 3, Ilha de Santiago (Cabo Verde) com coordenação de Rodolfo Pimenta, Joana Torgal e João Bastos, venceu o Prémio Jovem Cineasta Português (-18), para realizadores com menos de 18 anos, na edição deste ano do festival Cinanima, que se realizou de 7 a 13 de novembro, em Espinho, Portugal.
“Nôs Terra” é um filme animado, contado e vivido por crianças do interior da Ilha de Santiago, Cabo Verde. Através dos seus testemunhos, cruzam-se experiências comuns a todos os que partilham uma terra onde se aguarda a vinda da chuva para o cultivo da terra, a sua fonte de subsistência.
Com a duração de 6’30’, o filme é uma co-produção da Associação Oficinas do Convento e do Colectivo Fotograma CF24 e contou com o apoio da Direcção-Geral das Artes / Secretaria de Estado da Cultura portuguesa. Tem merecido reconhecimento internacional, nomeadamente com a selecção para o BAF - Bradford Animation Festival (Reino Unido) e para o CINEWEST - Auburn International Film Festival for Children and Young Adults (Sidney, Austrália).
O festival Cinanima é uma iniciativa da Cooperativa Nascente, de Espinho, e constitui o maior festival de cinema de animação realizado em Portugal. Organizado ininterruptamente desde 1976, é um dos mais antigos do mundo no seu género específico. Na edição deste ano, que decorreu de 7 a 13 de Novembro, o grande prémio Cinanima foi atribuído a “The Renter”, do realizador Jason Carpenter (EUA).

 

Tirado de Cena Lusófona

28.11.2011 | by joanapires | filmes, prémio

The ramsar award to Augusta Henriques (Guiné-Bissau)‏

The Ramsar Wetland Conservation Award - Management Ms Augusta Henriques, Secretary General, TINIGUENA, Guinea-Bissau.
The Ramsar Award for Management is given to Ms Augusta Henriques for her central role in the foundation of the NGO Tiniguena (“This Land is Ours”) in 1991 and for her long-term leadership and work with communities towards the creation of a Community Marine Protected Area at Urok Islands – the first marine protected area recognized by the Government of Guinea-Bissau.
In the Bijagós Archipelago, Ms Henriques created this community marine protected area, comprised of mangroves and tidal flats and home to many bird and other species, among them marine turtles and manatees.
Ms Henriques has carried out exemplary and innovative work with local communities to maintain the local culture and allow it to evolve, and at the same time to ensure sustainable livelihoods. The system of community management promoted by Ms Henriques and Tiniguena has in particular enabled the replenishment of the fish stocks. She has been very attentive to the involvement of all stakeholders at of all levels of society, including women and youth. Dialogue between all villages of the archipelago is one of the keys to the success of Ms Henriques, as it has helped the local community members to reach a common understanding of the rules for access and use of the area and its resources. Central to Ms Henriques’ work is the importance of empowerment of the local populations in the management of their natural resources, the successful inclusion of government institutions, exchanges with similar projects in the region and fundraising with international institutions.
Ms Henriques has put Ramsar principles at the heart of her work and has collaborated with the Ramsar Administrative Authority in Guinea-Bissau. In her country and in the region, she has been working in partnership with some of the Convention’s IOPs and other international organisations such as IUCN, Wetlands International, WWF, and the Banc d’Arguin Foundation (FIBA).
She has played an important role in establishing a network of marine protected areas in West Africa, and in a programme for coastal and marine areas conservation. Her innovative approach, intelligence, tireless effort and her dedication make Ms Henriques one of the major figures of environmental conservation in Guinea-Bissau and in West Africa.

17.11.2011 | by joanapires | Augusta Henriques, Guiné-Bissau, prémio