artistas selecionados Prémio BES Photo 2014

DÉLIO JASSE (Angola)| JOSÉ PEDRO CORTES (Portugal)| LETÍCIA RAMOS (Brasil)

Esta é a 4.ª edição marcada pelo estatuto internacional que o prémio assumiu, não só pelo alargamento do âmbito da seleção dos artistas (que poderão ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou de um dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa); como pela itinerância da exposição (que, após a sua apresentação no Museu Coleção Berardo, viajará para o Brasil, para ser instalada no Instituto Tomie Ohtake, de São Paulo).

A escolha de Délio Jasse, José Pedro Cortes e Letícia Ramos foi da responsabilidade de um júri de seleção representativo do triângulo geográfico referido, composto por Jacopo Crivelli Visconti(Brasil), crítico e curador independente; João Fernandes (Portugal), subdirector do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid; e Bisi Silva (Nigéria), fundadora e diretora do Centre for Contemporary Art, em Lagos, que analisaram o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio (2013).

Segundo o júri, a nomeação de Délio Jasse (Angola) prende-se com «a apresentação de três trabalhos distintos, mas inter-relacionados, que exploram as formas como o passado continuam a ter impacto no presente. Estes vestígios do passado manifestam-se de maneiras diferentes: através da história colonial, como na série Além_Mar (2013); através da transformação da paisagem urbana (especialmente numa cidade como Luanda, que cresce a um ritmo fenomenal, com a arquitetura dos anos de 1950 e 1970 a ser apagada por novos edifícios), como em Arquivo Urbano (2013); ou apenas através de imagens de indivíduos encontradas pelo mundo fora, em feiras de objetos usados, como em Contacto (2012). Com a utilização de imagens encontradas aleatoriamente e de imagens de arquivos, Délio Jasse faz o tempo confluir de uma forma que nos confronta com a nossa própria efemeridade». 

Délio Jasse, Sem Título, 2010 Gelatina de Prata sobre Papel Fibra. Painel de 15 fotografias 50X40 cm (cada)Délio Jasse, Sem Título, 2010 Gelatina de Prata sobre Papel Fibra. Painel de 15 fotografias 50X40 cm (cada)

Para o júri, José Pedro Cortes (Portugal) «tem-se destacado com uma obra fotográfica que cruza o registo da vida urbana contemporânea com uma narrativa muito pessoal da intimidade e da anonímia na delimitação entre o espaço público e o privado, centrada na relação entre os lugares e as pessoas que os vivem. Costa, o projeto que apresentou no espaço Carpe Diem, em Lisboa, foi também selecionado para a European Exhibition Photo Award, apresentada em 2012 na Deichtorhallen, em Hamburgo.”  

Na opinião do Júri, o trabalho de Letícia Ramos (Brasil) «revela um amadurecimento da sua prática artística, evidenciado pelas recentes exposições no espaço Pivô, em São Paulo, e no Museu do Trabalho de Porto Alegre. Para ambas, a artista construiu aparatos que mostram o processo de criação de imagens ao mesmo tempo simples e sofisticadas, sugerindo também uma reflexão sobre a evolução do meio fotográfico.»

28.11.2013 | by franciscabagulho | délio jasse, fotografia, José Pedro Cortes, Letícia Ramos | 0 comments

Festival Internacional de Fotografia de Cabo Verde

Mindelo, de 15 de Novembro a 13 de Dezembro de 2013.
Uma iniciativa da Associação Olho-de-gente.

ver programa no FB 


17.11.2013 | by martalanca | cabo verde, fotografia | 0 comments

Colóquio "O Império da Visão: fotografia no contexto colonial português (1860-1960)", 26-28 de Setembro de 2013, ICS

26.9.2013

10H: Sessão de abertura. Filipa Lowndes Vicente

MISSÕES/ANTROPOLOGIA – moderadora: Nélia Dias

10H30: O arquivo colonial e as fotografias do capitão Fonseca Cardoso. Ricardo Roque

10H50: O registo da diferença: fotografia e classificação jurídica das populações coloniais. Cristina Nogueira da Silva

11H10: Missão Antropológica de Moçambique (1936-1956). Fotografia como instrumento de trabalho e propaganda. Ana Cristina Roque

Pausa para Café

12H: As fotografias da Missão Antropológica e Etnológica da Guiné (1946-47): entre a forma e o conteúdo. Ana Cristina Martins 

12H20: A fotografia como instrumento auxiliar da antropologia na primeira metade do século XX: o caso da obra de Mendes Correia. Patrícia Ferraz de Matos

Debate

CONHECIMENTO/CIRCULAÇÃO – moderadora: Cristiana Bastos

15H: Do nome à imagem: a fotografia e a descrição das plantas tropicais nos finais do século XIX. António Carmo Gouveia

15H20: A Missão de Mariano de Carvalho à província de Moçambique em 1890. Paulo Jorge Fernandes 

15H40: A preto e branco: folheando a documentação fotográfica dos relatórios médicos da Diamang. Teresa Mendes Flores

Pausa para café

16H30: Olhar a nudez na fotografia colonial: representação, género e colonialismo no Arquivo Etnográfico da Guiné-Bissau. Clara Carvalho 

16H50: Imagens de muçulmanos em tempo de sedução colonial. Mário Machaqueiro

Debate

27.9.2013

EXPOSIÇÕES/REPRODUÇÕES – moderadora: Isabel Castro Henriques

10H: Da fotografia à gravura: a recriação de imagens fotográficas e a construção do imaginário colonial oitocentista. Leonor Pires Martins

10H20: O esplendor dos atlas: fotografia e cartografia visual do Império no limiar do século XX. Teresa de Castro

10H40: O indivíduo e o grupo: fotografia vs ilustração colonial no período do Estado Novo. Rita Carvalho 

Pausa para café

11H30: Imagens de Angola e Moçambique na Metrópole. Exposições de Fotografia no Palácio Foz (1938-1951). Inês Vieira Gomes

11H50: Cinema Império: contributos para uma genealogia da imagem colonial. Maria do Carmo Piçarra

Debate

RESISTÊNCIA/REVOLTA – moderadora: Ruth Rosengarten

14H30: Angola, 1961: O horror das imagens. Para uma história da fotografia na Guerra Colonial. Afonso Ramos

14H50: Etnografia Visual da Guerra Colonial/ Luta de Libertação na Guiné. Catarina Laranjeiro

15H10: Descolonizando enunciados: a quem serve objectivamente a fotografia? Carlos Barradas 

15H30: A fotografia contemporânea e as identidades pós-coloniais. Susana Martins

Debate

Pausa para café

ARQUIVAR/REVELAR – moderador: Joaquim Pais de Brito

16H30: Foto-Síntese: uma proposta de um sítio online de fotografia vernacular portuguesa. Ana Gandum e Inês Abreu e Silva

16H50: As coleções de fotografia do IICT - da conservação e restauro à acessibilidade. Catarina Mateus 

17H10: Dar a conhecer: as possibilidades e os limites da divulgação. Filipa Lowndes Vicente e Inês Vieira Gomes

28.9.2013

11-13H

Visita guiada à exposição Entre Memória e Arquivo com a curadora Ruth Rosengarten. Museu Coleção Berardo, CCB.

20.09.2013 | by raul f. curvelo | CENTRO CULTURAL DE BELÉM, colecção berardo, colonialismo, CRISTIANA BASTOS, FILIPA LOWNDES VICENTE, fotografia, ics, ISABEL CASTRO HENRIQUES, JOAQUIM PAIS DE BRITO, NÉLIA DIAS, Ruth Rosengarten | 0 comments

"Além Margem(s)" - Exposição na Plataforma Revólver

Délio Jasse | Eustáquio Neves | Francisco Vidal | Kiluanji Kia Henda | Mauro Pinto | Mónica de Miranda

ALÉM MARGEM(S)

Délio Jasse ©Délio Jasse ©

Curador: André Cunha e Carlos Alcobia

Plataforma Revólver
26 Setembro - 2 Novembro 2013 (Terças a Sábados | 14:00 to 19:00)

“O malabarista é uma síntese do conceito de território. É alguém queadministra três objetos num território para apenas dois.” – Cildo Meireles

O que significa hoje: território, transgressão, síntese?

Caminhando sucessivamente entre margem e centro, o malabarista é um indivíduo em permanente transgressão. Opta por habitar territórios em disputa, criando movimentos nascidos no dissenso, e ensaiando essa transgressão. Nas suas mãos os elementos não repousam, mantendo-se em constante movimento e permanentemente reequacionando as relações que estabelecem entre si.

“Além margem(s)” pretende evidenciar a importância da transgressão na síntese do conceito de território. Sintetizar esse conceito é, antes de mais, questionar uma só perspetiva, quando efetuada a partir de um centro, e forçando a outros deslocamentos que emanem também das margens. Os trabalhos aqui reunidos trazem-nos outros olhares, outras perspetivas, outros caminhos. Um trânsito construído por objetos, e que enquanto circulam por entre as mãos do malabarista, nos permitem também alcançar outro entendimento sobre o conceitode território.

Délio Jasse, Eustáquio Neves, Francisco Vidal, Kiluanje Kia Henda, Mauro Pinto e Mónica de Miranda, são os artistas que participam neste projeto expositivo com curadoria de André Cunha e Carlos Alcobia.

“Além Margem(s)” é produzido pela XEREM, conta com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian e apoio à produção das obras da Fineprint.

Informações e contactos:
www.xerem.org | www.alem-margem.xerem.org | geral@xerem.org
www.transboavista-vpf.net/ | plataformarevolver@gmail.com | 21 343 32 59

18.09.2013 | by herminiobovino | colagem, exposição, fotografia, pintura | 0 comments

700.000 fotografias do Portugal colonial

Mais de 700 mil fotografias do Portugal colonial vão estar disponíveis para consulta online. As imagens estão a ser digitalizadas dos acervos do Arquivo Histórico Ultramarino e do Instituto de Investigação Científica tropical.Neste momento já é possível consultar perto de 20 mil destas fotografias no site do Arquivo Científico Tropial Digital (http://actd.iict.pt/), algumas da autoria de Elmano da Cunha e Costa (ver foto), advogado em Lisboa e fotógrafo na África nos anos 30 cuja obra pictória está neste momento a ser estudada por uma investigadora holandesa.Segundo disse Catarina Marques, responsável pelo espólio do Instituto de investigação Científica Tropical e pela digitalização das imagens, as fotografias têm diversas proveniências e temáticas sendo a mais antiga de 1860 e as mais recentes de 1974.

As fotografias do espólio são valiosas também pelos vários tipos de processos fotográficos que ali existem, desde os métodos comuns de fotografia (com nitratos e acetatos de celulose) até métodos mais raros de papéis de ouro e platina.

Michele Marques Baptista

ver aqui

16.09.2013 | by martalanca | colonialismo português, fotografia | 0 comments

Present Tense, no Próximo Futuro I LISBOA

Inauguração: 21 de Junho, às 22h00

22 Jun 2013 – 1 Set 2013

Edifício Sede - galeria de exposições temporárias, Piso 01

Entrada 2 €

Kiluanji Kia Henda, 'The Great Italian Nude', 2010.Kiluanji Kia Henda, 'The Great Italian Nude', 2010.

Uma exposição com fotógrafos do sul da África. Olhando o passado, as fotografias não derivam de uma “constelação de etnias ou de tribos”, para referir a tese de Elikia M’Bokolo, e este é um pressuposto essencial na curadoria desta exposição “Present Tense”. Estamos bastante longe das fotografias feitas aos negros que “eram oficialmente e frequentemente descritos na mesma linguagem visual da fauna e da flora”, citando Santu Mofokeng in “The Black Album Photo”. Interessa-nos mostrar e confrontar o trabalho de fotógrafos que residem ou viajam por um conjunto de cidades maioritariamente situadas na larga região do sul de África sem que nada possa indicar qualquer identidade visual ou cultural da região. Independentemente dos géneros – retrato, paisagem documento, fotojornalismo – são as fotografias sobre o “Present Tense” que queremos mostrar e, este conceito de “Present Tense”, engloba também a tensão entre as linguagens, a opção pela cor ou pelo preto e branco e o detalhe divergindo do panorâmico. Com fotografias dos fotógrafos Délio Jasse, Dillon Marsh, Filipe Branquinho, Guy Tillim, Jo Ractliffe, Kiluanji Kia Henda, Mack Magagane, Malala Andrialavidrazana, Mauro Pinto, Paul Samuels, Pieter Hugo, Sabelo Mlangeni, Sammy Baloji e Tsvangirayi Mukwazhi.

António Pinto Ribeiro (curador)

“Present Tense” é uma coprodução do Programa Gulbenkian Próximo Futuro e da Fundação Calouste Gulbenkian – Delegação em França.

17.06.2013 | by martalanca | fotografia | 0 comments

1º Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte – FIF-BH

Convocatória internacional aberta a partir desta segunda-feira, 4 de março, selecionará artistas para a exposição da 1ª edição do festival, que será realizado de 12 de julho a 6 de agosto, na capital mineira

A capital mineira será um polo de discussão e reflexão sobre a imagem fotográfica no Brasil e no mundo durante o Festival Internacional de Fotografia de Belo Horizonte - FIF-BH. A primeira edição do evento, que será bienal, promoverá uma grande exposição internacional, leituras de portfólio, oficinas e palestras, além de uma Maratona Fotográfica, na qual fotógrafos profissionais e amadores deverão desenvolver trabalhos autorais na cidade. A programação ficará concentrada no período entre 12 e 21 de julho, à exceção da exposição, que se estenderá até 6 de agosto.

Idealizado e coordenado por Bruno Vilela e Guilherme Cunha, o 1º FIF-BH tem ainda a curadoria de Eduardo de Jesus, membro-diretor da Associação Cultural Videobrasil (São Paulo/SP), doutor pela ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo) e professor de pós-graduação da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas (Belo Horizonte/MG). Esta edição do festival é patrocinada pelo Sesi (Serviço Social da Indústria), uma iniciativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

O tema deste FIF-BH é Espaços Compartilhados da Fotografia, traduzindo os objetivos principais dos curadores, que são absorver a produção de diferentes lugares do mundo e ultrapassar os limites da fotografia, indo ao encontro de outras linguagens artísticas. “O FIF é um festival mais voltado para as poéticas visuais do que para a tecnicalidade. Mantém o respeito pela tradição da fotografia, mas privilegia o pensamento sobre o campo expandido da imagens, que explora a fotografia em diálogo com diversas outras mídias e plataformas de expressão sensível”, explica Guilherme.

Convocatória

A abertura da convocatória para a exposição internacional lança oficialmente o 1º FIF-BH, nesta segunda-feira, 4 de março. Com curadoria de Patrícia Azevedo, artista e professora da EBA-UFMG (Escola de Belas-Artes da Universidade Federal de Minas Gerais) e do curador do FIF-BH Eduardo de Jesus, a mostra coletiva não terá um tema específico e será construída a partir dos trabalhos inscritos.

Serão aceitas propostas de trabalhos em fotografia, nos seus mais diversos aspectos e plataformas experimentais, que se relacionem com o universo das artes visuais e que possam ser impressos em papel, projetados ou exibidos por meio de mídia eletrônica (televisores e/ou monitores).

Para se inscrever, os artistas deverão apresentar uma série de cinco a oito imagens, ficha técnica e um texto com a descrição do trabalho proposto, além de currículo e portfólio, sendo que todos os arquivos solicitados não deverão ultrapassar 10 MB. O edital pode ser consultado no site do festival (fif.art.br), que tem uma versão em inglês (en.fif.art.br).

As inscrições para a exposição estarão abertas de 4 de março até 20 de maio (23h59 GMT) de 2013, a artistas brasileiros e estrangeiros. São gratuitas e devem ser feitas exclusivamente online, pelo site do festival www.fif.art.br. O anúncio dos selecionados está previsto para junho.

A exposição será montada no espaço cultural CentoeQuatro, com irradiações para estações do metrô, e ficará aberta à visitação gratuita entre 12 de julho e 06 de agosto.

Demais atividades

Instalado em um prédio tombado do Conjunto Arquitetônico da Praça da Estação, no centro da capital mineira, o CentoeQuatro será a principal sede do 1º FIF-BH, que também promoverá atividades nas ruas e outros espaços públicos da cidade, como cafés e universidades.

Em abril, serão abertas as inscrições para leituras de portfólio, oficinas e para a Maratona Fotográfica, atividades que irão se concentrar no período entre 12 e 21 de julho.

mais contactos:  Débora Fantini press@fif.art.br

(31) 3234-6135 home office  (31) 8873-2003 celular Oi

02.03.2013 | by martalanca | Belo Horizonte, fotografia | 0 comments

No Fly Zone. A ironia pós-colonial é plástica

Um ditado popular africano diz que “enquanto o leão não tiver os seus historiadores, a glória vai sempre para o caçador”. A nova geração que cresceu na Angola independente revela com filmes, telas e galinhas empalhadas como o leão sempre teve uma história por contar. Os seis artistas angolanos chegam ao Museu Berardo em Lisboa com uma primeira preocupação de dialogar com os antigos imperadores. O entrave a derrubar é o que descrevem como a “amnésia europeia sobre o passado colonial”. “Finalmente chegou o tempo de tirar a máscara”, diz-nos Fernando Alvim, curador, a par de Suzana Sousa, da exposição “No Fly Zone. Unlimited Mileage”.

“Thirteen Hours”, Binelde Hircam“Thirteen Hours”, Binelde Hircam
Yonamine, Kiluanji Kia Henda, Edson Chagas, Binelde Hyrcam, Nástio Mosquito e Paulo Kapela (ausente na apresentação) são os artistas que representam a emergência de uma nova geração em Angola. A visão artística desta geração é sempre apresentada em contraste com o preconceito e a generalização ocidental. “Os europeus criaram a sensação de que têm o direito de desenhar os países africanos à sua imagem”, indica Fernando Alvim. As obras apresentadas antecipam o que vai ser a terceira trienal de arte em Luanda. Apesar de serem criações destinadas a uma apresentação específica, a curadora Suzana Sousa lembra que “isto são artistas mais preocupados com um discurso internacional que uma questão angolana”.

“No Fly Zone. Unlimited Mileage” ocupa o primeiro espaço do piso 0, sendo o vídeo O.R.G.A.S.M (Organization Of African States for Mellowness) a nossa primeira introdução à ironia pós-colonial. O autor Kiluanji Kia Henda desconstrói a realidade aparente, tornando o africano o beneficente do europeu. A segunda peça de Kiluanji serve de mote à nova geração. Uma sessão fotográfica mostra as antigas estátuas coloniais de Camões e Afonso Henriques num pré-fabricado, enquanto os pedestais onde estavam ficaram vazios, como se a própria história tivesse estancado.

A maior peça da exposição é “Cara-Show” de Yonamine, composta por recortes de jornais que incidem no período de Angola comunista, em 1976. “No fundo, isto acaba por ser uma versão da história através das minhas recordações de Angola”, explica-nos o artista. Yonamine ao lado dos seus recortes tenta descodificar a simbologia da guerra e da emigração no vídeo Reichsparteitagsgelände. As temáticas de obsessão pós-colonial não conseguem deixar de esconder alguma frustração artística: “Por muito que tente sair desta onda, nunca vou deixar de ser um pós-colonial”, revela Yonamine.

Em “Thirteen Hours” uma galinha caminha pomposa com uma capa napoleónica, enquanto lidera uma turma de outras 22 galinhas empalhadas. Para Binelde Hyrcam, o enredo da humanidade reflecte-se em galinhas vaidosas que caminham em frente de pequenos caixões funerários. “Isto é uma reflexão sobre a falsa vaidade humana e a constante dualidade do poder com a morte”, explica o autor. Binelde não esconde a emoção de revelar ao Museu Berardo uma obra que mistura o funesto com o irónico. “Angola e Portugal estão muito próximos, este intercâmbio cultural seguramente vai ficar na historia”, promete o autor. Na mesma sala, Edson Chagas recupera por sua vez as máscaras que o curador Fernando Alvim pediu que desaparecessem. No primeiro retrato fotográfico, três homens estão com a cabeça tapada por sacos, afogados pelas suas próprias atitudes consumistas. No segundo, as máscaras estão sobre o homem contemporâneo, engravatado e africano.

O vídeo “My African Mind”, de Nástio Mosquito, fecha a exposição, fazendo a ligação com as desconstruções históricas de Kiluanji Kia Henda. As personagens da cultura popular, como Tarzan, Tim Tim ou o filme “The African Queen”, de John Huston, são apresentadas como a visão europeia de uma África ainda desconhecida. “Sem terem visitado o continente africano, os europeus têm logo à nascença uma associação com sida e fome”, explica Nástio, acrescentando que espera “criar uma dúvida nas pessoas no que diz respeito às suas referências populares a África”. O objectivo não é apontar o dedo acusador, mas criar uma plataforma de introspecção e diálogo. “My African Mind” esteve na Tate, em Londres, e agora encontra o seu melhor alvo no público português. “Os portugueses precisam de interagir com África de outra forma, o diálogo tem sido pobre, tem de haver alguma mudança”, apela o artista.

fonte

25.02.2013 | by herminiobovino | angola, exposição, fotografia, lisboa, serigrafia, video | 0 comments

"Olhar estrangeiro em territórios conhecidos", de Luisa Mello‏ - Exposição de fotografia

“Olhar estrangeiro em territórios conhecidos”
Exposição de fotografia na Galeria das Salgadeiras.
9.2.2013 | 16.3.2013
Luisa Mello | Fotografia

No arranque das comemorações do décimo aniversário, a Galeria das Salgadeiras apresenta a exposição “Olhar estrangeiro em territórios conhecidos” da artista brasileira Luisa Mello. É a primeira exposição individual da artista na Galeria das Salgadeiras.

Uma instalação de auto-retratos em fotografia impressa em tecido, nos quais a artista aborda a temática do “Silêncio”. O seu próprio corpo, fragmentado e numa representação quase abstracta em tons monocromáticos, onde o “silêncio experimenta a matéria no espaço e no tempo” nas palavras de Luisa Melo. Segundo a artista o “silêncio experimenta a matéria no espaço e no tempo”, nesta sua abordagem fragmentada do seu próprio corpo, quase abstracta.

A exposição estará aberta ao público até 16 de Março de 2013, de Quarta-Feira a Sexta-Feira das 17h às 21h e Sábados das 16h às 21h.

Rua das Salgadeiras, 24 1200-396, Lisboa
Horário | De 4ª a 6ª: 17.00 às 21.00 | Sábado: 16.00 às 21.00
web

14.02.2013 | by herminiobovino | exposição de fotografia, fotografia, lisboa | 0 comments

Esquecidos de Mário Macilau - MAPUTO

Exposição fotográfica
de 5 de fev a 5 de março I Centro Cultural Franco-Moçambicano

> Inauguração: 
Terça-feira 5 de Fevereiro às 18h30 | entrada livre
Especialista em fotografia documental, Mário Macilau foca temas que definem os nossos tempos através de seu estilo único, que mescla o objeto e o contemporâneo. As obras desta exposição foram feitas na Nigéria, Congo, Mali, Quénia, Gabão, Camarões, Moçambique e países onde “harmonizou, a um só tempo, as ações humanas aos cenários de suas epifânias particulares”.

30.01.2013 | by martalanca | fotografia, Mário Macilau | 0 comments

"Cabral ka morri" - fotografias de Diogo Bento

“Cabral ka morri” (Cabral não morreu) é um trabalho conceptual (em progresso) do fotógrafo portuguêsDiogo Bento acerca da figura do líder guineense.

O projecto de investigação de Diogo Bento constitui uma homenagem à resistência e sobrevivência da memória de Amílcar Cabral, um dos principais responsáveis pela luta, libertação e independência da Guiné e de Cabo Verde. Sendo clara a necessidade de preservar e revisitar a vida e a obra de Amílcar Cabral, a sua proposta de construção de um arquivo dedicado a coleccionar documentos relacionados com o seu legado, sejam fotografias, suportes áudio, vídeo e alguns objectos, constitui uma investigação que não tem o propósito de formar uma narrativa com rigor documental e/ou histórico. À luz das práticas artísticas de alguns autores contemporâneos, que têm desenvolvido projectos baseados na apropriação de imagens documentais e na releitura desse legado, Diogo Bento revela assumidamente o desejo de construir uma ficção geradora de novos significados assente numa visão parcial, reflexiva, sobre a vida de Amílcar Cabral. - Sandra Vieira Jürgens, 2011

Esteve em exposição na Plataforma Revólver, Edifício Transboavista, Lisboa, entre 30 de Junho e 30 de Julho de 2011 e no Espaço Experimental de Arte e Design do M_EIA, Mindelo, Cabo Verde, de 17 a 31 de Janeiro de 2012. A instalação no espaço expositivo incluía a reprodução, em loop, do registo sonoro integral da última Mensagem de Ano Novo de Amílcar Cabral, transmitida pela Rádio Libertação em Janeiro de 1973.

 

pode ver a sequência publicada no Público aqui 

 

21.01.2013 | by martalanca | Amílcar Cabral, arquivo, Diogo Bento, fotografia | 0 comments

foto-FALA instalação audiovisual em BELO HORIZONTE

7 e 8 Dezembro 2012 – 3 sessões por dia: 19h30, 20h30 e 21h30

no CentoeQuatro Sala 3

Praça Ruy Barbosa 104 - Centro - Belo Horizonte/ MG

T: 31 3222.6457

contato@centoequatro.org

Entrada Franca

Foto-FALA é uma instalação audiovisual site-specific, que se apropria de retratos fotográficos e gera novos retratos em vídeo e fotografia de descendentes de portugueses.

Foto-Fala apresenta lado a lado, a tecnologia analógica e digital, imagens e testemunhos, numa proposta que convida o espectador a visualizar álbuns de família, a ouvir relatos em torno de histórias de filiação, genealogia, trajetórias, identidade, perda e memória.

 

Objetivos de Foto-FALA:

  1. Apresentação de uma instalação audiovisual, inspirada na fotografia do álbum de família e trajetórias de imigração de portugueses no Brasil.
  2. Criar e reforçar leituras cênicas e performativas para um projeto essencialmente fotográfico através de: vídeo, cenografia e apresentação ao público.
  3. Desenvolver um processo de recolha de retratos fotográficos, associado à realização de entrevistas com os descendentes de imigrantes portugueses, procurando abordar temas relacionados com a identidade, a transmissão de memórias em contexto familiar e a função social da fotografia e do álbum de família.
  4. Explorar, através de vídeo, os pequenos arquivos pessoais e familiares dos entrevistados.
  5. Criar retratos fotográficos dos descendentes de portugueses que são “remakes” de retratos antigos escolhidos com os entrevistados.

 

Concepção e fotografia: Inês Abreu e Silva, Ana Gandum

Produção: Manuel António Pereira (PT), Bruna Piantino (BH), Patrícia Brito (Miguilim, BH)

Edição e montagem vídeo: Nina da Silva e Rita Brás

Captação em vídeo e making of: Nina da Silva

Cenografia: Adriano Mattos Corrêa

 

Realização: Fogo Posto

Incentivo: Direcção Geral das Artes – Governo de Portugal

Apoio institucional: Consulado de Portugal em Belo Horizonte, Portugal Brasil Agora (Ano de Portugal no Brasil)

Apoio cultural:  Miguilim – Cultura e Meio Ambiente, CentoeQuatro

Parceiros: Fora das Bordas, Uaiphone 

 

A Fogo Posto Associação

FOGO POSTO é uma associação dedicada à criação de projetos artísticos e de mediação cultural, à promoção da fotografia e do vídeo e ao desenvolvimento de estratégias e objectos editoriais: foto-livros, fanzines, edições de autor, fotonovelas e brochuras.

Legalmente constituída em abril de 2012, funcionou enquanto grupo informal desde meados de 2011, através de colaborações entre os seus membros: fotógrafos, realizadores, artistas e agentes culturais, cientistas, historiadores.

Entre os seus projetos mais recentes, contam-se: A Silly Season (publicação lançada em Outubro de 2012, no Guimarães Noc Noc); criação e manutenção do site Centro de Recursos (uma base de dados sobre fotógrafos contemporâneos); e criação e implementação do site Foto-síntese (um arquivo digital de fotografia vernacular portuguesa), com lançamento previsto para Janeiro de 2013.

Em 2012, teve o apoio financeiro da Direção Geral das Artes – Governo de Portugal (Apoios à Internacionalização) e da Fundação Calouste Gulbenkian (Programa de Apoio às Artes Visuais).

 

Contato: afogoposto@gmail.com

BR +55 (31) 9878 8481 Ana Gandum

BR +55 (31) 7186 4203 Inês Abreu e Silva

 

05.12.2012 | by martalanca | fogo posto, fotografia, Rita Brás | 0 comments

ALBANO DA SILVA PEREIRA | FILIPE BRANQUINHO | PEDRO MOTTA | SOFIA BORGES

Selecionados para o Prémio BES photo 2013

O Prémio BES photo 2013 tem o prazer de anunciar os nomes dos artistas que irão participar na sua 9ª edição, a terceira marcada pelo estatuto internacional que o prémio adquiriu - não só pelo alargamento do âmbito de seleção dos artistas que poderão ser de nacionalidade portuguesa, brasileira ou dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP’s), como pela itinerância da exposição que, após ser apresentada no Museu Berardo, estará patente em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake.

A escolha de quatro artistas internacionais nomeados foi efetuada pelos três membros do Júri de Seleção da 9ª edição do BES photo que acompanharam o panorama expositivo da fotografia no período a que reporta o prémio, e que, individualmente representam o triângulo geográfico referido – Agnaldo Farias, professor, crítico, curador e consultor do Instituto Tomie Ohtake (Brasil); Delfim Sardo, curador, crítico de arte e professor (Portugal) e Bisi Silva, curadora e fundadora/diretora do Centro de Arte Contemporânea de Lagos, CCA Lagos (Nigéria).

Sobre a seleção de Albano da Silva Pereira (Portugal), o júri realça a forma como “ o seu trabalho fotográfico se situa na tradição da fotografia de viagem construindo um olhar sensível à construção de um mundo de referência próprias com enorme respeito pelo outro.

Albano Silva Pereira foi selecionado pela exposição “Passion” na Galeria Graça Brandão que decorreu em Lisboa durante o mês de Dezembro de 2011.”

A nomeação de Filipe Branquinho (Moçambique) prende-se com a “sua prática fotográfica e como esta incide na forma como o espaço funciona enquanto ‘contentor’ de elementos díspares que se aglutinam. Usando Maputo como ponto de partida, e o retrato como ímpeto, Filipe Branquinho capta o tecido urbano e a forma como os seus espaços são habitados, não apenas pelas pessoas, mas também através de sua arquitetura.

Filipe Branquinho foi selecionado pela exposição  “Ocupações temporárias 20.11”  decorrida em Maputo durante o mês de Setembro de 2011.”

Na opinião do Júri, o trabalho de Pedro Motta (Brasil) “revela um olhar agudo sobre as incoerências da realidade brasileira, sobretudo no que se refere ao avassalador processo de urbanização destruindo a natureza ou substituindo-a a situações centradas entre a violência e o absurdo, frequentemente misturando ambas.

Pedro Motta foi selecionado pela exposição “Campo Fértil” na Galeria Luísa Strina durante o mês de Junho de 2012.”

Sofia Borges (Brasil), “uma jovem fotógrafa em destaque na 30ª edição da Bienal Internacional de São Paulo, é uma produtora de enigmas. As suas imagens intrigam pelos motivos e situações apresentadas ou pela junção de imagens completamente díspares entre si, produzindo sintaxes insólitas.

Sofia Borges foi selecionada pela exposição na 30ª edição da Bienal de São Paulo que decorre entre o dia 7 de Setembro a 9 de Dezembro de 2012.”             

O Banco Espírito Santo, o Museu Berardo e o Instituto Tomie Ohtake, juntam-se assim com o intuito de promover a criatividade e integração dos artistas plásticos contemporâneos de língua portuguesa no panorama internacional e com a ambição de construírem aquele que será o maior prémio de arte contemporânea do Atlântico Sul.

O critério de seleção dos artistas em questão requer que estes tenham efetuado uma exposição de obras de suporte fotográfico e/ou a edição de uma publicação durante o período anterior à data de reunião do Júri de Seleção.

À semelhança das edições anteriores, que marcaram a internacionalização do Prémio, os artistas selecionados apresentarão os seus trabalhos no Museu Coleção Berardo numa primeira exposição com inauguração prevista para , e que, itinera para o Instituto Tomie Ohtake onde será apresentada entre Junho e Agosto de 2012.

Numa primeira fase, cada um dos artistas selecionados recebe uma bolsa de produção para a realização da exposição BES photo. Num segundo momento, que corresponde à fase de premiação, o Júri de composição internacional com nacionalidade distinta das representadas pelos artistas selecionados elegerá, a partir da exposição efetuada no Museu Coleção Berardo, o vencedor da 9ª edição, cujo valor pecuniário do prémio é de 40.000 euros.

Informação complementar e Imagens em alta resolução disponíveis para descarregar através do link

on the road, Albano Silva Pereiraon the road, Albano Silva Pereira

SOBRE O BES PHOTO

O BES photo, uma iniciativa do Banco Espírito Santo em parceria com o Museu Coleção Berardo, lançou-se em 2004, sob um formato original que se manteve ao longo de seis edições com a missão de premiar artistas portugueses ou residentes em Portugal, que tivessem apresentado trabalhos no âmbito fotográfico, num determinado período.

A 7ª edição do BES photo (2011) foi marcada pela internacionalização do prémio - um posicionamento resultante da evolução e notoriedade que o prémio alcançou no contexto nacional da fotografia no campo das artes visuais.

Esta iniciativa desenvolve-se com a realização de uma exposição conjunta de artistas previamente selecionados pelo Júri de Seleção e culmina com a atribuição do Prémio BES photo ao artista vencedor, escolhido pelo Júri de Premiação. Helena Almeida foi a vencedora da 1ª edição, em 2004, José Luís Neto venceu em 2005, Daniel Blaufuks em 2006, Miguel Soares em 2007, Edgar Martins em 2008, Filipa César em 2009,  Manuela Marques em 2011 e Mauro Pinto em 2012.

 

Ao promover iniciativas que contribuem para a mais ampla divulgação da excelência da arte suportada por fotografia, o BES pretende ser um agente ativo no desenvolvimento e promoção da arte contemporânea em Portugal e com representatividade internacional. Esta iniciativa vem reforçar o compromisso assumido pelo Banco em promover a cultura, um compromisso antigo no Grupo BES mas que pretende ser permanentemente renovado, estimulado e alinhado com o posicionamento da marca: moderna, em evolução, abrangente e com projeção junto dos diferentes segmentos da sociedade.

21.11.2012 | by martalanca | Filipe Branquinho, fotografia | 0 comments

Luanda de Baixo para Cima

Uma exposição onde se apresentam dois projectos de investigação desenvolvidos por Paula Nascimento, Stefano Rabolli Pansera e Paulo Moreira sobre o potencial urbano dos musseques de Luanda, procurando estimular o debate sobre práticas alternativas de planeamento na capital de Angola. A exposição integra material produzido no âmbito da Beyond Entropy Angola (representação oficial angolana na Bienal de Veneza 2012) e da viagem do Prémio Fernando Távora 2012 (atribuído pela Ordem dos Arquitectos - Secção Regional do Norte).


Rua do Esteiro 82, 4300-174 Porto
web, web2

21.10.2012 | by herminiobovino | exposição, fotografia, Luanda, porto | 0 comments

‘Rise and Fall of Apartheid’ - Images That Preserve History, and Make It

Photography is the common language of modern history. It’s everywhere; and everyone, in some way, understands it.

No institution presents and parses that language with more skill and force than the International Center of Photography when in peak form, which is the form it’s in for “Rise and Fall of Apartheid: Photography and the Bureaucracy of Everyday Life.”

This isn’t an emotional outcry of an exhibition, a tragedy-to-triumph aria, which it could easily have been. It’s dramatic, for sure, but in a measured, nuanced, knotty way, like a long, complex sentence with many digressive clauses and a logic sometimes hard to follow. With more than 500 photographs, supplemented by books, magazines, posters and films and spread over two floors, the show can’t help but be overwhelming. But it’s pitched as much to the mind as to the heart.

On the one hand, it’s a grand narrative of stirring sights: ardent faces, agitated bodies, camaraderie, clenched fists, funerals. It’s also a disquisition on the ordinariness of good and evil, on how people in a particular time and place encounter and partake of both and go on with their lives, no matter what.

Organized by Okwui Enwezor, an adjunct curator at the center, and Rory Bester, a South African art historian, the show is based on the idea that modern South African photography began in 1948, with the legalizing of apartheid — compulsory racial segregation — by a white-led national government.

Until then, the story goes, photography had primarily commercial and ethnological uses; after that year it became an issue-specific industry, a political weapon in a civil rights war that went on for more than four decades.

The pre-1948 photography in the show has, of course, a political dimension too. Early in the exhibition we see images of white Afrikaners re-enacting their mythical 17th-century journey from Europe to South Africa, which they claim as their divinely promised land. And although intended to have scientific validity, the carefully posed portrait photographs, some dating to the early 1920s, in A. M. Duggan-Cronin’s 11-volume “Bantu Tribes of South Africa,” likewise combine fact and fantasy. Valuable as field photographs, they also promote a vision of black South Africans as actors in an ethnographic theater, living in a perpetual yesterday.

But as this show suggests, theater became an important element in both apartheid-era politics and photography, as in pictures of the Women’s Defense of the Constitution league, known as the Black Sash, in the mid 1950s. A coalition of white women opposed to apartheid, its members staged choreographed protests, standing, impeccably dressed, in silent formation, all wearing identical black sashes over one shoulder.

This is how they appear, holding placards on the steps of Johannesburg City Hall, in an enlarged 1956 photo dominating the first floor. They make an unforgettable sight. And while their performance — that’s what it is — may have been directed toward a street audience, it was also calculatedly photogenic.

At the time the Black Sash was conceived, organized anti-apartheid activity was based on principles of Gandhian nonviolence. This was not to last. In 1960, at a demonstration against the law requiring blacks to carry identifying passbooks, police killed 69 unarmed black protesters in the township of Sharpeville, 30 miles south of Johannesburg. Everything changed.

Nelson Mandela, already a veteran activist, proposed a move to armed struggle. Popular violence erupted. In the dramaturgy of resistance the raised fist became the new symbol of black purpose and solidarity. And photography became the primary means of spreading that gesture wide.

In 1976, in Soweto, a black township that is now part of Johannesburg, police opened fire on high school students protesting the enforced use of Afrikaans in their classes. Photographers were there.

One of them, Sam Nzima, took a picture of the first person killed, 13-year-old Hector Pieterson, cradled in the arms of a fellow student. The picture appeared in print the next day, quickly spreading throughout South Africa and beyond it and inflaming anti-apartheid sentiment around the world.

Another photographer, Peter Magubane, was also at the protest, as he had been at countless others since the 1950s. His picture of the mass funeral following the Sharpeville Massacre in 1960 had immense impact at the time; his coverage of the Soweto uprising virtually defined the pictorial genre that came to be called struggle photography.

In general the show refrains from designating saints and sinners in the stories it tells. But if there’s a single photographer-hero, Mr. Magubane is it. Time and again he put himself in the line of fire and came away with history. The South African government retaliated. In 1969 he was arrested, placed in solitary for 18 months and banned from using a camera for five years. Other arrests and harassments followed.

Not all his images, though, are of combat. From 1960 comes a shot of a young black couple dancing in a Johannesburg nightclub, and one of a tense Miss South Africa, also black, minutes before she won her title. Such pictures represent the flip side of struggle photography, and the show makes a point of emphasizing them — demonstrating that even in conditions of political duress, modern, cosmopolitan black urban life flourished. It was documented in popular magazines like Drum, where, in the 1950s, Mr. Magubane and other great photojournalists — Ernest Cole, Bob Gosani and the German-born Jürgen Schadeberg — got their start.

According to Mr. Enwezor and Mr. Bester, however, not all the work in the show qualifies as photojournalism. They cite two other genres. In one, which they call engaged photography, political content is kept oblique, even inaccessible, until the contextual meaning of the image is revealed.

A 1993 shot, by the celebrated artist David Goldblatt, of a leafy bush by the side of a road could be of any bush anywhere, until you read the caption and learn that you’re looking at a remnant, preserved in a botanical garden in Cape Town, of a bramble hedge planted in 1660 by South Africa’s first Dutch settlers specifically to separate themselves from the indigenous population.

Social documentary forms the next category, exemplified by work produced, beginning in the 1980s, by the multiracial collective agency Afrapix. Afrapix photographers — among them Lesley Lawson, Chris Ledochowski, Santu Mofokeng, Guy Tillim and Paul Weinberg — tended to concentrate on politically driven series of images rather than going after single, emotionally punchy, frontline news shots.

Afrapix expanded in the bloody years leading up to the release of Nelson Mandela from prison in 1990. Two years later it dissolved, partly as result of internal conflict but also because financing for anti-apartheid initiatives decreased.

Technically the struggle was over. With Mr. Mandela’s election as president on the horizon, optimism, not criticism, was the preferred tone of the day.

If this show had been done 20 years ago, it might have ended on an upbeat note. But enough time has passed for realism, if not quite disillusionment, to set in. Significantly Mr. Mandela’s 1994 election passes without fanfare; just a few images in a small gallery. Within the densely layered, winding panorama the curators have laid out, it’s just another event in the story of a country still suffering the long-term effects of institutionalized racism.

Poverty is rife. Class privilege thrives. Conflict, interracial and black-on-black, simmers, flaring up hideously last month when the police killed striking workers at a platinum mine some 70 miles away from Johannesburg.

What’s left for photography at present, it seems, are backward looks and disappointments. At least that’s what the show’s younger photographers, Sabelo Mlangeni and Thabiso Sekgala, both born in the 1980s, focus on. Mr. Mlangeni shoots half-empty cities and their listless, probably jobless residents. Mr. Sekgala turns his eye on crumbling homelands, apartheid-created settlements meant to confine and isolate blacks. In the past they were places to escape from; in a rootless present they’re viewed with nostalgia. Over all, these are disheartening visions of everyday life.

They are part, however, of a far-from-everyday exhibition. It’s not a smooth and easy read. Its direction can be confusing; some of its images are underexplained, some of its themes are overwritten. But the material brought together is rich, its arrangements provocative and its ideas morally probing. In short, it’s really something to see, and I urge you to.

 

source: The New York Times

25.09.2012 | by herminiobovino | África do Sul, apartheid, fotografia, fotojornalismo | 0 comments