Artistas e educação radical na América Latina

Feminismo, Mulheres e Escolas de Arte

22 de outubro 2019 | 18h

com Hilary Robinson, Professor of Feminism, Art and Theory, Director of the Centre for Doctoral Training: Feminism, Sexual Politics, and Visual Culture, Loughborough University (U.K.) | Seminário em inglês

A relação entre mulheres, feminismo e escolas de arte é complexa e com especificidades geográficas. Enquanto o desenvolvimento do American women ́s art movement na década de 1970 é muitas vezes associado a programas particulares (i.e. o Feminist Art Program [Fresno State College 1970-1993; CalArts 1971-1975]) e à definição de instituições alternativas (i.e. o Feminist Studio Workshop [LA, 1973-1981]; New York Feminist Art Institute [1979-1990]), no Reino Unido a experiência foi muito diferente. Aí, as mulheres tenderam a organizar-se em grupos auto-didactas fora das escolas de arte, e com a excepção do MAFEM de Griselda Pollock em Leeds (1993-2003), a influência do feminismo na educação artística em escolas de arte restringiu-se a programas ad-hoc, seminários ou à influência de alguns professores. Contudo, os números e as percentages de alunas de arte cresceram exponencialmente desde os anos 1970 até à actualidade. Ancorando a discussão na história específica da experiência no Reino Unido, e partindo da minha experiência prévia enquanto Directora, esta comunicação irá analisar a situação de artistas mulheres em escolas de arte no Reino Unido na actualidade. Cinco décadas após a aplicação das primeiras pedagogias informadas pelo Movimento de Libertação das Mulheres, que pedagogias estão a ser utilizadas para formar grupos predominantemente femininos? O que podem ser estratégias feministas?

Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Auditório 3, torre B | Avenida de Berna 26, 1069-061 Lisboa

13.10.2019 | by martalanca | educação, feminismo, género, Hilary Robinson, Movimento de Libertação das Mulheres

A importância das mulheres africanas e afrodescendentes na luta pela igualdade de género

No âmbito das celebrações do Dia Internacional das Mulheres, 8 de Março,enquadradas no evento Women Talks promovido pela Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e outras organizações da sociedade civil, a FEMAFRO - Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes em Portugal, organizará uma sessão de reflexão e debate sobre o papel histórico das mulheres africanas e afrodescendentes na luta pela igualdade de género. Neste contexto, a sessão pretende apresentar uma análise profunda acerca da visibilidade destas mulheres na sociedade atual, assim como lançar novas formas de ação, vinculadas à questão da igualdade e da diversidade, ao espaço de emancipação e reconhecimento de lutas comuns. 
Oradoras: Regina Queiroz e Raquel Rodrigues
08 de Março 12h00 - 13h00
Sala dos Doutoramentos. Reitoria da Universidade de Lisboa - Alameda da Universidade, Lisboa

 

05.03.2017 | by martalanca | feminismo, mulheres africanas

Arte e Feminismo & WikiD Edit a Thon Lisboa 2015

Encontro de edição colectiva na Wikipedia

7 de Março das 10h às19h

Local: Labart | Universidade Lusófona, Campo Grande

Entrada livre

Inscrições: editathonlx@gmail.com

Em 2011 a Wikimedia Foundation realizou um inquérito sobre quem editava  na Wikipédia e descobriu que menos de 10% dos seus contribuintes se identificava como feminino. Enquanto as razões para esta discrepância entre géneros pode ser um assunto de debate, o seu efeito prático é objectivo.  A falta de participação feminina na produção de artigos na Wikipedia gera uma distorção nos conteúdos disponíveis, o que representa uma ausência alarmante na construção deste repositório de partilha de conhecimento cuja importância é cada vez maior.  Os problemas de género na Wikimédia encontram-se bem documentados. (inquérito em + informação)

É neste contexto que surge Arte e Feminismo & WikiD | Edit a Thon Lisboa 2015, encontro que conjuga numa só 1ª edição os dois eventos que se realizam  em Nova Iorque dias 7 e 8 de Março: Art+Feminism Edit-a-Thon no Museum of Modern Art dia 7 e  WikiD –Women Wikipedia Design organizado por ArchiteXX dia 8.

Lisboa alia-se deste modo a mais de 30 cidades ao realizar este encontro global de edição na Wikipédia focada em assuntos relacionados com arte, arquitectura e feminismo. Queremos ajudar a mudar a situação. Quer colaborar e participar? Faça parte.

Haverá um workshop de inicio à edição na Wikipédia, materiais de referência, debate e uma sessão colectiva de edição. Traga o seu laptop, ficha para ligação à corrente, ideias e artigos para entradas na Wikipédia a precisar de edição ou para novas entradas a serem criadas. 


As inscrições estão abertas até dia 5 de Março. Todos os materiais e demais informações relacionadas com o evento serão enviados aos inscritos. 

+ informação:
a nossa página Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Encontro/Edicao/Lisboa/Artefeminismo                              Facebook: https://www.facebook.com/artefeminismolx/info?tab=page_info&edited=nameorganizadores: http://artandfeminism.tumblr.com/ e https://www.facebook.com/events/416274511860793/evento pelo mundo: http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Meetup/ArtAndFeminisminquérito 2011: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/76/Editor_Survey_Report_-_April_2011.pdf

26.02.2015 | by martalanca | arte, feminismo, WikiD

Hetero qb, Museu do Chiado, LISBOA

CURADORIA: Emília Tavares & paula roush

PROGRAMA (até 14 de Abril): Zanele Muholi & Peter Goldsmid (África do Sul). Difficult Love, 2010, vídeo, cor, som, 47’33’’. Cortesia da artista e Stevenson Gallery, Cape Town e Joanesburgo

“Esta programação apresenta um conjunto internacional de obras em vídeo realizadas por mulheres, sobre temáticas que vão desde o feminismo, ao lesbianismo e transgénero. A seleção de trabalhos abrange países e realidades consideradas “periféricas”, em relação ao discurso e prática do feminismo clássico euroamericano, usualmente mais conotado como progressista na defesa da igualdade das mulheres e do género. Sociedades em que as tensões históricas, culturais, sociais, políticas e naturais sobre o género têm sido, nas últimas décadas, disputadas e reivindicadas sob outros moldes, desafiantes da própria história do movimento feminista.

Por outro lado, esta programação revela alguns dos debates mais importantes sobre as questões dos feminismos ou pós-feminismo, assim como todo o âmbito das diversidades queer, desde o lesbianismo, bissexualidade, transsexualidade ou transgénero, que têm sido fundamentais para o esclarecimento e a constituição de uma nova cultura e mentalidade sobre estas realidades.

Um desses debates tem sido o protagonizado por Judith Butler, cuja teorização histórica sobre estas questões veio, recentemente, advogar uma aproximação dos movimentos feministas e transgénero na partilha de uma série de valores, contrariando um latente conflito entres as muitas facções da identidade sexual, a favor duma sociedade que reconfigure as distinções entre vida interior e exterior, evitando as abordagens patológicas da identificação de género cruzada. Para Butler, os termos de designação do género são uma categoria histórica e estão continuamente em processo de remodelação, o que deixa em aberto outras possibilidades para o seu entendimento, já que o “sexo” e a “anatomia” também não escapam às regulações e normativas culturais. O “masculino” e o “feminino” estão permanentemente sujeitos à mudança, cada um desses termos tem histórias sociais que mudam radicalmente segundo as fronteiras geopolíticas e as obrigações culturais.

Outro debate, tem oposto a hegemonia do discurso feminista euroamericano em países e culturas negras, índias, chinesas ou árabes, denunciado as dicotomias inerentes ao discurso feminista “branco” como forma de perpetuar as relações estruturais de poder do sistema capitalista e de identificar uma abordagem ocidental de superioridade sobre o “outro”.

Este é um âmbito de renovação dos discursos feministas que vem permitir novas formas de militância e teorização. Estudos e trabalhos concretos sobre o feminismo negro ou no Islão têm sido precursores de uma nova abordagem heterogénea e descentralizadora do discurso clássico feminista, aproximando-se em muitos dos seus aspectos da realidade dos países do sul da Europa, ao fazer confluir o debate e a prática para zonas de acção que englobam vertentes como o íntimo e o biográfico a cultura popular ou os costumes, em detrimento dum discurso filosófico e teorizante.

Este programa não pretende estabelecer nenhum discurso panfletário sobre as questões de género, mas considera que o enquadramento da heterossexualidade na sociedade contemporânea tem um papel normalizador e regulador duma autoridade patriarcal, permitindo grandes margens de desigualdade no seu exercício. Disso mesmo é exemplo a múltipla abordagem artística que em díspares meios sociais tem sido efectuada nas últimas décadas, utilizando diferentes linguagens para confrontar, denunciar, divulgar ou apenas divagar sobre a complexidade do género e da sua vivência.

O tema constitui ainda um tabu de contornos pouco esclarecidos em diferentes sociedades e por diferentes razões, mas um recente dossier sobre o tema, publicado pela revista Le Magazine Littéraire colocava uma pertinente questão “ devemos ter medo do género ou pelo contrário aproveitar a destabilização que o mesmo coloca às nossas normas de pensamento para transformar/melhorar a nossa sociedade.” O género é também uma doutrina em formação, cujos contornos de debate e investigação têm tido nos últimos anos uma exponenciação relevante, bem como têm interferido de forma fracturante na organização moral, ética e social das sociedades contemporâneas, o que por si só justifica a atenção que o tema nos merece.

A teoria do género tem sido debatida e questionada em vários meios mais científicos e intelectualizados, mas a realidade é que também se instalou no debate público entre interrogação e condenação sobre os novos modelos de vivência da sexualidade, e o seu consequente enquadramento legal e político.”

Emília Tavares (Curadora)

ARTISTAS: Ana Bezelga, Ana Pérez-Quiroga e Patrícia Guerreiro, Ana Pissarra, Carla Cruz, Catarina Saraiva, Célia Domingues, Cristina Regadas, Elisabetta di Sopra, Hong Yane Wang, Itziar Okariz, Joana Bastos, Lilibeth Cuenca Rasmussen, Maimuna Adam, Mare Tralla, Maria Kheirkhah, Maria Lusitano, Mónica de Miranda, Nilbar Güres, Nisrine Boukhari, Oreet Ashery, Patrícia Guerreiro, paula roush & Maria Lusitano, Pushpamala N, Rachel Korman, Razan Akramaw, Rita GT, Roberta Lima, Sükran Moral, Susana Mendes Silva, Tejal Shah, Zanele Muholi.

+ info sobre exposição


10.04.2013 | by franciscabagulho | feminismo, lesbianismo, queer, video art

Matchuburro

O power das Tchipie!

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dica de Redy Wilson para completar o artigo Thugs no feminino.

 

13.02.2012 | by franciscabagulho | cabo verde, feminismo, hip hop

programação do Centro de Cultura e Intervenção Feminista

No Sábado, após a realização do Curso Livre  sobre Feminismos Árabes e Islâmicos (programa completo, aqui), decorrerá um debate em torno da recente publicação de Lúcia Serralheiro, o livro Mulheres em Grupo Contra a Corrente, com Anne Cova e João Esteves. O convite pode ser consultado neste link.
Outras actividades fora do CCIF são divulgadas no site e na página de Facebook, da UMAR.

21.11.2011 | by martalanca | feminismo, umar

Revista (IN)VISÍVEL

A Revista (IN)VISÍVEL tem por objectivo principal a criação de novas interpretações acerca de temáticas culturais e sociopolíticas a partir de um tratamento multidisciplinar entre variadas linguagens,  de forma a alargar o acesso ao  conhecimento a um público mais vasto.

A relevância de um projecto editorial neste âmbito, justifica-se a partir da constatação da ausência de espaços públicos de comunicação que estabeleçam um diálogo acessível acerca de temas que aqui consideramos “invisíveis”.

A invisibilidade que aqui destacamos origina-se a partir de dois principais eixos: de um lado pela forma de tratamento descontextualizado e “espectacular” realizado pelos média e de outro, pela rigidez excludente da linguagem científica. Diante do quadro exposto, a criação deste projecto surge também como tentativa de colaborar com a diminuição do fosso existente entre as linguagens académica e jornalística que, em muitos casos, seja de um lado ou seja do outro, acabam por restringir o potencial comunicativo de suas produções textuais.

A Revista, na sua primeira fase, contemplará o espaço lusófono e terá sua apresentação em formato digital com participação de colaborares/as de diferentes orientações profissionais. A periodicidade será trimestral e sua distribuição gratuita.

PRIMEIRO TEMA: PORNOGRAFIA

O tema de abertura do projecto é a Pornografia. Apesar de existirem diversos debates acerca das diferenciações socioculturais entre o que é ou não pornografia, não é interesse desta edição balizar qualquer tipo de definição certeira. E sim, experimentar as diversas formas de significação deste conceito. Uma delimitação interessante da emergência do conceito de pornografia e sua consolidação enquanto prática dá-se a partir do contexto histórico do surgimento das tecnologias de impressão “ao colocar em circulação reproduções baratas, criando um próspero mercado para o obsceno” (Moraes, 2003). Esta, segundo Moraes (2003) é uma das teses centrais da colectânea de ensaios “A invenção da pornografia – A obscenidade e as origens da modernidade, 1500-1800, organizado por Lynn Hunt (1999). Importa também realçar que o interesse deste projecto editorial afirma-se a partir das inúmeras possibilidades interpretativas deste conceito. E neste caso, prevalece a própria representação da pornografia a partir da visão escolhida pelos autores desta edição diante de uma impossibilidade delimitadora de tal prática.

O lançamento do Número Zero da Revista (IN)VISÍVEL decorrerá dia 28 de Setembro, pelas 15.30h (hora de Portugal), através de uma transmissão em directo, pela Internet.

11.09.2011 | by martalanca | feminismo, pornografia

Mulheres artistas de África

O texto “Criando um espaço de liberdade: mulheres artistas de África de N’Goné Fall prossegue uma linha iniciada com o de Kobena Mercer. Se este último desenvolve a sua argumentação em torno da questão da identidade sexual, o ensaio de N’Goné Fall introduz o tópico do género a fim de assinalar o modo como ‘ser-se mulher’ em África constitui uma condição que em nada corresponde a uma essência, mas um condicionalismo e também uma possibilidade para o trabalho artístico. Este não se resume evidentemente a questões de género, mas também é sobredeterminado pelos contextos, distintos, em que as artistas trabalham.

Extraído do catalogo da exposição Global Feminisms que teve lugar no Museu de Brooklyn de Nova Iorque no ano de 2007, o texto chama também a atenção para o modo como o feminismo não corresponde a um programa universalmente global, mas assume características distintas, nas suas manifestações locais, apesar das interdependências entre os dois planos.

Com este texto, cria-se também uma relação com a exposição virtual “Partilhando linguagens: duas gerações de artistas em Lisboa”, em que o critério de selecção dos trabalhos se orientou - não só, mas também –por questões de género.

Serve esta abordagem, tal como os textos anteriores sobre o conceito de ‘arte africana’, para salientar que a arte e os discursos em torno da sua definição ou canonização não são política nem economicamente neutros, mas dependem de contextos de poder que também contribuem para determinar o que deve ser incluído ou excluído do campo da arte e o que deve ser remetido para o estatuto de mero testemunho individual ou colectivo, ou seja, de interesse ‘etnográfico’.

ler artigo no Artafrica

19.10.2010 | by martalanca | artistas africanas, feminismo, mulher, N’Goné Fall